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30 de outubro de 2012

O dia das bruxas


O dia das bruxas Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes...

- Época estranha essa em que vivemos! Enquanto a tecnologia progride a passos largos e a ciência faz avanços outrora impensados, muitos homens voltam à espiritualidade das cavernas.

Causa espanto o número de pessoas que se arriscam e arriscam seus filhos numa espiritualidade ocultista, como se das trevas pudesse vir boa coisa.

Quem se lança ao ocultismo faz como as crianças que enfiam a mão no buraco da parede de uma casa há muito abandonada; sua experiência tende a não ser das melhores. Há um sem número de pessoas que andam à cata de magos, feiticeiros, cartomantes e outros, numa tentativa desesperada de manipulação do mundo sobrenatural.

Há quem reconheça todo o mal que é o satanismo, mas o prefere mesmo assim pela ilusão de uma resposta imediata à sua causa; mesmo os que por brincadeira recorrem à essa opção, introduzem a própria alma num estado de grande desgraça, pois a simples intenção de dominar ilicitamente por meio de forças ocultas a vida alheia e a natureza das coisas o entrega ao poder do tentador.

É de pasmar as figuras monstruosas que passaram a fazer parte dos programas de televisão, filmes, desenhos animados; onde o mal é apresentado com simpatia, de forma atraente, sedutora.
Vemos muitos de nossos jovens e crianças orgulhosos por serem temidos, considerados maus, bad boys; Mas o que pasma mesmo é que as pessoas achem normal e celebrem isso.

Halloween é um culto ao horror, é uma celebração ao mal, às forças ocultas, à manipulação do sobrenatural. Atrás da desculpa de uma festa, de uma brincadeira, esconde-se uma familiarização com tudo aquilo que se opõe a Deus; é celebrar a amizade com os inimigos do bem.

Atentando à data desta festa percebemos que ela é uma afronta, é uma contraposição à celebração do dia de todos os santos.
É preciso abrir os olhos e perceber que Deus se revelou, então não há mais nada no oculto que nos interessa; somos da luz e não das trevas, e como filhos da luz é que devemos viver. “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes... Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário condenai-as abertamente”. (Ef 5, 8;10-11)


Fonte de pesquisa: Márcio Mendes, formado em teologia, autor dos livros "Quando só Deus é a resposta" e "Vencendo aflições, alcançando milagres". 

29 de outubro de 2012

Uma síntese da relação entre a Bíblia e a Tradição Divina em perguntas e respostas

Bíblia e Revelação

O que é a Revelação?

A revelação é a manifestação que Deus fez aos homens de Si mesmo e daquelas outras verdades necessárias ou convenientes para a salvação eterna.

Onde se encontra a Revelação?

A Revelação - também chamada Doutrina cristã ou Depósito da fé- encontra-se na Sagrada Escritura e na Tradição.

A quem foi confiada a Revelação?

Jesus Cristo confiou a Revelação à Igreja Católica. Por meio de seus Apóstolos, portanto, só a Igreja tem autoridade para custodiá-la, ensiná-la e interpretá-la sem erro.

O que é a Sagrada Escritura?

A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus posta por escrito sob a inspiração do Espírito Santo. O conjunto dos livros inspirados é chamado Bíblia.

O que é a Tradição?

A Tradição é a Palavra de Deus não contida na Bíblia, e sim transmitida por Jesus Cristo aos Apóstolos e por estos à Igreja.
Os ensinamentos da Tradição estão contidos nos Símbolos ou Profissões de fé (por exemplo, o Credo), nos documentos dos Concílios, nos escritos dos Santos Padres da Igreja e nos ritos da Sagrada Liturgia.

Quem é o Autor da Bíblia?

O Autor principal da Bíblia é Deus. O autor secundário ou instrumental da Bíblia é o escritor sagrado ou hagiógrafo. Por exemplo, Moisés, o profeta Isaías, São Mateus, São Paulo etc.

O que é a Inspiração bíblica?

A inspiração bíblica é uma graça específica que o Espírito Santo concede, pela qual o escritor sagrado é movido a colocar por escrito as coisas que Deus quer comunicar aos demais homens.

Quais são as propriedades da Bíblia?

As propriedades da Bíblia são: - A Unidade entre o Antigo e o Novo Testamento, e entre todas as partes de todos os livros. - A Infalibilidade (não contém erros no que compete à nossa salvação) e a Veracidade (contém as verdades necessárias para nossa salvação). - A Santidade (procede de Deus, ensina uma doutrina e nos conduz à santidade).

Como a Bíblia é dividida?

A Bíblia se divide em duas partes: Antigo e Novo Testamento. Por sua vez os livros do Antigo e Novo Testamentos se dividem em: livros históricos, didáticos e proféticos. E cada livro é dividido em capítulos e versículos.

O que o Antigo Testamento contém?

O Antigo Testamento contém os livros inspirados escritos antes da vinda de Jesus Cristo. São 46.
Os livros históricos do Antigo Testamento são 21: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio (que formam o Pentateuco), Josué, Juízes, Rute, I e II Crônicas, I e II Esdras (o 2º chamado também Neemias), Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus. Os livros didáticos do Antigo Testamento são 7: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico. Os livros proféticos do Antigo Testamento são 18: Os quatro Profetas Maiores: Isaías, Jeremias (com Lamentações e Baruc), Ezequiel, Daniel, e os doze Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

O que o Novo Testamento contém?

O Novo Testamento contém os livros inspirados escritos depois da vinda de Jesus Cristo. São 27.
Os livros históricos do Novo Testamento são 5: Os quatro Evangelhos (segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas, São João) e os Atos dos Apóstolos.
Os livros didáticos do Novo Testamento são 21: As 14 Epístolas ou Cartas de São Paulo: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemón e Hebreus. As 7 Epístolas ou Cartas chamadas católicas são: I e II de São Pedro: I, II e III de São João, a de Tiago e a de São Judas. O único livro profético do Novo Testamento é o Apocalipse de São João.

O que é o Cânon bíblico?

O Cânon bíblico é o catálogo dos setenta e três livros do Antigo e do Novo Testamentos que formam a Bíblia e que a Igreja declarou como divinamente inspirados.

Em que período foi escrita a Bíblia?

Os livros do Antigo Testamento foram escritos entre o século XV e II antes de Cristo. Os livros do Novo testamento foram escritos na segunda metade do século I. Os Livros Sagrados foram escritos em princípio em papiro e mais tarde em pergaminho.
O papiro é uma planta que abunda no Egito, o pergaminho é uma pele de cabrito que permite escrever nas duas faces. Originalmente a Bíblia estava em rolos, quer dizer, longas faixas de papiro ou de pele unida nas extremidades a dois bastões em torno a um dos quais girava.

O que é a Hermenêutica bíblica?

A Hermenêutica bíblica é a ciência que trata das normas para interpretar retamente os Livros Sagrados. A Igreja Católica é a única capacitada para interpretar autenticamente (com pleno direito e sem possibilidade de errar) a Sagrada Escritura porque Deus confiou somente a Ela a missão de guardar, ensinar e esclarecer aos fiéis sua Palavra.

Quais outras Bíblias existem?

Além da Bíblia católica, que é a única completa e verdadeira, existem a Bíblia Hebraica e as Bíblias protestantes.
A Bíblia Hebraica contém somente trinta e nove livros do Antigo Testamento.
Portanto, rejeitam sete livros do Antigo Testamento e todos os do Novo Testamento que formam a Bíblia católica.
Os protestantes, por sua vez, admitem somente a "livre interpretação" quer dizer, que cada um dever ler e interpretar a Bíblia à sua maneira, sem necessidade de submeter-se à autoridade da Igreja.
As Bíblias protestantes suprimiram alguns livros que estão na Bíblia católica; além dos livros que conservam, modificam algumas palavras para apoiar suas idéias errôneas.
Além disso, carecem de notas e comentários, não têm aprovação da autoridade da Igreja; muitas são editadas pelas "Sociedades Bíblicas", algumas dizem: "Versão do original realizado por Cipriano de Valera e C. Reyna"; a maioria delas suprime vários livros do Antigo Testamento (Sabedoria, Judite, Tobias, Eclesiástico, I e II Macabeus, entre outros) e algumas também suprimem livros do Novo (Epístolas de Tiago, de São Pedro e de São João)

Qualquer Bíblia pode ser lida?

Não. Porque pode conter erros doutrinais ou morais. Para evitar esses erros, um católico só deve ler Bíblias com notas e explicações aprovadas pela Igreja Católica, quer dizer, que tenham "Nihil Obstat" e "Imprimatur".

Como ler a Bíblia?

A Igreja recomenda a leitura da Bíblia porque é alimento constante para a vida da alma; produz frutos de santidade, é fonte de oração, grande ajuda para o ensinamento da doutrina cristã e para a pregação.

O Concílio Vaticano II "exorta a todos os fiéis com insistência a que, pela freqüente leitura das Escrituras, aprendam a ciência eminente de Cristo" (Constituição Dei Verbum, n. 25).

As disposições que se devem ter para ler e estudar a Bíblia são: fé e amor à Palavra de Deus, reta intenção, piedade e humildade para aceitar o que Deus diz.

É recomendável ler os Evangelhos diariamente durante alguns minutos. São Jerônimo diz "Leia com muita freqüência as divinas Escrituras; e mais, nunca abandone a leitura sagrada".

À luz dos ensinamentos da Igreja, a Bíblia nos permite conhecer o modo de salvar-nos e reconciliar-nos, e isso só pode se dar conhecendo, amando e encarnando a vida de Jesus Cristo.


Fonte: Rainha Maria

São Jorge é Santo reconhecido pela Igreja?

Sim. São Jorge é um Santo venerado e invocado desde o século IV como o Grande Mártir. Existem muitas lendas a respeito de São Jorge, mas a certeza que se tem é que foi militar. No ano 300 Jorge era um soldado do Império de Diocleciano.

Diante de sua forte conversão e frutos do seu Batismo São Jorge foi acusado como cristão, o que na época era motivo de escórias .

Não quis negar sua vida cristã e foi decapitado na perseguição do imperador Diocleciano, no ano 308, na Palestina. Um verdadeiro guerreio da fé. Ocupou altas posições no exército romano e converteu a esposa do imperador Diocleciano. A forma popular pelo qual é representado São Jorge, isto é , matando um dragão, não encontra fundamento real em sua vida.

Os gregos começaram a representa-lo assim, de maneira alegórica.
O dragão simboliza a idolatria que ele enfrentou com as armas da Fé, e a donzela que o Santo defende representa a província da qual ele extirpou as heresias.

Em 1340, o rei inglês Eduardo III instituiu a Ordem dos cavaleiros de São Jorge.
Foi declarado padroeiro da Inglaterra pelo Papa Bento XIV (1740 – 1758). 
Dia de São Jorge: 23 de abril
São Jorge... rogai por nós!

Fontes de Pesquisa: Site da Canção Nova,

Investigadores em busca de Falsos Milagres nos Arquivos do Vaticano

17.03.2011 - Dois investigadores à caça de falsos milagres nos arquivos vaticanos: fracasso absoluto

É o sonho de todo ateu ou cético: demonstrar que o que ontem a medicina não podia explicar, hoje já pode. Contudo, não.
 [Religión en Libertad] A cada ano, a Sagrada Congregação para as Causas dos Santos oferece um curso (Studium) de dois meses no Vaticano para formar postuladores de causas de beatificação e canonização, [aberto inclusive] a todas as pessoas que tomam parte neste tipo de processos.

 Este ano [o curso] ocorreu entre janeiro e março, e concluiu-se na sexta-feira passada [11 de março de 2011], com uma assistência de oitenta alunos de doze países: leigos, sacerdotes, religiosas e advogados civis e canônicos receberam formação naquilo que, nas palavras do secretário da Congregação e professor do curso, é «um processo judicial que deve seguir um procedimento estrito, porque uma pessoa que é beatificada – e ainda mais se é canonizada – converte-se em um “bem público” para a Igreja».

As formalidades jurídicas que aprendem os participantes do curso «não são simples formalidades, mas garantem ao máximo [aportan las máximas garantías] a seriedade do processo».
E uma parte fundamental [do processo] são os milagres, requisito para todas as causas (à exceção das dos mártires), e que em sua esmagadora [abrumadora] maioria consistem em curas inexplicáveis. Neste sentido Patrizio Polisca, presidente da comissão médica da

Congregação e médico pessoal do Papa, revelou um fato de grande importância.
Após explicar que os cientistas que participam dos processos não julgam sobre milagres, «porque um milagre é um juízo teológico», mas que se limitam a afirmar, se procede, que um fato «não tem explicação natural», o doutor Polisca contou que dois investigadores recentemente estiveram estudando a fundo os arquivos da Congregação.

Tratava-se de desenterrar [desempolvar] casos antigos que os médicos de seus tempos haviam considerados inexplicáveis, e que haviam servido para beatificar ou canonizar alguma pessoa, para averiguar se, no estado atual da medicina, estes casos teriam encontrado [alguma] explicação.

A conclusão foi clara: «não se encontrou nenhum caso que, em outros tempos, foi considerado inexplicável e que tenha, hoje, uma explicação médica». Uma prova a posteriori do rigor com o qual a Igreja trata estes casos.
De fato, sublinhou monsenhor Bartolucci, para a cura de casos de câncer a Congregação exige um mínimo de dez anos sem recaídas para começar a estudar seu suposto caráter milagroso, prazo que se estende ainda mais para o caso de tumores cerebrais.

De fato, as normas seguidas [nestes casos] não mudaram desde que foram estabelecidas por Bento XIV em 1734: a enfermidade tem que ser grave, não deve estar catalogada entre aquelas que se curam
espontaneamente, a cura não pode ser atribuída a tratamento algum e deve ser completa e duradoura.

Os avanços da Medicina nestes três séculos não permitiram desmentir nenhum dos juízos emitidos desde 1734.

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/ -  Por Jorge Ferraz 

27 de outubro de 2012

Converter-se para Evangelizar - Mensagem do Sínodo


1 Momentos finais do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, que se encerra no sábado, 27, no            Vaticano.

2 Este penúltimo dia é de intenso trabalho para os padres sinodais, na presença do Santo Padre. Pela manhã, os participantes aprovaram a Mensagem do Sínodo dos Bispos para o Povo de Deus, na conclusão da 13ª Assembleia Geral. O texto foi apresentado ao público na Sala de Imprensa da Santa Sé, em coletiva de imprensa.

3 Participaram da coletiva o Presidente da Comissão para a Mensagem, cardeal Giuseppe Betori, o Secretário Especial, dom Pierre Marie Carré, o Diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi, e mais dois membros da Comissão.

4 No texto, divido em 14 pontos, os padres sinodais afirmam que conduzir os homens e as mulheres do nosso tempo a Jesus é uma urgência que diz respeito a todas as regiões do mundo, de antiga e recente evangelização. Não se trata de recomeçar do zero, mas de inserir-se num longo caminho de proclamação do Evangelho que, desde os primeiros séculos da era cristã até hoje, percorreu a História e edificou comunidades de fiéis em todas as partes do mundo, fruto da dedicação de missionários e de mártires.

5 Caminho que começa com o encontro pessoal com Jesus Cristo e com a escuta das Escrituras. “Para evangelizar o mundo, a Igreja deve, antes de tudo, colocar-se à escuta da Palavra”, escrevem os padres sinodais, ou seja, o convite a evangelizar se traduz num apelo à conversão, a começar por nós mesmos.

6 Os bispos apontam como lugar natural da primeira evangelização a família, que desempenha um papel fundamental para a transmissão da fé. Diante das crises pelas quais passa essa célula fundamental da sociedade, com inúmeros laços matrimoniais que se desfazem, os padres sinodais se dirigem diretamente às famílias de todo o mundo, para dizer que o amor do Senhor não abandona ninguém, que também a Igreja as ama e é casa acolhedora para todos.

7 Os jovens também são destinatários da mensagem do Sínodo, definidos “presente e futuro da humanidade e da Igreja”. A nova evangelização encontra nos jovens um campo difícil, mas promissor, como demonstram as Jornadas Mundiais da Juventude.

8 Os horizontes da nova evangelização são vastos tanto quanto o mundo, afirma o Sínodo, portanto é fundamental o diálogo em vários setores: com a cultura, a educação, as comunicações sociais, a ciência e a economia. Fundamental é o diálogo inter-religioso que contribua para a paz, rejeita o fundamentalismo e denuncia a violência contra os fiéis, grave violação dos Direitos Humanos.

9 Na última parte, a Mensagem se dirige à Igreja em cada região do mundo: às Igrejas no Oriente, faz votos de que possa praticar a fé em condições de paz e de liberdade religiosa; à Igreja na África pede que desenvolva a evangelização no encontro com as antigas e novas culturas, pedindo aos governos que acabem com conflitos e violências.

 10 Os cristãos na América do Norte, que vivem numa cultura com muitas expressões distantes do Evangelho, devem priorizar a conversão e estarem abertos ao acolhimento de imigrantes e refugiados.

11 Os padres Sinodais se dirigem à América Latina com sentimento de gratidão.
“Impressiona de modo especial como no decorrer dos séculos tenha se desenvolvido formas de religiosidade popular, de serviço da caridade e de diálogo com as culturas.

Agora, diante de muitos desafios do presente, em primeiro lugar a pobreza e a violência, a Igreja na América Latina e no Caribe é exortada a viver num estado permanente de missão, anunciando o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, mostrando no empenho de seus filhos como o Evangelho pode ser fonte de uma nova sociedade justa e fraterna. Também o pluralismo religioso interroga as Igrejas da região e exige um renovado anúncio do Evangelho.”

12 Já a Igreja na Ásia, mesmo constituindo uma minoria, muitas vezes às margens da sociedade e perseguida, é encorajada e exortada à firmeza da fé.

A Europa, marcada por uma secularização agressiva, é chamada a enfrentar dificuldades no presente e, diante delas, os fieis não devem se abater, mas enfrentá-las como um desafio.

À Oceania, por fim, se pede que continue pregando o Evangelho. A Mensagem se conclui fazendo votos de que Maria, Estrela da nova evangelização, ilumine o caminho e faça florescer o deserto.


Fonte: Arquidiocese de São Paulo,Redação com News.Va 

Bispos aprovam mensagem final do Sínodo


Os bispos reunidos em Roma aprovaram nesta sexta-feira, 26, a Mensagem do Sínodo dos Bispos para o Povo de Deus.

O texto foi apresentado ao público na Sala de Imprensa da Santa Sé nesta manhã.
Ao todo, são onze páginas de reflexões apresentadas em língua italiana.

Participaram da coletiva o Presidente da Comissão para a Mensagem, cardeal Giuseppe Betori, o Secretário Especial, dom Pierre Marie Carré, o Diretor da Sala de Imprensa, padre Federico Lombardi, e mais dois membros da Comissão.

No texto, divido em 14 pontos, os padres sinodais afirmam que conduzir os homens e as mulheres do nosso tempo a Jesus é uma urgência que diz respeito a todas as regiões do mundo, de antiga e recente evangelização. Este caminho começa a partir do encontro pessoal com Jesus Cristo e com a escuta das Escrituras.

“Para evangelizar o mundo, a Igreja deve, antes de tudo, colocar-se à escuta da Palavra”, escrevem os padres sinodais.

Nova evangelização

Olhando de maneira mais concreta ao contexto da nova evangelização, o Sínodo recorda a necessidade de reavivar a fé, que corre o risco de apagar-se nos atuais contextos culturais, também contra o enfraquecimento da fé em muitos batizados.
O encontro com o Senhor, que revela Deus como amor, só acontece na Igreja como forma de comunidade acolhedora e experiência de comunhão; a partir daqui, então, os cristãos passam a ser testemunhas em outros lugares.Contudo, a Igreja afirma que, para evangelizar, é necessário, antes de tudo, ser evangelizado e lançar um chamado – começando por si mesma – à conversão, porque a debilidade dos discípulos de Jesus pesam sobre a credibilidade da missão.

A mensagem também cita que a nova evangelização acolhe favoravelmente a cooperação com outras Igrejas e comunidades eclesiais, também elas movidas pelo mesmo espírito de anúncio do Evangelho. Presta-se particular atenção aos jovens, em uma perspectiva de escuta e de diálogo para recuperar, e não mortificar, seu entusiasmo.

Juventude

Os jovens também são destinatários da Mensagem do Sínodo, definidos “presente e futuro da humanidade e da Igreja”.
A nova evangelização encontra nos jovens um campo difícil, mas promissor, como demonstram as Jornadas Mundiais da Juventude.

Família

Os bispos apontam como lugar natural da primeira evangelização a família, que desempenha um papel fundamental para a transmissão da fé. Diante das crises pelas quais passa essa célula fundamental da sociedade, com inúmeros laços matrimoniais que se desfazem, os Padres Sinodais se dirigem diretamente às famílias de todo o mundo, para dizer que o amor do Senhor não abandona ninguém, que também a Igreja as ama e é casa acolhedora para todos.

A mensagem cita também a vida consagrada, testemunho do sentido ultra-terreno da existencia humana, e as paróquias como centros de evangelização. Também recorda a importância da formação permanente para os sacerdotes e os religiosos e convida os leigos (movimentos e novas realidades eclesiais) a evangelizar permanecendo em comunhão com a Igreja

Diálogo inter-religioso

Os horizontes da nova evangelização são vastos tanto quanto o mundo, afirma o Sínodo, portanto é fundamental o diálogo em vários setores: com a cultura, a educação, as comunicações sociais, a ciência e a economia. Fundamental é o diálogo inter-religioso que contribua para a paz, rejeita o fundamentalismo e denuncia a violência contra os fiéis, grave violação dos Direitos Humanos. 

Igreja em cada região do mundo

Na última parte, a Mensagem se dirige à Igreja em cada região do mundo. Com relação à América Latina, os padres sinodais se dirigem com sentimento de gratidão. “Impressiona de modo especial como no decorrer dos séculos tenha se desenvolvido formas de religiosidade popular, de serviço da caridade e de diálogo com as culturas.

Agora, diante de muitos desafios do presente, em primeiro lugar a pobreza e a violência, a Igreja na América Latina e no Caribe é exortada a viver num estado permanente de missão, anunciando o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, mostrando no empenho de seus filhos como o Evangelho pode ser fonte de uma nova sociedade justa e fraterna. Também o pluralismo religioso interroga as Igrejas da região e exige um renovado anúncio do Evangelho.”

Às Igrejas no Oriente, o Sínodo faz votos de que possa praticar a fé em condições de paz e de liberdade religiosa.

À Igreja na África, pede que desenvolva a evangelização no encontro com as antigas e novas culturas, pedindo aos governos que acabem com conflitos e violências.

Os cristãos na América do Norte, que vivem numa cultura com muitas expressões distantes do Evangelho, devem priorizar a conversão e estarem abertos ao acolhimento de imigrantes e refugiados.

Já a Igreja na Ásia, mesmo constituindo uma minoria, muitas vezes às margens da sociedade e perseguida, é encorajada e exortada à firmeza da fé.

A Europa, marcada por uma secularização agressiva, é chamada a enfrentar dificuldades no presente e, diante delas, os fieis não devem se abater, mas enfrentá-las como um desafio.

À Oceania, por fim, se pede que continue pregando o Evangelho.

A Mensagem se conclui fazendo votos de que Maria, Estrela da nova evangelização, ilumine o caminho e faça florescer o deserto.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo, redação Canção Nova    

As perigosas mensagens do Halloween


RIO - O Vaticano fez duras críticas nesta sexta-feira ao Halloween, feriado de Dia das Bruxas comemorado em 31 de outubro, um dia antes do Dia de Todos os Santos, da Igreja Católica. Segundo o "Daily Mail", a instituição afirmou ser uma data "anticristã" e "perigosa", por ter ligação com o oculto.

A condenação do Papa ao Dia das Bruxas vem dias depois de bispos da Igreja Católica espanhola pedirem que os pais não permitam que os filhos se fantasiem de fantasmas e duendes para celebrar a data.
Em um artigo intitulado "As perigosas mensagens do Halloween", o jornal oficial do Vaticano, "L'Osservatore Romano", citou o perito litúrgico Joan Maria Canals, que disse que
"o Dia das Bruxas é uma corrente do ocultismo e completamente anticristão".

Padre Canals pediu que os pais fiquem "atentos e tentem direcionar o significado da festa para a saúde e a beleza em vez do terror, do medo e da morte". "L'Osservatore" elogiou uma igreja em Alcala de Henares, que decidiu realizar uma vigília de oração na noite de sábado, e também a ideia da arquidiocese de Paris de fazer um dia de imersão para as crianças, batizado de "Holywins" ("o sagrado vence", na tradução do inglês).

 A Igreja Católica da Itália vê com maus olhos o crescimento da popularidade da festa de Dia das Bruxas nos últimos anos. Em 2008, o jornal "Avvenire", dos bispos italianos, apelou para um completo boicote e descreveu o Dia das Bruxas como uma "perigosa celebração do terror e do macabro".


Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/vaticano-diz-que-dia-das-bruxas-perigoso-faz-duras-criticas-data-3123947#ixzz2AScwQsKF
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Dia das Bruxas

O Halloween é uma festa comemorativa celebrada todo ano no dia 31 de outubro, véspera do dia de Todos os Santos. Ela é realizada em grande parte dos países ocidentais, porém é mais representativa nos Estados Unidos. Neste país, levada pelos imigrantes irlandeses, ela chegou em meados do século XIX.

História do Dia das Bruxas

A história desta data comemorativa tem mais de 2500 anos. Surgiu entre o povo celta, que acreditavam que no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saiam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam, nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros.
Por ser uma festa pagã foi condenada na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamada de Dia das Bruxas. Aqueles que comemoravam esta data eram perseguidos e condenados à fogueira pela Inquisição. Com o objetivo de diminuir as influências pagãs na Europa Medieval, a Igreja cristianizou a festa, criando o Dia de Finados (2 de novembro).

Símbolos e Tradições

Esta festa, por estar relacionada em sua origem à morte, resgata elementos e figuras assustadoras. São símbolos comuns desta festa: fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos negros e até personagens como Drácula e Frankestein.
As crianças também participam desta festa. Com a ajuda dos pais, usam fantasias assustadoras e partem de porta em porta na vizinhança, onde soltam a frase “doçura ou travessura”. Felizes, terminam a noite do 31 de outubro, com sacos cheios de guloseimas, balas, chocolates e doces.

Halloween no Brasil

No Brasil a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a propagação da festa em território nacional, pois valorização e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.

Críticas

Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado.
Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro).
A comemoração da data também recebe fortes críticas dos setores religiosos, principalmente das religiões cristãs.

O argumento é que a festa de origem pagã dissemina, principalmente entre crianças e jovens, ideias e imagens que não correspondem aos princípios e valores cristãos.
De acordo ainda com estes religiosos, as imagens valorizando Halloween são negativas e contrárias à pratica do bem.

Fonte: suapesquisa.com

25 de outubro de 2012

O que é a Teologia da Libertação?

Com relação ao tema, parecem-me necessárias algumas observações preliminares:

1) A teologia da libertação é fenômeno extraordinariamente Complexo.
É possível formar-se um conceito da teologia da libertação segundo o qual ela vai das posições mais radicalmente marxistas até aquelas que propõem o lugar apropriado da necessária responsabilidade do cristão para com os pobres e os oprimidos no contexto de uma carreta teologia eclesial, como fizeram os documentos do CELAM, de Medellin a Puebla.

1) O presente número já estava impresso quando foi publicado o documento da Santa Sé sabre a Teologia da Libertação. Será objeto de estudos no próximo número.
Neste nosso texto, usaremos o conceito “teologia da libertação” em sentido mais restrito: sentido que compreende apenas aqueles teólogos que, de algum modo, fizeram própria a opção fundamental marxista.

Mesmo aqui existem, nos particulares, muitas diferenças que é impossível aprofundar nesta reflexão geral.
Neste contexto posso apenas tentar pôr em evidência algumas linhas fundamentais que, sem desconhecer as diversas matrizes, são muito difundidas e exercem certa influência mesmo onde não existe teologia da libertação em sentido estrito.

2) Com a análise do fenômeno da teologia da libertação torna-se manifesto um perigo fundamental paro a fé da Igreja. Sem dúvida, é preciso ter presente que um erro não pode existir se não contém um núcleo de verdade.
De fato, um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcleo de verdade assumida. Além disso, o erro não se poderia apropriar daquela parte de verdade, se essa verdade fosse suficientemente vivida e testemunhada ali onde é o seu lugar, isto é, na fé da Igreja.
Por isso, ao lado da demonstração do erro e do perigo da teologia da libertação, é preciso sempre acrescentar a pergunta: que verdade se esconde no erro e como recupera´la plenamente?

3) A teologia da libertação é um fenômeno universal sob três pontos de vista:

a) Essa teologia não pretende constituir´se como um novo tratado teológico ao lado dos outros já existentes; não pretende, por exemplo, elaborar novos aspectos da ética social da Igreja.
Ela se concebe, antes, como uma nova hermenêutica da fé cristã, quer dizer, como nova forma de compreensão e de realização do cristianismo na sua totalidade. Por isto mesmo muda todas as formas da vida eclesial: a constituição eclesiástica, a liturgia, a catequese, as opções morais;

b) A teologia da libertação tem certamente o seu centro de gravidade na América Latina, mas não é, de modo algum, fenômeno exclusivamente latino´americano. Não se pode pensá-la sem a influência determinante de teólogos europeus e também norte- americanos. Além do mais, existe também na Índia, no Sri Lanka, nas Filipinas, em Taiwan, na África embora nesta última esteja em primeiro plano a busca de uma “teologia africana”. A união dos teólogos do Terceiro Mundo é fortemente caracterizada pela atenção prestada aos temas da teologia da libertação;

c) A teologia da libertação supera os limites confessionais. Um dos mais conhecidos representantes da teologia da libertação, Hugo Assman, era sacerdote católico e ensina hoje como professor em uma Faculdade protestante, mas continua a se apresentar com o pretensão de estar acima das fronteiras confessionais.

A teologia da libertação procura criar, já desde as suas premissas, uma nova universalidade em virtude da qual as separações clássicas da Igreja devem perder a sua Importância.

 I.O Conceito de Teologia da Libertação e os Pressupostos de sua Gênese Essas observações preliminares, entretanto, já nos introduziram no núcleo do tema.
Deixam aberta, porém, a questão principal: o que é propriamente o teologia da libertação?

Em uma primeira tentativa de resposta, podemos dizer: a teologia da libertação pretende dar nova interpretação global do Cristianismo; explica o Cristianismo como uma práxis de libertação e pretende constituir-se, ela mesma, um guia para tal práxis.
Mas assim como, segundo essa teologia, toda realidade é política, também a libertação é um conceito político e o guia rumo à libertação deve ser um guia para a ação política.
“Nada resta fora do empenho político.
Tudo existe com uma colocação política” (Gutierrez).

Uma teologia que não seja “prática (o que significa dizer “essencialmente política”) é considerada “idealista” e condenada como irreal ou como veículo de conservação dos opressores no poder, para um teólogo que tenha aprendido a sua teologia na tradição clássica e que tenha aceitado a sua vocação espiritual, é difícil imaginar que seriamente se possa esvaziar a realidade global do Cristianismo em um esquema de práxis sócio-político de libertação.

A coisa é, entretanto, mais difícil, já que os teólogos da libertação continuam a usar grande parte da linguagem ascética e dogmática da Igreja em clave nova, de tal modo que aqueles que lêem e que escutam partindo de outra visão, podem ter a impressão de reencontrar o patrimônio antigo com o acréscimo apenas de algumas afirmações um pouco estranhas mas que, unidos a tanta religiosidade, não poderiam ser tão perigosas.

Exatamente a radicalidade da teologia da libertação faz com que a sua gravidade não seja avaliada de modo suficiente; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente, a sua colocação, já de partida, situa-se fora daquilo que pode ser colhido pelos tradicionais sistemas de discussão. Por isto tentarei abordar a orientação fundamental da teologia da libertação em duas etapas: primeiramente é necessário dizer algo acerca dos pressupostos que a tornaram possível; a seguir, desejo aprofundar alguns dos conceitos base que permitem conhecer algo da estrutura da teologia da libertação.

Como se chegou a esta orientação completamente nova do pensamento teológico, que se exprime na leolog1a da libertação?
Vejo principalmente três: fatores que a tornaram possível.

1) Após o Concílio, produziu-se uma situação teológica nova:

 a) Surgiu a opinião de que a tradição teológica existente até então não era mais aceitável e, por conseguinte, se deviam procurar, o partir da Escritura e dos sinais dos tempos, orientações teológicas e espirituais totalmente novas;
 b) A idéia de abertura ao mundo e de compromisso no mundo transformou-se freqüentemente em uma fé ingênua nas ciências; uma fé que acolheu as ciências humanas como um novo evangelho, sem querer ,reconhecer os seus limites e problemas próprios. A psicologia, a sociologia e a interpretação marxista da história foram considerados como cientificamente seguras e, a seguir, como instâncias não mais contestáveis do pensamento cristão;
 c) A critica da tradição por parte da exegese evangélica moderna, especialmente o de Bultmann e da sua escola, tornou-se uma, instância teológica inamovível que barrou a estrada às formas até então válidas da teologia, encorajando assim também novas construções.

 2) A situação teológica assim transformada coincidiu com uma situação da historia espiritual também ela modificada. Ao final da fase de reconstrução após a segunda guerra mundial, fase que coincidiu pouco mais ou menos com o término do Concilio, produziu-se no mundo ocidental um sensível vazio de significado, ao qual a filosofia existencialista ainda em voga não estava em condições de dar alguma resposta.
Nesta situação, as diferentes formas do neo-marxismo transformaram-se em um impulso moral e, ao mesmo tempo, em uma promessa de significado que parecia quase irresistível à juventude universal.
O marxismo, com as acentuações religiosas de Bloch e as filosofias dotadas de rigor científico de Adorno, Harkheimer, Habernas e Marcuse, ofereceram modelos de ação com os quais alguns pensadores acreditavam poder responder ao desafio da miséria no mundo e, ao mesmo tempo, poder atualizar o sentido correto da mensagem bíblica.

3) O desafio moral da pobreza e da opressão não se podia mais ignorar, no momento em que a Europa e a América do Norte atingiam uma opulência até então desconhecida. Este desafio exigia evidentemente nova respostas, que não se podiam encontrar na tradição existente até aquele momento.
A situação teológica e filosófica mudada convidava expressamente a buscar o resposta em um cristianismo que se deixasse regular pelos modelos da esperança, aparentemente fundados cientificamente, das filosofias marxistas.

II. A Estrutura Gnoseológica Fundamental da Teologia da Libertação Esta resposta se apresenta totalmente diversa nas formas particulares de teologia da libertação, teologia da evolução, teologia política, etc.
Não pode, pois, ser apresentada globalmente, Existem, no entanto, alguns conceitos fundamentais que se repetem continuamente nas diferentes variações e exprimem comuns intenções de fundo. Antes de passar aos conceitos fundamentais do conteúdo, é necessário fazer uma observação a cerca dos elementos estruturais do teologia da libertação.

Paro tal, podemos retomar o que já afirmamos acerca da situação teológica mudada após o Concilio. Como já disse, leu-se a exegese de Bultmann e da sua escola como um enunciado da “ciência sobre Jesus”, ciência que devia obviamente ser considerado como válida. O “Jesus histórico” de Bultmann, entretanto, apresentava-se separado por um abismo (o próprio Bultmann fala de Graben, fosso) do Cristo da fé.
Segundo Bultmann, Jesus pertence aos pressupostos do Novo Testamento, permanecendo. porém, encerrado no mundo do judaísmo. O resultado final dessa exegese consistiu em abalar a credibilidade histórica dos Evangelhos: o Cristo da tradição eclesial e o Jesus histórico apresentado pela ciência pertencem evidentemente a dois mundos diferentes.

A figura de Jesus foi erradicada da sua colocação na tradição por ação da ciência, considerada como instância suprema; deste modo, por um lado, a tradição pairava como algo de irreal no vazio, e, por outro, devia-se procurar para a figura de Jesus uma nova interpretação e um novo significado.
Bultmann, portanto, adquiriu importância não tanto pelas suas afirmações positivas quanto pelo resultado negativo da sua crítica: o núcleo da fé, a cristologia, permaneceu aberto a novas interpretações porque os seus enunciados originais tinham desaparecido, na medida em que eram considerados historicamente insustentáveis.
Ao mesmo tempo desautorizava-se o magistério da Igreja, na medida em que o consideravam preso a uma teoria cientificamente insustentável e, portanto, sem valor como instância cognoscitiva sobre Jesus. Os seus anunciados podiam ser considerados somente como definições frustadas de uma posição cientificamente superada.
Além disso, Bultmann foi importante para o desenvolvimento posterior de uma segunda palavra- chave. Ele trouxe à moda o antigo conceito de hermenêutica, conferindo-lhe uma dinâmica nova.

Na palavra “hermenêutica” encontra expressão a idéia de que uma compreensão real dos textos históricos não acontece através de uma mera interpretação histórica; mas toda interpretação histórica inclui certas decisões preliminares.
A hermenêutica tem a função de “atualizar”, em conexão com a determinação de dado histórico. Nela, segundo o terminologia clássica, se trata de um “fusão dos horizontes” entre “então” [“naquele tempo”] e o “hoje”.
Por conseguinte, ela suscita a pergunta: o que significa o então (“naquele tempo”), nos dias de hoje?
O próprio Bultmann respondeu a esta pergunta servindo-se da filosofia de Heidegger e interpretou, deste modo, a Bíblia em sentido existencialista. Tal resposta, hoje, não apresenta mais algum interesse; neste sentido Bultmann foi superado pela exegese atual.
Mas permaneceu a separação entre a figura de Jesus da tradição clássica e a idéia de que se pode e se deve transferir essa figura ao presente, através de uma nova hermenêutica.

A este ponto, surge o segundo elemento, já mencionado, da nossa situação: o novo clima filosófico dos anos sessenta. A análise marxista do história e da sociedade foi considerada, nesse ínterim, conto a única dotada de caráter “cientifico”, isto significa que o mundo é interpretado à luz do esquema da luta de classes e que a única escolha possível é entre capitalismo e marxismo.
Significa, além disso, que toda a realidade é política e que deve ser justificada politicamente.
O conceito bíblico do “pobre” oferece o ponto de partida para a confusão entre a imagem bíblica da história e a dialética marxista; esse conceito é interpretado com a idéia de proletariado em sentido marxista e justifica também o marxismo como hermenêutica legitima para a compreensão da Bíblia. Ora, Segundo essa compreensão, existem, e só podem existir, duas opções; pai isso, contradizer essa interpretação da Bíblia não é senão expressão do esforço da classe dominante para conservar o próprio poder, Gutierrez afirma: “A luta de classes é um dado de fato e a neutralidade acerca desse ponto é absolutamente impossível”.

A partir dai, torna-se impossível até a intervenção do magistério eclesiástico: no caso em que este se opusesse a tal interpretação do Cristianismo demonstraria apenas estar ao lado dos ricos e dos dominadores e contra os pobres e os sofredores, isto é, contra o próprio Jesus, e, na dialético da história, aliar-se-ia à parte negativo. Essa decisão, aparentemente “científica” e “hermeneuticamente” indiscutível, determina por si o rumo da ulterior interpretação do Cristianismo, seja quatro às instancias interpretativas, seja quatro aos conteúdos interpretados. No que diz respeito as instâncias interpretativas, os conceitos decisivos são: povo, comunidade, experiência, história. Se até então a Igreja, isto é, a Igreja Católica na Sua totalidade, que, transcendendo tempo e espaço, abrange os leigos (sensus fidei) e a hierarquia (magistério), fora a instância hermenêutica fundamental, hoje tornou-se a “comunidade” tal instância.

A vivência e as experiências da comunidade determinam agora a compreensão e a interpretação da Escritura. De novo pode-se dizer, aparentemente de maneira muito científica, que a figura de Jesus, apresentada nos Evangelhos, constitui uma síntese de acontecimentos e interpretações da experiência de comunidades particulares, onde no entanto a interpretação é muito mais importante do que o acontecimento, que, em si, não é mais determinável. Essa síntese original de acontecimento e interpretação pode ser dissolvida e reconstruída sempre de novo: a comunidade “interpreta” com a sua “experiência” os acontecimentos e encontra assim sua “práxis”. Esta idéia, podemos encontra-la em modo um tanto diverso do conceito de povo, com o qual se transformou a acentuação conciliar da idéia de “povo de Deus” em mito marxista. As experiências do “povo” explicam a Escritura. “Povo” torna-se assim um conceito aposto ao de “hierarquia” e em antítese a todas as instituições indicadas como forças da opressão. Afinal, é “povo” quem participa da “luta de classes”; a ”igreja popular” acontece em oposição à Igreja hierárquica. Por fim, o conceito de “história” torna-se instância hermenêutica decisiva.

A opinião, considerada cientificamente segura e irrefutável, de que a Bíblia raciocine em termos exclusivamente de história da salvação, e portanto de maneira antí-metafísica. permite a fusão do horizonte bíblico com a idéia marxista da história que procede dialeticamente como autêntica portadora de salvação; a história é o autêntica revelação e portanto a verdadeira instância hermenêutica da interpretação bíblica. Tal dialético é apoiado, algumas vezes, pela pneumatologia. Em todo caso, também esta última, no magistério que insiste em verdades permanentes, vê uma instância inimiga do progresso, dado que pensa “metafisicamente” e assim contradiz a “história”. Pode-se dizer que o conceito de história absorve o conceito de Deus e de revelação.
A “historicidade” da Bíblia deve justificar o seu papel absolutamente predominante e, portanto, deve legitimar, ao mesmo tempo, a passagem para a filosofia materialista-marxista, na qual a história assumiu a função de Deus. III.

Conceitos Fundamentais da Teologia da Libertação Com isto, chegamos aos conceitos fundamentais do conteúdo da nova interpretação do Cristianismo. Uma vez que os contextos nos quais aparecem os diversos conceitos são diferentes, gostaria de citar alguns deles, sem a pretensão de esquematiza-los. Comecemos pela nova interpretação da fé, da esperança e da caridade. Com relação a fé, por exemplo, J. Sobrinho afirma: a experiência que Jesus tem de Deus é radicalmente histórica.
“A sua fé converte-se em fidelidade”. Por isso Sobrinho substitui fundamentalmente o fé pela “fidelidade à história” (fidelidad a la historia, 143´144). Jesus é fiel à profunda convicção de que o mistério da vida do homem ... é realmente o último ... (144).
Aqui produz-se aquela fusão entre Deus e história que dá a Sobrinho a possibilidade de conservar para Jesus a fórmula de Calcedônia, ainda que com um sentido completamente mudado; pode-se ver como os critérios clássicos da ortodoxia não são aplicáveis à análise dessa teologia, Ignacio Ellacuria, na capa do livro sobre este assunto, afirma: Sobrinho “diz de novo ... que Jesus é Deus, acrescentando, porém, imediatamente, que o Deus verdadeiro é somente aquele que se revela historicamente em Jesus e nos pobres, que continuam a sua presença. Somente quem mantém unidas essas duas afirmações, é ortodoxo ....
A esperança é interpretada como “confiança no futuro” e como trabalho pelo futuro; com isso elo é subordinado novamente ao predomínio da história das classes. “Amor” consiste na “opção pelos pobres”, isto é, coincide com a opção pela luta de classes.

Os teólogos da libertação sublinham com força, diante do “falso universalismo”, a parcialidade e o caráter partidário da opção cristã; tomar partido é, segundo eles, requisito fundamental de uma correta hermenêutica dos testemunhos bíblicos.
Na minha opinião, aqui se pode reconhecer muito claramente a mistura entre uma verdade fundamental do Cristianismo e uma opção fundamental não cristã, que torna o conjunto tão sedutor: o sermão da montanha é, na verdade, a escolha por parte de Deus a favor dos pobres. Mas a interpretação dos pobres no sentido da dialética marxista da histórla e a interpretação da escolha partidária no sentido da lula de classes é um salto “eis allo genos” (grego: para outro gênero), no qual as coisas contrarias se apresentam como idênticas.
O conceito fundamental da pregação de Jesus é o de “reino de Deus”. Este conceito encontra-se também no centro das teologia da libertação, lido porém no contexto da hermenêutica marxista. Segundo J. Sobrinho, o reino não deve ser compreendido espiritualmente, nem universalmente, no sentido de uma reserva escatogicamente abstrata.

Deve ser compreendido em forma partidária e voltado para a práxis. Somente a partir da práxis de Jesus, e não teoricamente, é possível definir o que seria o reino: trabalhar na realidade histórica que nos circunda para transformá-la no reino (166).
Aqui ocorre mencionar também uma idéia fundamental de certa teologia pós-conciliar que impulsionou nessa direção. Muitos apregoaram que, segundo o Concílio, se deveriam superar todas as formas de dualismo: o dualismo de corpo e alma, de natural e sobrenatural, de imanência e transcendência, de presente e futuro.
Após o desmantelamento desses duolismos, resta apenas a possibilidade de trabalhar por um reino que se realize nesta história e em sua realidade político-econômica. Mas justamente dessa forma deixou-se de trabalhar pelo homem de hoje e se começou a destruir o presente, a favor de um futuro hipotético: assim produziu-se imediatamente o verdadeiro dualismo.

Neste contexto gostaria de mencionar também a interpretação, impressionante e definitivamente espantosa, que Sobrinho dá da morte e da ressurreição. Antes do mais, ele estabelece, contra as concepções universalistas, que a ressurreição é, em primeiro lugar, uma esperança para aqueles que são crucificados; estes constituem a maioria dos homens: todos aqueles milhões aos quais a injustiça estrutural se impõe como uma lenta crucifixão (176 e seguintes).
O crente, no entanto, participa também do senhorio de Jesus sobre a história, através da edificação do reino, isto é, na luta pela justiça e pela libertação integral, na transformação das estruturas injustas em estruturas mais humanas. Esse senhorio sobre o história é exercitado ao se repetir o gesto dê Deus que ressuscita Jesus, isto é, dando novamente vida aos crucificados da história (181). O homem assumiu o gesto de Deus e aqui a transformação total da mensagem bíblica se manifesta de maneiro quase trágica, se se pensa em como essa tentativa de imitação de Deus se desenvolveu e se desenvolve ainda. Gostaria de citar apenas alguns outros conceitos: o êxodo se transforma em uma imagem central da história da salvação; o mistério pascal é entendido como um símbolo revolucionário e, portanto, a Eucaristia é interpretada como uma festa de libertação no sentido de uma esperança político-messiânica e da sua práxis.

A palavra redenção é substituída geralmente por libertação, a qual, por sua vez, é compreendida, no contexto da história e da luta de Classes, como processo de libertação que avança, por fim, é fundamental também a acentuação da práxis: a verdade não deve ser compreendido em sentido metafísico; trata-se de “idealismo”.
A verdade realiza-se na história e na práxis, A ação é a verdade. Por conseguinte, também as idéias que se usam para ação, em última instância são intercambiáveis. A única coisa decisiva é a práxis.
A práxis torna-se, assim, o única .e verdadeira ortodoxia. Desta forma justifica-se um enorme afastamento dos textos bíblicos: a crítica histórica liberta da interpretação tradicional, que aparece como não científica. Com relação ó tradição, atribui-se importância ao máximo rigor cientifico na linha de Buftmann.

Mas os conteúdos da Bíblia, determinados historicamente, não podem, por sua vez, ser vinculantes de modo absoluto.
O instrumento para a interpretação não é, em última análise, a pesquisa histórica, mas, sim, a hermenêutica da história, experimentada na comunidade, isto é, nos grupos políticos, sobretudo dado que a maior parte dos próprios conteúdos bíblicos deve ser considerada como produto de tal hermenêutica comunitária. 
Quando se tenta fazer um julgamento geral, deve-se dizer que, quando alguém procura compreender as opções fundamentais da teologia da libertação não pode negar que o conjunto contém uma lógica quase incontestável.
Comi as premissas da critica bíblica e da hermenêutica fundada na experiência, de um lado, e da análise marxista da história, de outro, conseguiu-se criar uma visão de conjunto do cristianismo que parece responder plenamente tanto às exigências da ciência, quanto aos desafios morais dos nossos tempos.
E, portanto, impõe-se aos homens de modo imediato o tarefa de fazer do Cristianismo um instrumento da transformação concreta do mundo, o que pareceria uni-lo a todas as forças progressistas da nossa época.

Pode-se, pois, compreender como esta nova interpretação do Cristianismo atraia sempre mais teólogos, sacerdotes e religiosos, especialmente no contexto dos problemas do terceiro mundo. Subtrair-se a ela deve necessariamente aparecer aos olhos deles como uma evasão da realidade, como uma renúncia à razão e à moral. Porém, de outra parte, quando se pensa o quanto seja radical a interpretação do Cristianismo que dela deriva, torna-se ainda mais urgente o problema do que se possa e se deva fazer frente a ela.
À guisa de comentário, parece oportuno salientar os seguintes pontos:

 1) A Teologia da Libertação não é um novo tratado teológico ao lado de outros já existentes, mas é uma nova interpretação do Cristianismo, que revira radicalmente as verdades da fé, a constituição da Igreja, a Liturgia, a catequética e as opções morais.
 2) Todos os valores e toda a realidade são considerados do ponto de vista político. Uma teologia que não seja essencialmente política, é encarada como fator de conservação dos apressares no poder.
 3) A dificuldade de se perceber esse caráter subversiva da Teologia da Libertação está, em grande parte, no fato de que os seus arautos continuam a usar a linguagem ascética e dogmática da Igreja, embora em chave nova. Isto dá aos observadores a impressão de que estão diante do patrimônio da fé acrescido de algumas afirmações religiosas que não podem ser perigosas.
 4) A gravidade da Teologia da Libertação não é suficientemente avaliada; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente.
 5) O cristão não pode ser, de forma alguma, insensível à miséria dos povo

Todavia, para acudir cristãmente a tal situação, não lhe é necessário adotar um sistema de pensamento que é anticristão como a Teologia da Libertação; existe a doutrina social da Igreja, desenvolvida pelos Papas desde Leão XIII até João Paulo II de maneira cada vez mais incisiva e penetrante.
Se fosse posta em prática, eliminaria graves males de que sofrem os homens, sem disseminar o ódio e a luta de classes.

Fonte: Eu vos Explico a Teologia da Libertação Por: Cardeal Joseph Ratzingeros do Terceiro Mundo. 

24 de outubro de 2012

Seremos semelhantes a Cristo ressuscitado I Cor 15, 35-49

35 Todavia, alguém dirá: Como é que os mortos ressuscitam? Com que corpo voltarão?
36 Insensato! Aquilo que você semeia não volta à vida, a não ser que morra.
37 E o que você semeia não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie.
38 A seguir, Deus lhe dá corpo como quer: ele dá a cada uma das sementes o corpo que lhe é próprio.
39 Nenhuma carne é igual às outras: a carne dos homens é de um tipo, a dos animais é de outro, e de outro a dos pássaros e de outro ainda a dos peixes.
40 Há corpos celestes e há corpos terrestres. O brilho dos celestes, porém, é diferente do brilho dos terrestres.
41 Uma coisa é o brilho do sol, outra o brilho da lua, e outra o brilho das estrelas. E até de estrela para estrela há diferença de brilho.
42 O mesmo acontece com a ressurreicão dos mortos: o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível;
43 é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso; é semeado na fraqueza, mas ressuscita cheio de força; 44 é semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiritual. Se existe um corpo animal, também existe um corpo espiritual, pois a Escritura diz que
45 Adão, o primeiro homem, tornou-se um ser vivo, mas o último Adão tornou-se espírito que dá a vida.
46 Primeiro, não foi feito o corpo espiritual, mas o animal, e depois o espiritual.
47 O primeiro homem foi tirado da terra e é terrestre; o segundo homem vem do céu.
48 O homem feito da terra foi o modelo dos homens terrestres; o homem do céu é o modelo dos homens celestes.
49 E assim como trouxemos a imagem do homem terrestre, assim também traremos a imagem do homem celeste.

Entendendo melhor o texto:

Não se pode imaginar a ressurreição como simples reviver, ou simples volta às condições da vida terrestre. 
O ser humano passará para uma condição inteiramente nova: este corpo "animal", mortal, que nos foi transmitido pelos nossos pais, torna-se «espiritual», isto é, recebe vida nova do Espírito que Cristo nos dá. 
Paulo usa diversas imagens para nos dar a idéia da transfiguração pela qual passaremos. Nenhuma delas, porém, é capaz de dar uma idéia completa da misteriosa e real transformação que nos tornará semelhantes ao próprio Cristo ressuscitado.


23 de outubro de 2012

Deus será tudo em todos I Cor 15, 29-28


20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram.
21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.
22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.
23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.
24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo principado, toda autoridade, todo poder.
25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés.
26 O último inimigo a ser destruído será a morte,
27 pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo.
28 E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos.

Entendendo melhor o texto: Dois estados da humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu poder de destruí-las. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus se manifestará completamente.

O triunfo da vida - I Cor 15, 54-58

Portanto, quando este ser corruptível for revestido da incorruptibilidade e este ser mortal for revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: A morte foi engolida pela vitória.
55 Morte, onde está a sua vitória? Morte, onde está o seu ferrão?
56 O ferrão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
57 Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
58 Assim, queridos irmãos, sejam firmes, inabaláveis; façam continuamente progressos na obra do Senhor, sabendo que a fadiga de vocês não é inútil no Senhor.

Entendendo o texto: Depois que Cristo ressuscitou, nenhum tipo de morte terá a vitória final. Essa vitória de Cristo sobre a morte é também vitória contra o pecado, que introduz e alimenta a morte no mundo, e contra a lei, que mostra o que é pecado, mas não dá forças para vencê-lo. Quem acredita em Jesus ressuscitado pode cantar desde já o triunfo da vida.

A ressurreição dos mortos - I Cor 15,1-19

Cristo ressuscitado, fundamento da nossa fé

1 Irmãos, lembro a vocês o Evangelho que lhes anunciei, que vocês receberam e no qual permanecem firmes.
2 É pelo Evangelho que vocês serão salvos, contanto que o guardem do modo como eu lhes anunciei; do contrário, vocês terão acreditado em vão.
3 Por primeiro, eu lhes transmiti aquilo que eu mesmo recebi, isto é: Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras;
4 ele foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras;
5 apareceu a Pedro e depois aos Doze.
6 Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez; a maioria deles ainda vive, e alguns já morreram.
7 Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os apóstolos.
8 Em último lugar apareceu a mim, que sou um aborto.
 9 De fato eu sou o menor dos apóstolos e não mereço ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus.
10 Mas aquilo que sou, eu o devo à graça de Deus; e sua graça dada a mim não foi estéril. Ao contrário: trabalhei mais do que todos eles; não eu, mas a graça de Deus que está comigo.
11 Portanto, aí está o que nós pregamos, tanto eu como eles; aí está aquilo no qual vocês acreditaram.
12 Ora, se nós pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de vocês dizem que não há ressurreição dos mortos?
13 Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo também não ressuscitou;
14 e se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês têm.
15 Se os mortos não ressuscitam, então somos testemunhas falsas de Deus, pois estamos testemunhando contra Deus, ao dizermos que Deus ressuscitou a Cristo.
16 Pois, se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou.
17 E se Cristo não ressuscitou, a fé que vocês têm é ilusória e vocês ainda estão nos seus pecados.
18 E desse modo, aqueles que morreram em Cristo estão perdidos.
19 Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens.
Entendendo melhor o texto: A certeza da fé cristã se baseia num fato: a ressurreição de Cristo. Paulo recorda o ensinamento tradicional da Igreja, e o confirma enumerando as testemunhas que viram Cristo ressuscitado. Encontramos aqui os traços principais do Credo e, ao mesmo tempo, o mais antigo testemunho escrito sobre o ensinamento primitivo da Igreja a respeito das aparições de Jesus Cristo.
Em Corinto, alguns pensam que, depois da morte, a alma imortal continua vivendo sozinha, abandonando a matéria e o corpo, que são considerados coisas más e inferiores. Outros pensam que tudo termina com a morte e que é melhor aproveitar o momento presente. Paulo mostra que ambas as opiniões são contrárias ao núcleo da fé cristã, porque se os mortos não ressuscitam verdadeiramente, nem Cristo ressuscitou.

Fonte: Sagrada Escritura - Bíblia edição Pastoral

21 de outubro de 2012

A JUVENTUDE CATÓLICA E OS SEUS CLAMORES

 Quantas vezes nós não ouvimos as mais absurdas argumentações para endossar o erro, o abuso e a irreverência na Igreja?

Entretanto, sem dúvida alguma, um dos raciocínios comumente utilizados é a dita “modernização” para aproximar a fé aos jovens.

Deve ser frisado, antes de qualquer coisa, que se a nossa crença vem de Deus, reflete, então, a Sua imutabilidade e eternidade – e, sendo assim, pensar numa adaptação que não seja do trabalho pastoral não é apenas uma falácia, mas uma heresia.

Ademais, os jovens não passam de falsos pretextos usados para justificar a megalomania e desobediência de muitos religiosos que, de maneira mesquinha, preferem seguir teologias próprias a serem fiéis à Igreja.
A juventude, na realidade, não aprecia e nem muito menos compactua com tais imprecisões. Os jovens preferem a mais sincera ortodoxia e honesta piedade.

Quem nunca assistiu, ou ouviu falar, de “Missa dos jovens”?
Essa nomenclatura é totalmente inapropriada, não só porque a Missa é apenas uma, porque apenas um foi o Sacrifício, mas também porque o rito da Liturgia não permite tal flexibilidade, a ponto de serem criadas novas rubricas e normas baseadas em impressões pessoais acerca da celebração. Entretanto, o problema é mais profundo do que um simples nome.
As tais “Missa dos jovens” se distanciam, e muito, da reverência ao Sacrifício.
A Missa é renovação do Sacrifício do Calvário; “A Eucaristia é, portanto, um sacrifício porque representa (toma presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos”, “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício.” S.S João Paulo II disse, na encíclica Ecclesia de Eucharistia:
“A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16)
O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo.
Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário (n. 12, itálicos do original)” Ademais, lembremos que o Concílio de Trento declarou solenemente que o Sacrifício da Missa era o centro da Liturgia católica, em oposição aos ensinamentos heréticos de Martinho Lutero que diziam que a Missa era apenas um banquete de realidade simbólica - heterodoxia esta que, atualmente, deixou de ser exclusividade protestante e passou a ser defendida até mesmo entre católicos. Muitos alegam que a Ressurreição também é renovada, e esse seria o motivo do regozijo meramente humano – bem diferente da santa alegria espiritual.

Entretanto, enquanto a Paixão é, de fato, atualizada e presente sacramentalmente, a Ressurreição não passa de um recordação sem nenhuma realidade substancial presente, tanto é assim que nós “Anunciamos” a morte do Senhor e “Proclamamos” a Sua Ressurreição. O que isso representa? A morte de Cristo é renovada misticamente, atualizada na Missa em comunhão com o Calvário, se faz presente plenamente. Já a Ressurreição não ultrapassa a barreira temporal, não é atualizada na Celebração e lembrada apenas enquanto evento que se deu no tempo. Assim, podemos concluir que - ou as pessoas desconhecem o caráter sacrificial da Liturgia e por isso são permissivos aos abusos e corrupção - ou então, em franca desobediência ao que sempre foi crido pela Igreja e pelo povo Deus, sancionam, através de imprecisões teológicas e heresias, a lastimosa transformação do correto espírito litúrgico.
A Missa é Calvário e como Calvário nos pede uma espiritualidade específica - ou será que alguém tocaria bateria, guitarra e baixo sob os pés de Cristo?
Para algo ser digno da Missa deve excluir tudo de profano, não porque seja apenas um capricho da Igreja, mas porque a Liturgia, sendo um pedaço no Céu na terra, deve servir como uma prévia do esplendor da morada celeste.

Entretanto, quando profanamos a Liturgia, deixando que seja mundanizada, impedimos não a realidade sobrenatural da Missa, que sempre há quando existem celebrações válidas, mas diminuímos os efeitos de santidade causados no povo de Deus. Os defensores das tais Missas jovens alegam, também, que estas celebrações aproximam a juventude da Igreja. Tal argumento não pode prosperar. A uma, porque a Liturgia não é ferramenta catequética, os que assistem e comungam são aqueles que entendem o que é celebrado no altar.
A duas, porque estamos prestando um desserviço aos jovens. É justamente por amá-los que devemos nos esforçar para apresentar o esplendor da Missa, a sua realidade sacrificial e mística. Quando, pelo contrário, deformamos a Liturgia, mesmo com a melhor das intenções, estamos mostrando a nossa pequenez e egoísmo, já que impedimos a juventude de conhecer a sobrenaturalidade da Missa. Ora, nós amamos Cristo e justamente por amá-Lo queremos que os jovens O conheçam.
Mas como apresentar os jovens a Cristo se nós somos os primeiros a deformar o Seu Sacrifício e ainda alegando que isso é para o seu bem? Vejam a óbvia contradição!
A nossa fidelidade aos ensinamentos de Nosso Senhor deve nos motivar, justamente, a anunciá-los por todos os cantos, sem modificações, sem opiniões pessoais, sem desonestidade - do contrário estaremos prestando um desserviço a Cristo e aos jovens, impedindo-os de experimentar Jesus em toda a Sua grandeza.

O Santo Padre nos esclarece essa questão quando da Jornada Mundial da Juventude. As Missas da JMJ em nada se aproximam da algazarra litúrgica tão comum nos dias de hoje. As celebrações se encontram submersas na mais sublime mística e sobrenaturalidade. Vale lembrar que estamos falando de um dos maiores eventos da Cristandade e que tem como público os jovens de todos os cantos do mundo. Se as tais “Missas jovens” gozassem de licitude seria a Jornada o momento adequado para a prática dessa mentalidade litúrgica, entretanto, o que presenciamos é justamente o contrário; sobriedade, sacralidade e solenidade. Além de tudo isso, os defensores de tais celebrações alegam que os jovens não gostam de Missas bem celebradas. Primeiro que, com a atual realidade religiosa, eu realmente duvido que todos os garotos desse país tenham tido acesso a Celebrações decorosas. Em segundo lugar, nada, absolutamente nada, justifica a deformação do correto espírito litúrgico.
Quer dizer que as preferências e gostos dos jovens estão acima da digna reverência ao mistério do altar? Então os desejos da juventude devem ser cumpridos imediatamente em detrimento não apenas do ensino da Igreja como da reverência ao Sacrifício?
Que inversão total e completa! Entretanto, faço questão de frisar que é realmente difícil saber se os jovens de fato apreciam tais celebrações. Começa que não poucas são as Congregações que definham porque não conseguem renovar as suas fileiras e muitas delas são, justamente, as que insistem na defesa das “Missas jovens”.

Será que não percebem que a difusão dessa espiritualidade relaxada, que eles consideram “jovem”, talvez seja o motivo da crítica situação em que vivem?
Lançando mão de um jargão popular: é dar murro em ponta de faca. Chega a ser caricato, mas acima de tudo, triste, perceber que Ordens belíssimas murcham por dentro por falta de renovação e que, mui provavelmente, o motivo desse retrocesso seja a insistência numa mentalidade que pouco acende nos jovens o fervor religioso e o espírito devocional.
A Conferência Nacional de Vocações, nos EUA, encomendou uma pesquisa e descobriu que, atualmente, a esmagadora maioria dos vocacionados rumam para Congregações onde há piedade, fidelidade ao Magistério, uso do hábito, oração e vida comunitária. Além de sinalizar que os jovens chamados por Deus buscam a Tradição, a pesquisa mostrou que as ordens religiosas que se distanciam do carisma, rejeitam a própria história, adotam teologias imprecisas e tratam com descaso os ensinamentos da Igreja, estão atraindo cada vez menos vocações.
Assim disse Irmã Maria Bendyna, diretora executivo do Centro para Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown: "Eles [os jovens] são mais atraídos por um tradicional estilo de vida religiosa, onde há vida comunitária, oração comum, com Missas conventuais, Liturgia das Horas. Além disso, a fidelidade à Igreja seria importante para eles.
Eles buscam comunidades inequívocas, cujos membros vestem hábito”. Entretanto, mesmo aqueles que não são verdadeiramente vocacionados, que se aproximam das Congregações apenas tocados pela beleza e pela piedade que exalam, são belíssimos exemplos de como o uso dos hábitos, os cantos, as Missas decorosas, santificam as almas, causam um bem tão sublime que faz com que jovens confundam devoção com vocação.

Apenas nas mentes tresloucadas dos religiosos adeptos de teologias estranhas que tudo isso não passa de ornamentos desnecessários que atrapalham a fé do povo. A prova inconteste do erro de tais conclusões é que crescem as dioceses e congregações que primam pela ortodoxia e sacralidade e definham aquelas que ostentam orgulhosas a bandeira do modernismo mesmo quando o barco já se encontra quase naufragado em meio ao oceano.
Então do que estamos falando, em concreto?
De religiosos que realmente têm um sincero foco pastoral ou de religiosos que apenas tentam justificar a própria soberba teológica com argumentos pífios? Ora, se, de fato, houvesse esse sincero desejo de aproximar a fé dos jovens, de propiciar um ambiente religioso sadio que favorecesse o desenvolvimento de vocações, seria muito mais natural e lógico defender estratégias constatadamente eficientes que, não por acaso, sempre estão alicerçadas sobre os ensinamentos da Igreja. Entretanto, o posicionamento dos relativistas peca, justamente, nesse ponto. A banalização do sagrado, o combate ao espírito de piedade e devoção, apenas afastou os jovens do chamado religioso, tanto é assim que as Congregações, Ordens e Dioceses que comungam de tais absurdos vivem verdadeiras crises por falta de renovação. Do outro lado da moeda, os religiosos que buscam a fidelidade ao Magistério, que primam pela ortodoxia e contrição, conseguem conquistar muitos jovens católicos que, mesmo quando não têm vocação, são tocados pela forte reverência, humildade e sinceridade da fé.
Em suma, a dita modernidade tão aclamada e usada para justificar todo o tipo de erro e desobediência, não passa, nesse caso, do herético e condenado modernismo, onde, a sua insistência por tais religiosos, é menos pelos jovens e mais pelo radicalismo que têm na defesa daquilo que consideram sensato e correto, mesmo quando se opõe aos ensinamentos da Igreja que eles dizem seguir.

Nesse ponto gostaria de fazer uma reflexão mais aprofundada a respeito do hábito eclesiástico, já que, querendo ou não, se encontra intimamente ligado à renovação vocacional, e vamos saber o motivo. Muitas vezes os defensores da abolição do hábito eclesiástico argumentam dizendo que o importante, de fato, é o interior, a essência. Entretanto, essa falsa dialética entre o corpo e a alma, exterior e interior, é estranha aos mais básicos ensinamentos cristãos; ao contrário, se assemelha às concepções heréticas tão comuns na Idade Média; cátaros, albigenses, gnósticos de todos os tipos etc.
Negar a superioridade da alma é um erro que atinge pontos cruciais do cristianismo, assim como outra falácia de proporções grandiosas é menosprezar o corpo e o fato de constituir, juntamente com a alma, uma única substância. Exemplificando, a alma é o cavaleiro e o corpo é o cavalo; o cavaleiro sem seu cavalo é derrotado e o cavalo sem o cavaleiro é descontrolado.
Dr. Plínio Corrêa de Oliveira esclarece a questão: “Está na ordem natural das coisas que o homem espelhe sua alma na fisionomia, na voz, na atitude, nos movimentos.
E como o traje deve revestir o corpo humano, é natural que o homem se sirva também dele como elemento de expressão. Tanto mais quanto o traje a isto se presta eximiamente (...) a necessidade de expressão da alma é uma conseqüência imperiosa do instinto de sociabilidade. De onde, recusar ao homem esta possibilidade é, em si, falsear o próprio modo de ser da alma (...) os costumes sociais consagraram em todos os tempos e lugares certos trajes como característicos de profissões ou estado de vida, que exijam uma conformação de alma muito peculiar.
E sempre se entendeu, com razão, que o traje profissional auxilia o homem a realizar inteiramente sua mentalidade. De um militar que tivesse antipatia à farda, de um juiz que tivesse ódio à toga, nada se auguraria de bom. (...) Dizer-se, pois, que o hábito não faz o monge, ou a farda não faz o herói, é e não é verdade. Com efeito, o homem não se torna monge, ou militar, autêntico só por adotar o traje próprio a tal estado. Mas o hábito monástico facilita ao homem de boa vontade tornar-se bom monge. E o mesmo se pode dizer da farda.” Isto posto, devemos partir para a reflexão pretendida. O hábito eclesiástico, por ser um símbolo, tem um fim pedagógico. Claro que, infelizmente, muitos homens na atualidade vivem um verdadeiro analfabetismo simbólico, ou seja, incapacitados de reconhecer símbolos que refletem a riqueza e a genialidade do próprio ser humano.

O Cristianismo, sem a menor dúvida, foi o maior promotor dessa via de evangelização; usou e abusou da beleza simbólica como ferramenta de catequização e conversão, já que a via pulchritudinis, juntamente com o simbolismo sacro, dialoga diretamente com a alma. A relevância simbólica do hábito é tão óbvia que até mesmo os adeptos da Teologia da Libertação, na década de 70, entendiam. Dentro dos conventos, mosteiros e paróquias o uso era proibido e visto como “reacionarismo”, entretanto, quando das passeatas, protestos e levantes os Sacerdotes, frades e monges faziam questão de ostentar suas batinas, hábitos dominicanos e vestes franciscanas. O hábito, como um sinal visível, engrandecia e destacava claramente as reivindicações feitas que, de certo, passariam desconhecidas se não houvesse um símbolo tão enfático da presença religiosa.

A mesma realidade simbólica do hábito eclesiástico motivou o ódio dos comunistas na Europa Oriental.
Quantos Sacerdotes, frades, freiras, monges, foram martirizados apenas por usar uma simples veste?
O que, então, fundamentava a ira dos bolcheviques?
Até mesmo os seguidores do marxismo genocida reconheciam que o hábito era um sinal claro da presença religiosa, justificando, assim, a violenta ojeriza.
Durante as perseguições os homens e mulheres consagrados a Deus se recusavam a tirar seus hábitos por entender que seus efeitos e qualidades, como a constante recordação da consagração, combate aos efeitos da dessacralização social etc, estavam além de um simples sentido indumentário; o hábito era o distintivo da presença dos soldados de Cristo! Beato Antônio Cheverir, fundador do Instituto do Prado, escreveu no seu grande livro, “O Verdadeiro Discípulo” que "É necessário que se veja Jesus Cristo no nosso exterior, na nossa atitude, no nosso porte, na nossa palavra, nas nossas ações, nas nossas mãos, nos nossos pés, nos nossos olhos, na nossa cabeça, em todo o nosso ser, porque todo o nosso ser deve revelar Jesus Cristo e espalhar o poder das suas virtudes.

O corpo é a expressão da alma. É pelo corpo que nós edificamos. É também pelo corpo que nós escandalizamos. Os fiéis não vêem a alma, só vêem o corpo." Além disso, comentou que “Devemos, pois, suprimir do nosso exterior todo o adorno inútil e ocupar-nos muito mais em adornar o homem interior que se não vê, do que em adornar o homem exterior que se vê. Devemos suprimir das nossas vestes tudo o que cheira a luxo, elegância etiqueta, finura, requinte, arranjo, limpeza excessiva, tais como roupa branca fina, engomada, colarinhos, punhos, sapatos de verniz, borlas etc...tudo o que agrada, é bonito, engraçado, amável, o que seduz o olhar.”
Na mesma linha disse São Josemaría Escrivá; "Oxalá fossem tais o teu porte e a tua conversação que todos pudessem dizer, ao ver-te ou ouvir-te falar; "Este lê a vida de Jesus Cristo""
E tudo isso não é verdade?

Quando o religioso se nega a usar o hábito ele sucumbe aos gostos mundanos, à moda, aos prazeres estéticos ligados ao pecado dos homens.
O exterior deve refletir o interior e, como já vimos, a dicotomia alma X corpo não é válida como argumento contrário ao hábito eclesiástico.
Ademais, muitos afirmam que como o interior é, de fato, o mais importante, pouco importaria a exposição e externalização da fé através dos símbolos. Ora, tal mentalidade se encontra na contramão do cristianismo. Citarei apenas dois pontos basilares da Religião; as obras e a profissão de fé.
Não é pela obra que a fé é confirmada? E o que seria a obra senão a concretização objetiva da nossa crença?
E o Credo que rezamos?
Não é, justamente, a vocalização, logo a exposição concreta, da nossa doutrina, da nossa fé interior?
E por que fazemos?
Porque a externalização é a maneira mais eficiente de confirmar aquilo que cremos. De fato, nada valeria ter um exterior primoroso e internamente alimentar a discórdia e o pecado.
Aquela máxima “o hábito não faz o monge” é realmente verdadeira, mas não podemos negar que mesmo não fazendo o religioso, o hábito ajuda.
Como são tocantes as palavras de Mamãe Margarida ao seu filho, São João Bosco, quando da recepção da batina e da entrada no Seminário Maior: “não é o hábito que honra o teu estado, mas as virtudes que praticares. Se por desgraça chegares um dia a duvidar da tua vocação, ah! por caridade! não desonres a batina. Larga-a imediatamente.

Prefiro ter como filho um pobre camponês a um padre negligente nos seus deveres!”
A Venerável mãe do fundador dos Salesianos entendia que mesmo a batina não fazendo o Sacerdote, a sua simbologia representava a santidade que o Presbítero tinha que ostentar e transmitir aos homens e mulheres no mundo. O próprio Dom Bosco, ainda seminarista, numa caçada com os amigos no período de férias, se envergonhou muito quando depois do fim vitorioso da incursão percebeu que havia deixado a batina no pé de uma árvore.
Claro que o grande santo italiano não estava enrubescido por conta de uma simples veste, mas sim por ter reconhecido que o hábito eclesiástico, sendo símbolo visível de sua consagração, deve ser reverenciado e exposto, servindo não apenas para dialogar com os outros, mas para sempre lembrar o caminho escolhido pelo religioso.
O hábito é um constante vigiai! O hábito, a batina, pesa, e pesa por ser um distintivo claro; quem vê um religioso vestido como deve se vestir sabe, de imediato, que se trata de um consagrado a Deus. Assim, este passa a ter a obrigação de se policiar com um zelo muito mais delicado, já que os olhos do mundo estão mirados sobre ele. Ou seja, o Sacerdote, o frade, a freira, que passam na rua, se tornam modelos não apenas de crente, mas de cidadão.
Isso pesa, e muito! Por isso que alguns preferem guardar os hábitos nos armários e andar pelas calçadas sem a tensão de serem vistos, analisados e repreendidos pelo povo que, com razão, espera dos religiosos atitudes santas e legais.

Outras falácias usadas na defesa do não uso do hábito eclesiástico sequer se sustentam. Alguns dizem que afasta o povo da Igreja, quando, não ironicamente, as paróquias mais submersas no próprio relativismo são as que mais se esvaziam em contraste com os locais onde os religiosos primam pela piedade e contrição. Ademais, mesmo que afastasse, não seria justificativa para desobedecer a uma norma canônica.
Vale frisar que o uso do hábito eclesiástico é regulado pela Santa Sé que, obviamente, indica e estimula a sua utilização. Ora, o Vaticano obrigaria ao uso apenas por um fetichismo visual, uma estética vazia, ou haveria um sentido muito mais profundo por detrás das vestes? “Aquila non capit muscas.” A Igreja não se preocupa com ninharias, como disse Dr. Plínio Corrêa de Oliveira. Roma, como manancial da fé cristã, reconhece que o hábito eclesiástico é um símbolo que externaliza a realidade consagrada dos homens e mulheres que se entregam a Deus, é um testemunho silencioso num mundo onde as palavras são cada vez mais rápidas.
Não é uma contradição óbvia que enquanto o orbe se laiciza, se perde no ateísmo, na imoralidade, os religiosos, justamente quando mais é necessário, escondem os símbolos, guardam as bandeiras de Cristo e jogam de lado a farda da luta?
De todo o modo, o que o hábito eclesiástico tem a ver com os jovens?
Pois bem, a já citada pesquisa da Conferência Nacional de Vocações, nos EUA, mostrou aquilo que, empiricamente, todos já sabiam; os jovens se aproximam das Congregações e Ordens onde o uso do hábito é estimulado e freqüente. Por quê?
Primeiramente pelo fato de o hábito ser um distintivo claro e óbvio de fé. Da mesma forma, porque, hoje em dia, a demonização da veste eclesiástica – que tenta vender a imagem de que os padres que ostentam a batina são homens de moral duvidosa que apenas a usam para esconder um interior decadente - é motivada e influenciada por opositores que vão além das vestes, combatendo, igualmente, a sobriedade litúrgica, a doutrina, relativizam o ecumenismo etc.
Ou seja, o uso do hábito tomou maiores proporções porque se tornou um selo de qualidade, ou seja, quem sabe da sua importância e relevância mui provavelmente defende a piedade e fidelidade; o hábito se transformou num distintivo religioso para o mundo e num distintivo de ortodoxia dentro da Igreja. Na mesma linha, quase sempre os opositores a ele também incidem nas mais absurdas heresias e abusos. Os jovens, como qualquer fiel, procuram Deus e Seu esplendor.
Ora, quantas vezes o Senhor Se encontra ofuscado dentro de um discurso assistencialista, de cunho político, que apenas maquia e menospreza a real caridade cristã?
Cristo é mais facilmente encontrado nos atos de piedade e contrição que refletem a sincera e entregue fé dos homens e mulheres consagrados.

Quando o jovem tem o chamado religioso, quer ser religioso de fato, com tudo aquilo que tem direito e representa a sua congração a Deus, afinal, para trabalhar com assistência social ou se passar por psicólogo, ninguém precisa fazer votos, basta seguir a carreia profissional. Por isso que, não por menos, as Congregações perdidas no relativismo sofrem com a falta de vocações, problema que só é resolvido quando vão atrás de jovens dentro das comunidades pobres, acenando a eles com a possibilidade de instrução. O jovem chamado ao carisma dominicano, por exemplo, quer ser dominicano, se vestir como dominicano, seguir a regra dominicana, se espelhar nos santos dominicanos, agir como um dominicano, ser um filho de São Domingos. Ora, quem em sã consciência pensa: “Eu quero ser dominicano, mas não vou seguir a regra, não quero usar o hábito, não pretendo rezar como pedem as Constituições, não vou ler a vida do Fundador e sequer serei fiel ao carisma.”
Isso é vocação?
Óbvio que não, é deformação, por isso que estas anomalias surgem dentro dos conventos, mosteiros e casas religiosas, e não no período de florescimento do chamado que, ao contrário, é um momento extremamente belo e tocante.
Um jovem chamado por Deus para um carisma religioso tem o mesmo chamado que um jovem de décadas e séculos anteriores, isso porque se o carisma foi dado pelo Senhor reflete a Sua eternidade e imutabilidade, daí que permaneça o mesmo.
O que difere, obviamente, é a ação pastoral, por isso a importância de acompanhar os tempos, já que, infelizmente, ao longo dos anos o mundo sucumbe ao pecado, sendo necessário, em consequência, novas estratégias e métodos de evangelização. Entretanto, e é bom destacar, acreditar que a mudança dos tempos pede também uma transformação na crença é incidir “na síntese de todas as heresias”; o modernismo. Afinal, se a doutrina muda com os tempos, então Deus também muda, já que a doutrina vem de Deus.

Mas Deus não muda, é imutável; logo se a doutrina muda ela não vem de Deus, mas sim dos homens. Ou seja, afirmar que a crença deve ser modificada com os tempos é dizer que ela é relativa e escrava do mundo, ou seja, rebaixamos a crença e não elevamos os homens.
O mundo seria muito mais santo se os religiosos fossem fiéis aos ensinamentos da Igreja! A pesquisa de vocações veio confirmar aquilo que a Mater et Magistra sempre soube e sempre ensinou, mostrando, agora em estatísticas, que a fidelidade, piedade e ortodoxia tão pedidas pelo Magistério realmente são eficientes “mercadologicamente”, ou seja, angariam jovens e conquistam moças e rapazes, entretanto, esse sucesso dos hábitos, das Missas bem celebradas, das orações, não reflete uma estética vazia e uma beleza sem sentido, ao contrário, a eficiência religiosa-vocacional se ergue sobre a realidade sobrenatural que tudo isso expressa, daí que os jovens se sintam tocados.

A saída para a tão divulgada “crise de vocações” é clara. A receita contra esse mal perpassa, obrigatoriamente, pela união espiritual e prática com a Igreja e seu Magistério, afinal espelha a própria voz de Cristo e o Depósito da Fé por Ele deixado. Muitas são as Congregações que não sabem o que é ter o número de vocacionados reduzido e que, bem diferente da realidade pintada pela mídia, ainda têm filas de espera por falta de espaço físico para novos postulantes.
Também nos é conhecida histórias de conventos, mosteiros e casas religiosas que através da ação de um superior piedoso mudaram radicalmente de postura, execrando erros e desobediências, refletindo, assim, no aumento de vocações e interessados.

Atualmente, e não por acaso, os movimentos, institutos, congregações, prelazias, que mais crescem são aqueles que estão unidos aos mais sinceros clamores da Igreja e do mundo, que buscam a evangelização concreta e a difusão da fé cristã em todo o orbe. Nesse momento é impossível não se lembrar da intervenção de Hilaire Belloc; “Os velhos ainda podem se lembrar da rebelião desconfortável contra a tradição, mas os jovens só percebem por si mesmos quão pouco foi deixado para se rebelarem, e muitos temem que, antes de morrerem, o corpo da tradição terá desaparecido.”
Os jovens, sem a menor dúvida, são hoje os maiores defensores da Igreja, da Tradição, do Magistério.
Tamanho “reacionarismo” escandaliza os senhores de cabelos brancos que, justamente, no passado, se levantaram em combate a tudo isso, contra aquilo que consideravam ultrapassado.

Hoje, a juventude mostra que ser jovem e ser do século XXI não é negar os mais preciosos legados de Cristo perpetuados dentro da Igreja por Ele instituída.
Os religiosos que, no tempo pretérito, abraçaram com fervor teologias imprecisas, hoje se assustam quando vêem que os jovens guerreiam e lutam contra o que defenderam.
A juventude católica quer apenas ter o direito e a liberdade de ser... católica!


Fonte: Pedro Ravazzano - ultimasmisericordias.com.br

18 de outubro de 2012

São Lucas Evangelista - comemora-se 18 de outubro

O dia 18 de outubro foi escolhido como "Dia dos Médicos" por ser o dia consagrado pela Igreja a São Lucas. Segundo a tradição, São Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antióquia.

Possuindo maior cultura que os outros evangelistas, seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego.

Como se sabe, Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento.
Seu evangelho é o terceiro em ordem cronológica; os dois que o precederam foram escritos pelos apóstolos Mateus e Marcos.

Lucas não conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a sua narrativa é baseada em depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus. Além do evangelho, é autor do "Ato dos Apóstolos", que complementa o evangelho.  São Lucas não era hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião judaica.

Não há dados precisos sobre a vida de S. Lucas. Segundo a tradição era natural de Antióquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na Ásia Menor. Viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento, assim como de sua morte.

Há incerteza, igualmente, sobre as circunstâncias de sua morte; segundo alguns teria sido martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros morreu de morte natural em idade avançada. Tampouco se sabe ao certo onde foi sepultado e onde repousam seus restos mortais.

Na versão mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome, que é visitado pelos peregrinos. Não há provas documentais, porém há provas indiretas de sua condição de médico.

A principal delas nos foi legada por São Paulo, na epístola aos colossenses, quando se refere a "Lucas, o amado médico" (4.14).
Foi grande amigo de São Paulo e, juntos, difundiram os ensinamentos de Jesus entre os gentios.
Outra prova indireta da sua condição de médico consiste na terminologia empregada por Lucas em seus escritos. Em certas passagens, utiliza palavras que indicam sua familiaridade com a linguagem médica de seu tempo.

Este fato tem sido objeto de estudos críticos comparativos entre os textos evangélicos de Mateus, Marcos e Lucas, e é apontado como relevante na comprovação de que Lucas era realmente médico. Dentre estes estudos, gostaríamos de citar o de Dircks, [4] que contém um glossário das palavras de interesse médico encontradas no Novo Testamento.

A vida de São Lucas, como evangelista e como médico, foi tema de um romance histórico muito difundido, intitulado "Médico de homens e de almas", de autoria da escritora Taylor Caldwell. Embora se trate de uma obra de ficção, a mesma muito tem contribuído para a consagração da personalidade e da obra de Sao Lucas.
A escolha de São Lucas como patrono dos médicos nos países que professam o cristianismo é bem antiga. Eurico Branco Ribeiro, renomado professor de cirurgia e fundador do Sanatório S. Lucas, em São Paulo, é autor de uma obra fundamental sobre São Lucas, em quatro volumes, totalizando 685 páginas, fruto de investigações pessoais e rica fonte de informações sobre o patrono dos médicos.

Nesta obra, intitulada "Médico, pintor e santo", o autor refere que, já em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem a São Lucas, proclamado patrono do "Colégio dos filósofos e dos médicos".

A escolha de São. Lucas como patrono dos médicos e do dia 18 de outubro como "Dia dos Médicos", é comum a muitos países, dentre os quais Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos.
No Brasil acha-se definitivamente consagrado o dia 18 de outubro como "Dia dos Médicos".

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