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28 de novembro de 2011

Os Anjos falam?

Discorrer sobre anjos pareceria extravagante e pueril até alguns anos atrás. Não obstante, o tema está de volta com toda a força, em plena era do materialismo.

Junto com o renovado interesse pelas criaturas angélicas, muitas fantasias e erros se acrescentam àquilo que a Igreja ensina a respeito delas. Não é nossa intenção analisá-los aqui. Propomo-nos apenas investigar um tema que move em extremo nossa curiosidade, na tentativa de rasgar um pouco o véu que nos oculta o mundo dos puros espíritos: como eles se comunicam?

Seres imateriais, mas compostos

Que os anjos são seres imateriais é algo hoje aceito pacificamente, embora não seja fácil de compreender. Temos tendência a “antropomorfizar” sua vida, transpondo para o plano celeste as circunstâncias de nossa existência terrena. Entretanto, nada há de mais distante da realidade.

Por isso mesmo, nos primeiros séculos da Igreja, o debate sobre a existência de um “corpo angélico” causou controvérsias entre os entendidos, e mesmo entre santos. Uma corrente teológica muito numerosa — na qual se inclui São Boaventura — defendia a tese de que os entes angélicos têm, em sua composição, alguma “matéria espiritual”, um corpo etéreo, extremamente sutil. Pois, argumentavam os defensores dessa corrente, como explicar sua individuação, contingência, o fato de serem criaturas compostas e estarem delimitados?[1] Mais ainda: se os anjos são puros espíritos, não seriam totalmente simples?[2] Como distingui-los de Deus?

A questão veio a ser esclarecida por um dos maiores luminares do pensamento: São Tomás de Aquino. Com singeleza e objetividade, ele clarificou ideias abstrusas e precisou conceitos ambíguos — às vezes, quase diríamos, infantis.

Notemos de passagem que ele foi apropriadamente cognominado de Doutor Angélico, título utilizado pela primeira vez por Santo Antonino de Florença (1389-1459)[3] e depois consagrado por São Pio V na bula Mirabilis Deus, de 1567, “talvez pelas suas virtudes, de modo particular pela sublimidade do pensamento e pureza da vida”, como observa o Papa Bento XVI[4].

Na Suma Teológica, São Tomás dedica todo um tratado ao tema dos anjos, discorre sobre eles também no tratado De Substantiis Separatis, no II Livro das Sentenças e em De Veritate, além de fazer esclarecedoras menções em várias outras obras.

De início, discordou da necessidade de haver um corpo angélico, assinalando que o conceito de “matéria espiritual” é de si contraditório e insustentável. Tal afirmação foi uma das que mais causaram polêmica no seu tempo e quase levou o Bispo de Paris, Étienne Tempier, a condená-lo como herege.

De outro lado, assinalou que todos os seres criados são necessariamente contingentes e compostos.

No caso dos entes corporais, há uma composição de matéria e forma. Mas existe uma composição anterior, inerente a toda criatura, a de essência e ato de ser (ou existência). Uma está para o outro numa relação de potência e ato[5]. Dessa maneira, embora nos anjos não haja matéria, são eles também compostos: sua essência se distingue realmente de seu ato de ser.

Ora, Deus é ato puro; n’Ele há identidade de essência e existência. Ele, explica o padre Bandera, “é absolutamente simples, e n’Ele não há nenhum tipo de composição. As criaturas não alcançam nunca a simplicidade própria de Deus e, consequentemente, implicam alguma composição. Mas para explicar esta composição não é necessário recorrer à matéria; a composição original, aquela inerente à criatura enquanto tal, é a de essência e existência”.[6]

Os anjos têm o ser por participação no Ser divino. Não existiam desde sempre, mas receberam em determinado momento o dom da existência, criados do nada. Isso, segundo a doutrina inovadora de São Tomás, já é suficiente para distinguir a criatura do Criador[7].

Ficava assim resolvido por São Tomás o problema referente à natureza angélica: uma criatura, por mais excelente que seja, é composta pelo menos de essência e existência; no Criador, a existência é idêntica à essência.

Como os anjos chegam ao conhecimento das coisas?

Ensina a Escolástica que todo conhecimento nos vem através dos sentidos. Assim, antes de nosso intelecto formar uma ideia sobre um objeto, intermedeiam os sentidos internos — senso comum, imaginação, memória, cogitativa —, organizando e preparando os dados brutos percebidos pelos sentidos externos, em representações imaginárias. Por fim o intelecto abstrai as características individuais do objeto particular, apreendendo sua essência, com a qual trabalhará para chegar a conceitos, raciocínios e juízos universais.

No processo de conhecimento humano há, pois, uma passagem do objeto particular conhecido para as ideias universais. Assim, se alguém, caminhando por uma rua, encontra de repente um animal, mesmo sem conhecer detalhes sobre ele (por exemplo, quando nasceu e quem é seu dono), saberá de imediato que se trata de um cão ou de um gato, por exemplo.

Depois de havermos conhecido vários cães, a essência canina está bem determinada em nossa mente por certas características as quais, sendo universais, aplicam-se a todos os entes daquela espécie. Por isso, a menos que haja alguma interferência (por exemplo, falta de boa iluminação no local), vendo um cão, saberemos que é um cão, quer se trate de um dálmata, um pastor alemão, um labrador ou um simples vira-latas, não importa seu tamanho, idade, cor ou outros traços individuais.

Nosso raciocínio trabalha, pois, com ideias universais. Por isso, entendemos perfeitamente uma notícia que diga: “Por determinação do Serviço Sanitário Estadual, todos os cães devem ser vacinados contra a raiva”. “Cães”, referindo-se à essência, designa todos os indivíduos da espécie canina.

No entanto, com o anjo o processo de conhecimento não pode dar-se da mesma maneira, uma vez que ele não tem corpo e, assim, não possui sentidos que captem os particulares.

Como, então, chega ele ao conhecimento das coisas?

Resumindo a doutrina de São Tomás a respeito, o professor Peter Kreeft afirma que “é próprio ao homem progredir na verdade por estágios, por meio de conceitos e de raciocínios até o conhecimento da verdade de um juízo”, enquanto que aos anjos é próprio conhecer “intuitiva e imediatamente, de uma vez, não por meio desse processo temporal”.[8]

Vejamos mais detidamente esses pontos.

As espécies (ideias) pelas quais os anjos conhecem as coisas não lhes vêm destas últimas. Assim, por exemplo, um anjo não precisa conhecer vários gatos para, abstraindo as características particulares de cada um, concluir na ideia de “gato”. O espírito angélico não está sujeito a um desenvolvimento gradual, mas começou a existir na plenitude de seu conhecimento. Nunca teve de aprender, no sentido próprio da palavra.

Em outros termos, no momento em que criou os anjos, Deus infundiu-lhes as ideias ou conceitos abstratos de todas as coisas, sem os quais eles não seriam capazes de conhecer as coisas particulares ou individuais. Quando um anjo “vê”, ou seja, aplica sua inteligência a algo novo, não adquire alguma ideia; apenas confere com o conceito universal presente já em seu intelecto.

Hierarquia piramidal e vertical

Entre os homens existe uma hierarquia que poderíamos chamar de piramidal, em que muitos dependem de um ou de alguns. Assim se dá numa família, na qual os filhos estão sujeitos aos pais; ou num país, onde os súditos dependem do monarca ou do Chefe de Estado. Na hierarquia familiar, os filhos têm uma igualdade relativa, não dependendo uns dos outros para fazer chegar aos pais seus desejos e questões. Evidentemente, a igualdade absoluta não é sustentável, pois um filho será mais inteligente ou mais forte — e, nesse aspecto, superior — que os outros. Em um nível mais elevado, tal desigualdade é que torna possível a constituição de uma sociedade.

Entre os anjos isso se passa de maneira diferente. Como cada um constitui uma espécie única, quanto mais elevado é o anjo, mais ricas são as ideias ou conceitos que lhe foram infundidos por Deus, ao criá-lo[9].

Poderíamos, talvez, imaginar que essa desigualdade fosse motivo de tristeza para os anjos inferiores. Entretanto, isso não se dá, pois as apetências, capacidades e glória de cada um são plenamente satisfeitas pelo próprio Criador, a partir do momento em que eles entraram na Visão Beatífica[10]. Não têm, portanto, possibilidade de sentimento de infelicidade. Pelo contrário, as qualidades dos anjos que lhes são superiores, constituem para eles motivo de admiração.

Como falam os anjos?

Postos estes esclarecimentos, podemos nos perguntar como se dá a “fala” dos anjos, e é São Tomás quem novamente nos responde: dá-se por iluminação e por locução.

Denomina-se iluminação o ato pelo qual um anjo superior dá a conhecer a um inferior alguma verdade sobrenatural de que teve conhecimento, graças à imediata revelação de Deus.
Por exemplo, Deus manifestou diretamente a todos os seres angélicos a futura Encarnação do Verbo, mas não de modo igual: a uns comunicou mais, a outros menos, deixando aos anjos superiores o encargo de iluminar os inferiores, de modo que estes progredissem no conhecimento desse mistério até o dia de sua realização[11].

Conforme São Tomás, a iluminação é feita da seguinte maneira: em primeiro lugar, o anjo superior fortalece a capacidade de entender do anjo inferior; em segundo lugar, o superior propõe ao inferior aspectos particulares de verdades sobrenaturais que ele, anjo superior, “concebe de modo universal”.[12]

São Tomás ilustra esta doutrina dando o exemplo de um professor que, para ensinar uma matéria, divide-a em partes coerentes e ordenadas, acomodando-a à capacidade dos alunos. Evidentemente, estes terão um conhecimento fracionado, muito inferior ao do professor. Assim se passa com os anjos:
“O anjo superior toma conhecimento da verdade segundo uma concepção universal, para cuja compreensão o intelecto do anjo inferior não seria suficiente”.[13] Para iluminar o inferior, o superior fragmenta e multiplica a verdade que ele próprio conhece de modo universal, tornando-a mais particular.

Esta forma de comunicação, por iluminação, só procede dos anjos superiores para os inferiores. Todavia, na locução, também os anjos inferiores falam aos superiores. Segundo o Doutor Angélico, a locução tem por finalidade manifestar algo interior àquele com quem se fala ou pedir-lhe alguma coisa: “Falar nada mais é do que manifestar a outro o próprio pensamento”.[14] Não se trata aqui de apresentar uma verdade sobrenatural, pois neste caso, teríamos a iluminação. Em outras palavras, toda iluminação é locução, mas nem toda locução é iluminação.

Evidentemente, a comunicação dos anjos entre si não se expressa com sons, gestos ou outro elemento material, pois sua natureza é só espiritual. Essa comunicação se dá por um ato de vontade, pelo qual um anjo dirige o pensamento ao outro, dando a conhecer conceitos que possui. Pode, inclusive, dar a conhecer algo a uns e não a outros, conforme queira.

Os anjos se comunicam também com Deus, nunca porém como o agente se dirige ao paciente ou, segundo a terminologia humana, o mestre ao discípulo. “O anjo fala a Deus — explica São Tomás —, seja consultando a divina vontade a respeito do que deve ser feito, seja admirando a excelência divina que ele nunca compreende a fundo”.[15]

O tema das conversas angélicas

Claro que o principal objeto de conversa dos anjos é Deus, pois toda criatura tende naturalmente a voltar-se para o Criador, sobretudo em se tratando de seres tão perfeitos como eles[16]. Além do mais, estando na Visão Beatífica, estarão sempre contemplando novos aspectos d’Ele durante toda a eternidade. Sendo Deus infinito, por mais que os anjos do Céu O vejam no seu todo, não O veem totalmente, o que é impossível a qualquer criatura.

Eles conversam também sobre os desígnios divinos a respeito do universo material, no qual o elemento mais importante é o homem. Não podem, pois, deixar de interessar-se enormemente pela ação divina na História; assim, os anjos superiores comunicam aos inferiores o que “veem” em Deus a tal propósito.

Poderíamos, pois, imaginar um diálogo no qual nosso anjo da guarda pergunta a um anjo mais elevado como compreender melhor nossa psicologia. Por exemplo, por que procedi de tal modo, por que deixei de agir em tal ou qual ocasião, etc. O anjo superior, além de dar ao anjo da guarda as explicações, acrescentaria uma orientação sobre como guiar nossa alma da maneira mais conforme ao plano de Deus.

Uma coisa é certa: nossos anjos da guarda estão constantemente conversando sobre nós com os anjos que lhes são superiores, de maneira que existe uma “cascata”, ou “cadeia”, de anjos interessados na santificação e salvação de cada um de nós.

Que tal pensamento contribua para aumentar nossa devoção aos santos anjos, esses gloriosos intercessores celestes, dos quais muitas vezes nos esquecemos!?

[2] Sobre a simplicidade divina, lembremo-nos que no plano espiritual, ao contrário do que ocorre no plano material, quanto mais simples é algo, mais é perfeito. Cf. CREAN, Thomas. A Catholic replies to professor Dawkins. Oxford: Family Publications, 2008, p.29-32.

[4] Audiência Geral, 2/6/2010. Diversos autores assinalam que tal título é devido à acuidade de seu pensamento, como que angélico. CLÉMENT, op. cit., p.171; HEUSER, Herman Joseph. In: The American ecclesiastical review. 1923, v.LXVIII, p.92:

“Mais propriamente por causa de seu extraordinário poder intelectual, que lhe permitia falar com a língua dos anjos”.

[10] Tudo o que temos referido a propósito da natureza angélica aplica-se, evidentemente, tanto aos anjos do Céu, confirmados em graça, quanto aos anjos decaídos.
 Claro está que, ao contrário destes últimos, os santos anjos, mesmo quando no estado de prova, nunca cederam a movimentos de inveja, seja em relação a Deus, seja em relação aos outros anjos.

[16] É evidente que os santos anjos conversam sobre Deus transidos de amor, admiração, desejo de crescer no conhecimento d’Ele e servi-Lo, ao passo que os demônios são movidos por ódio e revolta: seu non serviam ecoa por toda a eternidade.

Fonte: Pe. Louis Goyard,

Advento: significado e origem

Todos os grandes eventos exigem uma preparação. Por isso, a Igreja instituiu, na Liturgia, um período que antecede o Natal: o Advento. Mas, ao longo da história da Igreja, tomou diversas formas.

Receber uma visita é uma arte que uma dona de casa exercita com freqüência. E quando o visitante é ilustre, os preparativos são mais exigentes. Imagine o leitor que numa Missa de domingo seu pároco anunciasse a visita pastoral do bispo diocesano, acrescida de uma particularidade: um dos paroquianos seria escolhido à sorte para receber o prelado em sua casa, para almoçar, após a Missa.

Certamente, durante alguns dias, tudo no lar da família eleita se voltaria para a preparação de tão honrosa visita. A seleção do menu, para o almoço, o que melhorar na decoração do lar, que roupas usar nessa ocasião única. Na véspera, uma arrumação geral na casa seria de praxe, de modo a ficar tudo eximiamente ordenado, na expectativa do grande dia.

Essa preparação que normalmente se faz, na vida social, para receber um visitante de importância, também é conveniente fazer-se no campo sobrenatural. É o que ocorre, no ciclo litúrgico, em relação às grandes festividades, como por exemplo o Natal. A Santa Igreja, em sua sabedoria multissecular, instituiu um período de preparação, com a finalidade de compenetrar todas as almas cristãs da importância desse acontecimento e proporcionar-lhes os meios de se purificarem para celebrar essa solenidade dignamente.

Esse período é chamado de Advento.

Significado do termo

Advento — adventus, em latim — significa vinda, chegada. É uma palavra de origem profana que designava a vinda anual da divindade pagã, ao templo, para visitar seus adoradores. Acreditava-se que o deus cuja estátua era ali cultuada permanecia em meio a eles durante a solenidade. Na linguagem corrente, significava também a primeira visita oficial de um personagem importante, ao assumir um alto cargo. Assim, umas moedas de Corinto perpetuam a lembrança do adventus augusti, e um cronista da época qualifica de adventus divi o dia da chegada do Imperador Constantino. Nas obras cristãs dos primeiros tempos da Igreja, especialmente na Vulgata, adventus se transformou no termo clássico para designar a vinda de Cristo à terra, ou seja, a Encarnação, inaugurando a era messiânica e, depois, sua vinda gloriosa no fim dos tempos.

Surgimento do Advento cristão

Os primeiros traços da existência de um período de preparação para o Natal aparecem no século V, quando São Perpétuo, Bispo de Tours, estabeleceu um jejum de três dias, antes do nascimento do Senhor. É também do final desse século a “Quaresma de São Martinho”, que consistia num jejum de 40 dias, começando no dia seguinte à festa de São Martinho.

São Gregório Magno (590-604) foi o primeiro papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em prover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.

No século IX, a duração do Advento reduziu-se a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros. E no século XII o jejum havia sido já substituído por uma simples abstinência.

Apesar do caráter penitencial do jejum ou abstinência, a intenção dos papas, na alta Idade Média, era produzir nos fiéis uma grande expectativa pela vinda do Salvador, orientando-os para o seu retorno glorioso no fim dos tempos. Daí o fato de tantos mosaicos representarem vazio o trono do Cristo Pantocrator. O velho vocábulo pagão adventus se entende também no sentido bíblico e escatológico de “parusia”.

O Advento nas Igrejas do Oriente

Nos diversos ritos orientais, o ciclo de preparação para o grande dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo formou-se com uma característica acentuadamente ascética, sem abranger toda a amplitude de espera messiânica que caracteriza o Advento na liturgia romana.

Na liturgia bizantina destaca-se, no domingo anterior ao Natal, a comemoração de todos os patriarcas, desde Adão até José, esposo da Santíssima Virgem Maria. No rito siríaco, as semanas que precedem o Natal chamam-se “semanas das anunciações”. Elas evocam o anúncio feito a Zacarias, a Anunciação do Anjo a Maria, seguida da Visitação, o nascimento de João Batista e o anúncio a José.

O Advento na Igreja Latina

É na liturgia romana que o Advento toma o seu sentido mais amplo.

Muito diferente do menino pobre e indefeso da gruta de Belém, nos aparece Cristo, no primeiro domingo, cheio de glória e esplendor, poder e majestade, rodeado de seus Anjos, para julgar os vivos e os mortos e proclamar o seu Reino eterno, após os acontecimentos que antecederão esse triunfo:
“Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre as nações aterradas com o bramido e a agitação do mar” (Lc 21, 25).

“Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem” (Lc 21, 36).
É a recomendação do Salvador.

Como ficar de pé diante do Filho do Homem? A nós cabe corar de vergonha, como diz a Escritura.
A Igreja assim nos convida à penitência e à conversão e nos coloca, no segundo domingo, diante da grandiosa figura de São João Batista, cuja mensagem ajuda a ressaltar o caráter penitencial do Advento.

Com a alegria de quem se sente perdoado, o terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação:

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. É o domingo Gaudete. Estando já próxima a chegada do Homem-Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Os paramentos são cor-de-rosa.

No quarto domingo, Maria, a estrela da manhã, anuncia a chegada do verdadeiro Sol de Justiça, para iluminar todos os homens.
Quem, melhor do que Ela, para nos conduzir a Jesus?

A Santíssima Virgem, nossa doce advogada, reconcilia os pecadores com Deus, ameniza nossas dores e santifica nossas alegrias. É Maria a mais sublime preparação para o Natal.

Com esse tempo de preparação, quer a Igreja ensinar-nos que a vida neste vale de lágrimas é um imenso advento e, se vivermos bem, isto é, de acordo com a Lei de Deus, Jesus Cristo será nossa recompensa e nos reservará no Céu um belo lugar, como está escrito:

“Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1Cor 2, 9).

Fonte: Pe. Mauro Sérgio da Silva Izabel, 

Cristo está realmente presente na Eucaristia?

Como falar de um mistério, daquilo que a nossa razão não consegue penetrar? Somente fazendo curvar a razão e dando vazão à Fé.
Assim, podemos destilar da doutrina Católica o princípio de que, para estudar teologia, devemos sempre partir da Fé, para depois aplicar o nosso intelecto e concluir sempre com um novo ato de Fé, pois, melhor parece ser amar aquilo que nos excede e compreender o que nos é inferior.

Sendo o mistério algo insondável para o nosso intelecto devemos crer, celebrá-lo, e dele viver considerando-o com os olhos da fé; fazendo dela e da razão, uma unidade. Ao longo do estudo, a Fé auxiliar-nos-á naquilo que a razão não alcança, no entanto, sem excluí-la.

Entre os mistérios que a Igreja Católica prega, um dos mais augustos e admiráveis é o da Transubstanciação, pois nele "está contido o Cristo inteiro sob cada espécie e sob cada parte de cada espécie".
[1] Mas como? Somente é explicável por um milagre: toda a substância do pão se converte na substância do Corpo de Nosso Senhor e toda a substância do vinho na substância do Seu Preciosíssimo Sangue.

Pronunciadas as palavras da consagração - Isto é o meu Corpo; Este é o cálice do meu sangue - Nosso Senhor Jesus Cristo passa a estar presente instantaneamente[2] em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sob as espécies do pão e do vinho. 
O que quer dizer "sob as espécies"? Nada mais, nada menos, opera-se o milagre da transubstanciação, a substância do pão e do vinho deixam de estar presentes dando lugar à substância do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, mas mantendo os acidentes do pão e do vinho, o que naturalmente é impossível, pois o que sustenta os acidentes é a substância.
Uma vez que a substância do pão ou do vinho deixam de estar presentes os acidentes também deveriam desaparecer, mas na Eucaristia não se dá isso; os acidentes permanecem (cor, odor, etc.) e a substância muda,[3] "porque a Deus tudo é possível" (Mt 19,26).

Na Eucaristia, essa presença se dá de duas formas. Em primeiro lugar por força do sacramento, por outras palavras, na consagração da espécie do pão é dito: "Isto é o meu Corpo;" por virtude do sacramento ali está exclusivamente presente a substância do Corpo de Cristo. 
Da mesma forma em relação à espécie do vinho, é dito: "Este é o cálice do meu sangue..." sob essa espécie está presente exclusivamente a substância do Sangue de Cristo. Por outro lado, por razão de concomitância, ou seja, onde está presente um, está presente o outro, sob a espécie do pão está presente a substância do Corpo, como foi mostrado, mas também o Sangue a Alma e a Divindade, uma vez que não é possível separá-los.[4]

Portanto, quando recebemos a Eucaristia, é a Ele próprio que recebemos. 
Aquele mesmo que nas ruas da Galiléia curava os doentes, os coxos, os paralíticos... Aquele mesmo que Se deixou crucificar, "o Justo pelos injustos" (1Pedro 3, 18) a fim de salvar-nos; "Só" isso? Não! O próprio Deus Uno e Trino vem habitar-nos, mas este, será tema para um nova artigo.[5]

Tão grandioso mistério, não podemos compreender, mas nossa Fé nos assegura. "Quod non cápis, quod non vídes, animósa fírmat fídes, praetes rérum órdinem".[6]

Fonte: José Luís de Melo Aquino

21 de novembro de 2011

A culpa


O Senhor quer renovar agora nosso ânimo, nossas forças para levantar, para recomeçar, para olhar os fatos que nos acontecem com uma visão sobrenatural.

Você precisa saber que ânimo vem de alma e quando nos entregamos ao desânimo por isso sofremos muito, a vida começa a perder o sentido, porque a nossa alma está em estado grave, precisando ser cuidada.

Nossa alma é o centro onde habita Deus. Esse lugar deve ser só dele e o inimigo não quer isso, você sabe. Então, tendo essa consciência de que se nos entregarmos ao desânimo, damos brechas a Satanás.

Por isso, que todos os dias consagro minha alma a Deus e peço ao Senhor que a liberte. Abandono as situações difíceis que vivo nas mãos dele.

Porque se eu não tenho o poder de mudar e ao mesmo tempo não deixo Deus fazer o que cabe a Ele, as coisas se complicam.

Ou eu assumo a direção da minha vida, correndo o risco de quebrar a cara ou abandono a direção dela completamente nas mãos de Deus para que Ele faça o que o for melhor, mesmo que eu não entenda e venha a sofrer.

E outra coisa que procuro viver intensamente: oferecer todos os meus sofrimentos pela conversão e purificação das almas do purgatório, pela conversão dos pecadores, me incluindo como o primeiro da lista.

Não desperdiço os sofrimentos, situações que me humilham! Na hora até sofro e muito, mas procuro acolher e não deixar aquilo me desanimar. Tenho uma tendência, por isso vigio constantemente e peço o tempo todo o auxílio do alto. São esses os meus segredos para não me entregar ao desânimo.

Acredite que para Deus tudo é possível e dê o primeiro passo agora. Decida a buscar ajuda através de oração, de confissão e tudo mais o que for necessário para que você se liberte do desânimo.

Deus quer que sejamos nesse momento REANIMADOS.

Que nossa alma esteja cheia dele e não de coisas ruins.

Estou unido a você nesta oração!

Meu Deus, a ti eu clamo: dentro de mim há trevas, mas em ti encontro a luz.
Sinto-me sozinho , mas tu não me abandonas.
Estou desanimado , mas em ti encontro auxílio.
Estou inquieto , mas em ti encontro a paz.
Dentro de mim há amargura, mas em ti encontro paciência.
Não compreendo teus planos, mas tu conheces o meu caminho.
Vinde, Senhor em meu auxílio.
Retira minha alma do abismo da morte.
Cura e liberta meu coração de todas as amarras.
Preciso de ti, Senhor.
Socorre-me em minhas angústias, ansiedade e todas as minhas preocupações.
Muda tudo o que eu não posso mudar Senhor.

Amém !

Vitória, Misericórdia e Paz,

Fonte: William de Oliveira

A Carne é Fraca, mas o Espírito é forte!

Quando ouvimos falar em castidade, devemos nos lembrar da importância de ver o nosso corpo como o verdadeiro templo de Deus.
A própria Bíblia condena a fornicação (Copular; Ter Cópula; Acasalar) em diversos trechos ela mostra o quanto são essenciais a fidelidade no relacionamento e o respeito ao nosso corpo.

É importante não deixar-se levar pelas “campanhas mundiais” a favor do sexo inconsequente e imoral, principalmente entre os jovens.

Nos seguintes trechos: (I Coríntios 6,18) “Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo” e (I coríntios 7,9)
“Mas, se não poderem conter-se, casem-se.
Porque é melhor casar do que abrasar-se” podemos observar que Deus é a favor do casamento e não abrasar-se pelo mundo afora.

Pensando nisso, é normal vermos propagandas incentivando o uso de preservativos como a camisinha. A Igreja se opõe a essa ideia devido às escrituras Bíblicas serem bem claras quanto o relacionamento conjugal. Se permitisse o uso da camisinha a Igreja Católica estaria sendo contra aquilo que ela prega que é estar aberto à vida sempre. Liberando então a fornicação entre todas as pessoas.

Quando vivemos na fé e ouvimos aquilo que o mandamento diz “Não pecar contra a castidade” Estamos realizando a vontade de Deus e nos tornando exemplo para iniciarmos uma família aberta à vida e se utilizando do relacionamento sexual como algo sublime e santo.

Como afirmei no início o nosso corpo é o templo de Deus, A Igreja é clara devemos nos prevenir de forma moral e de acordo com as leis de Deus;

Conforme a bíblia diz em (Eclesiástico 41,21):

“Envergonhai-vos da fornicação, diante de vosso pai e de vossa mãe; e da mentira, diante do que governa e do poderoso”.

 Como queremos que nosso pai nos veja? Além de prestar contas a Deus, também prestamos contas aos nossos pais. Devemos ter vergonha de atos que não favorecem o laço familiar.
Hoje somos filhos, amanhã seremos os pais, o que queremos ver de nossas próximas gerações?

Podemos observar também o outro mandamento “Honrar Pai e Mãe”.

Sejam dignos de olhar nos olhos de seus pais, se sua vida for impura envergonhe-se de seus pais e de Deus.
Pense nisso!

Fonte: Juliana Nascimento

A Bíblia condena o Espiritismo?

O chamado espiritismo é a doutrina supostamente psicografada pelo médium Allan Kardec, por decisão consensual dos espíritos superiores, na forma de uma nova revelação à humanidade; seus princípios encontram-se reunidos nas obras:
O Livro dos Espíritos publicada em 1857,
O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

Cabe registrar a existência de correntes espíritas que não partilham as idéias de Allan Kardec. Portanto, o kardecismo não é sinônimo de espiritismo na sua expressão completa.

A Bíblia condena a reencarnação, a incorporação de espíritos e a comunicação com os mortos, a chamada necromancia, portanto condena o espiritismo em geral e o kardecismo em particular.

Nada há de novo no espiritismo kardecista, que impeça a sua condenação, seja com base no Antigo Testamento seja no Novo Testamento.

Não tem, rigorosamente, nenhuma importância se a palavra original da bíblia que expressa a condenação à doutrina espírita, foi traduzida para um termo novo, posterior ao tempo bíblico, pois o conceito que a palavra espiritismo encerra, na máxima amplitude da sua acepção, está condenado amplamente no Antigo Testamento.

O que os espíritas querem afirmar é que a doutrina supostamente codificada pelo médium Allan Kardec, após decisão consensual dos espíritos, era algo desconhecido dos homens dos tempos bíblicos, e ,consequentemente, o termo espiritismo não poderia ser empregado em relação ao fenômeno mediúnico do passado, porque até a obra de Kardec, não havia uma decisão consensual dos espíritos sobre o que deveria ser informado aos homens, não desencarnados; e aquilo que aconteceu no passado poderia ser informação falsa transmitida por espíritos enganadores, menos desenvolvidos em termos morais.

Nós, católicos, como não aceitamos a doutrina espírita, consideramos os fenômenos relacionados à mediunidade, como a necromancia e a reencarnação, impossibilidades espirituais estabelecidas por Deus.

Ou, talvez, obra dos demônios, conforme o próprio Kardec alertara !

Não há rigorosamente nada na doutrina de Kardec que a torne compatível com o cristianismo como eles gostam de afirmar, desmerecendo a verdade evangélica, e construindo um outro evangelho, segundo os princípios espíritas, no qual, Cristo não é Deus, no qual, não há céu, nem inferno, nem sacramentos, nem, tampouco, a redenção!

Sobre a divindade de Cristo lemos em João 10,30 : "Eu e o Pai somos um" e também em João 14, 9 e 10 "Então não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?".

Jesus Cristo afirma ser Deus e não um espírito superior; segundo o kardecismo, os espíritos superiores não mentem, logo, Cristo é, verdadeiramente, Deus encarnado, pois, como Espírito superior, não pode mentir.

Os espíritas alegam que os evangelhos não são documentos verdadeiros sobre o Cristo e sua missão na terra, esta é, para eles, a única via de solução do paradoxo criado; ocorre que, com essa negação, todas as tentativas de encontrar fatos ligados ao espiritismo no NT, também são invalidadas.

Sobre a vida eterna, lemos na Bíblia:
"Mas a todos aqueles que o receberam aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus? (Jo 1,12).

Somos participantes da natureza divina (2 Pe 1,4), diz São Pedro, logo, somos herdeiros do céu."]

"Se somos filhos, também somos herdeiros." (Rom 8,17).

Na Bíblia fica proibido interrogar os mortos, interrogar os espíritos adivinhos, médiuns, simples espíritos e fantasmas sobre a verdade e sobre o futuro.

Citações Bíblicas condenando a comunicação com os mortos e a reencarnação:

"Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha pelo fogo, nem quem consulte adivinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte nigromantes, ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas, e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada" (Dt 18, 9-14)

"Se uma pessoa recorrer aos espíritos, adivinhos, para andar atrás deles, voltarei minha face contra essa pessoa e a exterminarei do meio do meu povo". "Qualquer mulher ou homem que evocar espíritos, será punido de morte" (Lev 20, 6 - 27).

Em Isaias, cap. 8, 19, lemos a queixa de Deus "Acaso não consultará o povo o seu Deus? Há de ir falar com os mortos acerca dos vivos"?

Em Jeremias: "Não vos seduzam os vossos profetas, nem os vossos adivinhos... eu não os enviei" (19, 8,9).

No Levítico (20, 27), Deus ordena a pena de morte de lapidação contra os pitões e adivinhos , também em Isaías 47, 13.

No Deuteronômio (13, 1 a 5) Deus torna-se irado contra os que instituem religiões falsas:

"Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio e suceder tal sinal ou prodígio... não ouvirás as palavras de tal profeta e sonhador, porquanto o Senhor vosso Deus vos prova se amais o Senhor vosso Deus... E aquele profeta sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor vosso Deus."

“ Se alguém se dirigir àqueles que evocam os espíritos e aos adivinhos para se prostituir com eles, eu me voltarei contra essa pessoa e a eliminarei do meio de seu povo". Leviticos 20 6,7

Reencarnação

Sobre a reencarnação lemos : "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo" (Heb 9,27).

Somos salvos pelo Sangue do Senhor, pela graça justificadora, e não por sucessivas reencarnações purificadoras.

Jesus disse a São Dimas , o bom ladrão: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Jesus eliminou nitidamente, nessa expressão, a chance de qualquer reencarnação. Dimas não reencarnaria muitas vezes para ser salvo.

Toda a pregação da Igreja é baseada na esperança da ressurreição.

O Apóstolo afirma : "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé" (1 Cor 15,14).

Por outro lado, se a nossa esperança do Céu é pequena, a nossa vida cristã terrena perde todo o sentido e se esvazia. São Paulo fala sobre isso:

"Se é só para essa vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima? (1 Cor 15,19).

Orar e não mediunidade

Nós, cristãos, não necessitamos interrogar ninguém sobre a verdade, porque a verdade já nos foi revelada.

Nós não estamos em busca da verdade, já a encontramos em Cristo Jesus e na Sua Igreja, sob a guia do Espírito Santo - o Espírito de Verdade.

O Espírito Santo ilumina, guia, e defende a Sua Igreja; derramando Seus dons sobre os fiéis.

Os dons proféticos, por seu turno, são de todos os batizados, que sabem e por isso anunciam o Reino de Deus, a Sua glória e o Seu poder na terra e no céu.

Quando Deus deseja transmitir alguma revelação particular, essa verdade deve ser comunicada a todos; e, até a Segunda Vinda do Cristo, não há nenhuma nova revelação a ser feita!

As revelações particulares servem para reforçar a mensagem original revelada pelo Cristo, elas nada acrescentam, nem aperfeiçoam o conteúdo da doutrina que constitui o depósito da fé. Destinam-se a mostrar o caminho para vivermos melhor como cristãos.

Tampouco há controle sobre o modo como uma revelação privada se dará - o caso de Lourdes, Fátima e outros.

Os adivinhos fazem revelações de interesse exclusivamente pessoal e de forma regular, sistemática; deixando claro que a soberania sobre o fenômeno não é divina, mas sim, do médium em questão.

O modo cristão de comunicação com os mortos, com as almas santas, é sempre através da oração, na comunhão do Espírito Santo.

No espiritismo, as culpas são pagas em sucessivos processos de encarnação. Não há céu, nem inferno, apenas orbes mais elevadas nas quais habitam os espíritos mais evoluídos. Pagamos penas pretéritas que ignoramos.

Voltam a viver os bons e os maus! Os que sofrem pagam culpas de vidas pretéritas.

Nossas culpas são perdoadas, verdadeiramente, pela misericórdia divina no batismo e no sacramento da confissão para quem volta a pecar.

No espiritismo não há sacramentos, nem redenção, nem juízo, nem o Cristo é o Filho de Deus, apenas um espírito mais evoluído.

Os espíritos são feitos ignorantes por Deus, e, por isso, aprendem e evoluem moralmente, nas sucessivas encarnações.

Além desses aspectos referidos existem outros, que alinho abaixo.

Um indivíduo que tenha encarnado na Índia, e um outro que tenha encarnado na China, muito provavelmente seguirão o bramanismo e o budismo, consequentemente , não conhecerão as leis de Deus , transmitidas a Moisés, e, portanto, não poderão ser julgados por seus atos , pelo Deus cristão.

A rigor, não há, no espiritismo, uma lei geral que possa definir o que é certo e o que é errado para cada um dos contextos religiosos.

Observa-se também a total perda da identidade individual mediante as sucessivas encarnações nas quais podemos ser até filhos dos nossos filhos.

A unidade corpo e alma é insuperável no cristianismo, o corpo não é uma roupa que pode ser substituída por outras infinitas vezes.

O corpo é o templo do Espírito Santo e deve ser reverenciado pelos homens, porque é vontade de Deus.

Se é tão frequente a chamada encarnação, por que as pessoas apresentam tanta dificuldade para lembrar as vidas pretéritas?

O espiritismo na verdade é uma gnose, muito mal elaborada, que tenta restabelecer o princípio da auto-iluminação e da salvação pelo esforço pessoal sem a intervenção da graça justificadora.

Além disso, o livre-arbítrio é totalmente desrespeitado tendo em vista o fato dos homens serem obrigados a encarnar para expiar culpas de outras vidas que eles próprios ignoram.

Deus no espiritismo é extremamente mau e injusto, ele cria seres ignorantes condenados a sofrer para aprender, sem o auxilio de uma mensagem revelada, e condena os bons e os maus a voltarem a viver infinitas vezes.

Curas espirituais

Por que os chamados espíritos iluminados não trazem as respostas científicas para as doenças, ao invés de operarem supostas curas espirituais?

Alguém conhece o nome de um grande cientista que tenha feito uma descoberta importante em qualquer campo do conhecimento, e atribuído essa descoberta ao espiritismo?

Eu conheço, muito ao contrário, um grande cientista católico Louis Pasteur que descobriu a vacina contra a hidrofobia e o modo de enfrentar as doenças bacterianas, algo que era por completo ignorado entre os cientistas de seu tempo.

Fonte: Prof Everton Jobim

O Inferno existe?

A reflexão teológica nos dias de hoje não é negar a existência do Inferno - porque enquanto existe a liberdade, existe a possibilidade de rejeição total de Deus - mas sim, afirmar e enfatizar que, mesmo que o inferno exista, não deve se tornar uma realidade para ninguém.

Nesse sentido, o Inferno é a completa e eterna rejeição da presença de Deus, do seu amor. Agora, como pensar que alguém, diante da Verdade, do Amor, da Misericórdia de Deus, possa conscientemente fazer essa escolha é quase impossível, porque diante de Deus, todos os “pseudos-valores de uma personalidade agarrada ao egoísmo e à arrogância, parecem como palhas...”.

Com isso, ao invés de enfatizar o Inferno, a Igreja sempre deseja falar do Céu! Se o inferno é a ausência eterna e plena de Deus, o Céu então é a plenitude da vida em Deus, diante Dele, com Ele, Nele.



Fonte: Diácono Leandro Rasera

Humildade e Orgulho

A virtude da humildade é, sem sombra de dúvida, a principal virtude cristã, pois só o homem humilde está aberto a aprender e conquistar todas as outras virtudes.

O orgulhoso julga-se possuidor das qualidades que insinuamos precisar crescer e, portanto, torna-se refratário a qualquer crítica positiva.

O humilde, por outro lado, sabe que seu modelo é Jesus Cristo e que está muito longe de atingir esta perfeição. Por isto encara como positiva qualquer crítica que lhe façam. Como dizia uma vez um amigo, “o homem humilde tem a ousadia de mendigar críticas e sugestões”.

Veja só: “mendigar críticas e sugestões”! Será que eu sou uma pessoa capaz de mendigar às pessoas boas que vivem à minha volta críticas e sugestões?

Como distinguir a pessoa humilde da pessoa orgulhosa? Eis aí algumas sugestões:

O homem humilde é um homem que:
- reconhece sinceramente suas qualidades e seus defeitos;
- não exagera suas qualidades;
- sabe que possui qualidades, mas reconhece que o maior mérito de “tê-las” não se deve a si mesmo, mas a Deus. Como dizia S. Paulo: “que tens tu que não tenhas recebido; e se o recebeste, porque te glorias?”
- sabe que se Deus lhe deu talentos, não é para vangloriar-se, mas sim para servir o próximo, etc.

Por outro lado, o homem orgulhoso é um homem que:
- pensa que o que faz ou diz está mais bem feito ou dito do que aquilo que os outros fazem ou dizem;
- quer sempre ter razão;
- discute sem razão ou - quando a tem - insiste com teimosia e de maus modos; é teimoso;
- dá o seu parecer sem que lhe peçam;
- despreza o ponto de vista dos outros;
- cita-se a si mesmo como exemplo nas conversas;
- fala mal de si mesmo, para que lhe contradigam;
- sofre quando os outros são mais estimados do que ele;
- é impaciente (não tem paciência com o defeito dos outros), etc, etc.

Quanto maior é o orgulho, maior é o “ego”.

Muitas vezes ouvimos dizer de alguma pessoa que tem o ego maior do que o mundo. Eu diria que, de fato, na minha experiência pessoal orientando milhares e milhares de pessoas, há pessoas que realmente são assim.

E qual é o problema de ter um ego muito grande? O problema é que o ego é altamente destruidor. É o ego muito grande que:
- destrói o casamento (quem tem o ego grande, quem é orgulhoso, só quer subir e acabará usando o outro cônjuge como pedestal);
- destrói o amor (o amor é pensar no outro e quem tem o ego grande só pensa em si mesmo);
- destrói a paz (a paz vem da harmonia, do esforço de ceder nas opiniões, e quem tem o ego grande nunca cede nas suas opiniões); etc.

Se o orgulho destrói, a humildade constrói. Busquemos sempre a virtude da humildade e assim serão muitas as “construções de amor” da nossa vida.

Pe. Paulo M. Ramalho - Aliança da Misericórdia

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