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11 de abril de 2013

Qual é a melhor oração?


 Nossa melhor oração é a vontade de Deus

"Sei em quem pus a minha confiança" (2 Timóteo 1,12b).
O Senhor nos separou para si e para o seu serviço. Nós já não nos pertencemos mais: somos de Deus!

Isso significa que em tudo o que fazemos – trabalhando, conversando, andando, dormindo, estudando, pregando, comendo, enfim, tudo - deve revelar que somos do Senhor e que pertencemos a Ele. Em tudo precisamos agir de acordo com a vontade divina e dar testemunho para nossos irmãos. Até mesmo nosso olhar, sorriso, modo de falar, agir e pensar têm de dar esse testemunho.

Deus nos convida a manter viva em nós a sua Divina Presença em todos os dias de nossas vidas. Onde quer que nos encontremos, a presença do Senhor nos acompanha e nós precisamos refleti-la por meio de todas as atitudes e palavras. Não estamos sozinhos. Esta certeza nos ajuda a não termos medo, porque nosso Deus é um Deus vivo e presente, que está ao nosso lado e caminha conosco.

Todo cristão deve pôr Jesus Cristo no centro de todas as atividades que realiza, pois o nosso trabalho deve ser santificado, santificante e santificador. Nossa melhor oração é a vontade de Deus.
Vamos fazer tudo, a partir deste dia, para que em nossas ações Ele se alegre conosco.

Vamos conhecê-Lo cada vez mais, dá-Lo a conhecer e levá-Lo a todos os lugares e pessoas que pudermos. Isso é oração ao ritmo da vida! Isso é trabalho santificado e missão de todos os cristãos.

Deus o abençoe!

Fonte: Monsenhor Jonas Abib

9 de abril de 2013

A COMUNIDADE PAROQUIAL E O DOENTE

Numa Comunidade Paroquial, há atividades distribuídas: catequese, liturgia, cursos bíblicos, pré-matrimoniais, etc.
Ora, estas tarefas de evangelização, ao serem desempenhadas por membros de cada paróquia, levam a que valorizemos cada um pelo que dá. E é justo e humano que o façamos.

Há diversos tipos de paróquias: grandes, pequenas, antigas e cheias de tradições, outras modernas, outras ainda urbanas e rurais.
Mas todas elas devem ser:


1. Catequéticas - Que ensinem a conhecer a fé, a amadurecê-la e desenvolvê-la.
2. Litúrgicas - onde se celebram ao longo do    ano litúrgico, os mistérios de Deus (Advento,
Natal e Pentecostes) pela celebração da Eucaristia e dos diversos sacramentos (Baptismo, Confirmação, Matrimonio, Ordem).
3. Comunidades de amor e serviço aos outros - onde todos e cada um se devem sentir irmanados em Cristo e, como Ele, viver em autenticidade a fraternidade, a solidariedade e o espírito de serviço para com os mais necessitados, os que sofrem, os marginalizados e a terceira idade.
4. Comunidades evangelizadoras - que à luz do Evangelho de Cristo se preocupem em ser testemunho autêntico no meio da sociedade,
do bairro onde vivem, do local de trabalho, e transmitem essa força salvadora, humanizadora e libertadora que vem de Cristo.
Mas para que isto resulte é necessário que cada um de nós se despoje do egoísmo pessoal, dos interesses sociais, e seja na verdade testemunho autêntico de cristão. E aqui, há duas perguntas fundamentais que ponho à reflexão de cada um:

1 - Qual é, de fato o serviço que as comunidades paroquiais prestam aos doentes?

2 - O que é que poderia ser feito por essas mesmas comunidades?
Refletindo sobre estas duas questões verifica-se que:

» O serviço aos doentes é feito quase só pelos sacerdotes e por alguns paroquianos que para isso sentem vocação ou sentido pastoral.

» A maior parte das vezes este serviço limitase ao momento final da vida, na administra-ção dos últimos sacramentos, verificando-se
que faltou, anteriormente, uma presença humana e cristã, amiga, por parte da paróquia junto do enfermo.

Numa análise sintética, o que acontece com grande número de pessoas falecidas é o seguinte:

» Um aviso à paróquia por parte da agência funerária (a maior parte das vezes) ou da família;
» Se visitar a família do defunto, o sacerdote informa-se sobre a duração da doença e o local de hospitalização;
» Se esteve em casa, não recebeu atenção religiosa, para não assustar o doente com a ideia da morte;
» Se esteve no hospital, terá tido a assistência do capelão;
» Nalguns casos chama-se o sacerdote para o sacramento da santa unção;
» Em muitos casos, realiza-se uma pastoral mais ampla que a sacramental.
» No caso do doente hospitalizado este recebe atenção por parte do capelão hospitalar, mas sente-se afastado da comunidade paroquial.

Assim é necessário:

» Valorizar o doente como membro ativo da comunidade;
 Tomar a comunidade responsável pela atenção pastoral ao doente, pela criação
» Não se limitar à administração dos sacramentos e breves visitas;
» Coordenar a ação da comunidade cristã;
» Vinculá-la com o Secretariado Diocesano da Pastoral da Saúde para a orientação, formação e coordenação.

Todos nós devemos ter presente esta situação concreta na nossa vida: a enfermidade.
Ninguém se pode dela alhear e há assim toda a razão para nos referirmos com propriedade a esta “Pastoral da saúde”.
Contudo, podemos afirmar que a presença da Igreja no mundo dos doentes é muito pobre; reduz-se a uns quantos sacerdotes e aos capelães dos hospitais e à boa vontade de alguns paroquianos - vivendo o resto da Igreja despreocupado desta situação.

Aqui faço uma chamada de atenção para a palavra “IGREJA”. Há tendência para dela nos alhearmos, como se a nós não se referisse,
esquecendo-nos de que a Igreja somos todos nós os que nos dizemos cristãos.

As comunidades paroquiais, quando servem o doente, fazem no como a um ser isolado.
É por isso que acontece que aqueles que viveram integrados numa comunidade paroquial, quando atingidos pela doença se sentem marginalizados por essa comunidade.

Numa informação do Secretariado Nacional da Pastoral da Saúde, apresentada à XXV Assembleia Plenária da Conferência Episcopal
Espanhola lia-se:

“A Pastoral da Saúde, dentro das comunidades paroquiais, ocupa hoje em dia, de um modo geral, um lugar acidental e supletivo
dentro do conjunto de atividades paroquiais. Fundamenta-se ainda, com frequência, em critérios puramente sacramentalistas, de consolação e assistência, paternalistas e individualistas. Acresce ainda que nem o
doente se sente integrado na paróquia nem esta matem uma ligação estreita com os doentes no domicílio ou no hospital.”

É possível que tudo isto aconteça porque, na maioria das nossas paróquias, não se encontrem os traços característicos de verdadeiras
comunidades; não passam de paróquias territoriais, sociologicamente cristãs. Felizmente, os leigos já vão despertando para este sentido comunitário e a participação e corresponsabilidade nas actividades da comunidade se vão tomando um facto.

Assim só nos resta uma opção bem definida: fazer das nossas paróquias verdadeiras comunidades, que sejam o fundamento do próprio conceito de Igreja.

Comunidades nas quais:

» A relação entre os mesmos seja uma relação pessoal, na fé, na esperança e no amor;
» A integração se fundamente na liberdade e a vida comunitária seja o resultado de uma experiência cristã vivida em unidade;
» Todos nos sintamos igualmente responsáveis;
» A igualdade e a fraternidade sejam um facto;
» Apareça claramente a sua dimensão aberta
e evangelizadora.
E aqui pergunto-me: que Igreja quis Jesus?
Ele anunciou o Reino: aceitou todos, não
recusou ninguém. Foi ao encontro dos marginalizados, dirigiu a sua mensagem aos pobres, ofereceu a salvação sem distinguir ninguém e negou toda a segregação. Hoje, mais do que nunca, a Igreja tem de recuperar a realidade de Povo de Deus, a sua realidade
comunitária:

Ser povo e assembleia convocados por Deus;

» Ter a vivência do amor no serviço ao próximo;
» Povo livre, que celebra a sua libertação
diante do Senhor.
» Comunidade em que o Espírito suscita os
diferentes carismas e mistérios.

E será assim que os doentes não serão mais uns marginalizados que vamos visitar de vez em quando, mas sim membros vivos da comunidade que, pela sua própria situação, vivem a fé, celebram a libertação de Cristo e se unem no amor com todos os outros e
se comprometem com a comunidade e com o mundo.

Serão eles os mensageiros da esperança como ‘’testemunhas’’ de Cristo que vem, serão os anunciadores do mundo que há-de vir, pela sua dor, pelas suas esperanças e desilusões, pela sua fé e pela celebração dos sacramentos.

O dom de confortar

Para que o nosso mundo seja mais feliz, bom, agradável e satisfatório deve estar mais equitativamente distribuído. É preciso que as pessoas carenciadas ou desconsideradas sejam mais beneficiadas, assistidas e promovidas.

Há muita dor, muito sofrimento, muita angústia, muita necessidade, muito esquecimento ou até desprezo. Não temos o direito de abusar
daqueles que sofrem.

À sociedade humana urge apresentar valores, potenciar valores,autenticar valores, que despertem a necessidade de possui-los, vivê-los e propagá-los,porque abunda grandemente a falta deles.

Infelizmente, no nosso tempo, exibem-se demasiados antivalores: egoísmo, hedonismo, ambição, ostentação, luxo, prazeres e vícios.
Consequentemente despertam-se invejas, desejos de possuir, perigos.
Há que apresentar e propor autênticos modelos humanos em favor da vida.

O voluntariado humano e social sintetiza esta determinação de fazer, até o que parece humanamente impossível, para preencher as
esperanças dos mais débeis, para dar sentido a esses anseios.
É necessário que sejamos cada vez mais contagiados pela luta a favor da vida.

Pela nossa fé, sabemos que a vida humana tem que ser um projecto que supera as nossas barreiras terrenas, os nossos limites.
Os nossos voluntariados nos hospitais, nos centros de saúde, clínicas, lares de primeira e terceira idade, até nos domicílios particulares, aceitam e querem, abnegada e desinteressadamente, trabalhar para servir a vida humana em sofrimento.

A necessidade de ver a doença como dom de Deus

De início, é difícil aceitar que a doença seja dom de Deus. Aprendemos que Ele nos criou para sermos felizes e o que podemos acreditar é que Ele nos envia somente o que é bom.

Entretanto, seu Filho, justo, perfeito, se fez homem, assumindo o nosso modo de ser, exceto no pecado. E como Ele sofreu!

Poderíamos pensar:

Ah! Mas Ele é Deus e Deus suplanta os sofrimentos. Ou ainda retrucar que Ele, como Deus, sabia que iria ressuscitar. Então já fica mais fácil suportar um mal se sabemos que ele terá fim e que, no terceiro dia, é o céu, céu de paz, de amor, de alegria.

Mas nos esquecemos de que Ele assumiu a nossa humanidade e de que Ele sofreu como pessoa humana. Tanto que Ele murmurou: “Pai, por que me abandonaste?” É o seu lado humano gritando a sua dor.

Certa vez, ouvimos de uma pessoa muito sensata e boa que “os eleitos é que sofrem mais”.
E ficávamos a pensar que a sabedoria de Deus é bem diferente da pobre “sabedoria” dos homens.
Os homens favorecem aqueles que estimam e, à vezes, que até perseguem os seus desafetos.

De qualquer forma, ficávamos a imaginar, como é que Deus pode dar aos seus eleitos à dor?

Mas São Paulo vem nos ajudar a raciocinar, a sentir como Jesus Cristo, quando ele nos diz que aprecia a sua fraqueza porque, quando se sente fraco, aí é que ele se fortalece, porque Deus vem em seu socorro.

A imagem do rio também nos ajuda a pensar na dor como um dom de Deus, quando nos lembramos de que “é nas quedas que o rio adquire força”.

Seria bom se pessoas íntegras, de boa vontade, que são formadoras de opinião, pudessem alertar as pessoas a sua volta e (quem sabe?) tentassem reverter essa situação calamitosa.

Precisamos ter esperança de que isto aconteça, com a graça de Deus. E olhar para aqueles que sofrem a doença física como preferidos e amados por Deus. Porque Deus somente dá o sofrimento àqueles  que tem um coração aberto e puro para experimentar o que faltou na paixão de Jesus Cristo.


Fonte: Padre Wagner Augusto Portugal

Desígnio benévolo de Deus

Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. mas existe outra ordem de conhecimento que O homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a da Revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo.

"Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tomam participantes da natureza divina".

"O lux beata Trinitas etprincipalis Unitas - à luz, Trindade bendita. O primordial Unidade"! Deus é beatitude eterna, vida imortal, luz sem ocaso. Deus é amor: Pai, Filho e Espírito Santo Livremente, Deus quer comunicar a glória de sua vida bem-aventurada. Este é o "desígnio" de benevolência (Ef 1,9) que ele concebeu desde antes da criação do mundo no seu Filho bem-amado predestinando-nos à adoção filial neste" Ef 1,5), isto é, "a reproduzir a imagem do seu Filho" (Rm 8,29) graças ao "Espírito de adoção filial" (Rm 8,5). Esta decisão prévia é uma "graça concedida antes de todos os séculos" (2Tm 1,9), proveniente diretamente do amor trinitário. Ele se desdobra na obra da criação, em toda história da salvação após a queda, nas missões do Filho e do Espírito, prolongadas pela missão da Igreja.

Na criação do mundo e dos homens, Deus colocou o primeiro e universal testemunho de seu amor Todo-Poderoso e de sua sabedoria, o primeiro anúncio de seu "desígnio benevolente", o qual encontra sua meta na nova criação em Cristo.

O termo "santificar" deve ser entendido aqui não primeiramente em seu sentido causativo (só Deus santifica, torna santo), mas sobretudo num sentido estimativo: reconhecer como santo, tratar de maneira santa. E assim que, na adoração, esta invocação é às vezes compreendida como um louvor e uma ação de graças. Mas este pedido, um nos é ensinado por Jesus como um optativo: um pedido, um desejo e uma espera em que Deus e o homem estão empenhados. Desde o primeiro pedido a nosso Pai, somos mergulhados no mistério íntimo de sua Divindade e no evento da salvação de nossa humanidade. Pedir-lhe que seu nome seja santificado nos envolve na "decisão prévia que lhe aprouve tomar" (Ef 1,9) para "ser santos e irrepreensíveis diante dele no amor" (Ef 1,4).

"Deu-nos a conhecer o mistério de sua vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar: .. .a de em Cristo encabeçar todas as coisas... Nele, predestinados pelo propósito daquele que tudo opera segundo o conselho de sua Vontade, fomos feitos sua herança" (Ef 1,9-11). Pedimos que se realize plenamente este desígnio amoroso na terra, como já acontece no céu.

Bem - Aventuranças - desejo natural de felicidade

Bem-aventuranças evangélicas desvendam objetivo da existência

As bem-aventuranças desvendam o objetivo da existência humana, o fim último dos atos humanos. Deus nos chama à sua própria bem-aventurança. Este chamado se dirige a cada um pessoalmente, mas também a toda a Igreja, povo novo formado por aqueles que acolheram a promessa e nela vivem na fé.

Bem-aventuranças evangélicas traçam imagem de Cristo

As bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem sua caridade; exprimem a vocação dos fiéis associados à glória de sua Paixão e Ressurreição; iluminam as ações e atitudes características da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas tribulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são iniciadas na vida da Virgem Maria e de todos os santos.

Bem-aventuranças evangélicas cerne pregação de Jesus

As bem-aventuranças estão no cerne da pregação de Jesus. Seu anúncio retoma as promessas feitas ao povo eleito desde Abraão. Jesus as completa, ordenando-as não mais simples bem-estar gozoso na terra, mas ao Reino dos Céus:

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os rnisericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim.

Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus (Mt 5,3-12a).

Bem-aventuranças evangélicas completam promessas de Deus

As bem-aventuranças retomam e completam as promessas de Deus desde Abraão, ordenando-as para o Reino dos Céus. Respondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem.

Bem-aventuranças evangélicas resposta para o desejo humano natural de felicidade

As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só ele pode satisfazê-lo.

Todos certamente queremos viver felizes, e não existe no gênero humano pessoa que não concorde com esta proposição, mesmo antes de ser formulada por inteiro.

Então, como vos hei de procurar, Senhor? Visto que, procurando a vós, meu Deus, eu procuro a vida bem-aventurada, fazei que vos procure para que minha alma viva, pois meu corpo vive de minha alma, e minha alma vive de vós.

Só Deus satisfaz.

As bem-aventuranças retomam e completam as promessas de Deus desde Abraão, ordenando-as para o Reino dos Céus. Respondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem.

O desejo da felicidade verdadeira liberta o homem do apego imoderado aos bens deste mundo, (felicidade) que se realizará na visão e na bem-aventurança de Deus. "A promessa de ver a Deus ultrapassa todas as bem-aventuranças. Na Escritura, ver é possuir. Aquele que Vê a Deus obteve todos os bens que podemos imaginar.

Caridade da Igreja inspirada pelas bem-aventuranças evangélicas

"O amor da Igreja pelos pobres... faz parte de sua tradição constante." Inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças, na pobreza de Jesus e em sua atenção aos pobres. O amor aos pobres é também um dos motivos do dever de trabalhar, "para se ter o que partilhar com quem tiver necessidade. Não se estende apenas à pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa.

5 de abril de 2013

"Bem-aventurados os pobres"

"Bem-aventurados os pobres em espírito" (Mt 5,3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, a quem já pertence o Reino:

O Verbo chama "pobreza em espírito" â humildade voluntária de um espírito humano e sua renúncia; o Apóstolo nos dá como exemplo a pobreza de Deus quando diz: "Ele se fez pobre por nós" (2 Cor 8,9).

O Senhor se queixa dos ricos porque encontram na profusão dos bens o seu consolo (Lc 6,24). "O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito busca o Reino dos Céus." O abandono nas mãos da Providência do Pai do Céu liberta da preocupação do amanhã. A confiança em Deus predispõe para a bem-aventurança dos pobres. Eles verão a Deus.

De [§1] Cristo, durante seu ministério, os evangelistas conservaram duas orações mais explícitas, que começam ambas com uma ação de graças. Na primeira[a2] , Jesus glorifica o Pai, agradece-lhe e o bendiz porque escondeu os mistérios do Reino aos que se julgam doutos e revelou-os aos "pequeninos" (os pobres das Bem-aventuranças). Sua exclamação emocionada, "Sim, Pai!", exprime o fundo de seu coração, sua adesão ao "beneplácito" do Pai, como num eco ao "Fiat" de Sua Mãe em sua concepção e como prelúdio àquele sim que dirá ao Pai em sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta adesão amorosa de seu coração de homem ao "mistério da vontade" do Pai[a3] .

Orar nos acontecimentos de cada dia e de cada instante é um dos segredos do Reino revelados aos "pequeninos", aos servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. E justo e bom orar para que a vinda do Reino de justiça e de paz influa na marcha da história, mas é também importante modelar pela oração a massa das humildes situações do cotidiano. Todas as formas de oração podem ser esse fermento ao qual o Senhor compara o Reino.

Trata-se de "nosso" pão, "um" para "muitos". A pobreza das bem-aventuranças é a virtude da partilha que convoca a comunicar e partilhar os bens materiais e espirituais, não por coação, mas por amor, para que a abundância de uns venha em socorro das necessidades dos outros

Doentes, sinal da presença de Deus


Unção dos enfermos - "Curai os enfermos" preceito de Jesus

Cristo convida seus discípulos a segui-lo, tomando cada um sua cruz. Seguindo-o, adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus os associa á sua vida pobre e de servidor. Faz com que participem de seu ministério de compaixão e de cura: "Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo" (Mc 6,12-13).

O Senhor ressuscitado renova este envio ("Em meu nome... eles imporão as mãos sobre os enfermos e estes ficarão curados". (Mc 16,17-18) e o confirma por meio dos sinais realizados pela Igreja ao invocar seu nome. Esses sinais manifestam de um modo especial que Jesus é verdadeiramente "Deus que salva".

O Espírito Santo dá a algumas pessoas um carisma especial de cura para manifestar a força da graça do ressuscitado. Todavia, mesmo as orações mais intensas não conseguem obter a cura de todas as doenças. Por isso, São Paulo deve aprender do Senhor que "basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que minha força manifesta todo o seu poder" (2Cor 12,9), e que os sofrimentos que temos de suportar podem ter como sentido "completar na minha carne o que falta às tribulações de Cristo por seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1,24).

"Curai os enfermos!" (Mt 10,8). A Igreja recebeu esta missão do Senhor e esforça-se por cumpri-la tanto pelos cuidados aos doentes como pela oração de intercessão com que os acompanha. Ela crê na presença vivificante de Cristo, médico da alma e do corpo. Esta presença age particularmente por intermédio dos sacramentos e, de modo especial, pela Eucaristia, pão que dá vida eterna a cujo liame com a saúde corporal São Paulo alude.

Entretanto, a Igreja apostólica conhece um rito próprio em favor dos doentes, atestado por São Tiago: "Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados" (Tg 5,14-l5). A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja.

Cuidado e consideração dos doentes

Os cristãos que dispõem de lazer devem lembrar-se de seus irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direito mas não podem repousar por causa da pobreza e da miséria. O domingo é tradicionalmente consagrado pela piedade cristã às boas obras e aos humildes serviços de que carecem os doentes, os enfermos, os idosos. Os cristãos santificarão ainda o domingo dispensando à sua família e aos parentes o tempo e a atenção que dificilmente podem dispensar nos outros dias da semana. O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorecem o crescimento da vida interior cristã.

Doentes no Antigo Testamento

O homem do Antigo Testamento vive a doença diante Deus. E diante de Deus que ele faz sua queixa sobre a enfermidade, e é dele, o Senhor da vida e da morte, que implora a cura . A enfermidade se toma caminho de conversão e o perdão de Deus de início à cura. Israel chega à conclusão de que a doença, de uma forma misteriosa, está ligada ao pecado e ao mal e que a fidelidade a Deus, segundo sua Lei, dá a vida: "Porque eu sou Iahweh, aquele que te restaura" (Ex 15,26). O profeta entrevê que o sofrimento também pode ter um sentido redentor para os pecados dos outros (Cf Is 53,11). Finalmente, Isaías anuncia que Deus fará chegar um tempo para Si o em que toda falta será perdoada e toda doença ser curada (Cf Is 33,24).

Doentes sinal da presença de Jesus

"Cristo Jesus, aquele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, aquele que está à direita de Deus e que intercede por nós" (Rm 8,34), está presente de múltiplas maneiras em sua Igreja): em sua Palavra, na oração de sua Igreja, "lá onde dois ou três estão reunidos em meu nome" (Mt 18,20), nos pobres, nos doentes, nos presos, em seus sacramentos, dos quais ele é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas "sobretudo (está presente) sob as espécies eucarísticas".

Jesus e cura dos doentes

A  mão. E impondo as mãos que Jesus cura os doentes e abençoa as criancinhas. Em nome dele, os apóstolos farão o mesmo. Melhor ainda: é pela imposição das mãos dos apóstolos que o Espírito Santo é dado. A Epístola aos Hebreus inclui a imposição das mãos entre os "artigos fundamentais" de seu ensinamento. A Igreja conservou este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo em suas epicleses sacramentais.

A compaixão de Cristo para com os doentes e suas numerosas curas de enfermos de todo tipo são um sinal evidente de que "Deus visitou o seu povo e de que o Reino de Deus está bem próximo. Jesus não só tem poder de curar, mas também de perdoar os pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessitam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: "Estive doente e me visitastes" (Mt 25,36). Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na origem dos incansáveis esforços para aliviá-los.

Muitas vezes Jesus pede aos enfermos que creiam. Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos, lama e ablução. Os doentes procuram tocá-lo, "porque dele saía uma força que a todos curava" (Lc 6,19). Também nos sacramentos Cristo continua a nos "tocar" para nos curar.

Comovido com tantos sofrimentos, Cristo não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: "Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças". Não curou todos os enfermos. Suas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte por sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o "pecado do mundo" (Jo 1,29). A enfermidade não é mais do que uma conseqüência do pecado. Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento, que doravante pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora.

"CURAI OS ENFERMOS..."

Cristo convida seus discípulos a segui-lo, tomando cada um sua cruz. Seguindo-o, adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus os associa á sua vida pobre e de servidor. Faz com que participem de seu ministério de compaixão e de cura: "Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo" (Mc 6,12-13).

Unção sagrada dos enfermos

A Igreja crê e confessa que existe, entre os sete sacramentos, um sacramento especialmente destinado a reconfortar aqueles que provados pela enfermidade: a Unção dos Enfermos.

Esta unção sagrada dos enfermos foi instituída por Cristo nosso Senhor como um sacramento do Novo Testamento, verdadeira e propriamente dito, insinuado por Marcos, mas recomendado aos fiéis e promulgado por Tiago, Apóstolo e irmão do Senhor.

Só os sacerdotes (bispos e presbíteros) são ministros da Unção dos Enfermos. E dever dos pastores instruir os fiéis sobre os benefícios deste sacramento. Que os fiéis incentivem os doentes a chamar o sacerdote, para receber este sacramento. Que os doentes se preparem para recebê4o com boas disposições, com a ajuda de seu pastor e de toda a comunidade eclesial, que é convidada a cercar de modo especial os doentes com suas orações e atenções fraternas.

A celebração do sacramento compreende principalmente os elementos seguintes: "os presbíteros da Igreja (Cf Tg 5,14) impõem – em silêncio - as mãos aos doentes; oram sobre eles na fé da Igreja. É a epiclese própria deste sacramento. Realizam então a unção com óleo consagrado, que, se possível, deve ser feita pelo Bispo. Essas ações litúrgicas indicam a graça que esse sacramento confere aos enfermos.

Veneração do altar e do Evangeliário

Segundo o costume tradicional, a veneração do altar e do Evangeliário é significada pelo ósculo. Todavia, nos países em que este sinal de veneração destoa das tradições e mentalidade dos povos, podem as Conferências Episcopais substituí-lo por outro sinal, com o consentimento da Sé Apostólica.

Genuflexão e inclinação

 A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até ao solo, significa adoração; é por isso reservada ao Santíssimo Sacramento e à santa Cruz desde a solene adoração na Acção litúrgica da Sexta-Feira da Paixão do Senhor, até ao início da Vigília pascal.

Na Missa, o sacerdote celebrante faz três genuflexões: após a ostensão da hóstia, após a ostensão do cálice e antes da Comunhão. As peculiaridades a observar na Missa concelebrada indicam-se nos lugares respectivos (cf. nn. 210-251).

Mas, se o sacrário com o Santíssimo Sacramento estiver no presbitério, o sacerdote, o diácono e os outros ministros genuflectem, quando chegam ao altar, ou quando se afastam dele, não, porém, durante a própria celebração da Missa.

Aliás, todos os que passam diante do Santíssimo Sacramento genuflectem, a não ser quando se vai em procissão.

Os ministros que levam a cruz processional ou os círios, em vez de genuflectirem fazem uma inclinação de cabeça.

A inclinação significa a reverência e a honra que se presta às próprias pessoas ou aos seus símbolos. As inclinações são de duas espécies: inclinação de cabeça e inclinação do corpo.

a) A inclinação de cabeça faz-se ao nomear as três Pessoas divinas conjuntamente, ao nome de Jesus, da Virgem Santa Maria e do Santo em cuja honra é celebrada a Missa.

b) A inclinação do corpo, ou inclinação profunda, faz-se: ao altar; às orações Purificai o meu coração (Munda cor meum) e De coração humilhado (In spíritu humilitátis); no Símbolo às palavras E encarnou pelo Espírito Santo (Et incarnátus est); no Cânone Romano às palavras Humildemente Vos suplicamos (Supplices te rogamus). Também o diácono faz inclinação profunda ao pedir a bênção, antes da proclamação do Evangelho. Além disso, o sacerdote faz uma pequena inclinação enquanto diz as palavras do Senhor, na consagração.

Incensação

O queimar incenso ou a incensação exprime reverência e oração, como vem significado na Sagrada Escritura (cf. Salmo 140, 2; Ap 8,3).

Pode usar-se o incenso em qualquer forma de celebração da Missa:

a) durante a procissão de entrada;

b) no princípio da Missa, para incensar a cruz e o altar;

c) na procissão e proclamação do Evangelho;

d) depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar as oblatas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;

e) à ostensão da hóstia e do cálice, depois da consagração.

O sacerdote, ao pôr o incenso no turíbulo, benze-o com um sinal da cruz, sem dizer nada.

Antes e depois da incensação, faz-se uma inclinação profunda para a pessoa ou coisa incensada, excepto ao altar e às oblatas para o sacrifício da Missa.

Incensam-se com três ductos do turíbulo: o Santíssimo Sacramento, as relíquias da santa Cruz e as imagens do Senhor expostas à veneração pública, as oblatas para o sacrifício da Missa, a cruz do altar, o Evangeliário, o círio pascal, o sacerdote e o povo.

Com dois ductos incensam-se as relíquias e imagens dos Santos expostas à veneração pública, e só no início da celebração, quando se incensa o altar.

A incensação do altar faz-se com simples ictus do seguinte modo:

a) se o altar está separado da parede, o sacerdote incensa-o em toda a volta;

b) se o altar não está separado da parede, o sacerdote incensa-o primeiro do lado direito e depois do lado esquerdo.

Se a cruz está sobre o altar ou junto dele, é incensada antes da incensação do altar; aliás, é incensada quando o sacerdote passa diante dela.

O sacerdote incensa as oblatas com três ductos do turíbulo, antes de incensar a cruz e o altar, ou fazendo, com o turíbulo, o sinal da cruz sobre as oblatas.

Purificações

Se algum fragmento da hóstia ficar aderente aos dedos, sobretudo depois da fracção ou depois da Comunhão dos fiéis, o sacerdote limpa os dedos sobre a patena ou, se parecer necessário, lava-os. Recolhe também os que eventualmente tenham ficado fora da patena.

Os vasos sagrados são purificados pelo sacerdote ou pelo diácono ou pelo acólito instituído, depois da Comunhão ou depois da Missa, quanto possível na credência. O cálice é purificado com água ou com vinho e água, que depois é consumida por quem o purificar. A patena limpa-se normalmente com o sanguinho.

Deve atender-se a que o Sangue de Cristo que eventualmente fique depois da distribuição da Comunhão, seja todo imediatamente consumido no altar.

Se cair no chão alguma hóstia ou partícula, recolhe-se reverentemente. Se acaso se derramar o Sangue do Senhor, lava-se com água o sítio em que tenha caído e deita-se depois essa água no sumidoiro colocado na sacristia.


Fonte: Missal Romano

1 de abril de 2013

Os sinais da Páscoa

Páscoa significa passagem, ou agradecimento por um caminho de libertação percorrido. Já no Antigo Testamento isto estava muito presente na vida do Povo de Deus. A Páscoa era sinalizada por diversas passagens: da Caldeia para Canaã, daí para o Egito e, do Egito, para a Terra Prometida, atravessando o Mar Vermelho e o Deserto. Todas foram marcas de libertação.

Hoje, o grande sinal da Páscoa é a ressurreição de Jesus Cristo, o milagre da vida, realizando a grande aliança de Deus com seu povo, sinalizando a passagem do Antigo para o Novo Testamento.

Após a morte de Cristo e seu sepultamento, os discípulos encontraram o sepulcro vazio, sinal “ainda duvidoso” de ressurreição, que foi confirmado mais tarde com as aparições, tornando fonte de fé para os cristãos.

Para entender os sinais do mistério da ressurreição é preciso acompanhar os primeiros tempos da Igreja. É fundamental compreender a Sagrada Escritura para entender o fato da morte gerar vida.
Não é necessário ver para crer, mas o amor conduz o discípulo a ter fé no Cristo ressuscitado.

As cenas da Semana Santa continuam acontecendo ainda hoje. Elas reavivam em nós o caminho da Paixão de Cristo e nos lembram dos sofrimentos de tantas pessoas nas diversas faixas etárias e situações do momento. Além da pobreza vivida por muitos, temos as doenças, a violência no trânsito, nas afrontas à vida etc.

Os sinais da ressurreição estão presentes na sociedade hodierna. Eles podem ser vistos naqueles que conseguem vencer na vida, saindo de uma situação de sofrimento para uma vida mais saudável.
Isto acontece tanto na condição física como também na via espiritual, no caminho de encontro com Jesus Cristo e na convivência comunitária.

Quem faz a experiência da ressurreição, na prática da vida cristã, deve ter uma nova conduta de vida e passar a olhar e cuidar também das coisas do alto, sobrenaturais e dimensões divinas. Digo isto porque nossa vida é regida pela vitória de Cristo na cruz.

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