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8 de junho de 2014

Evangelho do dia: Refletindo Evangelho de São João 20,19-23


Assim como o Pai me enviou também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo!

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'.
Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio'.
E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados,
eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes,
eles lhes serão retidos'. Palavra da Salvação.


Reflexão

O Evangelho de João nos apresenta Jesus, na tarde do Domingo de Páscoa, soprando o Espírito sobre seus discípulos, que estão reunidos no Cenáculo a portas fechadas com medo dos judeus.

Colocar Jesus agindo na tarde de Páscoa significa que Ressurreição e Pentecostes estão unidos. O Espírito vem quando a Comunidade está reunida para celebrar a memória da morte e ressurreição de Jesus.

O sopro de Jesus, dando o Espírito, nos recorda o sopro do Pai sobre o homem feito de barro, dando-lhe a vida. Jesus sopra sobre a Comunidade dando-lhe Vida, criando a Igreja.

Estar com as portas fechadas significa o bloqueio em que se encontram para testemunhar Jesus Ressuscitado. É a presença do Espírito que leva à continuidade da missão do Senhor, a instaurar a vitória da Vida.
Medo é sinal de morte, por isso eles, sem o Espírito estão amedrontados, ainda dominados pelo poder da morte.
O sopro de Jesus dá a Vida, dá o Espírito Santo que faz nova todas as coisas.

Essa nova Humanidade forjada pela redenção, pela ressurreição de Jesus, porta o Espírito do Senhor para continuar sua missão salvífica.

Evidentemente essa missão redentora terá sua expressão no perdoar e no reter os pecados.

Pecado é ir contra a liberdade e a vida. Se existe o arrependimento e o propósito de mudança, existe o sinal da presença do Espírito. Contudo, se existe a perseverança no erro, na opção pela morte, se torna impossível perdoar – restituir a vida – já que a opção da própria pessoa foi a morte.

Entendamos, não é a Igreja que não perdoa, ela não tem essa missão, ao contrário, ela trabalha o arrependimento favorecendo condições para isso, mas depende da pessoa abrir ou não seu coração ao Espírito. Será o Espírito, que é o Espírito da Vida, que provocará o arrependimento, que perdoará.

Peçamos ao Espírito Santo, o Espírto da Vida, da União, do Amor, que venha sobre nós, sobre as pessoas que amamos, sobre todos e recrie em nós o Homem segundo o Coração de Jesus, segundo os desejos de Deus. Assim, a partir de onde vivemos, o mundo será outro, será verdadeiramente um mundo onde reina a justiça e a paz. Não tenhamos medo de anunciar a Vida, de irmos contra a cultura de morte que nos é imposta através do consumismo, da valorização do prestígio, do ter, do levar vantagem e de tantas propostas que levam o Homem à escravidão e à morte.

Permitamos ao Espírito nos renovar, destruir em nós aquilo que é caduco, voltado à finitude, nos recriando como cidadãos livres! Sejamos irmãos e filhos no Espírito.


5 de junho de 2014

Evangelho do dia:Refletindo Evangelho de São João 17,20-26


A oração de Jesus abre-se para o futuro. 

“Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela palavra deles. Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim. Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes também conheceram que tu me enviaste.Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o farei conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles.”

Reflexão

A unidade é dom do Cristo ressuscitado e parte essencial do testemunho.

A oração de Jesus abre-se para o futuro: ele pede não somente para os atuais discípulos, mas para aqueles, não importa a que tempo, que abraçarão a fé. Há uma unidade, inspirada na união entre o Pai e o Filho, que permanece além de um tempo determinado da história. A unidade deve ser sempre a característica e o desafio da comunidade cristã. A unidade é dom do Cristo ressuscitado e parte essencial do testemunho. É ela o testemunho pelo qual gerações chegarão à fé. A fé é, fundamentalmente, testemunho. Assim sendo, somos responsáveis pela fé uns dos outros e das gerações futuras, pois a adesão dos outros à pessoa de Jesus Cristo depende, em boa parte, de nosso testemunho e da qualidade de nossa vida cristã. A comunhão entre os discípulos oferece a gerações futuras a possibilidade de conhecer que Jesus é o enviado do Pai. Se o mundo não conheceu Deus, foi em razão do seu fechamento. Na plenitude dos tempos Deus se revelou no seu Filho que, antes da criação do mundo, estava voltado para ele (cf. Jo 1,1). Em Jesus é que resplandece a imagem do Deus único e verdadeiro (cf. Jo 14,9). Pelo Filho o Pai se tornou conhecido dos discípulos e eles puderam saber que Deus é amor.


Aprovada a cura milagrosa de uma criança ainda no ventre da mãe atribuída à intercessão de Paulo VI


 A Congregação para a Causa dos Santos aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, um milagre atribuído à intercessão do Papa Paulo VI, autor da Encíclica Humanae Vitae, conforme informa a Rádio Vaticano.

O Cardeal Angelo Amato deverá encontrar o Papa Francisco para a promulgação do decreto, o que poderá ocorrer ainda nesta sexta-feira. É aguardada a confirmação da data de 19 de outubro - conclusão do Sínodo Extraordinário sobre a Família - para a cerimônia de beatificação.

O milagre ocorreu na Florida, Estados Unidos, em 2001 e seu protagonista é uma criança que, na 24ª semana de gestação, encontrava-se em um estado crítico. Exames médicos diagnosticaram a ruptura da bexiga, com ascite, presença de líquido no abdômen, e Oligo-hidrâmnio, ausência de líquido no saco amniótico. Toda tentativa terapêutica resultou ineficaz para resolver a sua situação.

O diagnóstico foi severo. Era muito provável que a criança morresse dentro do útero ou que nascesse com uma insuficiência renal grave. O ginecologista ofereceu à mãe gestante a opção de abortar, mas a mulher não aceitou a proposta.

Seguindo o conselho de um amigo da família e de uma religiosa da Caridade de Santa Maria Bambina, que tinham conhecido o Papa Paulo VI, colocaram sobre o ventre da mulher uma imagem do Pontífice com uma relíquia e invocaram a sua intercessão.

À 34ª semana de gravidez os novos exames demonstraram que o quadro clínico da criança tinha melhorado e no momento do nascimento –um parto por cesárea na 39ª semana–, o bebê demonstrou boas condições e foi capaz de respirar e chorar.

O menino, cujo nome e localização exatos se reservam por questões de privacidade, foi acompanhado durante os últimos anos por médicos especialistas e demonstrou no curso dos anos um correto desenvolvimento psicofísico.

Além disso, e de maneira especial, os médicos controlaram de modo meticuloso as funções renais do menor, que estiveram dentro da normalidade, e em 12 de dezembro de 2013 a consulta médica da Congregação para as Causas dos Santos confirmou por unanimidade a cura inexplicável, enquanto que no dia 18 de fevereiro o Congresso de teólogos desta congregação reconheceu unanimemente a intercessão do Papa Paulo VI.

O Papa Paulo VI, Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, nasceu em Lombardia em 26 de setembro de 1897 e marcou a história por concluir os trabalhos do Concílio Ecumênico Vaticano II, iniciado por São João XXIII, e também pela publicação de sete encíclicas que servem como apoio para a guia da Igreja.

Morreu em Castel Gandolfo, em 6 de agosto de 1978, festa da Transfiguração do Senhor.

Beatificada religiosa que portava os estigmas de Cristo


No imponente Santuário do Amor Misericordioso em Collevalenza, Todi (Itália), o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, presidiu a cerimônia de beatificação da religiosa espanhola, Madre Esperança de Jesus, fundadora das congregações das Servas e Filhos do Amor Misericordioso.

No sábado, 31 de maio, milhares de pessoas compareceram ao Santuário que a Madre Esperança construiu confiando na Divina Providência e obedecendo à vontade de Deus, depois da inspiração que teve de procurar água no monte onde se sabia que não havia. A religiosa cavou um poço de 122 metros de profundidade onde brotou água e o Senhor Jesus lhe disse: “esta é a água da minha misericórdia”.

Neste lugar construiu piscinas para que os doentes possam banhar-se pedindo a cura tanto física como da alma. Também há uma fonte onde podem beber a água. Perto das piscinas e da fonte se lê uma expressão da religiosa: “Utiliza esta água com fé e amor, certamente te servirá de refrigério para o corpo e de saúde para a alma”.

Conforme assinala L’Osservatore Romano, na homilia da Missa de beatificação, o Cardeal Amato recordou que a Madre Esperança expressou em várias ocasiões que “a santidade consiste em viver em Jesus” e queria santificar-se “custe o que custar”.

Explicou também que a Beata buscava “cumprir a vontade de Deus, confiar em sua Providência e amar o Crucificado, símbolo do amor misericordioso”.

A Madre Esperança tinha uma “fé ilimitada” com a qual “atravessou as escuras galeria do mal, da incompreensão e da humilhação, saindo purificada e fortalecida em seus propósitos”, indicou o Cardeal.

O Papa Francisco na sua carta apostólica por ocasião da beatificação destacou três méritos da Beata: ser fundadora de duas congregações de vida consagrada, o ser “testemunha da mansidão de Deus, sobretudo, para com os pobres” e o terceiro mérito é ser “promotora da santidade do clero diocesano”.

A Madre Esperança tinha experiências místicas e também em várias oportunidades sofria ataques do demônio, que irritado pelos seus frutos espirituais brigava com a religiosa, batia-lhe, dava-lhe empurrões. Em uma ocasião lhe lançou um recipiente térmico de água quente e em outra um livro em chamas.

O Beato João Paulo II, no mesmo ano que publicou a sua Encíclica “Dives in Misericórdia”, visitou o Santuário em 22 de novembro de 1981, em sua primeira visita fora do Vaticano depois do atentado que sofreu em 13 de Maio, para agradecer ao Amor Misericordioso: “viemos em visita a este santuário porque somos devedores à misericórdia de Deus pela nossa saúde”.

Sua vida

A Madre Esperança nasceu em Vereda del Molino, Murcia (Espanha) no dia 30 de setembro de 1893, seu nome de batismo foi Maria Josefa Alhama Valera, era a mais velha de nove irmãos de uma humilde família de Siscar e viviam em uma pequena casa construída com barro.

Devido à sua situação de pobreza, não recebeu uma educação escolar. Desde muito jovem serviu na casa de um rico comerciante de Santomera, onde seus filhos lhe ensinaram a ler e escrever, a religiosa sempre recordou este gesto e estava agradecida por isso.

Para a Madre Esperança, Santa Teresa do Menino Jesus era seu exemplo a seguir e continuava sua mensagem de amor misericordioso. O dia da Santa, 15 de outubro de 1914 à idade de 22 anos ingressou na vida religiosa.

Com o passar dos anos, a Madre Esperança foi colocada sob observação do Santo Ofício, porque se tinha notado nela algumas “coisas sobrenaturais” para verificar se estes fatos vinham de Deus ou não. Finalmente decidiram dar-lhe um voto de confiança porque tinha demonstrado sua dedicação ao Senhor e sua boa vontade.

No Natal de 1930, fundou em Madri a Congregação das Servas do Amor Misericordioso.

Esteve marcada por muitas doenças que eram curadas muitas vezes sem explicação médica, mas no dia 8 de fevereiro de 1983, à idade de 90 anos faleceu, vítima de outra doença. Seus restos mortais descansam na cripta do Santuário.

A congregação que Madre Esperança fundou se dedica ao ensino, acolhida e acompanhamento de crianças e jovens. Dão ajuda aos doentes, idosos, pessoas com necessidades especiais e famílias necessitadas.

A religiosa expressou em uma oportunidade que queria “ser como uma batata que desaparece debaixo da terra para dar vida a novos filhos”. Morreu um 8 de fevereiro de 1983.

O milagre para a beatificação foi a cura de um menino alérgico a todo tipo de alimento que os médico consideravam de caráter incurável. O milagre aconteceu depois que o menino bebesse a água da fonte do Santuário de Collevalenza fazendo que seus males desapareçam.


Família: Sínodo deve pensar na maneira de evangelizar


Há algumas semanas, ao abrir a Assembleia-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), o Papa Francisco advertiu que os bispos devem estar próximos das dificuldades das famílias.

“Hoje, a comunidade doméstica é fortemente penalizada por uma cultura que privilegia os direitos individuais e transmite a lógica do provisório”, observou. Ainda neste contexto, o Papa pediu uma atenção particular “a quem está ferido nos afetos e vê seu próprio projeto de vida ficar comprometido”.



Quando se fala de crise da família, pensa-se primeiramente na crise dos casais. A este respeito, Silvonei José contatou Dom João Carlos Petrini, primeiro e atual bispo da Diocese de Camaçari, na Bahia, e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família.

Dom Petrini fala também sobre suas expectativas para o Sínodo dedicado aos “Desafios pastorais sobre a família”, que vai ter lugar em Roma entre 5 e 19 de outubro.

Audiência: ter piedade não é fazer cara de santo, mas servir os irmãos


Cerca de 40 mil fiéis lotaram a Praça S. Pedro esta manhã para a Audiência Geral.

Sob um sol de verão, o Papa percorreu toda a Praça a bordo do seu papamóvel por cerca de 30 minutos para saudar a multidão em festa.

Nesta quarta-feira, o Papa Francisco retomou sua catequese sobre os dons do Espírito Santo, para falar desta vez sobre a piedade – “dom que muitas vezes é incompreendido ou considerado de modo superficial”, disse o Papa.

É preciso esclarecer logo que este dom não se identifica com sentir compaixão por alguém, mas indica a nossa pertença a Deus e o nosso elo profundo com Ele – um elo que dá sentido à nossa vida, explicou.

Longe de ser um dever ou imposição, a piedade garante que a nossa relação com Deus brote genuinamente do nosso coração: o Espírito Santo nos leva a perceber a presença de Deus e todo o seu amor, o que suscita em nós gratidão e louvor, e nos faz viver como seus filhos.

Por outro lado, se a piedade nos faz crescer na relação e na comunhão com Deus, ao mesmo tempo nos ajuda a dirigir este amor também aos outros. E então seremos movidos por sentimentos de piedade – não de pietismo! –

Por que não digo pietismo? Porque algumas pessoas pensam que ter piedade é fechar os olhos e fazer cara de santo. Fazer de conta que é um santo. Mas este não é o dom da piedade. É o que nos torna capazes de alegrar-nos com quem se alegra, chorar com quem chora, estar próximo de quem está só ou angustiado, corrigir quem está no erro, consolar quem está aflito, acolher quem passa necessidade. Há uma relação muito estreita entre o dom da piedade e da mansidão, que nos faz tranquilos, pacientes, em paz com Deus: a serviço com mansidão dos outros.

O Papa então concluiu:

Peçamos ao Senhor que o dom do seu Espírito possa vencer o nosso temor e as nossas incertezas, e também o nosso Espírito inquieto, impaciente. E possa nos tornar testemunhas alegres de Deus e do seu amor, adorando o Senhor em verdade e também nos serviços ao próximo, com mansidão e com o sorriso que sempre nos dá na alegria o Espírito Santo. Que Ele nos dê a todos este dom da piedade.

Entre os inúmeros fiéis e peregrinos oriundos de várias partes do mundo, do Brasil havia grupos de Brasília e do Caminho neocatecumenal de São Carlos e Jundiaí (SP), que assim foram saudados por Francisco:

Queridos amigos vindos de Angola, do Brasil e outros países de língua portuguesa: sejam bem-vindos! Diante dos desafios e dificuldades da vida, peçamos ao Senhor o dom da piedade, para que possamos permanecer sempre firmes no testemunho alegre da nossa fé cristã. Que Deus vos abençoe!

O Pontífice saudou de modo especial os jovens poloneses reunidos em Lednica, para renovar sua adesão a Cristo e à Igreja. “Queridos jovens, sejam corajosos! Respondam com entusiasmo ao amor de Deus como filhos prediletos. Que S. João Paulo II, que iniciou com vocês o caminho de Lednica 18 anos atrás, os guie e lhes obtenha todas as graças necessárias para que suas vidas sejam plenas e generosas.”


Cúria deve ter perfil da Igreja missionária de Francisco

Madri  – Dom Marcello Semeraro (na foto) é bispo de Albano e secretário do Conselho de Cardeais que assessora o Papa Francisco na reforma da Cúria romana, o chamado 'G8 Vaticano'. Ele está em Madri, apresentando uma edição da 'Evangelii Gaudium', e concedeu entrevista à agência Europa Press explicando o andamento dos trabalhos do Conselho.

A próxima fase será de 1º a 4 de julho e deve coletar o trabalho num projeto de reforma da Cúria “que corresponda à imagem de Igreja missionária que Francisco oferece: uma Igreja em saída, que esteja sempre a serviço do homem”.

Frisando que o projeto está recebendo atenção da opinião pública, Dom Semeraro lembrou a instituição do novo dicastério: a Secretaria da Economia, “muito importante”, garantiu. Assinalou também, na entrevista, que o Instituto para as Obras de Religião (IOR) “é um capítulo sobre o qual está sendo feita uma reflexão, que agora está por conta da Secretaria, que o reorganizará com transparência e eficácia”.

O Papa já participou de quatro reuniões do Conselho dos Cardeais, nas quais “estudou a realidade da Cúria Romana em toda a sua complexidade”, assim como definida na Constituição Apostólica Pastor Bônus, de João Paulo II. “Atualmente, revelou, estamos na fase de conclusão das observações”. Concretamente, o bispo disse que “é possível haver reduções no número dos Conselhos Pontifícios”.

Em todo caso, Dom Semeraro esclareceu que este trabalho “não vai durar eternamente”, confirmando declarações de março passado feitas pelo Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Lombardi, de que “presumivelmente, terminará em 2015”.

O bispo revelou ainda que o Papa “está muito atento ao aumento da colegialidade, à comunhão, participação, e principalmente, à missão dentro da Igreja”. “Fora da Igreja, para o Papa, o tema prevalente é a paz, e como observou em sua visita à Terra Santa, o equilíbrio ecológico, “ética de responsabilidade para o futuro do Planeta”.



Preparativos para encontro de oração do Papa com Mazen e Peres


A Sala de Imprensa da Santa Sé acolhe na sexta-feira, 6 de junho, os jornalistas credenciados para apresentar o encontro de oração do Papa com os líderes Abu Mazen e Shimon Peres, no próximo domingo.

A coletiva será realizada às 13h, com a participação do Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, e do Custódio da Terra Santa, Fr. Pierbattista Pizzaballa, O.F.M.

Enquanto isso, já foi confirmada a participação do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, que chegará a Roma no sábado. Na manhã de domingo, Bartolomeu celebrará a solenidade de Pentecostes na igreja de S. Teodoro no Palarino, que a diocese de Roma colocou à disposição da comunidade greco-ortodoxa. À tarde, o Patriarca participará no Vaticano do encontro de oração e invocação pela paz.

De acordo com o site da Conferência Episcopal Italiana, o encontro de domingo será caracterizado por músicas, orações, invocações de paz e pedidos de perdão. Com os protagonistas, estarão presentes rabinos, expoentes muçulmanos e sacerdotes.



Devemos ser mais cristãos": Francisco encontra Aram I


O ecumenismo esteve no centro do encontro esta manhã, no Vaticano, entre o Papa Francisco e o Catholicos da Igreja Armênia Apostólica da Cilícia, Aram I.

Na Sala Clementina, a audiência foi marcada por um colóquio privado, pela troca de presentes e por discursos.

Ao se dirigir a Aram I, Francisco ressaltou o passado de provações e sofrimentos da Igreja Apostólica Armênica – o que obrigou seus fiéis a se tornarem um povo peregrino.

“A história de emigração, perseguição e martírio de inúmeros fiéis deixou feridas profundas nos corações de todos os armênios. Nós as devemos ver e venerar como feridas do próprio corpo de Cristo: justamente por isso, essas mesmas feridas são também causa de inabalável esperança e de confiança na misericórdia providente do Pai.”

Precisamos tanto de confiança e esperança – prosseguiu o Papa, principalmente os cristãos do Oriente Médio, que se encontram nas regiões martirizadas pelo conflito e a violência. “Mas também nós cristãos que não devemos enfrentar essas dificuldades, mas que com frequência corremos o risco de nos perder nos desertos da indiferença e do esquecimento de Deus, de viver no conflito entre irmãos ou de sucumbir nas nossas batalhas interiores contra o pecado.”

Francisco então exortou: Como seguidores de Jesus, devemos aprender a carregar com humildade os pesos uns dos outros, ajudando-nos assim reciprocamente a sermos mais cristãos, mais discípulos de Jesus.

Nesses dias que precedem a solenidade de Pentecostes, recordou o Pontífice, devemos invocar com fé o Espírito, para que renove a face da terra, cure as feridas do mundo e reconcilie os corações de cada homem com o Criador.

“Seja Ele, o Paráclito, a inspirar o nosso caminho rumo à unidade, seja Ele a nos ensinar como alimentar os elos de fraternidade que já nos unem no único Batismo e na única fé”, concluiu o Papa.

A seguir, Francisco e Aram I se dirigiram para a Capela Redemptoris Mater para uma oração conjunta.


Santo Padre e a contribuição da Igreja em favor das comunidades nômades


Na manhã desta quinta-feira, em audiência no Vaticano, o Papa Francisco deu as boas-vindas aos participantes do Encontro Mundial dos Promotores Episcopais e dos Diretores Nacionais da Pastoral dos Ciganos. Em seguida às saudações ao grupo, formado por representantes provenientes de 26 países da América, Ásia e Europa, o Santo Padre falou sobre o tema do evento:
“A Igreja e os Ciganos: anunciar o Evangelho nas periferias”.

“Neste tema, em primeiro lugar, tem a memória de uma relação, aquela entre a comunidade eclesial e o povo nômade, a história de um caminho para se conhecer, para se encontrar; e ainda tem o desafio para o hoje, um desafio que se refere, seja à pastoral ordinária, seja à nova evangelização. Geralmente os ciganos se encontram às margens da sociedade e, às vezes, são vistos com hostilidade e desconfiança. Eu me lembro de tantas vezes que aqui em Roma quando eu subia no ônibus, alguns ciganos quando entravam, o motorista dizia: ‘Atenção às carteiras!’. Isso é desprezo! Talvez seja real, mas é desprezo. Os nômades – continua o Santo Padre – acabam sendo mal envolvidos nas dinâmicas políticas, econômicas e sociais do território. Sabemos que é uma realidade complexa, mas inclusive o povo nômade é chamado a contribuir ao bem comum, e isso é possível através de caminhos adequados de co-responsabilidade, na observação dos deveres e na promoção dos direitos de cada um.”

Papa Francisco também se referiu às causas que provocam “situações de pobreza em uma parte da população”, identificando-as como “a falta de estruturas educacionais para a formação cultural e profissional, o difícil acesso à assistência sanitária, a discriminação no mercado de trabalho e a falta de moradias dignas”.

“Se essas manchas do tecido social afetam todos indistintamente, os grupos mais frágeis são aqueles que mais facilmente se transformam em vítimas das novas formas de escravidão. São, de fato, as pessoas menos protegidas que caem na armadilha da exploração, da mendicância forçada e de diversas formas de abuso. Os ciganos estão entre os mais vulneráveis, principalmente quando falta o apoio para a integração e a promoção da pessoa nas várias dimensões do viver em sociedade. Aqui se encontra a atenção da Igreja e a contribuição específica de vocês. O Evangelho, de fato, é anúncio de alegria para todos e, em modo especial, para os mais vulneráveis e marginalizados. A eles somos chamados a garantir a nossa proximidade e a nossa solidariedade, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que testemunhou a eles a predileção ao Pai.”

Além das ações solidárias em benefício ao povo nômade, ainda segundo o Santo Padre, é necessário “o empenho das instituições locais e nacionais, e o apoio das comunidades internacionais para identificar projetos e atuações voltados ao melhoramento da qualidade de vida”.

“No que diz respeito à situação dos ciganos em todo o mundo, hoje é imprescindível desenvolver novas abordagens em âmbito civil, cultural e social, bem como na estratégia pastoral da Igreja para lidar com os desafios que surgem de formas modernas de perseguição, de opressão e, às vezes, até de escravidão. Encorajo vocês a prosseguirem com generosidade essa importante obra, a não desanimarem, mas a continuarem no empenho em favor de quem realmente está em condições de necessidade e marginalização, nas periferias humanas. Que os ciganos possam encontrar em vocês, irmãos e irmãs que os amam com o mesmo amor que Cristo amou os mais marginalizados. Sejam para eles, o rosto acolhedor e alegre da Igreja.”

O Encontro, organizado pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, termina amanhã (6) para avaliar o empenho da Igreja nesse contexto e segundo uma realidade que exige novas estratégias de atuação perante a comunidade cigana. Serão dois dias de debates para analisar novos e adequados métodos em relação ao tema, incentivados pela exortação do Santo Padre.

A ocasião também deve servir para preparar as celebrações do cinquentenário da visita de Paulo VI ao acampamento dos ciganos na cidade de Pomezia, aqui na Itália, ocorrida em 1965. (AC)


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