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4 de outubro de 2015

Sacerdote esfaqueado antes de celebrar Missa em um povoado das Filipinas


No último dia 29 de setembro, Pe. Antonio Magalso foi esfaqueado até a morte, enquanto se preparava para celebrar a Missa em uma paróquia da cidade de Tanjay, na ilha de Negros, localizada no centro das Filipinas.

O sacerdote de 44 anos chegou morto ao hospital. Conforme informaram as testemunhas desta tragédia, o assassino foi preso pela polícia e está sendo interrogado. Segundo as primeiras notícias, poderia ser um homem com doença mental.

“Estamos profundamente chocados com esse homicídio a sangue frio e sem motivo. Pe. Magalso era um simples pároco, muito amado por sua gente, dedicado à vida pastoral. Não era um sacerdote ativista engajado em outras batalhas”, disse à Agência vaticana Fides, Pe. Nathaniel Gómez, sacerdote da Diocese de Dumaguete, à qual pertencia Pe. Magalso.

Além de seu trabalho pastoral como sacerdote, Pe. Antonio Magalso também era o responsável pela Comissão Diocesana de Apostolado Bíblico.

Pe. Gómez acrescentou que as pessoas estão desconsoladas e “o homicídio não foi motivado por roubo: a polícia está investigando”.

A Diocese de Dumaguete está de luto. O Bispo local, Dom Julito Cortês, proclamou “uma hora santa de adoração em todas as paróquias para rezar por Pe. Magalso e pela conversão do homicida”.

Dom Cortês foi até a paróquia da Santa Cruz, onde Pe. Magalso era pároco, a fim de levar consolo e encorajamento aos paroquianos, pedindo “coragem e oração” e “viver este momento na atmosfera de penitência e misericórdia”.

No próximo sábado, a comunidade diocesana celebrará a Santa Missa de sufrágio na Catedral da cidade e no dia 7 de outubro serão celebradas as exéquias do Pe. Magalso em seu povoado de origem.



Anjo da Guarda, mensageiros de Deus


 “Todo fiel tem junto de si um anjo como tutor e pastor, para levá-lo à vida”, dizia São Basílio ao referir-se ao anjo da guarda, aquele que Deus põe a cada um desde a concepção e cuja festa se celebra dia 2 de outubro.

Na Bíblia, anjo significa “mensageiro”. Estes espíritos muito puros são citados, por exemplo, no Salmo 90 quando diz: “Aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos”.

De igual modo Jesus os menciona quando declara essa famosa frase: “Guardai-vos de desprezar algum desses pequeninos, pois eu vos digo, nos céus os seus anjos se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus.” (Mt 18,10)

No Novo Testamento é tão viva a crença de que cada um tem um anjo da guarda que, quando São Pedro, ao ser tirado do cárcere, chega a bater na porta da casa onde estão reunidos os discípulos de Jesus, eles acreditam a princípio que não é Pedro em pessoa e exclamam: “Será seu anjo” (Atos 12, 15).

São Bernardo, no ano 1010, aconselhou os fiéis a respeitar a presença dos anjos, portando-se como é devido, agradecer seus favores que são muitos e confiar em sua ajuda.

A Festa dos Anjos da Guarda foi instituída no dia 2 outubro para toda a Igreja Universal em 1608, pelo Papa Paulo V.

Mas, já era comemorada anos antes. No ano 800, celebrava-se na Inglaterra uma festa aos Anjos da Guarda e desde ano 1111 existe uma oração que diz: “Anjo do Senhor – que por ordem da piedosa providência Divina, sois meu guardião – guardai-me neste dia (tarde ou noite); iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém.



Hoje é celebrado São Francisco de Assis, exemplo de pobreza, harmonia e paz


“Conheço Jesus pobre e crucificado e isso me basta”, dizia São Francisco de Assis, cuja festa se celebra neste dia 4 de outubro. O Papa, que escolheu o nome Francisco por causa deste Santo, definiu-o como homem de harmonia e de paz.

São Francisco nasceu em Assis (Itália) em 1182, em uma família abastada. Tinha muito dinheiro e o gastava com ostentação. Só se interessava por “gozar a vida”.

Em sua juventude se foi à guerra e foi feito prisioneiro. Logo depois de ser liberado, caiu enfermo até que escutou uma voz que lhe questionou: “Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?”.  Retornou para casa e com a oração foi entendendo que Deus queria algo a mais dele.

Começou a visitar e servir os doentes, até dar de presente suas roupas ou o dinheiro. Desta maneira desenvolvia seu espírito de pobreza, humildade e compaixão.

Certo dia, enquanto orava na Igreja de São Damião, pareceu-lhe que o crucifixo lhe repetiu três vezes: “Francisco, vai e repara a minha Igreja que, como vês, está toda em ruínas”. Então, acreditando que lhe pedia que reparasse o templo físico, foi, vendeu os vestidos da loja de seu pai, levou o dinheiro ao sacerdote do templo e lhe pediu para viver ali.

O presbítero aceitou que ficasse, mas não o dinheiro. Seu pai o buscou, golpeou-o furiosamente e, ao ver que seu filho não queria retornar para casa, exigiu-lhe o dinheiro. Francisco, ante o conselho do Bispo, devolveu-lhe até a roupa que levava no corpo.

Mais adiante, ajudou a reconstruir a Igreja de São Damião e de São Pedro. Com o tempo, transferiu-se para uma capela chamada Porciúncula, a qual reparou e onde viveu. Pelos caminhos, estava acostumado a saudar dizendo: “A paz do Senhor seja contigo”.

Sua radicalidade de vida foi atraindo algumas pessoas que queriam ser seus discípulos. Foi assim que, em 1210, Francisco redigiu uma breve regra e junto a seus amigos foi a Roma, onde obteve a aprovação.

O Santo fez da pobreza o fundamento de sua ordem e o amor a pobreza se manifestava na maneira de se vestir, nos utensílios que usavam e nos atos. Apesar de tudo, sempre eram vistos alegres e contentes.

Sua humildade não era um desprezo sentimental de si mesmo, a não ser na convicção de que “ante os olhos de Deus o homem vale pelo que é e não mais”.

“Muitos há que, insistindo em orações e serviços, fazem muitas abstinências e macerações dos seus corpos, mas por causa de uma única palavra que lhes parece ser uma injúria a seu próprio eu ou por causa de alguma coisa que se lhes tire, sempre se escandalizam e se perturbam. Estes não são pobres de espírito, porque quem é verdadeiramente pobre de espirito se odeia a si mesmo e ama quem lhe bate face”, dizia.

Considerando-se indigno, chegou a receber só o diaconato e deu à sua Ordem o nome de frades menores porque queria que seus irmãos fossem os servos de todos e buscassem sempre os lugares mais humildes.

É atribuído a ele ter começado a tradição do “presépio” que se mantém até os dias de hoje. Deus lhe concedeu o milagre dos estigmas.

Em 4 de outubro de 2013, o Papa Francisco visitou Assis e em sua homilia disse que São Francisco “dá testemunho de respeito por tudo, dá testemunho de que o homem é chamado a salvaguardar o homem, de modo que o homem esteja no centro da criação, no lugar onde Deus – o Criador – o quis; e não instrumento dos ídolos que nós criamos! A harmonia e a paz! Francisco foi homem de harmonia e de paz”.

Neste ano, foi lançada a encíclica do Papa Francisco, intitulada “Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum”. O título, que significa “Louvado Seja”, remete ao ‘Cântico das Criaturas’ do Santo de Assis.

Logo no início da encíclica, o Pontífice recorda o Santo ao ressaltar: “Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade”.



Papa no ângelus: os casais participam da potência criadora do próprio Deus



O Papa Francisco explicou hoje a importância do Sínodo da Família ao presidir o ângelus da janela de seu estúdio no Palácio Apostólico. Logo depois da Missa celebrada na Basílica Vaticano com a que foi inaugurado o Sínodo da Família que leva como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”, o Pontífice saudou os fiéis na Praça de São Pedro e assinalou que os matrimônios por sua união “transmitem a vida a novos seres humanos: convertem-se em pais” e por isso “participam da potência criadora do próprio Deus”.

Os Padres Sinodais, provenientes de todas partes do mundo e reunidos em torno do Sucessor do Pedro, refletirão durante três semanas sobre a vocação e a missão da família na Igreja e na sociedade, para um atento discernimento espiritual e pastoral”, explicou ao início da alocução.

“Teremos nossos olhos fixos em Jesus para identificar, sobre a base de seu ensinamento de verdade e de misericórdia, os caminhos mais oportunos para um trabalho adequado da Igreja com as famílias e pelas famílias, para que o desenho originário do Criador sobre o homem e a mulher possa ser feito e concretizado em toda sua beleza e sua força no mundo de hoje”.

O Santo Padre comentou brevemente as leituras da liturgia do dia e sublinhou que precisamente uma delas é “o texto fundamental do Livro do Gênesis sobre a reciprocidade entre homem e mulher:

“Por isso, o homem deixa seu pai e sua mãe e se une a sua mulher e os dois são uma só carne, quer dizer, uma só vida, uma só existência”.

Mas o Papa advertiu de que isto é possível porque “Deus é amor” e “se participa de sua obra criadora quando se ama com Ele e como Ele”.

“Este é também o amor que Ele doa aos esposos no Sacramento do matrimônio”. É o amor que alimenta sua relação, através de alegrias e dores, momentos serenos e difíceis”.

“É o amor que suscita o desejo de gerar os filhos, de atendê-los, acolhê-los, criá-los e educá-los” e “o mesmo amor que, no Evangelho de hoje, Jesus manifesta às crianças”.

Por isso, “hoje pedimos ao Senhor que todos os pais e educadores do mundo, como também toda a sociedade, façam-se instrumentos daquela acolhida e aquele amor com o que Jesus abraça os mais pequeninos”, explicou o Papa aos fiéis.

“Ele olhe para os seus corações com a ternura e solicitude de um pai e ao mesmo tempo de uma mãe”, sublinhou depois.

Francisco teve também recordou das crianças doentes, abandonadas, exploradas, obrigadas à guerra, rejeitadas”.

“É doloroso ver as imagens das crianças infelizes, com o olhar perdido, que escapam da pobreza e dos conflitos, tocando nas nossas portas e nos nossos corações implorando ajuda”.

Francisco desejou que “O Senhor nos ajude a não ser sociedade-fortaleza e sim uma sociedade-família, capazes de acolher, com regras adequadas, mas acolher”.

“Convido-lhes a sustentar com a oração os trabalhos do Sínodo, para que o Espírito Santo faça os Padres Sinodais plenamente dóceis às suas aspirações”.



Papa inaugura Sínodo para as Famílias no Vaticano: Para Deus, o matrimônio não é utopia


O Papa Francisco inaugurou o Sínodo dos Bispos sobre a Família com uma solene Missa na Basílica de São Pedro do Vaticano. Nela participaram os pais sinodales que refletirão sobre a família até o próximo 25 de outubro. O Papa explicou aos bispos e fiéis presentes que o matrimônio não é uma utopia da adolescência e que o sonho de Deus para sua criatura predileta, o ser humano, é vê-la realizada na união de amor entre homem e mulher; feliz no caminho comum, fecunda na doação recíproca”, disse o Santo Padre.

Abaixo apresentamos na íntegra a homilia do Papa Francisco:

«Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós» (1 Jo 4, 12).

As Leituras bíblicas deste Domingo parecem escolhidas de propósito para o evento de graça que a Igreja está a viver, ou seja, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que tem por tema a família e é inaugurada com esta celebração eucarística.

Aquelas estão centradas em três argumentos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.

A solidão

Como lemos na primeira Leitura, Adão vivia no Paraíso, impunha os nomes às outras criaturas, exercendo um domínio que demonstra a sua indiscutível e incomparável superioridade, e contudo sentia-se só, porque «não encontrou auxiliar semelhante a ele» (Gn 2, 20) e sentia a solidão.

A solidão, o drama que ainda hoje aflige muitos homens e mulheres. Penso nos idosos abandonados até pelos seus entes queridos e pelos próprios filhos; nos viúvos e nas viúvas; em tantos homens e mulheres, deixados pela sua esposa e pelo seu marido; em muitas pessoas que se sentem realmente sozinhas, não compreendidas nem escutadas; nos migrantes e prófugos que escapam de guerras e perseguições; e em tantos jovens vítimas da cultura do consumismo, do «usa e joga fora» e da cultura do descarte.

Hoje vive-se o paradoxo dum mundo globalizado onde vemos tantas habitações de luxo e arranha-céus, mas o calor da casa e da família é cada vez menor; muitos projectos ambiciosos, mas pouco tempo para viver aquilo que foi realizado; muitos meios sofisticados de diversão, mas há um vazio cada vez mais profundo no coração; tantos prazeres, mas pouco amor; tanta liberdade, mas pouca autonomia... Aumenta cada vez mais o número das pessoas que se sentem sozinhas, e também daquelas que se fecham no egoísmo, na melancolia, na violência destrutiva e na escravidão do prazer e do deus-dinheiro.

Em certo sentido, hoje vivemos a mesma experiência de Adão: tanto poder acompanhado por tanta solidão e vulnerabilidade; e ícone disso mesmo é a família. Verifica-se cada vez menos seriedade em levar por diante uma relação sólida e fecunda de amor: na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na boa e na má sorte. Cada vez mais o amor duradouro, fiel, consciencioso, estável, fecundo é objecto de zombaria e olhado como se fosse uma antiguidade. Parece que as sociedades mais avançadas sejam precisamente aquelas que têm a taxa mais baixa de natalidade e a taxa maior de abortos, de divórcios, de suicídios e de poluição ambiental e social.

O amor entre homem e mulher

Ainda na primeira Leitura, lemos que o coração de Deus, ao ver a solidão de Adão, ficou como que entristecido e disse: «Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele» (Gn 2, 18). Estas palavras demonstram que nada torna tão feliz o coração do homem como um coração que lhe seja semelhante, lhe corresponda, o ame e tire da solidão e de sentir-se só. Demonstram também que Deus não criou o ser humano para viver na tristeza ou para estar sozinho, mas para a felicidade, para partilhar o seu caminho com outra pessoa que lhe seja complementar; para viver a experiência maravilhosa do amor, isto é, amar e ser amado; e para ver o seu amor fecundo nos filhos, como diz o salmo de hoje (cf. Sal 128).

Tal é o sonho de Deus para a sua dilecta criatura: vê-la realizada na união de amor entre homem e mulher; feliz no caminho comum, fecunda na doação recíproca. É o mesmo desígnio que Jesus, no Evangelho de hoje, resume com estas palavras: «Desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só» (Mc 10, 6-8; cf. Gn 1, 27; 2, 24).

Jesus, perante a pergunta retórica que Lhe puseram (provavelmente como uma cilada, para fazê-Lo sem mais aparecer odioso à multidão que O seguia e que praticava o divórcio, como uma realidade consolidada e intangível), responde de maneira franca e inesperada: leva tudo de volta à origem da criação, para nos ensinar que Deus abençoa o amor humano, é Ele que une os corações de duas pessoas que se amam e liga-os na unidade e na indissolubilidade. Isto significa que o objectivo da vida conjugal não é apenas viver juntos para sempre, mas amar-se para sempre. Jesus restabelece assim a ordem originária e originadora.

A família

«Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem» (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projecto de Deus.

Com efeito, só à luz da loucura da gratuidade do amor pascal de Jesus é que aparecerá compreensível a loucura da gratuidade dum amor conjugal único e usque ad mortem.

Para Deus, o matrimónio não é utopia da adolescência, mas um sonho sem o qual a sua criatura estará condenada à solidão. De facto, o medo de aderir a este projecto paralisa o coração humano.

Paradoxalmente, também o homem de hoje – que muitas vezes ridiculariza este desígnio – continua atraído e fascinado por todo o amor autêntico, por todo o amor sólido, por todo o amor fecundo, por todo o amor fiel e perpétuo. Vemo-lo ir atrás dos amores temporários, mas sonha com o amor autêntico; corre atrás dos prazeres carnais, mas deseja a doação total.

De facto, «agora que provámos plenamente as promessas da liberdade ilimitada, começamos de novo a compreender a expressão “a tristeza deste mundo”. Os prazeres proibidos perderam o seu fascínio, logo que deixaram de ser proibidos. Mesmo quando são levados ao extremo e repetidos ao infinito, aparecem insípidos, porque são coisas finitas, e nós, ao contrário, temos sede de infinito» (Joseph Ratzinger, Auf Christus schauen. Einübung in Glaube, Hoffnung, Liebe, Friburgo 1989, p. 73).

Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade.

Viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimónio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente.

Viver a sua missão na verdade que não se altera segundo as modas passageiras ou as opiniões dominantes. A verdade que protege o homem e a humanidade das tentações da auto-referencialidade e de transformar o amor fecundo em egoísmo estéril, a união fiel em ligações temporárias. «Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 3).

Viver a sua missão na caridade que não aponta o dedo para julgar os outros, mas – fiel à sua natureza de mãe – sente-se no dever de procurar e cuidar dos casais feridos com o óleo da aceitação e da misericórdia; de ser «hospital de campanha», com as portas abertas para acolher todo aquele que bate pedindo ajuda e apoio; de sair do próprio redil ao encontro dos outros com amor verdadeiro, para caminhar com a humanidade ferida, para a integrar e conduzir à fonte da salvação.

Uma Igreja que ensina e defende os valores fundamentais, sem esquecer que «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27); e sem esquecer que Jesus disse também: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17). Uma Igreja que educa para o amor autêntico, capaz de tirar da solidão, sem esquecer a sua missão de bom samaritano da humanidade ferida.

Recordo São João Paulo II, quando dizia: «O erro e o mal devem sempre ser condenados e combatidos; mas o homem que cai ou que erra deve ser compreendido e amado. (...) Devemos amar o nosso tempo e ajudar o homem do nosso tempo» [Discurso à Acção Católica Italiana, 30 de Dezembro de 1978: Insegnamenti (1978), 450]. E a Igreja deve procurá-lo, acolhê-lo e acompanhá-lo, porque uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira: «De facto, tanto o que santifica, como os que são santificados, provêm todos de um só; razão pela qual não se envergonha de lhes chamar irmãos» (Heb 2, 11).

Com este espírito, peçamos ao Senhor que nos acompanhe no Sínodo e guie a sua Igreja pela intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José, seu castíssimo esposo.


Sínodo da Família 2015: quem participará e como funcionará



A Santa Sé apresentou hoje o Sínodo Ordinário da Família 2015 que tem como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Começará no próximo domingo, 4, com uma Missa solene presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro e o encerramento será no dia 25 de outubro.

Nesta ocasião, o funcionamento será um pouco diferente devido a uma nova metodologia aprovada pelo Santo Padre na reunião do Conselho Ordinário da Secretaria do Sínodo realizada em 25 e 26 de maio deste ano, a qual contém algumas novidades em comparação com o do ano anterior.

Na coletiva de imprensa de apresentação, participaram o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, assim como o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi.

Quem participará

A Assembleia deste Sínodo de 2015 estará composta por 270 Padre sinodais de ex-officio (por seu cargo), 183 ex-electione (por eleição) e 45 ex-nominatione pontificia (por nomeação pontifícia).

Entre os membros ex-officio estão os líderes de 15 Sínodos de Bispos das Igrejas Orientais Católicas, os chefes de 25 dicastérios da Cúria Romana; o Secretário Geral (Dom Lorenzo Baldisseri) e o Subsecretário, Dom Fabio Fabene.

Entre os 270 Padre sinodais, 74 são cardeais (1 Patriarca Cardeal e 2 Arcebispos Maiores), 6 Patriarcas, 1 Arcebispo Maior, 72 Arcebispos (entre os quais há 3 titulares), 102 Bispos (entre os quais há 6 Bispos Auxiliares, 3 Vigários Apostólicos e 1 emérito), 2 sacerdotes que são párocos e 13 religiosos.

Por procedência, 54 são da África, 64 da América, 36 da Ásia, 107 da Europa e 9 da Oceania.

Também participarão outros convidados de diversas culturas e nações: 24 especialistas ou colaboradores do secretário geral, 51 auditores e 14 delegados fraternos.

Intervirão no total 18 casais, assim como pais e mães de família (17 entre os auditores e uma entre os especialistas).

Metodologia

O Cardeal Baldisseri explicou que a maioria dos Padre sinodais pediu um Sínodo mais dinâmico e participativo através da distribuição dos discursos pronunciados pelos membros em tempo breve, para poder dedicar mais atenção a cada contribuição. Portanto, os chamados Círculos Menores terão uma participação mais ativa na discussão, assim como uma relação mais direta e imediata entre os Padre sinodais em sua própria língua.

O Sínodo se desenvolverá da seguinte maneira:

- Em cada semana de duração será refletido sobre: “A escuta dos desafios sobre a família”; “O discernimento da vocação familiar” e “A missão da família hoje”.

- Na inauguração, na próxima segunda-feira, 5, o Papa Francisco poderá saudar a Assembleia (não está confirmado). Intervirão o Secretário Geral e o Relator Geral (Cardeal Arcebispo do Budapeste, Dom Péter Erdo), que apresentará o primeiro tema. Depois intervirá um casal Auditor e, em seguida, os Padres sinodais nas Congregações Gerais, cuja a contribuição constitui um desenvolvimento integral do texto base.

- Depois começarão as sessões dos Círculos Menores, nas quais os Padres sinodais refletirão a respeito do texto base a fim de enriquecê-lo e fazê-lo amadurecer. No final, o relator de cada Círculo apresentará na sala uma breve análise do seu trabalho. Estes textos serão públicos. Cada Círculo estará formado por 20 pessoas e agrupados segundo seus idiomas: um em alemão, 3 em espanhol, 4 em inglês, 2 em italiano e 3 em francês.

- Os responsáveis pela elaboração da Relação Final nomeados pelo Santo Padre e que representam os cinco continentes são: Cardeal Péter Erdo, Arcebispo de Budapeste (Hungria) e Relator Geral; o Secretário Geral, Dom Bruno Forte, Arcebispo de Chieti-Vasto; o Cardeal Oswald Gracias, Arcebispo de Bombai (Índia); Cardeal John Atcherley Dew, Arcebispo de Wellington (Nova Zelândia); o Cardeal Donald William Wuerl, Arcebispo de Washington (Estados Unidos); Dom Víctor Manuel Fernández, Reitor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina; Dom Mathieu Madega Lebouakehan, Bispo da Mouila (Gabão); Dom Marcello Semeraro, Bispo de Albano (Itália), e Pe. Adolfo Nicolás Pachón, Prepósito Geral da Companhia de Jesus.

- No final das três etapas de trabalho semanal, esta Comissão elaborará a Relatório Final, que será apresentada à Assembleia e entregue ao Papa no dia 24. O Santo Padre decidirá então se esta será pública (como no ano anterior) ou não.

- A intervenção de cada orador na Assembleia será de três minutos e os Padres sinodais poderão falar livremente com os meios de comunicação.

- O Santo Padre terá a última palavra, uma vez recebido o Relatório Final.

Com esta Assembleia finaliza o percurso sinodal iniciado há dois anos com o envio do primeiro questionário com perguntas sobre a família a todas as conferências episcopais do mundo.

A Assembleia Geral Extraordinária de 2014 elaborou um Relatório (Relatio Synodi) a partir do qual surgiram algumas questões e perguntas, o qual recebeu por nome ‘Instrumentum Laboris’. Com estes documentos os Padres sinodais começarão a abordar os diversos desafios que afetam a família.



Glossário do Sínodo da Família: conheça os termos que serão recorrentes nestes dias



De 4 a 25 de outubro, acontecerá o Sínodo dos Bispos sobre a Família, como continuação do ocorrido no ano passado. Tem como tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

A seguir, oferecemos uma breve e singela explicação de alguns termos usados no Sínodo e que ajudarão a compreender melhor este importante evento para a Igreja:

Sínodo: É o conjunto de reuniões dos bispos de todo o mundo sob uma autoridade hierárquica – neste caso abaixo a do Papa Francisco – para a discussão e decisão de assuntos relacionados com a fé, a moral e o Magistério da Igreja. Foi criado pelo Papa Paulo VI em 15 de setembro de 1965 em resposta aos desejos dos Padres do Concílio Vaticano II de manter vivo o bom espírito nascido da experiência conciliar.

O Concílio, um dos eventos mais importantes da Igreja no século XX, foi encerrado em 8 de dezembro de 1965. Propôs uma renovação na liturgia e uma importante reflexão de novos métodos de evangelização e desafios da época moderna.

Padres Sinodais: São os membros da Assembleia do Sínodo dos Bispos. Em sua grande parte, são Bispos: alguns escolhidos pelas conferências episcopais segundo o modo determinado pelo direito peculiar do Sínodo (denominados ex-electione); outros são designados pelo mesmo direito (ex-officio); outros, nomeados diretamente pelo Romano Pontífice (ex-nominatione pontifícia). A eles se acrescentam alguns membros de institutos religiosos clericais escolhidos conforme à norma do mesmo direito peculiar.

Auditores: Convidados ao Sínodo, sem direito a voto. São “ouvintes” que assistem aos trabalhos sinodais e só têm uma intervenção de três minutos em um dia concreto.

Círculos Menores: Pequenos grupos por idiomas que refletem sobre os temas tratados na Assembleia Geral. O grupo tem um relator encarregado de elaborar um resumo que depois será posto em comum a toda a Assembleia. Suas contribuições ajudarão a realizar o documento final do Sínodo que entregarão ao Papa.

Relatório Final (Relatio Synodi): É o documento final elaborado pela Assembleia que recolhe as reflexões de todo o Sínodo. Tem que ser votado e aprovado pelos Padres Sinodais. Serve para seguir trabalhando depois sobre os mesmos conteúdos e para que o Pontífice conheça o que foi abordado na Assembleia.

Instrumentum Laboris: É o documento de trabalho dos membros do Sínodo elaborado com a síntese das contribuições da Igreja em todo mundo. Com o documento, trabalharão neste Sínodo 2015.

Sala Sinodal: Lugar onde acontece a Assembleia do Sínodo. Está situada em uma área da Sala Paulo VI, onde o Papa Francisco recebe em audiência grupos numerosos de fiéis e celebra as Audiências Gerais das quartas-feiras em algumas ocasiões.



Papa assegura que fechou a porta ao “divórcio católico” com reforma de processos de nulidade



O Papa Francisco assegurou, durante a coletiva de imprensa no voo de Filadélfia à Roma, que fechou a porta ao mal chamado “divórcio católico” com a reforma dos processos de nulidade matrimonial que anunciou há algumas semanas e que se fará efetiva a partir do próximo dia 8 de dezembro.

O Pontífice esclareceu que com este documento respondeu a um apelo dos Padres Sinodais a fim de agilizar os processos de nulidade. “Este documento, este Motu Proprio, facilita os processos no tempo, mas não é um divórcio, porque o matrimônio é indissolúvel pois se trata de um sacramento, e isto a Igreja não pode mudar, é doutrina, é um Sacramento indissolúvel”.

O Papa recordou ainda que o “processo judicial serve para provar que aquilo que parecia um sacramento não era sacramento”, por falta de liberdade por exemplo, ou por falta de maturidade, ou por doença mental, mas são tantos os motivos que levam, logo depois de um estudo, uma investigação a dizer: ‘não, aí não houve um sacramento por exemplo, porque essa pessoa não era livre’”.

“Vocês podem buscá-las na internet, estão todas aí, são muitas”, afirmou.

Perguntado se esta reforma desenvolvida através de um Motu Proprio fecha o debate acerca da nulidade, o Pontífice respondeu: “Na reforma dos processos de nulidade matrimonial, fechei a porta à via administrativa, através da qual podia entrar o divórcio”.

“Quem pensa em divórcio católico está errado, porque este último documento fechou a porta ao divórcio que podia entrar, e era mais fácil, pela via administrativa, mas sempre estará a via judicial”, acrescentou.

Somente procura agilizar processos

A respeito deste documento, o Santo Padre afirmou que “foi pedido pela maioria dos Padres sinodais durante o Sínodo do ano passado” a fim de “agilizar os processos, porque existiam processos que duravam dez, quinze anos, uma sentença e outra sentença, um apelo seguido de outro apelo, e nunca se chegava ao fim”. Devido estas mudanças introduzidas neste procedimento, a Igreja pode decidir a nulidade de uma união com mais rapidez.

Em concreto, o Papa decidiu retirar a apelação automática que se gerava logo depois de que se tomava a decisão de nulidade e dar-lhes aos bispos a potestade de decidir diretamente quando os casos de nulidade são particularmente evidentes. Até agora, uma vez que se decidia a nulidade de um caso, este devia passar a outro tribunal, uma prática que muitos consideravam desnecessária prosternação do processo, particularmente quando ninguém respondia esses resultados.

Com a reforma do Papa Francisco, apenas será necessária uma sentença, ao menos que façam uma apelação. Se houver apelação, será possível realizá-la na arquidiocese mais próxima, conhecida como a “sede metropolitana”, então já não haverá necessidade de dirigir-se a Roma.

O Santo Padre, a bordo do avião, manifestou que “a dupla sentença, quando válida, foi introduzida pelo Papa Lambertini, Bento XIV, porque na Europa central, não digo em que país, registavam-se alguns abusos e para os travar foi introduzido isso (a dupla sentença), mas não é uma coisa essencial ao processo”.

“Os processos mudam e a jurisprudência também e assim se melhora sempre. Este documento, este ‘motu proprio’, facilita os processos no tempo, mas não se trata de um divórcio”, concluiu.



Sete coisas sobre os arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel que talvez você não saiba



A cada 29 de setembro, a Igreja Católica celebra a festa de três Santos Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Confira a seguir sete coisas que talvez não sabia deles.

1. São os mais próximos aos humanos

Desde Pseudo-Dionisio, Padre da Igreja do século VI, está acostumado a se enumerar três hierarquias de anjos. Na primeira estão os Serafins, Querubins e Tronos. Depois vem as Dominações, Virtudes e Potestades. Enquanto que na terceira hierarquia estão os Principados, Arcanjos e Anjos. Estes últimos são os que estão mais próximos às necessidades dos seres humanos.

2. São mensageiros de anúncios importantes

A palavra Arcanjo provém das palavras gregas “Arc” que significa “principal” e “anjo” que é “mensageiro de Deus”. Vejamos o que diz São Gregório Magno:

“Deveis saber que a palavra ‘Anjo’ designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos.

3. Existem sete Arcanjos segundo a Bíblia

No livro do Tobias (12,15), São Rafael se apresenta como “um dos sete anjos que estão diante da glória do Senhor e têm acesso a sua presença”. Enquanto que no livro do Apocalipse (8,2), São João descreve: “vi os sete Anjos que estavam diante de Deus, e eles receberam sete trombetas”. Por estas duas citações bíblicas, afirma-se que são sete Arcanjos.

4. Somente conhecemos três nomes

A Bíblia somente menciona o nome de três Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Os outros nomes (Uriel, Barachiel ou Baraquiel, Jehudiel, Saeltiel) aparecem em livros apócrifos de Enoc, o quarto livro do Esdras e em literatura rabínica. Entretanto, a Igreja somente reconhece os três nomes que estão nas Sagradas Escrituras. Os outros podem servir como referência, mas não são doutrina.

5.  Gabriel significa “a força de Deus”

No Antigo Testamento, São Gabriel Arcanjo aparece no livro sagrado de Daniel explicando ao profeta uma visão do carneiro e o cabrito (Det. 8), assim como instruindo-o nas coisas futuras (Det. 9,21-27).  Nos Evangelhos, São Lucas (1,11-20) o menciona anunciando a Zacarias o nascimento de São João Batista e à Maria (Lucas 1,26-38) que conceberia e daria a luz Jesus.

São Gabriel Arcanjo é conhecido como o “anjo mensageiro”, representado com uma vara de perfumada açucena e é padroeiro das comunicações e dos comunicadores, pois através da Anunciação trouxe ao mundo a mais bela notícia.

6. Rafael em hebreu é “Deus cura”

O único livro sagrado que menciona a São Rafael Arcanjo é o de Tobias e figura em vários capítulos. Ali se lê que Deus envia este Arcanjo para que acompanhe a Tobias em uma viagem, na qual se casou com Sara.

Da mesma maneira, São Rafael indicou a Tobias como devolver a visão ao seu pai. Por esta razão é invocado para afastar doenças e conseguir terminar bem as viagens.

7. Miguel significa “Quem como Deus”

O nome do Arcanjo Miguel vem do hebreu “Mija-El” que significa “Quem como Deus ” e que, segundo a tradição, foi o grito de guerra em defesa dos direitos de Deus quando Lúcifer se opôs aos planos salvíficos e de amor do Criador.

A Igreja Católica teve sempre uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente a fim de pedir-lhe que nos liberte dos ataques do demônio e dos espíritos infernais. Costuma ser representado com a roupa de guerreiro ou soldado centurião pondo seu calcanhar sobre a cabeça do inimigo.



O que tem destruído tantos casais católicos ultimamente? A resposta é surpreendente


Entre os numerosos casais católicos que chegam no consultório do sacerdote P. T.G Morrow, em Washington D.C (Estados Unidos), a fim de começar a terapia familiar, dois casos impressionaram de maneira especial o presbítero.

 Em relação a muitos temas, esses casais eram perfeitos: estavam abertos à vida, educavam os seus filhos na fé e normalmente recebiam os sacramentos. Mas ambos os matrimônios acabaram gerando a separação. O culpado? As irritações.

 “As irritações são um veneno”, assegurou o Pe. Morrow, teólogo moral e autor de Overcoming Sinful anger (Superando a ira pecaminosa). “Se um esposo constantemente fica zangado com sua mulher, isso destrói a relação. Acaba tornando-a dolorosa até chegar ao ponto de uma separação”.

 A experiência desta irritação é universal. É natural, pode ser incontrolável e é uma resposta ao comportamento de outros, afirmou Pe. Morrow. Muitas vezes as irritações podem ser corretas, Santo Tomás de Aquino disse que se a irritação se une à razão era digna de louvor; mas, na maioria das vezes, estão encaminhados à ira pecaminosa, motivada pelo desejo de vingança, explicou.

 E a ira como pecado tem efeitos devastadores nas relações.

 “É extremamente importante que as pessoas sejam conscientes de que a ira e as irritações podem ser algo sério, especialmente se estão unidos a arrebatamentos maiores que machucam a outras pessoas”, afirmou o Pe. Morrow.

 A ira destrói, por isso muitos peritos matrimoniais recomendam aos casais ter cinco reações positivas por uma de irritação.

 “A irritação, quando expressada de forma incorreta, é um veneno para as relações”, afirmou o sacerdote. “Os esposos precisam ser especialmente cuidadosos com isto e trabalhar para superá-lo”.

 Apesar de o sentimento de ira ser natural e impossível de evitá-lo, o Pe. Morrow assegurou que é importante conhecer como expressar a irritação e a desconformidade de uma maneira efetiva e positiva. O primeiro passo é decidir se vale a pena ficar zangado.

 “As pessoas ficam zangadas por pequenos motivos, coisas sem importância”, afirmou. “Devemos pensar: ‘vale a pena ficar chateado por isso?’ Se a resposta for negativa. Simplesmente devemos esquecer”.

 Se o teu aborrecimento é justificado e a confrontação terminará sendo algo positivo para o outro, utilize o humor e a diplomacia para expressá-lo. Se a confrontação ajudará que o outro seja melhor, então, apontou Pe. Morrow, pode ser uma boa ideia oferecer seu aborrecimento ao Senhor como sacrifício por seus pecados e pelos pecados do mundo.

“A raiva não vai embora automaticamente na primeira tentativa”, explicou. “Devemos continuar oferecendo-lhe a Deus como sacrifício”.

O Pe. Morrow assegurou ainda que essa atitude ante os aborrecimentos não significa que as pessoas devam converter-se em “covardes incapazes” de expressar sua insatisfação com as ações dos outros.

Por isso, menciona o exemplo de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho de Hipona. Muitos dos homens de Tagaste nessa época tinham atitudes violentas e o esposo de Santa Mônica não era uma exceção. Quando voltava para casa e gritava com Santa Mônica, dizia-lhe que se acalmasse. Algumas vezes, depois da explosão de raiva do seu marido, a santa se aproximava dele tranquilamente e com calma lhe explicava suas reclamações.

“Santa Mônica não era covarde. Tinha um objetivo concreto, queria ser santa e queria a conversão do seu filho. Perseverou em seus objetivos com entusiasmo e, como consequência disto, o seu violento marido e o seu filho Agostinho se converteram”.

Para mais informação, consulte o livro do Pe. Morrow, Overcoming Sinful Anger, que inclui um manual desenvolvido pelo sacerdote após anos como mediador matrimonial e diretor espiritual, além de ter realizado sua tese doutoral sobre a Teologia do Corpo de São João Paulo II, no Instituto para Estudos sobre Matrimônio e Família.



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