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25 de setembro de 2013

Igreja excomunga sacerdote que promovia a ordenação de mulheres e o "matrimônio" homossexual - Austrália

O Papa Francisco expulsou do estado clerical e excomungou Greg Reynolds, porque nunca deixou de celebrar publicamente a Eucaristia difundindo doutrinas contrárias aos ensinamentos da Igreja, como o sacerdócio feminino e o mal chamado "matrimônio" homossexual, apesar de ter sido suspenso no seu ministério pela Arquidiocese de Melbourne (Austrália).

Conforme informou o meio australiano The Age, o documento de excomunhão foi enviado a Reynolds em 31 de maio deste ano, depois da Congregação para a Doutrina da Fé intervir no seu caso e com a autorização do Santo Padre.

O ex-sacerdote foi afastado do seu cargo de pároco em 2011 e fundou no ano passado a organização "Católicos Inclusivos", devido a sua "crescente convicção de que a Igreja Católica institucional estava equivocada no seu ensinamento sobre a ordenação de mulheres e a homossexualidade".

No site da sua nova organização, Reynolds anuncia que realiza todos os domingos uma "Eucaristia Inclusiva".

Apesar disto, o ex-sacerdote assegurou à imprensa australiana que ele esperava ser expulso do estado clerical, mas não excomungado, e assegurou ainda que esta sanção não afetará o trabalho na sua nova organização.

"No passado a excomunhão era um tema muito sério, mas hoje a hierarquia tem perdido a confiança e o respeito", disse.

Já em agosto de 2012 o Arcebispo de Melbourne (Austrália), Dom Denis Hart, advertiu a Reynolds sobre a sua situação "irregular", pois continuava celebrando publicamente a Eucaristia mesmo estando suspenso do ministério ativo.

Dom Hart também advertiu a Reynolds nessa ocasião sobre a sua escolha de "atuar ‘de forma independente’ e prover ‘formas alternativas de Eucaristia’, nenhuma das quais estavam de acordo com um desejo de atuar em comunhão com a Igreja".

O Papa confirma os cardeais Rylko e Turkson nos seus cargos

O escritório de imprensa da Santa Sé anunciou hoje que o papa Francisco realizou duas novas confirmações na Cúria Romana.

No Conselho Pontifício para os Leigos confirmou o presidente, o Cardeal Stanislaw Rylko e o secretário Dom Josef Clemens, até a conclusão dos respectivos quinquênios em curso. Também confirmou até o dia 31 de dezembro de 2013 os membros e consultores do mesmo Conselho Pontifício.

Por outro lado, no Conselho Pontifício da Justiça e da Paz confirmou o presidente, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, e o secretário, Dom Mario Toso, e os membros e consultores até a conclusão dos respectivos quinquênios em curso.

Nunca acobertei casos de pedofilia, diz Bento XVI em uma longa carta escrita a um ateu militante

O matemático italiano e ateu militante, Piergiorgio Odifreddi, recebeu no último dia 3 de setembro uma carta muito especial. Um envelope selado, com 11 páginas com data de 30 de agosto e assinada por Bento XVI.

No texto, o Bispo Emérito de Roma responde ao livro de Odifreddi "Caro papa, ti scrivo" (Querido Papa, escrevo-te, Mondadori, 2011). Um livro que, como o autor recorda, desde a capa se define como uma "luciferina introdução ao ateísmo".

No artigo no qual Odifreddi comenta as suas impressões ao receber esta carta afirma: "Não foi uma coincidência ter dirigido a minha carta aberta a Ratzinger. Depois de ter lido o seu "Introdução ao Cristianismo", entendi que a fé e a doutrina de Bento XVI, a diferença de outros, eram o suficientemente coerentes e sólidas para poder confrontar perfeitamente e sustentar ataques frontais".

Agressividade e descuido na argumentação

No fragmento da carta que foi publicado no jornal La Repubblica, pode-se ler como Bento XVI reconhece que desfrutou e aproveitou a leitura de algumas partes da carta, mas outras partes se surpreendeu por "uma certa agressividade e descuido na argumentação".

No início da carta, o Bispo Emérito de Roma assinala que "você me dá a entender que a teologia seria ‘fantaciência’". E frente a este argumento apresenta quatro pontos.

Ficção científica na religião... e a matemática

Em primeiro lugar assinala que "é correto afirmar que "ciência" no sentido mais estrito da palavra é somente a matemática, enquanto eu aprendi contigo que seria necessário distinguir ainda entre aritmética e geometria. Em todas as matérias específicas a científica tem a sua própria forma, segundo a particularidade do seu objeto. O essencial é que aplique um método verificável, exclua o arbítrio e garanta a racionalidade nas respectivas modalidades".

Em segundo lugar, Bento XVI sustenta que "você deveria pelos menos reconhecer que, no âmbito histórico e no do pensamento filosófico, a teologia produziu resultados duradouros".

Como terceiro aspecto afirma que "uma função importante da teologia é a de manter a religião unida à razão e a razão à religião. Ambas as funções são de essencial importância para a humanidade".

Recordando a Habermas

Neste ponto recorda que no seu diálogo com Habermas "mostrei que existem patologias da religião e -não menos perigosas- patologias da razão. Ambas necessitam uma da outra, e tê-las continuamente conectadas é uma tarefa importante da teologia".

No último ponto, muito mais longo que os anteriores, Bento expressa que "a "fantaciência" existe, por outro lado, no âmbito de muitas ciências e faz referências às teorias que Odifreddi expõe sobre o início e o fim do mundo em Heisenberg, Schrödinger, etc., que -continua Bento XVI-, "eu o designaria como ‘fantaciência’ no bom sentido: são visões e antecipações, para alcançar um verdadeiro conhecimento, mas são, de fato, somente imaginações com as que procuram aproximar-nos da realidade".

Pouco nível: a pederastia

Depois de desenvolver com mais detalhe estas ideias, Bento XVI se detém no capítulo sobre o sacerdote e a moral católica e nos distintos capítulos sobre Jesus. "No que se refere ao que você diz do abuso moral de menores por parte de sacerdotes, posso -como você sabe- mostrar somente uma profunda consternação. Nunca tentei acobertar estas coisas. O fato de o poder do mal penetrar até este ponto no mundo interior da fé é para nós um sofrimento que, por um lado, devemos suportar, e por outro, nos obriga a fazer todo o possível para que estes casos não se repitam".

"Não é tampouco motivo de tranquilidade saber que, segundo as investigações dos sociólogos, a porcentagem dos sacerdotes culpados destes crimes não é mais alta que em outras categorias profissionais semelhantes. Em qualquer caso, não se deveria apresentar este desvio ostentosamente como se fosse uma sujeira específica do catolicismo. Não é lícito calar o mal na Igreja, mas também não se deve fazer esquecer o grande rasto luminoso de bondade e pureza que a fé cristã deixou ao longo dos séculos".

Por isso, Bento XVI recorda nomes como São Bento de Nursia e sua irmã Escolástica, Francisco e Clara de Assis ou Teresa de Ávila e João da Cruz.

O "Jesus histórico", o do Hengel e Schwemer

Com respeito ao que o matemático diz sobre a figura histórica de Jesus, Bento recomenda ao autor os quatro volumes da obra que Martin Hengel publicou em conjunto com Maria Schwemer, "um exemplo excelente de precisão histórica e de amplíssima informação histórica", assinala Ratzinger.

Assim mesmo, recorda, como já esclareceu no primeiro volume de seu livro sobre Jesus de Nazaré, que "a exegese histórica-crítica é necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas reclama uma verdadeira historicidade e por isso deve apresentar a realidade histórica de suas afirmações também de forma científica".

Em vez de Deus, uma natureza sem definir

Continua Bento XVI afirmando que "se você, entretanto, quer substituir Deus pela "Natureza", fica a pergunta, quem ou o que é esta natureza. Em nenhuma parte você a define e aparece, portanto, como uma divindade irracional que não explica nada".

E acrescenta: "Queria, portanto, sobretudo destacar que na Sua religião da matemática três temas fundamentais da existência humana ficam sem serem considerados: a liberdade, o amor e o mal. Qualquer coisa que a neurobiologia diga sobre a liberdade, no drama real da nossa história está presente como realidade determinante e deve ser levada em consideração".

Na última parte publicada da carta de Bento, assinala que a "minha crítica sobre o seu livro é por um lado dura, mas a franqueza faz parte do diálogo; só assim o conhecimento pode crescer".

Cristãos rezam e protestam depois das bombas suicidas na Igreja do Paquistão

Os cristãos no Paquistão viveram o luto depois do atentado de extremistas muçulmanos contra a igreja anglicana de Todos os Santos, em 22 de setembro, com oração nas Igrejas, protesto nas ruas, e com escolas e comércio fechados.

O atentado deixou um saldo de 82 mortos, entre eles 34 mulheres e sete crianças, e 145 feridos.

A agência vaticana Fides informou que os cristãos se manifestaram nas principais cidades do Paquistão pedindo mais segurança às autoridades, recordando que são "cidadãos de pleno direito".

Em Karachi houve confrontos entre cristãos e muçulmanos fora de uma mesquita, e um homem morreu.

Frente a esta situação, os Bispos pediram aos fiéis "ter paciência, manter a calma e não transformar, por nenhum motivo, desapontamento em violência".

A estrada principal de Islamabad foi bloqueada por mais de 600 manifestantes durante uma hora, na manhã de 23 de setembro. Outras 2 mil pessoas se reuniram para protestar no exterior do Parlamento do país.

Em Peshawar, lugar onde aconteceu o atentado, cerca de 200 pessoas saíram às ruas para protestar, enquanto um grupo de pelo menos 100 cristãos manifestaram diante da Igreja de Todos os Santos pedindo "justiça e proteção".

Todas as instituições educativas e comércios de propriedade de cristãos fecharam as suas portas, como parte dos três dias de luto decretados depois dos atentados.

Em Hyderabad, ao sul do Paquistão, organizou-se uma vigília de oração ecumênica na catedral de Santo Tomás, presidida pelo bispo anglicano Kaleem John e pelo Bispo católico Maxi Rodrigues.

Na vigília de oração também estavam presentes muitos muçulmanos que expressaram a sua simpatia e solidariedade com os cristãos.

Não tenho que interpretar o Papa sobre o aborto, diz sacerdote jesuíta que o entrevistou

O Diretor do jornal italiano Civiltà Cattolica, Padre Antonio Spadaro, que publicou na quinta-feira, 19 de setembro, uma longa entrevista com o Papa Francisco e cujo conteúdo gerou grande atenção e várias interpretações a nível mundial, dialogou com o Grupo ACI e assinalou que o Pontífice "é absolutamente claro" e que "não tenho que interpretar o Papa, as palavras estão aí".

O também sacerdote jesuíta ressaltou que com respeito aos ensinamentos da Igreja sobre o aborto, o Papa é "claro", mas o seu principal objetivo é trazer a salvação de Deus a cada um, "à maioria de todos os pecadores".

Muitos meios de comunicação apresentaram os comentários do Papa sobre o aborto como uma grande mudança com respeito a seus predecessores. O grupo abortista americano, NARAL Pro-Choice America, compartilhou na sua página do Facebook uma mensagem: "Querido Papa Francisco, obrigado. Assinado, Mulheres Pro-Choice todas as partes".

Assinalou que insistir apenas nas questões relacionadas com o aborto e outros assuntos morais não é possível, porque esta não seria a plenitude do Evangelho, mas sim uma "multidão desconexa de doutrinas que se impõe".

O Padre Spadaro assinalou que o Santo Padre não dizia "nada contra ninguém", e disse que "a mensagem da Igreja é uma mensagem de misericórdia", adicionando que "o que o Papa tem em mente, a meu ver, é somente explicar o Evangelho".

"Recebi várias mensagens de pessoas fora da Igreja que dizem que: ‘estou muito tocado com o Evangelho. Preciso ler o Evangelho’... Este é o grande efeito, isto é o que o Papa tem em mente". O Santo Padre também disse que "sou um filho da Igreja".

O sacerdote manifestou que se opõe a que se etiquete o Romano Pontífice como pró-vida.

"Este tipo de categorias, que assinalam que o Papa está a favor desta coisa, ou contra esta outra coisa, são categorias que já não funcionam. Isto é muito importante para mim. Progressivo / conservador, pró / contra – e repetiu – estas categorias já não funcionam mais", e enfatizou que o Santo Padre está tentando comunicar "uma mensagem de ternura".

O presbítero ressaltou mais uma vez que "a Igreja é para pessoas que precisam da mensagem da salvação: que é o Evangelho".

"Não importa se você está muito longe da igreja, ou se você não está vivendo como diz a Igreja. O importante é que a Igreja pode chegar onde você estiver, exatamente nesse lugar. Isso é só um ponto de partida. Pode crescer na fé".

Portanto, a atitude da Igreja deve ser "capaz de permanecer com as pessoas que estão atadas na alma e no corpo. Temos que viver nas fronteiras. Disto se preocupa o Papa", assegurou.

O Pontífice não guardou silêncio com respeito ao aborto, sempre manifestou a sua preocupação pelos mais indefesos dos seres humanos, em 12 de maio, por exemplo, saudou os assistentes da Marcha pela Vida na Itália e antes de rezar o Ângelus, convidou todos a "concentrar-se na importante atitude de respeitar a vida desde o momento da concepção".

O Papa Francisco reiterou em um discurso pronunciado na sexta-feira, 20 de setembro, ante os ginecologistas católicos participantes do encontro promovido pela Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos, a sua clara postura ante a "cultura do descartável" do aborto, que procura a eliminação dos seres humanos mais frágeis.

Ante os médicos, disse que "nossa resposta a esta mentalidade é um ‘sim’ decidido e sem hesitações à vida" que é sempre sagrada e inviolável. Além disso, destacou que: "Toda criança não nascida, mas condenada injustamente a ser abortada, tem o rosto de Jesus Cristo, tem o rosto do Senhor".

24 de setembro de 2013

Refletindo Evangelho São Lucas 8,19-21

Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.

Naquele tempo:
A mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se,
mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão.
Então anunciaram a Jesus:
Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver.
Jesus respondeu:
Minha mãe e meus irmãos são aqueles
que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.

Palavra da Salvação.

Reflexão

Existem muitas pessoas que querem demonstrar-se religiosas, mostrar a todos que participam da vida da Igreja e têm amizade com o clero e até usam dos cargos e funções sociais para conseguir isso. Porém, essas pessoas querem apenas se promover, não querem nenhum compromisso com o Evangelho e com o Reino de Deus.
A atitude de Jesus nos mostra quem é importante para ele: aquele que ouve a Palavra de Deus e a coloca em prática, aquele que é capaz de amar, perdoar, partilhar, acolher, socorrer, consolar, compreender, ensinar, comprometer-se, doar-se, reunir, celebrar, orar, ser feliz com os que são felizes, chorar com os que choram, são empáticos, solidários, vivem o amor de Deus.

BENTO XVI ESCREVE CARTA A MATEMÁTICO SOBRE QUESTÕES DA FÉ

O Papa emérito Bento XVI escreveu ao matemático e escritor italiano Piergiorgio Odifreddi, que em 2011 publicou a obra ‘Caro Papa, escrevo-te’, para responder a algumas das suas críticas e questões sobre Jesus e a Igreja.

A carta, parcialmente divulgada, nesta terça-feira, 24, pelo jornal italiano ‘La Reppublica’, assume uma crítica “dura”, mas franca, às posições de Odifreddi sobre a historicidade de Jesus e a relação entre a Teologia e o mundo científico.

“Aquilo que diz sobre a figura de Jesus não é digno do seu nível científico”, escreve Bento XVI, após o matemático italiano ter afirmado que sobre Cristo não se saberia nada, do ponto de vista histórico, recomendando ao seu interlocutor a leitura da obra de Martin Hengel (publicada em conjunto com Maria Schwemer), exegeta protestante.

Bento XVI, autor de uma trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré, nega ter desvalorizado a exegese histórico-crítica dos evangelhos e diz nesta carta que a mesma é “necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas reclama uma verdadeira historicidade”.

“Por isso, também não é correto que afirme que eu me teria apenas interessado pela meta-história: pelo contrário, todos os meus esforços têm o objetivo de mostrar que o Jesus descrito nos evangelhos é também o real Jesus histórico”, acrescenta o Papa emérito.

Bento XVI responde também às observações de Piergiorgio Odifreddi a respeito dos casos de abusos sexuais de menores por parte de sacerdotes, começando por mostrar “profunda consternação”.

“Eu procurei desmascarar estas coisas: que o poder do mal penetre até este ponto no mundo interior da fé é um sofrimento para nós”, sublinha, antes de frisar que a Igreja vai fazer “todos os possíveis para que tais casos não se repitam”.

Segundo o Papa emérito, que governou a Igreja entre abril de 2005 e fevereiro deste ano, não é “lícito” calar os problemas das comunidades católicas, mas isso não deve fazer esquecer “o grande rasto luminoso de bondade e pureza que a fé cristã deixou ao longo dos séculos”.

“Ainda hoje, a fé leva muitas pessoas ao amor desinteressado, ao serviço aos outros, à sinceridade e à justiça”, refere.

A resposta de Bento XVI chegou à casa do matemático italiano no dia 3 deste mês, escrita em 11 páginas com data de 30 de agosto.

A carta agradece pelo confronto “leal” de ideias e manifesta o “proveito” tirado de algumas das passagens do livro de Odifreddi, sem deixar de observar “uma certa agressividade e descuido na argumentação” do autor.

Joseph Ratzinger deixa críticas, em particular, ao que chama de “religião matemática” que deixaria de fora questões “fundamentais” da existência humana, como “a liberdade, o amor e o mal”.

“A sua religião matemática não tem qualquer informação sobre o mal. Uma religião que descura estas questões fundamentais fica vazia”, responde a Piergiorgio Odifreddi.

Neste contexto, Bento XVI destaca a necessidade de “manter a religião ligada à razão e a razão à religião”, pedindo que se reconheça que a Teologia produziu resultados “no âmbito histórico e no do pensamento filosófico”.

A carta refuta a acusação de que a Teologia seria apenas “ficção científica” e aponta o dedo às teorias sobre a origem do homem e do universo que apresentam “imaginações” com as quais se procura “aproximar-se da realidade”.

Países de renda média concentram maior número de crianças trabalhadoras. Ouça!

A luta contra o trabalho infantil está no caminho certo: palavras do diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, ao comentar um relatório divulgado pela OIT na segunda-feira, em Genebra, sobre a redução de um terço do total de crianças utilizadas como mão-de-obra

O relatório foi divulgado às vésperas da Conferência Global sobre Trabalho Infantil, a ser realizada de 8 a 10 de outubro em Brasília. Para o brasileiro Dr. Pedro Américo Furtado de Oliveira, especialista da OIT neste assunto, o dado mais interessante é que o maior número de crianças trabalhadoras se concentra nos países de renda média, e não pobres.

CNBB na luta ao tráfico e abuso de mulheres e crianças

Nesta segunda, 23 de setembro, celebrou-se o Dia Mundial de Luta contra a exploração sexual e o tráfico de mulheres e crianças.

A data, escolhida em 1999, recorda a lei Palácios, promulgada em 1913 na Argentina, e que foi o primeiro instrumento jurídico criado para punir quem promovesse ou facilitasse a prostituição e corrupção de menores de idade. A partir de então, diversos países iniciaram ações para proteger a população, sobretudo mulheres e crianças, contra a exploração sexual e o tráfico de pessoas. Acordos e tratados foram assinados em âmbito internacional. O último deles em 2000, o Protocolo de Palermo, relativo à prevenção, repressão e punição do Tráfico de Pessoas.

Para Irmã Gabriela Bottani, da Rede “Um Grito Pela Vida”, integrante do Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB, “o diferencial deste documento está na adoção da primeira definição genérica do termo ‘tráfico de pessoas’, abrangendo todas as formas essenciais”.

A religiosa explica que, neste documento, o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força é classificado como tráfico de pessoas. A definição inclui também as formas de coação, o rapto, a fraude, o engano, o abuso de autoridade e a situação de vulnerabilidade e entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, para fins de exploração. O Protocolo incluiu também a exploração da prostituição e outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão e a remoção de órgãos.

O Brasil, como signatário do Protocolo, também adotou em sua legislação o enfrentamento ao tráfico de pessoas. “Hoje temos a oportunidade de avaliar e refletir o caminho realizado no enfrentamento ao tráfico de pessoas, um tema ainda encoberto pela indiferença e silenciado”, afirma Ir. Gabriela.

Desde 2008, com o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, em alguns estados brasileiros foram criados Núcleos de Enfrentamento ao tráfico de pessoas, que realizam um trabalho de conjunto, promovem debates e propostas de leis e planos de ação. Porém, Ir. Gabriela afirma que o desafio é grande. “Mas em muitos Estados, pouco se fala e se faz. O caminho que temos pela frente é grande e desafiador”.
(CM-CNBB)

As negociações entre Santa Sé e Israel. Progressos lentos, mas que trazem esperança, diz Pe. Neuhaus


Há 20 anos eram iniciados os trabalhos da Comissão para as Relações entre a Santa Sé e Israel, após o reconhecimento formal em 1993 por parte da Santa Sé, do Estado de Israel, que abriu caminho para as relações diplomáticas. Já foi percorrido um longo caminho, mas ainda se trabalha muito para se chegar a um acordo sobre diversas questões. A Rádio Vaticano entrevistou o sacerdote David Neuhaus, que em Jerusalém é Vigário do Patriarcado Latino para os cristãos de expressão hebraica.

R: “As coisas progrediram muito lentamente e nós esperamos de todo coração termos chegado ao fim deste longo processo. Existem tantíssimas instituições da Igreja em Israel e isto criou uma situação muito complicada. Existe, depois, uma outra questão muito complexa, aquela das relações entre Israel e o povo palestino, questões entre outras, de fronteira. Esperamos vivamente chegar logo ao fim, ou seja, à assinatura dos acordos entre Santa Sé e o Estado de Israel. Esperamos que isto venha em benefício da Igreja: temos ainda tantas interrogações em relação às aplicações deste acordo e à influência que isto poderá ter na vida da Igreja”.

RV: O senhor poderia nos dar um exemplo concreto desta espera na vida cotidiana da Igreja?

R: “A Igreja Católica na Terra Santa depende muito dos religiosos e das religiosas que vem de fora. Como será regulado o acesso ao Estado de Israel para aqueles que vem de fora, especialmente para aqueles que provém – segundo os israelenses – de países inimigos como a Síria e o Iraque? Quais direitos sociais e civis serão reconhecidos às pessoas cuja presença em Israel é solicitada por longos períodos? Depois, tem a questão do status das propriedades da Igreja, terrenos, edifícios. E tem que se entender quais impostos devam ser pagos. No passado tivemos determinadas facilidades pelo fato de que a Igreja está alí em determinado local há muito tempo e serve a todos...”

RV: Falemos sobre a presença dos católicos de língua hebraica: também eles diminuíram um pouco como os cristãos em outras zonas no Oriente Médio?

R: “Não. Se isto se refere aos cristãos de língua árabe existe uma certa diminuição a nível estatístico. Em Israel, por exemplo, a população dos cristãos de língua árabe cresce, mas menos em relação às populações judaica e muçulmana. Diminuem, portanto, do ponto de vista estatístico. Mas os católicos que vivem na sociedade judaica, e portanto em um ambiente onde se fala a língua hebraica, crescem muitíssimo. Pela mesma razão pela qual aumenta os cristãos no Golfo Árabe: são migrantes que vem à Israel para trabalho ou pedindo asilo político. Existem assim novas gerações de católicos de língua hebraica que não são israelenses, que não são de origem hebraica, que não tem nenhum hebreu na sua família, mas falam hebraico porque nascem e crescem nesta sociedade. São nascidos de famílias imigradas por questões de trabalho, que na maioria absoluta provém da Ásia ou de famílias que pedem asilo em Israel e a maior parte destes vem da África”.

RV: Que dizer da referência que Papa Francisco fez aos judeus na carta escrita ao jornalista italiano Scalfari?

R: “Fala da fidelidade a Deus e de como os hebreus são capazes de conservar esta fé, apesar de tudo o que aconteceu com eles. Este é um belo sinal de fidelidade, desta aliança que não foi nunca revogada por Deus. Para nós, é muito importante repetir estas mensagens, para mudar um pouco a percepção da Igreja entre os judeus. Para nós é muito claro o desenvolvimento belíssimo e importantíssimo que ocorreu com o Concílio. Procuramos fazer conhecer aos nossos irmãos e irmãs judeus este desenvolvimento na Igreja Católica; porém devemos também admitir que a Igreja Católica não é uma instituição tão importante para a vida dos judeus em Israel: eles permanecem afastados da Igreja e muito frequentemente ignoram as mudanças na vida da Igreja. Por isto nós buscamos com grande empenho, contar, por exemplo, o que disse o Papa Francisco. Existem mudanças positivas e é importante que em Israel escutem falar disto. As viagens dos Papa são sempre uma ocasião propícia. Esperamos, portanto, que o Papa Francisco venha logo à Terra Santa”. (JE)

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