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20 de dezembro de 2009

A VIDA DE SAO FRANCISCO DE ASSIS


No dia 4 de outubro celebramos São Francisco de Assis, que nasceu na cidade de Assis, na Itália, em 1181 (ou 1182). Filho de um rico comerciante de tecidos, Francisco tirou todos os proveitos de sua condição social vivendo entre os amigos boêmios.Tentou, como o pai, seguir a carreira de comerciante, mas a tentativa foi em vão.Sonhou então, com as honras militares.
Aos vinte anos alistou-se no exército de Gualtieri de Brienne que combatia pelo papa, mas em Spoleto teve um sonho revelador: Foi convidado a trabalhar para "o Patrão e não para o servo".Suas revelações não parariam por aí.
Em Assis, o santo dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: "Francisco, restaura minha casa decadente".
O chamado, ainda pouco claro para São Francisco, foi tomado no sentido literal e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha.
Como resultado, o pai de São Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o.Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, São Francisco deu início à sua vida religiosa, "unindo-se à Irmã Pobreza".
A Ordem dos Frades Menores teve início com a autorização do papa Inocêncio III e Francisco e onze companheiros tornaram-se pregadores itinerantes, levando Cristo ao povo com simplicidade e humildade.

O trabalho foi tão bem realizado que, por toda Itália, os irmãos chamavam o povo à fé e à penitência.
A sede da Ordem, localizada na capela de Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, próxima a Assis, estava superlotada de candidatos ao sacerdócio. Para suprir a necessidade do espaço, foi aberto outro convento em Bolonha.Um fato interessante entre os pregadores itinerantes foi que poucos, dentre eles, tomaram as ordens sacras. São Francisco de Assis, por exemplo, nunca foi sacerdote.Em 1212, São Francisco fundou com sua fiel amiga Santa Clara, a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Já em 1217, o movimento franciscano começou a se desenvolver como uma ordem religiosa.

E como já havia ocorrido anteriormente, o número de membros era tão grande que foi necessária a criação de províncias que se encaminharam por toda a Itália e para fora dela, chegando inclusive à Inglaterra.Sua devoção a Deus não se resumiria em sacrifícios, mas também em dores e chagas. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado "estigmatização".Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física e, dois anos após o fenômeno, São Francisco de Assis foi chamado ao Reino dos Céus.Autor do Cântico do Irmão Sol, considerado um poeta e amante da natureza, São Francisco foi canonizado dois anos após sua morte.Em 1939, o papa Pio XII tributou um reconhecimento oficial ao "mais italiano dos santos e mais santo dos italianos", proclamando-o padroeiro da Itália

Oração da Paz (Oração de São Francisco)(Esta oração foi feita após o pedido de clemência do papa Inocêncio III "arrependido" pelas cruzadas e muito enfermo.
Francisco, duvidando de seu arrependimento, fora chamado a atenção pelo Pai pedindo piedade ao agonizante.
São Francisco atendeu o pedido, admitindo humildemente sua ignorância).

Senhor,Fazei-me instrumento de vossa paz.Onde houver ódio, que eu leve o amor;Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;Onde houver discórdia, que eu leve a união;Onde houver duvida, que leve a fé;Onde houver erro, que eu leve a verdade;Onde houver desespero, que eu leve a esperança;Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,Fazei que procure mais consolar, que ser consolado;compreender que ser compreendido;amar, que ser amado.Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado,e é morrendo que vive para a vida eterna.

22 de novembro de 2009

CRISMA OU CONFIRMAÇÃO


A finalidade dos Sacramentos é para tornarmos um sinal de testemunho de vida; é para identificar-nos cada vez mais com Cristo. Não é para só sentirmos bem, pagar ou cumprir promessa. -Por que recebemos o Sacramento da Crisma, chamado também Confirmação?
Comumente dizemos que a Crisma nos faz soldados de Cristo, que confirma o Batismo, Sacramento adulto que dá responsabilidade. Uma só coisa a Igreja nos garante sobre este Sacramento. A crisma nos concede com plenitude o Espírito Santo.-Qual o sentido do Sacramento da Crisma?
Podemos dizer o seguinte: Todos os Sacramentos são Sacramentos de Cristo, mas um deles, a Eucaristia, é por excelência o Sacramento de Cristo. Assim, todos os Sacramentos são do Espírito Santo, mas um deles, a Crisma ou Confirmação, é por excelência o Sacramento do Espírito Santo. Para melhor compreendermos o sentido do Sacramento da Crisma, devemos perguntar-nos qual a função do Espírito Santo na Economia da salvação (plano de Deus) manifestada na História da Salvação. Olhando para a Bíblia, descobrimos que o Espírito Santo tem uma dupla função:
(1) O de dar a vida.
(2) E a função de levar a vida até sua perfeição. Essas são duas funções diferentes. Pelo Batismo, o Espírito Santo nos concede a vida e pelo Crisma nos dá os seus dons para chegarmos a perfeição. A Confirmação nos dá, pois, o Espírito Santo para levarmos até a perfeição o que recebemos no Batismo. Chegar a perfeição, segundo a vontade do Pai. "Sede Santos, como vosso Pai do céu é Santo." No entanto, a nossa primeira vocação é sermos santos. Como existiu uma Páscoa e um Pentecostes na vida dos Apóstolos e dos discípulos de Cristo, há também uma Páscoa e um Pentecostes na vida da Igreja e de cada um dos seus membros. Tudo quanto podemos dizer da Páscoa poderemos dizer também do Batismo; e tudo quanto podemos dizer dizer de Pentecostes, poderemos atribuir à Crisma.
Páscoa = passagem.
Batismo = passagem do pecado, para vida da graça.
Pentecostes = mudança de atitude.
Crisma = mudança, onde tornamos adultos na fé, comprometidos com a Igreja.




Talvez possamos dizer que o Batismo constitui mais o aspecto estático (somos levados), ao passo que a Crisma expressa mais o aspecto dinâmico, evolutivo da vida cristã. Uma coisa é ser cristão simplesmente, outra coisa é chegar à plenitude da santidade; é evoluir, é tomar novo impulso, crescer constantemente na vida iniciada no Batismo. É a contínua busca da santidade. Não podemos permanecer semente, é preciso que a semente germine, cresça e dê frutos em abundância. At 8, 14-19 Os sete dons do Espírito Santo São eles: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor de Deus. Sabedoria:Não a sabedoria do mundo, mas aquela que nos faz reconhecer e buscar a verdade, que é o próprio Deus: fonte da sabedoria. Verdade que encontramos na Bíblia. Entendimento:É o dom que nos faz aceitar as verdades reveladas por Deus. Conselho:É a luz que nos dá o Espírito Santo, para distinguirmos o certo do errado, o verdadeiro do falso, e assim orientarmos acerdatamente a nossa vida, e a de quem pede um conselho. Ciência: Não é a ciência do mundo, mas a ciência de Deus. A verdade que é vida. por esse dom o Espírito Santo nos indica o caminho a seguir na realização da nossa vocação. Fortaleza: É o dom da coragem para viver fielmente a fé no dia-a-dia, e até mesmo o martírio, se for preciso. Piedade: É o dom pelo qual o Espírito Santo nos dá o gosto de amar e servir a Deus com alegria. Nesse dom nos é dado o sabor das coisas de Deus.Temor de Deus:Temor aqui não significa "ter medo de Deus", mas um amor tão grande, que queima o coração de Respeito por Deus. Não é um pavor pela justiça divina, mas o receio de ofender ou desagradar a Deus
Portanto deu para perceber que o sacramento que você ira receber não é nenhum tipo de brincadeira ou objeto que se ganha e depois mantém guardado dentro de uma gaveta, deixando cair no esquecimento!
Pense bem no que está fazendo com sua vida, pois Deus não está te obrigando a nada, absolutamente nada! O sim que você esta prestes a dar a Deus é muito sério, portanto a sua vida deve servir de testemunho aos que cercam sua vida, dizer sim a Deus é afirmar que você quer servir à Deus, mesmo que somente participando da SANTA MISSA!
Dizer sim a Deus envolve uma séria mudança de comportamento, ou seja, uma conversão constante, todos dias, isso não quer dizer que você deva deixar de ouvir suas musicas prediletas, de sair com amigos, de ser alegre e brincar, claro que quando se tem Deus, tudo fica mais fácil de se entender!
Testemunhar à Deus começa principalmente dentro de casa, depois com os demais familiares, com os vizinhos, amigos de bairro, de escola e professores, claro que não é fácil servir de espelho para os outros, mas a partir do momento que você resolveu cursar a crisma é esse comportamento que a sociedade espera de você e de todos que participam do curso!
Se durante sua crisma você não sentiu nenhuma mudança ou diferença em sua vida...
então você não abriu o coração pra que Deus pudesse agir! Que pena! Você deixou a graça de Deus passar em sua vida, sem ao menos experimentar!
Para Deus nunca é tarde! Volte seu coração para Deus, o deixe agir e ser AMADO por ELE!

31 de outubro de 2009

Equipe Litúrgica um ministério eclesial a ser levado a sério

DIANTE DE DIFICULDADES


Em minhas andanças por este Brasil afora, exercendo função de missionário da divina Liturgia, percebo que há muitos párocos e vigários paroquiais preocupados com a qualidade das equipes litúrgicas em suas comunidades eclesiais.
Queixam-se do despreparo delas. Lamentam a atuação por demais improvisada de muitas equipes, que tantas vezes se limitam à distribuição de folhetos e livros de cantos, escolha de leitores na última hora, mera leitura formal dos comentários do folheto, leituras bíblicas mal feitas (sem preparo), músicos atuando meio por conta (alheios ao conjunto da equipe e com cantos deslocados do verdadeiro espírito litúrgico), ausência de inventivas para fazer uma liturgia mais viva e proveitosa.
Numa palavra, falta formação, não só de equipes litúrgicas, mas também das equipes litúrgicas. E os próprios padres (e outros agentes de pastoral), muitas vezes, reconhecem que também não sabem orientar as equipes e como trabalhar com elas. Sentem-se despreparados neste setor pastoral e pedem ajuda.


UM PROGRAMA DE ESTUDO E TRABALHO

Assim sendo, no intuito de atender aos anseios de nossos párocos e vigários paroquiais (e, eventualmente, outros), vamos ter daqui para frente, nesta revista, uma série de “encontros”, conversando sobre equipes litúrgicas:
- sua razão de ser a partir do Vaticano II, questão da ministerialidade da assembléia litúrgica, o papel da animação de uma assembléia litúrgica, o papel da equipe de animação da vida litúrgica na paróquia (ou comunidade), o papel da equipe diocesana de pastoral litúrgica e seu papel, o trabalho coletivo, como formar uma equipe litúrgica, como organizá-la e fazê-la funcionar, passos de uma reunião para preparar uma celebração, etc.
Vou me basear, sobretudo, em três preciosos livrinhos:
- CNBB. Animação da vida litúrgica no Brasil (Documentos da CNBB n.º 43), São Paulo, Paulinas, 2002; Equipe de Liturgia (Equipe de Liturgia 1), de Ione Buyst, 15a ed. atualizada, Ed. Vozes, Petrópolis, 2000; Preparando passo a passo a celebração. Um método para as equipes de celebração das comunidades (Coleção “Celebrar a fé e a vida”, 3), de Luiz Eduardo P. Baronto, Editora Paulus, 3a ed., São Paulo, 1997. Aconselho o leitor e a leitora a adquirirem estes livrinhos para aprofundamento pessoal e em grupos.

EQUIPES DE LITURGIA, UMA EXIGÊNCIA A PARTIR DO VATICANO II

Na tradição mais antiga da Igreja, a assembléia litúrgica era servida por muitos ministros:
- porteiros, cantores, salmistas, leitores, acólitos, diáconos..., além do presidente. Posteriormente, da Idade Média para cá, o padre acabou monopolizando tudo nas celebrações. Tanto que os poucos serviços leigos que ainda restaram (sacristão, coroinha, cantores...), acabaram nem sendo considerados mais como ministérios litúrgicos. Regime este que durou todo o segundo milênio! A partir do movimento litúrgico, na primeira metade do século 20, começou-se a acordar e perceber o quanto tínhamos nos afastado da genuína tradição da Igreja, no que diz respeito à participação na liturgia.
E começou-se a introduzir outras funções, exercidas por leigos, principalmente nas chamadas “Missas Comunitárias”. Enquanto o padre fazia a leitura em latim lá no altar, de costas, em voz baixa, leigos faziam a leitura em voz alta, na linguagem do povo, para todos ouvirem e entenderem. Leigos animavam o canto popular. Leigos traziam as oferendas (pão, vinho e água) para o altar. Leigos acolhiam os irmãos à porta da Igreja. E assim por diante.
A Constituição Sacrosanctum Concilium (SC) sobre a Liturgia, do Concílio Vaticano II, assumiu estas “novidades”, dando-lhes um fundamento teológico:
- “o sacerdócio de todo o povo batizado e a diversificação dos ministérios litúrgicos como expressão da Igreja-Comunhão, Igreja-Corpo-de-Cristo, onde cada membro tem a sua tarefa específica em função do bem comum” (Ione Buyst, Equipe de Liturgia, p. n.º 12). O que vemos? A SC nos alerta expressamente que ninguém deve acumular funções na celebração litúrgica, e que os leitores, comentaristas, o grupo de cantores... exercem um verdadeiro ministério litúrgico (cf. SC 28-29). Em seguida, mesmo não falando diretamente de “equipe”, no fundo está pedindo que ela seja uma realidade.
Senão, quem é que vai “incentivar as aclamações do povo, as respostas, as salmodias, as antífonas e os cânticos, as ações e os gestos e o porte do corpo”, bem como “o sagrado silêncio” (cf. SC 30)?... E hoje a própria Instrução Geral sobre o Missal Romano fala da necessidade de preparar a atuação de cada um “de comum acordo”, o que supõe que haja uma equipe que atue de maneira entrosada e que se reúna para preparar a celebração (cf. nn. 91-111 e n.º 352).
UMA EXIGÊNCIA NA IGREJA DA AMÉRICA LATINA E CARIBE

Assim sendo, mãos à obra!Os desafios são muitos e o trabalho é grande!...Vale a pena, porque a Páscoa libertadora quecelebramos na sagrada liturgia merece servivida intensamente por nossas assembléias.E as equipes litúrgicas bem constituídascumprem aí um maravilhoso papelevangelizador, pois "a liturgia é o momentoprivilegiado de comunhão e participação parauma evangelização que conduz à libertaçãocristã integral, autêntica"(Documento de Puebla, n.º 895)
Os importantes documentos da Conferência Episcopal Latino-americana (CELAM) de Medellín, Puebla e Santo Domingo denotam a necessidade imprescindível de equipes litúrgicas em nossas comunidades eclesiais. O documento de Medellín (1968), pelos dois grandes desafios para a vida litúrgica que nele sobressaem, a saber, celebrar em comunidade e celebrar a partir dos acontecimentos (dos fatos da vida), evidencia que só com a constituição de boas equipes litúrgicas se poderá atingir o objetivo de uma liturgia realmente comunitária e participativa, celebrando a Páscoa no hoje de nossa história.
O documento de Puebla (1979), que traz à nossa mente o povo pobre (a maioria!) com suas práticas religiosas como um novo sujeito na liturgia, exige a constituição de equipes que possibilitem o surgimento de uma expressão litúrgica autenticamente popular. O documento de Santo Domingo (1992), que trata da inculturação da fé, deixa entrever que a adaptação da liturgia às várias culturas em nosso continente é coisa que deve ser levada a sério. Ora, só com equipes litúrgicas bem constituídas é que poderemos dar cumprimento a este importante objetivo da Igreja em nosso continente, isto é, de uma liturgia inculturada, como é o desejo do Concílio Vaticano II (cf. SC 37-40).

SENTIDO TEOLOGICO - LITURGICO DO ALTAR CRISTÃO

CRISTO É O ALTAR VERDADEIRO

Sabemos que os primeiros escritores cristãos, chamados Padres da Igreja, depois de terem lido, ouvido e meditado profundamente a Palavra de Deus, não tiveram nenhuma dúvida em afirmar que Cristo é a vítima, o sacerdote, o altar de seu sacrifício. Aliás, já a própria Palavra de Deus nos apresenta Cristo como o Cordeiro imolado (Ap 5,6), o Sacerdote supremo, o Altar vivo do Templo celeste (cf. Hb 4,14; 13,10). Portanto, Cristo, Cabeça e Mestre de todos nós, é o verdadeiro altar.

EM CRISTO SOMOS TAMBÉM ALTAR

Isto significa que, sendo Cristo a Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja, logicamente seus membros e discípulos, os cristãos e as cristãs, podem ser considerados também, em Cristo, como outros tantos altares. Altares espirituais, nos quais se oferece a Deus o sacrifício de uma vida santa.
Quer dizer: sobre o altar de nós mesmos, “sacrificamos” a nossa vida em favor dos nossos irmãos e irmãs, sobretudo os mais pobres. Como fez Jesus! Os próprios antigos Padres da Igreja sugerem toda essa compreensão de altar.
Santo Inácio de Antioquia († 117), ao ser levado a Roma para ser martirizado, fez o seguinte pedido:
“Não me dêem nada mais do que ser imolado a Deus, enquanto o altar ainda estiver preparado”. São Policarpo († 156), ao exortar as viúvas a levarem uma vida santa, diz que elas “são altar de Deus”. E vejam o que escreve o papa São Gregório Magno (590-604):

“Que é o altar de Deus?

Não é o espírito dos que vivem no bem?...
É muito certo, pois, que se chame de altar o coração (dos justos)”. Ou também, usando outra imagem, a partir do escritor cristão Orígenes († 254), a Igreja hoje afirma: “Os fiéis que, entregues à oração, oferecem preces a Deus e imolam vítimas de súplicas, são pedras vivas com que o Senhor Jesus constrói o altar da Igreja” (cf. Ritual da dedicação de altar, n.º 2).

O ALTAR, MESA DO SACRIFÍCIO E DO BANQUETE PASCAL

Porque Cristo é o altar verdadeiro e, em Cristo, também nós somos altar, é natural que a mesa sobre a qual oferecemos a Deus o sacrifício de Cristo (e, em Cristo, o nosso sacrifício), e em torno da qual participamos do banquete pascal que nos é dado pelo Senhor, venha a ser chamada também de altar.
Neste sentido, a Igreja hoje nos ensina:
“Cristo Senhor, pelo memorial do sacrifício que, na ara (altar) da cruz, iria oferecer ao Pai, instituindo-o sob a figura de banquete sacrificial, santificou a mesa, em torno da qual os fiéis se reuniriam, a fim de celebrar a sua Páscoa.

Por conseguinte, o altar é a mesa do sacrifício e do banquete; nela o sacerdote, tornando presente o Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória; o apóstolo claramente o indica ao dizer:
O pão que partimos, não é a comunhão com o corpo de Cristo? Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão’” (Cor 10,16-17) (cf. Ritual da dedicação de altar, n.º 3).

SINAL DE CRISTO

Em todo lugar, atendendo às circunstâncias, os cristãos e cristãs podem celebrar o memorial do Cristo e sentar-se à mesa do Senhor. Mas é bom que haja um altar estável para a celebração da Ceia do Senhor. Harmoniza-se com o mistério eucarístico, motivo pelo qual se trata de um costume que vem da mais remota antiguidade cristã.
No atual Ritual da dedicação de altar está escrito que, por sua natureza, o altar cristão “é a mesa própria para o sacrifício e o banquete pascal: mesa própria, onde o sacrifício da cruz se perpetua pelos séculos, até que Cristo venha; mesa onde os filhos da Igreja se congregam para dar graças a Deus e receber o Corpo e o Sangue de Cristo”.

E continua, citando a Instrução Geral sobre o Missal Romano:

“Portanto, em todas as igrejas o altar é ‘o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia’, para o qual, de algum modo, convergem todos os outros ritos da Igreja”.
E diz mais: “Por realçar que no altar se celebra o memorial do Senhor e se dá aos fiéis seu Corpo e Sangue, os escritores eclesiásticos foram levados a vê-lo como sinal do próprio Cristo – e daí tornar-se comum a afirmação: ‘O altar é Cristo’” (ibid., n.º 4).

HONRA DOS MÁRTIRES

O altar é a mesa do Senhor. Esta é a sua maior dignidade. Na antiguidade era costume dos cristãos erigir o altar sobre os restos mortais dos Mártires. E tinham consciência de que não são os corpos dos Mártires que honram o altar, mas o altar é que torna nobre o sepulcro dos Mártires. Por isso, para honrar seus corpos e dos outros Santos, e também para
A cena de Emaús, de Trento Longaretti
significar que o sacrifício da Cabeça se perpetua no sacrifício dos membros, hoje se recomenda erigir os altares sobre os sepulcros destes ou encerrar suas relíquias sob os mesmos.

Deste modo, como escreve Santo Ambrósio de Milão († 397), “entrem as vítimas vitoriosas no lugar em que Cristo é a Vítima. Mas, sobre o altar, aquele que morreu por todos; e, sob ele, os resgatados pela paixão de Cristo”.
Faz lembrar a visão do evangelista João, exilado na ilha de Patmos, registrada no livro do Apocalipse:
“Vi debaixo do altar, com vida, os que tinham sido degolados por causa da palavra de Deus e do testemunho que guardavam” (Ap 6,9).
E o atual Ritual da dedicação de altar explicita: “Na verdade, todos os Santos podem, com justiça, ser chamados testemunhas de Cristo. Contudo, o testemunho dado pelo sangue possui força espiritual, que somente as relíquias dos Mártires, colocadas sob o altar, expressam de modo total e íntegro” (ibid., n.º 5).

O CUIDADO DO ALTAR, UM DESAFIO...

O altar cristão é importante “memória” do verdadeiro altar, que é Cristo. Nele, todo cristão e cristã são também altares espirituais. Ele é, ao mesmo tempo, a mesa do sacrifício e do banquete pascal, sinal de Cristo e honra dos Mártires.

O CULTO EUCARISTICO

Eucaristia, que desde a origem está no centro do culto cristão, é também o centro da vida interior de cada fiel. As formas devocionais que dele surgiram foram se desenvolvendo com o correr dos tempos.
A Igreja e o seu Magistério, por sua vez, introduziram-nas na liturgia, ou autorizaram sua prática privada. O resumo que segue pretende oferecer uma visão histórica desta devoção.

SÍNTESE HISTÓRICA

A devoção eucarística, assim como existe hoje, aparece somente após o século X. No entanto, desde os santos Padres (séculos IV-V), e sobretudo na alta Idade Média (século XIII), certas manifestações devocionais prenunciam outras formas de culto e vivência eucarística.
A celebração da eucaristia, inicialmente, era restrita à liturgia dominical. Ao redor desta celebração semanal, muito cedo tida como de fundamental importância, surge, no tempo de Tertuliano († 220), uma celebração – mais freqüente e até mesmo diária.

A obrigatoriedade da participação da missa dominical aparece somente em 529, por determinação do Concílio de Orange. Nos séculos III e IV, a missa e a comunhão cotidianas passam a ser generalizadas.
A fim de possibilitar a comunhão dos doentes, se estabelece, desde o início, o costume de conservar as santas espécies após a comunhão dos fiéis (Reserva Eucarística). Durante os primeiros séculos, por causa das poucas igrejas e da utilização das casas de família, esta prática necessariamente assume caráter privado.
Justino (†165), na sua Apologia dirigida ao imperador Antoniano, diz que os diáconos são encarregados de levar a eucaristia aos ausentes.

A Reserva Eucarística, uma vez terminadas as perseguições, é cercada sempre mais de respeito e solenemente conservada. O Sínodo de Verdum (século VI) determina que se conserve a eucaristia em lugar eminente e honroso e haja uma lâmpada acesa.
Leão IV († 855) indica expressamente que se conserve o santo sacramento sobre o altar. Às vezes, se conserva também o vinho consagrado. Uma carta de são João Crisóstomo a Inocêncio I faz alusão, por exemplo, ao precioso sangue profanado no lugar em que estavam conservadas as santas espécies.
A devoção à presença do Cristo, como tal, se desenvolve mais tarde.
Santo Agostinho († 430) nos dá testemunho disso: “Ninguém coma daquela carne sem primeiro tê-la adorado...”

O Sacramentário Leonino, do século VII, declara que é toda a pessoa de Cristo, com sua natureza divina e sua natureza humana, que se adora na eucaristia. Certas liturgias antigas assinalam que, no momento da comunhão, se fazia uma elevação pela qual os elementos consagrados eram apresentados aos fiéis com estas palavras: “As coisas santas para os santos!”.

A devoção à Eucaristia é, de modo particular, vivenciada pelo monges que vivem nos mosteiros. Suas celas são contíguas à igreja e, pelo hagioscópio (abertura que permite ver o altar), eles assistem à missa, aos ofícios e comungam.

INCREMENTO DO CULTO EUCARÍSTICO

O movimento em favor da devoção à eucaristia se manifesta cada vez mais vigoroso entre fiéis e teólogos. Porém, a partir de 1200, a teologia e o culto eucarístico tornam-se, em quase toda a Igreja, objeto de constante preocupação.
Não é de estranhar que, meio século mais tarde, seja instituída a festa do Corpo de Deus (Corpus Christi).
É sobretudo na Bélgica que este fervor provoca o aparecimento do culto à eucaristia tal qual o conhecemos hoje.

Em Liège existem mosteiros inteiros dedicados à adoração do SS. Sacramento.
Santa Juliana (1192-1258), primeira abadessa das agostinianas de Mont-Cornillon, tem visões que pedem a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Alguns teólogos consultados se declaram favoráveis.
Roberto de Torote, pouco favorável no começo, muda de idéia depois de um diálogo com Juliana e, em junho de 1246, institui a festa do Santíssimo Sacramento decidindo que seja anualmente celebrada na quinta-feira depois de Pentecostes.
O papa Urbano IV († 1264) estende a festa do Santíssimo Sacramento para toda a Igreja, em 11 de outubro de 1264. A instituição da solenidade de “Corpus Christi”, como uma das maiores festas do ano litúrgico, confere à devoção eucarística um caráter oficial.
A Eucaristia, a partir do século XII, dá origem às confrarias, ordens e congregações religiosas instituídas para promover o culto ao Santíssimo Sacramento. Importante é também o surgimento, no século XIX, dos Congressos Eucarísticos diocesanos, nacionais e internacionais, ocasiões de aprofundamento da teologia eucarística.

LIÇÕES DA HISTÓRIA

Fica demonstrado portanto que a fé no culto eucarístico nem sempre se desenvolveu com equilíbrio, acusando, cá e lá, certos exageros e desvios. Assim, o desejo de ver a hóstia, que se concretizou posteriormente no rito da elevação e nas exposições do Santíssimo, alimentou excessivamente a dimensão individual do culto eucarístico, deixando, à sombra, a dimensão sócio-eclesial.
O aspecto social se restringiu preferentemente a algumas formas exteriores de culto, mas o espírito que animou estas expressões continuou profundamente individualista. Isso empobreceu a dimensão plena e integral da eucaristia.

A acentuação exagerada da eucaristia, enquanto sacramento, chegou mesmo a alimentar atitudes religiosas marcadas por elementos de superstição, como: colocar a hóstia na boca dos defuntos, dentro da mesa do altar, etc. A piedade popular careceu de uma teologia mais sólida do mistério eucarístico como um todo celebrativo, visão que orientasse a devoção eucarística fora da missa.
A presença real do Cristo na eucaristia foi de fato considerado, muitas vezes, apenas como um valor isolado. Cristo não se faz presente na eucaristia para ser simplesmente adorado, mas para ser alimento dos cristãos. Em outros termos, a presença real acontece em função da comunhão:“Isto é o meu corpo que é dado por vós... meu sangue... derramado por vós”. “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,21).

O motivo primeiro é a comunhão. Evidentemente, dado que o Cristo está real e substancialmente presente na eucaristia, é digno de toda nossa adoração e do nosso respeito.
O desenvolvimento deste culto eucarístico fora da missa aconteceu, historicamente, no momento em que o povo se distanciava da celebração litúrgica, porque não mais a compreendia por falta de catequese e pela distância que se estabeleceu entre liturgia e povo. Conseqüência: a não-participação ativa dos fiéis, reduzidos a meros espectadores da ação litúrgica. Dessa forma, os cristãos buscaram formas isoladas e individuais para alimentar a sua piedade e manifestar o seu amor à eucaristia.

EUCARISTIA E ECUMENISMO

O Papa Paulo VI lembra os frutos do culto eucarístico, particularmente em vista do ecumenismo:“O nosso Santíssimo Redentor, pouco antes de morrer, pediu ao Pai que todos aqueles que viessem a crer nele se tornassem uma só coisa, como Ele e o Pai são uma só coisa.
Oxalá que todos celebremos, com uma só voz e uma fé, o Mistério da Eucaristia e, tornando-nos participantes do Corpo de Cristo, formemos um só corpo, unido com os mesmos vínculos que Ele determinou” (Mysterium Fidei, 75).

Finalizando: Nunca devemos esquecer que a presença real está em relação com a comunhão e que Cristo está presente na Eucaristia, em primeiro lugar, para ser alimento dos fiéis. Por isso mesmo, a Eucaristia é digna de adoração e reverência também fora da Santa Missa.

CRISMA OU CONFIRMAÇÃO

* DINAMICA
Hoje vamos começar a refletir sobre outro sacramento, a Crisma que, juntamente com o Batismo e a Eucaristia, faz parte dos “sacramentos da iniciação cristã”.
Na Igreja primitiva os catequizandos recebiam os sacramentos do Batismo, da Crisma e da Eucaristia na noite do Sábado Santo, após longa preparação através do catecumenato.
O sacramento da Crisma tem apresentado, nestes últimos anos, muitos desafios.
Vejamos:
• Sacramento pouco valorizado como compromisso dentro da comunidade cristã.• Adequação de uma idade mais apropriada para entender e assumir este sacramento.• Tempo e formas de preparação, entendendo a catequese como processo.• Catequistas com uma preparação mais adequada.• Comunidades pouco entusiastas e motivadas para cativar e acolher os que querem continuar uma caminhada de fé.• Catequese crismal desligada dos problemas e aspirações dos crismandos.• Vivência e testemunho das famílias que pouco empolga ou motiva seus filhos.• Educação da fé vista como obrigatoriedade, tradição, ou ainda responsabilidade apenas do/a catequista.• A realidade presente em nossa sociedade, que valoriza o momentâneo, o passageiro, o que traz algum benefício, e não o que leva a assumir algum compromisso permanente.• Desengavetar as pastorais para fazer um planejamento em conjunto e realizar um trabalho em parcerias (catequese, liturgia, juventude, missão, vocacional, familiar...).
DINÂMINA:
A) Distribuir aos participantes as frases abaixo, que refletem desafios relacionados com o sacramento da crisma. Trazer as frases já escritas em papéis.
B) Enumerar de um a dez as fichas onde estão as frases.
C) Os números iguais se encontram e discutem o desafio recebido e também poderão apresentar algo de bonito que já está acontecendo na preparação de catequizandos, na paróquia ou comunidade.
D) Partilhar com o grande grupo as reflexões feitas.
1 - Pouco preparo dos catequistas.2 - Desinteresse da família.3 - Contra-valores apresentados pela sociedade.4 - Metodologia pouco adequada.5 - Falta de estímulo da comunidade.6 - Descompromisso dos cristãos batizados.7 - Catequese que não parte das motivações, interesses, problemas dos catequizandos.8 - Sacramentos vistos como tradição, ou ato social.9 - Fé vivida de forma superficial, sem convicção e seguimento a Jesus Cristo.10 - Poucas formas de engajamento na comunidade, durante e após o sacramento da crisma.
ESCLARECIMENTOS
Este sacramento aparece com dois nomes: Confirmação e Crisma.Por muito tempo se entendeu que este sacramento vinha confirmar o Espírito Santo, já recebido no Batismo, ou ainda era um assumir de modo mais consciente o que se tinha recebido como criança.
A presença e a ação do Espírito Santo se faz em todos os sacramentos, mas por excelência encontra-se no sacramento da Crisma ou Confirmação.
“Considerar o dom do Espírito Santo a partir de um só de seus aspectos (militância, força, testemunho, alegria) é sempre empobrecer a sua compreensão global. O que teologicamente está em foco é o Dom que é o Espírito na sua totalidade como o expressa adequadamente a forma sacramental. “... N .... recebe, por este sinal, o Dom do Espírito Santo”. (Pastoral dos sacramentos da iniciação cristã, pág. 25).
A palavra Crisma, no feminino, é o sacramento, ao passo que o crisma é o óleo santo. Quando usamos A Crisma queremos realçar o símbolo da unção com o óleo, portanto ao sermos crismados, somos ungidos pelo Espírito de Deus, para uma missão.
A palavra Confirmação significa que todo cristão, fortalecido pelo Espírito, é capacitado a assumir sua vocação e missão de batizado, para que persevere até o fim no testemunho de Jesus Cristo.
Não podemos pensar tudo isto como algo estático. Os sacramentos são dinâmicos em nossa vida. A cada momento da nossa vida somos convidados, sob a ação do Espírito a confirmar nosso compromisso de cristãos.
Portanto, ambos os nomes têm sua razão de ser.
Os documentos da Igreja, sobretudo o Catecismo da Igreja Católica, usa o termo CONFIRMAÇÃO. E diz: A confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja... (CIC 1316).
Isto significa que a fé, na vida do cristão, é um processo. Alimentada, tem a capacidade de se desenvolver e amadurecer.
A fé é como uma planta que necessita de constante cuidados para crescer e ser capaz de dar frutos. O sacramento da crisma possibilita maior aperfeiçoamento e enriquecimento através do Dom do Espírito.
Portanto, não cabe dizer que algo faltou no Batismo e que a crisma vem completar algo, mas existe, sim, uma íntima conexão entre um e outro.
O Espírito Santo nos dá a força especial para tornar a nossa fé mais madura e portanto sermos verdadeiras testemunhas de Cristo, seja em qualquer lugar onde estivermos.
Com o Espírito Santo seremos cristãos 24 horas, isto é, no comprometimento com a paz, a justiça, a solidariedade. Ele é força, alegria, esperança, amizade, comunhão, e ele atua através das pessoas (inclusive daquela que não tem fé), dos sinais dos tempos, das situações políticas e dos desafios históricos.
TENTE RESPONDER
a) O que leva tantos cristãos e cristãs a professar e testemunhar sua fé, mesmo em meio a tantas dificuldades? Pense: nos missionários, nos mártires, santos, santas, homens e mulheres que no seu cotidiano vivem verdadeiramente o seguimento de Jesus Cristo. Que força é esta? De onde vem tanta resistência? Como resistem? Por quê resistem?
b) Enumere pessoas que para você vivem o que assumiram no dia da Crisma. Por que? Como? Onde?
c) Quem será presença do Espírito em meio à guerra do Afeganistão, nos massacres em Israel, na fome da África, na violência das favelas do Rio de Janeiro, dos sem terra em Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso...?
Ir. Marlene Bertoldi

18 de setembro de 2009

Setembro o mês da Bíblia


Aqueles que leem a Bíblia progridem na vida do Evangelho
A Palavra de Deus está sempre ao alcance da mão e do coração de quem segue a Deus. E por moção do Espírito Santo, a Palavra vai transformando o coração das pessoas e moldando a comunidade cristã. É claro, supondo um coração aberto, como de discípulo diante do mestre. O profeta Jeremias fez uma experiência profunda: nas mãos de Deus sentiu-se como um vaso de barro nas mãos do oleiro.
As famílias, os grupos e as comunidades que leem a Bíblia de fato progridem na vivência do Evangelho, em unidade com a vontade de Deus e na comunhão fraterna. A Palavra meditada impulsiona as pessoas a superar o pecado e o azedume, causando certa plenitude espiritual com uma aura de paz e de alegria.
É o encantamento espiritual, a força interior, a capacidade de passar imune pelas tentações que nos rodeiam.
São Francisco de Assis, um dos grandes revolucionários da humanidade, apregoava a vida fraterna em meio ao egoísmo; a vida em Deus, mesmo em meio ao prurido da carne e do consumismo; a alegre adesão à vontade de Deus, vencendo o orgulho e a sede do poder. Quando se chega a uma fraternidade assim, logo se capta o perfume do Evangelho.
Por pedagogia, destinamos o mês de setembro a conhecer a Bíblia. Aliás, primeiro a ter a Bíblia em casa. Depois, a lê-la diariamente. Aprender a meditá-la diante de Deus, num coração orante.
A família aprende a acolher de modo afável seus membros: os pais se relacionam de modo afetivo com os filhos, como Deus, com Seu povo. Os filhos, por sua vez, acolhem os pais de modo pacífico, criando um ambiente sereno e alegre. É o encantamento da família.
É neste ambiente que germinam as vocações cristãs, que se alimentam ideais generosos e se superam obstáculos à felicidade.
Seja feliz! Conheça, leia e medite a Palavra de Deus.

Exaltação à Santa Cruz


A cruz tornou-se motivo de glória


A Festa da Exaltação da Santa Cruz é celebrada no dia 14 de setembro, recordando a doação definitiva de Jesus Cristo. A Cruz de Jesus é um mistério de Deus desde toda a eternidade e já foi manifestada a nós. A cruz, antes de tudo, é uma manifestação de amor, o grande mistério do derramamento do Espírito Santo. Quando o fiel olha para a Cruz de Cristo, ele vê o sacrifício. Não compare sacrifício com tristeza; o sacrifício é reflexo de Cristo.
A Festa da Exaltação da Santa Cruz é a Festa da Exaltação do Cristo vencedor. Para nós cristãos, o lenho sagrado é o maior símbolo de nossa fé. Quando somos apresentados à comunidade cristã, na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida é o sinal da cruz traçado em nossa fronte pelo ministro, pais e padrinhos, sinalando-nos para sempre com Cristo.
Celebrando a Festa da Santa Cruz, juntamente com o Crucificado somos elevados para o alto. Tão grande é o valor do madeiro sagrado, que quem o possui, possui um tesouro. Eu chamo-o justamente de tesouro, porque é, na verdade, de nome e de fato, o mais precioso de todos os bens. Nele está a plenitude da nossa salvação e por ele regressamos à dignidade original.
Foi na Cruz que Jesus Cristo ofereceu ao Pai o Seu Sacrifício. Por isso, é justo que veneremos o sinal e o instrumento da nossa libertação. Objeto de desprezo, patíbulo de infâmia, até o momento em que Jesus, obediente até a morte, nela foi suspenso. A Cruz tornou-se, desde então, motivo de glória, pólo de atração para todos os homens.
Ao celebrarmos essa festa, nós queremos proclamar que é da Cruz, sinal do amor universal de Deus, fonte de toda a graça (N.A., 4) que deriva toda a vida de Igreja. Queremos também manifestar o nosso desejo de colaborar com Cristo na salvação dos homens, aceitando a Cruz, que a carne e o mundo fizeram pesar sobre nós (G.S. 38).
A lenho sagrado não é uma divindade, um ídolo, feito de madeira, barro, bronze, mas ele é para nós santo e sagrado, porque dele pendeu o Salvador do mundo. Ele é o símbolo universal do cristão. Com orgulho e devoção ele é a nossa marca, o sinal de nossa identidade, vocação e missão. Traçando o sinal da cruz em nossa fronte, a todo o momento, nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que, pela Cruz, o Senhor continua a derramar sobre nós.
A Cruz é também a exaltação de Cristo; leia o que Ele próprio diz: “Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim” (João 12,32). Como você vê, o madeiro sagrado é a glória e a exaltação de Cristo. Celebrando a Festa da Exaltação da Santa Cruz, celebramos a vitória de Cristo, que nos possibilita desde agora celebrar a nossa futura glória no céu. Pois, se morremos com Cristo, cremos também que viveremos com Ele (cf. Romanos 6,9).

* O QUE É DOGMA?

- Segundo o Catecismo da Igreja Católica, pág. 35, parágrafos 88, 89 e 90:


"O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.Há uma conexão orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Mistério de Cristo. 'Existe uma ordem ou hierarquia das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente'”.Dogma consiste em Verdade revelada por Deus e proposta pela Igreja à nossa crença. Para ser constituído um dogma são necessárias duas condições fundamentais: Primeiro é que a verdade deve ser revelada por Deus, isto é garantida pela autoridade divina. E segundo, que esta verdade deve ser proposta pela Igreja à nossa crença, isto é, quer por proclamação solene quer por ensino comum e universal. Estas verdades serão chamadas de Verdades de Fé Católica. Os Dogmas da Igreja Católica são 43 subdivididos em oito categorias diferentes. A Igreja não cria dogmas, apenas confirma a existência dessas Verdades, com a autoridade a ela confiada pelo Cristo, sob a assistência infalível do Espírito Santo que impede a Igreja de errar no exercício do seu magistério solene. Considerando a natureza da verdade definida pela Igreja, o Dogma apresenta objeto tríplice, ou seja, apresenta primeiro as verdades inacessíveis à razão, como por exemplo, os mistérios em que a razão não consegue explicar. Segundo, as verdades acessíveis à razão como, por exemplo, a existência de Deus, a vida futura em que a razão humana por si só alcança, porém Deus as revelou ou para que tivéssemos idéias mais nítidas a respeito, ou porque, sem a revelação, poucos teriam chegado a este conhecimento. E por último os fatos históricos, ou seja, a maior parte dos acontecimentos que os profetas anunciaram acerca do Messias, e a qual tiveram sua realização com a vinda de Cristo.Há também verdades que não são dogmas porque lhes falta alguma das condições requeridas. Uma delas é a verdade cuja revelação parece bem averiguada, mas que não foram definidas pela Igreja. Outra seriam as verdades não reveladas, ensinadas pela Igreja que as julga úteis à explicação ou defesa das verdades reveladas como, por exemplo, as conclusões teológicas (é proposição que se deduz de duas outras, sendo a primeira verdade revelada e segunda conhecida pela razão) e os fatos dogmáticos (qualquer fato não revelado, unido, porém, tão estreitamente com o dogma que nega-lo seria abalar o fundamento do próprio dogma). Muitos podem estar se perguntando quais as fontes do Dogma, isto é, Deus desce do céu e fala conosco? Será isso que acontece? Nos dias de hoje muitos excluem a metafísica, mas quando vão estudar ciências exatas, se forem a fundo mesmo, vão acabar esbarrando na metafísica, assim também é o Dogma. A fonte de revelação é dupla, isto é, ela vem pela Escritura Sagrada e pela Tradição. São Artigos de fé definidos pelos concílios de Trento em diante, até o do Vaticano II.
O que é o Dogma hoje na sociedade? Se você for católico é taxado de dogmático, se emitir uma opinião contra algum aspecto do homossexualismo é taxado de homofóbico, se você for contra a opinião de um professor mesmo argumentando está marcado a tirar um zero! Ir contra os ditames da moda, da moral, da regra geral hoje em dia é ser vítima do dogmatismo social, ou seja, quem é quem hoje em dia? E se disser que não segue nenhum, este em si já é outro "dogma", aquele do que vai com o que lhe interessar, isto é, o dos sem cérebro... Ou seja, que dogma prefere seguir ou nunca pensou ou percebeu o quão preso caminha na sociedade? Pense... Se for dogma mesmo e se for católico... És livre! E para finalizar me utilizarei das palavras de um filósofo,


“Lembre-se de que a Igreja abraçou especificamente idéias perigosas; ela foi uma domadora de leões. A idéia do nascimento por meio do Espírito Santo, da morte de um ser divino, do perdão dos pecados ou do cumprimento das profecias – qualquer um pode ver que são idéias que precisam apenas de um toque para transformar-se em algo blasfemo e feroz. (...) Aqui basta observar que se algum pequeno erro fosse cometido na doutrina, enormes erros e disparates poderiam ser cometidos na felicidade humana. (...)Essa é a emocionante aventura da Ortodoxia. As pessoas adquirem o tolo costume de falar como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a Ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco. Ela foi o equilíbrio de um homem por trás de cavalos em louca disparada, parecendo abaixar-se para este lado, depois para aquele, mas em cada atitude mantendo a graça de uma escultura e a precisão da aritmética. (...)Para o homem moderno, os céus estão realmente embaixo da terra. A explicação é simples: ele está de ponta cabeça, o que o constitui um pedestal pouco resistente para apoiar-se. Mas quando houver novamente descoberto os próprios pés, saberá disso. O cristianismo satisfaz de repente e à perfeição o instinto ancestral do homem de estar virado para cima; e o satisfaz plenamente neste sentido: com seu credo a alegria se torna algo gigantesco e a tristeza algo especial !.

11 de setembro de 2009

SACRAMENTO DA ORDEM

A ordem é o sacramento, graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus apóstolos continua sendo exercida pela igreja até o fim dos tempos.
A palavra ORDEM vem do latim “ORDO” sacramento porque é SAGRADO e ordem quer dizer; DELEGAÇÃO DE PODER.
Pela ordenação a pessoa se habilita a agir como representante de Cristo, cabeça da igreja em sua triplica função de SACERDOTE, PROFETA E REI.
O BATISMO, a CONFIRMAÇÃO e a EUCARISTIA são os sacramentos da iniciação cristã. Fundam a vocação comum de todos os discípulos de CRISTO, vocação à santidade e a missão de evangelizar o mundo.
Nesses sacramentos, os que já foram consagrados pelo Batismo e pela Confirmação para o sacerdócio comum de todos os fiéis podem receber CONSAGRAÇÕES específicas. Os que recebem o sacramento da ORDEM são CONSAGRADOS para ser, em nome de CRISTO,” Pela palavra e pela graça de Deus, os PASTORES DA IGREJA”. Pôr sua vez, “ os esposos cristãos, para cumprir dignamente os deveres de seu estado, são fortalecidos e como que CONSAGRADOS por um sacramento especial”.
O sacramento da ordem é conferido pela IMPOSIÇÃO DAS MÃOS, seguida de uma solene oração consacratória que pede a Deus, para o ORDINANDO, as graças do Espírito Santo para exercer seu ministério. A ordenação imprime um caráter indelével.
A Igreja só confere o sacramento da ordem a homens batizados, cujas aptidões para o exercício do ministério foram devidamente comprovadas. Cabe à autoridade da Igreja a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber as SAGRADAS ORDENS.
OS MINISTROS ORDENADOS PODEM SER:

- DIÁCONO: vem de DIAKONIA,em grego, SERVIÇO. Sua vocação é o serviço à comunidade, em todas as áreas. Anima as lideranças, forma catequistas, preseide a Celebração da Palavra...,pode ministrar os sacramentos do Batismo, da Unção dos Enfermos e do Matrimônio.

- PADRE: é o pai espiritual, o guia da comunidade.Sua função é a de servir como base e apoio para toda a comunidade, no processo de crescimento na fé. Anima as lideranças, auxilia na administração paroquial, promove formação..., além de administrar Batismo, Matrimônio, Confissão e Unção dos Enfermos, o padre preside a Celebração Eucarística.
É o padre que realiza o MEMORIAL da CEIA de JESUS, a EUCARISTIA.

-BISPO: preside e coordena a Igreja local, ou seja, Sua figura nos lembra os apóstolos, líderes da Igreja desde os primeiros tempos. Ele anima as pastorais e movimentos, coordena a comunicação entre as comunidades e garante a ligação da Igreja local com a Igreja Universal.
Administra os sacramentos da ORDEM e da CRISMA.
Quando é preciso eleger um Bispo, Cardeal ou Papa é feito uma eleição, uma reunião que recebe o nome de CONCLAVE que significa:REUNIÃO DE PORTAS FECHADAS, esta reunião pode levar dias, até que se tenha o escolhido para um dos títulos acima citado; Por isso que no VATICANO existe uma CHAMINÉ,pois quando se têm um eleito a FUMAÇA DA CHAMINÉ É BRANCA e quando não se tem um eleito escolhido a FUMAÇA DA CHAMINÉ É PRETA. Uma forma bastante inteligente de manter o povo informado.
Quando essas pessoas resolvem entregar suas vidas nas mãos de DEUS e servi-lo, fazem três votos, três compromissos; que são:

- VOTO DE POBREZA: Mt 19,21. O voto de pobreza de fato libera o EU voraz e nunca satisfeito de bens, de comodidade e de riquezas.

- VOTO DE CASTIDADE: 1 Cor 7,32-35. A castidade liberta o EU sempre ávido em aprisionar afetos, compreensões, simpatia, também sendo o manto do bem e do apostolado.

-VOTO DE OBEDIÊNCIA: Fl 2,6-8. A obediência liberta o EU egoísta, volúvel, caprichoso, indeciso nas escolhas. Permite-lhe, deste modo, deixar-se guiar por CRISTO, conquistar a sabedoria do Espírito, como conquistou MARIA.

POBREZA, CASTIDADE E OBEDIÊNCIA: Um amor que se abre frente a tudo a todos e desemboca na verdadeira CARIDADE.,

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