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8 de agosto de 2014

Iraque: Jihadistas do Estado Islâmico tomam a cidade cristã de Qaraqosh


O movimento extremista muçulmano do Estado Islâmico (ISIS), tomou nesta quinta-feira a maior cidade cristã do Iraque, Qaraqosh, provocando a fuga de dezenas de milhares de pessoas desta e de outras zonas vizinhas que foram abandonadas ontem à noite pelas tropas curdas que tentam parar este avanço.

“É uma catástrofe, uma situação trágica. Pedimos ao Conselho de Segurança da ONU que atue de maneira imediata. Dezenas de milhares de pessoas aterrorizadas estão sendo expulsas de suas casas no momento em que conversamos. Não é possível descrever o que está acontecendo”, declarou à agência AFP o Arcebispo caldeu de Kirkuk e Suleimaniya, Dom Joseph Thomas.

Qaraqosh fica entre Mosul, cidade que já não conta mais com a presença dos cristãos, e Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, cujo governo, junto aos curdos da Turquia e Síria tenta deter o avanço dos extremistas muçulmanos.

Os  jihadistas também assumiram o controle das cidades de Tal Kaif, Bartela, Karamlesh, Zumar e Sinjar, além de uma instalação petroleira e Raiva, um posto fronteiriço entre Síria e Iraque.

Tal Kaif, que tem uma comunidade cristã significativa e integrantes da minoria xiita shabak, também foi abandonada por moradores durante a noite..

“Tal Kaif está agora sob controle do Estado Islâmico. Não enfrentaram nenhuma resistência e simplesmente entraram depois de meia-noite”, disse Butros Sargon, um morador que fugiu para Erbil. Em declarações à imprensa internacional, relatou que se escutaram tiros durante a noite “e quando olhei pela janela, vi um comboio militar do Estado Islâmico. Gritavam 'Allahu Akabr' (Deus é grande)”.

Segundo a ONU, 200.000 pessoas fugiram pelas estradas.

O Estado Islâmico –antes conhecido como Estado Islâmico do Iraque e Síria-, é um movimento jihadista que nasceu da Al Qaeda mas que agora age de maneira independente. Há algumas semanas, anunciou a criação de um califado nos territórios tomados entre ambos países onde impôs a lei islâmica e a sharia, obrigando milhares de cristãos a fugirem se não abandonassem a sua fé.



A indissolubilidade do matrimônio é um dogma, precisa Cardeal Müller


O Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano, precisou que a indissolubilidade do matrimônio não é uma mera doutrina, mas é um dogma da Igreja, e ressaltou a necessidade de compreender a realidade deste sacramento e da família.

Assim o indicou o Cardeal alemão em um livro-entrevista que será publicado em breve e que foi realizado pelo jornalista espanhol Carlos Granados, diretor da Biblioteca de Autores Cristãos em Madri. O livro se chama “A esperança da família” e será lançado em inglês, italiano e espanhol, por parte da editora Ignatius Press.

No texto, o Cardeal corrige os maus entendidos sobre os ensinamentos da Igreja em relação à família, refere-se à dramática situação dos filhos de pais separados e ressalta a necessidade de uma maior educação que deve começar com a realidade do amor de Deus.

O livro, assinala Andrea Gagliarducci, vaticanista da CNA –agência em inglês do grupo ACI– pode considerar-se como a “contribuição definitiva” para os preparativos para o seguinte Sínodo dos Bispos, dedicado à família, que se realizará em Roma de 5 a 19 de outubro. Por enquanto, o Cardeal decidiu não dar mais entrevistas.

Diversas publicações especularam sobre “possíveis mudanças” no ensinamento da Igreja em relação à recepção da comunhão por parte dos divorciados em nova união, assim como uma disciplina mais laxa quanto à anulação do matrimônio.

Ante estas especulações, o Cardeal Müller reafirma que “a total indissolubilidade de um matrimônio válido não é mera doutrina, mas é um dogma divino e definitivo da Igreja”.

Sobre quem diz que os divorciados podem “começar tudo de novo” ou que o amor entre duas pessoas pode morrer, o Cardeal indicou que “estas teorias estão radicalmente erradas”.

O Cardeal Müller explica que “não se pode declarar que um matrimônio está extinto sob o pretexto de que o amor entre os esposos está ‘morto’” porque “a indissolubilidade do matrimônio não depende dos sentimentos humanos, sejam eles permanentes ou transitórios. Esta propriedade do matrimônio é querida por Deus mesmo. O Senhor está envolvido no matrimônio entre homem e mulher, e por isso o laço existe e tem sua origem em Deus. Essa é a diferença”.

Para o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé os erros no entendimento do matrimônio na nossa sociedade são o resultado do individualismo, e propõe um novo anúncio da Palavra de Deus para superá-los.

“Em um mundo amargamente individualista e subjetivista, o matrimônio já não se percebe como uma oportunidade para o ser humano de chegar a sua plenitude, compartilhando o amor”, lamenta.

“Estamos chamados a anunciar uma vez a Deus, à Trindade de Amor! Devemos anunciar o Deus revelado que nos chama a sermos parte de seu ser relacional”, afirma e acrescenta que é importante uma boa educação para o sacramento: “a preparação remota para o matrimônio – desde a infância e a adolescência – deve ser uma prioridade pastoral e educativa”.

Ante os erros e a má compreensão do matrimônio, o Cardeal Müller assinala logo que “como pastor, digo-me a mim mesmo: não pode ser! Temos que dizer a verdade às pessoas! Devemos abrir os seus olhos, dizer-lhes que foram covardemente enganadas através de uma falsa antropologia que só pode levar ao desastre”.

“Os órfãos do divórcio, às vezes rodeados por muitos bens e com muito dinheiro disponível, são os mais pobres entre os pobres, porque têm coisas materiais, mas estão privados do bem fundamental: o amor entregado dos pais que eles mesmos negam para seus filhos”.

O livro “A esperança da família” contém um prefácio escrito pelo Cardeal Fernando Sebastián, de quem o Papa Francisco quando ainda era o Cardeal Jorge Mario Bergoglio se considerava seu “aluno”, no qual assinala que “o principal problema presente na Igreja em relação à família não é o pequeno número de divorciados recasados que querem receber a comunhão eucarística”.

“Nosso problema mais sério é o grande número de batizados que se casam civil e sacramentalmente que não vivem o matrimônio ou a vida esponsal em harmonia com a vida cristã e os ensinamentos da Igreja, que os converteria em ícones viventes do amor de Cristo por sua Igreja presente e servindo no mundo”.

Em sua defesa do dogma da indissolubilidade do matrimônio, também se uniram ao Cardeal Müller os cardeais Caffarra, Brandmüller, Bagnasco, Sarah, Re, Ruini, Di Paolis, e Collins, entre outros.

Em 7 de outubro, Ignatius Press também lançará o livro “Permanecendo na verdade de Cristo”, um trabalho de cinco cardeais que responde ao Cardeal Walter Kasper e que refutam a “premissa de que a doutrina tradicional católica e a prática pastoral contemporânea estão em contradição”.


Milhares de cristãos iraquianos estão sofrendo um êxodo, uma verdadeira via sacra, afirma Patriarca Católico Caldeu


O Patriarca católico caldeu, Dom Louis Rafael Sako, exortou a comunidade internacional a tomar consciência do êxodo, da via sacra que milhares de cristãos iraquianos estão sofrendo para escapar da violência dos extremistas muçulmanos do Estado Islâmico (ISIS), que nesta quinta-feira tomaram Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque.

“Apelamos com tristeza e dor à consciência de todos, de todas as pessoas de boa vontade, às Nações Unidas e à União Europeia para que salvem estas pessoas inocentes da morte. Esperamos que não seja muito tarde!”, expressou o Prelado em uma carta aberta, difundida neste 7 de agosto pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

No texto, Dom Sako descreveu a catástrofe humanitária desencadeada depois da ocupação de Qaraqosh, onde também estavam refugiados os cristãos e membros de outras minorias que em meados de julho fugiram de Mosul, tomada em junho pelos jihadistas.

“Cerca de 100 mil cristãos, horrorizados e em pânico, fugiram das suas aldeias e casas sem nada mais do que a roupa que tinham vestida”, expressou. O que se vive é “um êxodo, uma verdadeira Via Sacra, cristãos, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão a caminhar a pé no calor ardente do verão iraquiano para se refugiarem nas cidades curdas de Erbil, Duhok e Soulaymiyia”.

“Estão enfrentando uma catástrofe humanitária e o risco de um verdadeiro genocídio. Eles necessitam água, comida, refúgio…”, acrescentou.

Dom Sako disse que o governo iraquiano é incapaz de impor a lei e a ordem nesta parte do país. Indicou que a região do Curdistão tampouco pode defender-se sozinha do feroz avanço dos jihadistas. O Prelado assinalou que há uma falta de cooperação entre o governo central e as autoridades curdas.

Na manhã de ontem, o porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, transmitiu a preocupação do Papa Francisco pelo sofrimento destas populações e seu apelo à comunidade internacional a “colocar fim a esta tragédia humanitária”.

Por sua parte, a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informou que destinou 100.000 euros para oferecer ajuda humanitária às milhares de famílias deslocadas nas planícies de Nínive.


LEV publica 3° volume das "Homilias matutinas", do Papa Francisco

A Livraria Editora Vaticano lança nesta quarta-feira o terceiro volume das “Homilias matutinas”, obra que repropõe as palavras pronunciadas pelo Papa Francisco nas homilias das Missas celebradas às 7 horas da manhã na Capela da Domus Sanctae Marthae. Este terceiro volume contempla as reflexões no período que vai de 3 de fevereiro a 30 de junho de 2014.

São 64 os textos apresentados, entre os quais a homilia da Missa celebrada pelo Pontífice para os parlamentares italianos, na manhã de 27 de março, no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro. Entre os tantos temas abordados pelo Papa Francisco, destaca-se a paternidade, o mistério da morte, a resistência às tentações, a coerência cristã, a perseguição e o martírio, a misericórdia, o chamado à humildade, a oração e a força do testemunho.

Este terceiro volume faz parte da coleção “As palavras do Papa Francisco”, que já conta com dez títulos: ‘Peço-vos para rezarem por mim’, ‘Não deixeis que vos roubem a esperança’, ‘A alegria de evangelizar’, ‘É bonito para nós estar aqui’, ‘Homilias matutinas 1’, ‘Percorramos os caminhos da paz’, ‘Homilias matutinas 2’, ‘Jesus nos espera sempre’, ‘Nas fontes da fé’ e ‘Abramo-nos à luz do Senhor’. (JE)



2 de agosto de 2014

Bispos pedem ao Papa Vigília de oração "global" pela paz no Oriente Médio



Gaza  - Convocar uma Vigília de oração pela paz em Gaza e em todo o Oriente Médio, como aquele que se realizou em 7 de setembro de 2013, na Praça São Pedro em prol da Síria: é o pedido da Conferência Episcopal da Nova Zelândia apresentado ao Papa Francisco através de uma Carta aberta. Na missiva, assinada por Dom John Dew, Arcebispo de Wellington, os bispos manifestam “tristeza e ansiedade pelo terrível conflito em Gaza” e enfatizam o seu “sentimento de impotência”, aliviado apenas pela “oração constante pelo fim do conflito e a resolução de problemas de longa data que são a base do mesmo”.

Em seguida, os bispos da Nova Zelândia informam o Santo Padre terem encorajado os fiéis locais a “apoiarem o trabalho da Caritas de Gaza”, recolhendo fundos para a ajuda humanitária. E não só isso: “Convidamos os fiéis – escrevem os bispos - a rezarem, sozinhos ou em comunidade, pelo fim do conflito”; mas “ainda há muito a ser feito”, porque “para aqueles que vivem em paz é obrigatório fazer todo o possível para levar a reconciliação aos outros”. A Igreja de Wellington sublinha então, os inúmeros danos causados pelo conflito israelense-palestino à economia de Gaza e a impossibilidade às pessoas “de exercer o seu direito de se tornarem refugiados, atravessar a fronteira, e fugir dos combates”.

Olhando também para a invocação de paz para o Oriente Médio, feita no Vaticano em 08 de junho último, por desejo do Papa, na presença de Peres e Mahmoud Abbas, chefes de Estado de Israel e da Palestina, os bispos sublinham a importância da mesma, definindo-a “um evento nunca visto antes”. “Nós sabemos – escrevem ainda - que Sua Santidade utilizará toda a sua liderança moral inerente à sua missão para fazer todo o possível para pôr fim aos combates e se chegar a uma paz verdadeira e duradoura entre a Palestina e Israel”.

Enfim, os bispos da Nova Zelândia fazem eco ao apelo da Paróquia da Sagrada Família em Gaza e pedem ao Pontífice, “testemunha autêntica do Evangelho”, de convocar uma Vigília de oração “global” para pôr fim “a este imenso desastre”.





Reflexão para o 18º Domingo do Tempo Comum


Se o banquete da vida se tornou privilégio de poucos, deveremos refletir e revisar a disposição que nos leva à celebração semanal da Vida, ou seja, a celebração onde é realizada a partilha do Pão.
A falha não é do Criador.

Em Isaías - a primeira leitura deste domingo - Deus subverte o “status quo” convidando os pobres a saírem da penúria e a vivenciarem a partilha da criação. Esse convite é para uma libertação, libertação da dependência dos produtores de alimentos, daqueles que se assenhorearam dos bens da criação e exercem poder sobre o direito das pessoas de se alimentarem como Deus, nosso Pai, pensou, oferecendo-nos uma natureza dadivosa. Deus não quis irmãos explorando irmãos e matando-os de fome, mas criou tudo para todos.

No Evangelho, Jesus faz exatamente a vontade do Pai. Não deixa ninguém passar fome. Ao contrário, não é apenas pódigo com a comida material, mas no futuro se fará nosso alimento, quando nos der, através do pão e do vinho, seu corpo e eu sangue como alimento eterno.

Mas vejamos o contexto em que se realiza o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. São Mateus nos fala, inicialmente, do banquete de Herodes, banquete onde apesar de se consumir alimentos, não se celebra a vida, mas a morte. Seus comensais estão ali com o intuito de exercer poder, de pressionar, de jogar interesses. Não pensam no outro, mas em si mesmos, em se manterem, mesmo a custo do sofrimento e da morte do inocente. O grande inocente morto nesse banquete herodiano foi João Batista. Sua culpa foi não aceitar a vida devassa do potentado.

Já o banquete que Jesus proporciona ao povo se dá a céu aberto e realizado com bastante compaixão, após falar do carinho do Pai e curar os doentes que ali estavam. É o banquete da Vida, que sacia plenamente aqueles que dele participam. As desigualdades foram superadas, todos saciados, curados e amados.

A solução apresentada por Jesus não foi um milagre econômico e nem religioso, mas a partilha dos bens da Criação.

Em outra passagem do Evangelho, Jesus diz que aos pobres é revelado o Reino de Deus e eles entendem a mensagem do Reino. E é verdade! No tocante à partilha dos bens, ninguém entendeu melhor que eles. Dentro de sua pobreza e até miséria, o pobre sabe dividir o que possui.

Nossas celebrações eucarísticas deveriam deixar de ser mero ritual e passar a ser aquilo a que se propõem e que é querido por Jesus, isto é, partilha da Vida. Partilha do Pão da Vida, que é Jesus e partilha do pão que dá a vida material, partilha essa que indica a autenticidade de nossa celebração Eucarística.

Ainda considerando as palavras de Jesus – quem fizer algo ao menor dos meus irmãos, a mim estará fazendo – podemos ter a consciência de que ao partilharmos com o pobre, mesmo sendo uma pessoa desconhecida e que jamais a conheceremos, vale a palavra de Jesus. Não importa se o gesto de partilhar poderá nos tornar mais pobres, importa agradar Jesus e viver o espírito da segunda leitura: nada nos poderá separar do amor de Deus, seja, bem-estar, fome, nudez, conforto.

Que nossas Eucaristias realizem de fato o que pretendem: a partilha da Vida, o sentar-se à mesa, com o irmão, na Casa do Pai.

Como consequência não haverá mais carentes, sejam materialmente, afetivamente ou espiritualmente.

E dirão sobre nós: vejam como se amam! E consequentemente, o Senhor aumentará o número de nossos companheiros


GUIDO: O MÉDICO, SEMINARISTA E SURFISTA CARIOCA QUE PODE VIRAR SANTO.


Jovem médico que recebeu o chamado para o sacerdócio ao se deparar com o olhar do Beato João Paulo II durante sua visita apostólica ao Rio de Janeiro em 1991, Guido Schäffer viveu a fé cristã com a alegria da juventude. Ele foi seminarista e, nas horas de lazer, gostava de “pegar umas ondas”.
Guido Schäffer nasceu em 22 de maio de 1974, em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Em 1998, formou-se em Medicina e, um ano depois, iniciou sua residência médica na Santa Casa de Misericórdia e o atendimento médico à população de rua com as Missionárias da Caridade. Em 2001, passou a integrar o corpo clínico da Santa Casa e a atuar na Pastoral da Saúde.

Inclinado ao sacerdócio, iniciou os estudos preparatórios no Mosteiro de São Bento em 2002 e ingressou no Seminário São José em 2008. O seu amor à Eucaristia, a sua vida de profunda oração, a sua entrega abnegada aos pobre e doentes, a sua dedicação missionária e a sua humildade em esperar o momento de receber o Sacramento da Ordem, que fortemente desejava, são traços que compõe o retrato de sua alma.

Em 1º de maio de 2009, ele faleceu, vítima de afogamento, enquanto surfava, na Praia do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.

Guido tinha como grande amigo o padre Jorge Luiz Neves, mais conhecido como padre Jorjão, que o acolheu com muito carinho no EJC-Paz, o grupo de jovens da paróquia Nossa Senhora da Paz. No grupo, Guido sentiu o chamado para ser padre e entrou para o Seminário. Hoje, padre Jorjão faz parte do grupo que busca a beatificação do jovem surfista. Para o sacerdote, o exemplo de vida de Guido desmente o discurso dos meios de comunicação de que a Igreja "é coisa de gente chata, triste e de idoso".

"Era um jovem normal, surfista carioca da Zona Sul, que ‘pegava onda’, falava gíria e tinha um ideal na vida. Ele namorou, ficou noivo, estudou, se formou e foi um grande médico, elogiado pelos professores de Medicina e pelos pacientes. Tinha carinho pelos simples e pobres e trabalhava com os moradores de rua. Quis ser padre, foi para o Seminário e não perdeu a alegria e a juventude e o modo de ser carioca. Ele contagiava os surfistas na praia, falava de Deus e transformava a vida de pessoas que bebiam, e deixavam de beber, e de drogados, que abandonavam as drogas. Um jovem que tocava idosos, jovens e crianças, pessoas de todas as classes. Isso fala mais que mil palavras. A Palavra de Deus não fez dele um homem careta e chato, mas um jovem de fé, alegre e de bem com a vida, que fazia feliz outras pessoas", contou.




Só mais uma coisa sobre esse "Templo de Salomão"


Quando escrevi sobre isto não é porque esteja minimamente preocupado com sua existência ou inauguração! É simplesmente para esclarecer sua total falta de sentido, seu grosseiro erro bíblico e teológico, coisa de quem não compreende absolutamente nada de cristianismo e de Sagrada Escritura.

Seria um erro triste que os católicos se preocupassem com coisas assim ou, pior ainda, sintam alguma "dor de cotovelo" por esse edifício ser maior que a Basílica de Aparecida! Isto seria ridículo! Não se mede a verdade da fé pelas dimensões de edificações! O Reino dos Céus manifesta-se nas coisas pequenas: como um grão de mostarda, como uma semente semeada na terra, como um tiquinho de fermento levedando a massa, como o trigo plantado no campo do mundo, como um tesouro escondido, como uma pérola de grande valor um dia encontrada, como uma rede lançada ao mar e pacientemente puxada até a praia do Dia de Cristo...

Nisto se manifesta o Reino: no que é pequeno, no que aos olhos do mundo é fraco e sem importância, no que parece não contar! Por favor, católicos: deixem de lado para sempre o complexo de cristandade, a ilusão de que um dia todo o mundo será cristão, o gosto pelas coisas grandes, a auto-afirmação baseada em outra realidade que não a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo!

Como eu gostaria que nunca perdêssemos de vista o essencial: Cristo, nosso Deus, imolado e ressuscitado, anunciado nas Escrituras Sagradas, celebrado nos sacramentos, oferecido em sacrifício e dado em comunhão para a vida nossa e do mundo inteiro.

Por favor: não confundam a glória do Senhor com a nossa glória nem a grandeza do Senhor com nossas manias de grandeza e saudades de um sistema de cristandade que nunca mais voltará e que em nada é essencial ao cristianismo!



Dom Henrique Soares da Costa


Irmão Jesuíta recebe prêmio da Sociedade Astronômica Americana


Por Rosinha Martins| 01.08.14| O Religioso Irmão e astrônomo da Companhia de Jesus, Irmão Guy Consolmagno, receberá da American Astronomical Society (AAS) a medalha Carl Sagan. O prêmio será entregue, em novembro, no Arizona, durante a reunião anual da 46ª Divisão para as Ciências Planetárias em Tucson.

Ao entrar na Companhia de Jesus aos 40 anos, após trabalhar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Massachusetts Tecnological InstituteTecnologia - MIT), no Observatório da Universidade de Harvard e no Corpo de Paz (Peace Corps), Guy fez opção de não ser sacerdote, mas Irmão, religioso consagrado por meio dos votos de pobreza, castidade e obediência.

Astrônomo do Vaticano, Guyé Mestre pelo Institutode Tecnologia de Massachusetts e pós-doutor pela Universidade de Harvard.
Uma das “maiores bênçãos da minha vocação” é a “de poder me concentrar na comunicação da minha paixão pela ciência, deixando que o meu guia seja sempre a Fé”, afirmou Guy.

Para os jesuítas, que levou Guy a receber o prêmio, é o fato de “ocupar uma posição única como porta-voz crível de honestidade científica dentro de um contexto de fé religiosa”.

Numa entrevista publicada em 2012, pelo Globo, Guy fala sobre a relação ciência e fé.

Por que o Vaticano tem um observatório astronômico?

O observatório mostra ao mundo que a Igreja apoia, ativamente, a ciência. Isso é importante não só como resposta às pessoas que rejeitam a Igreja por achar que ela é, de alguma forma, anticiência, mas também para mostrar às pessoas da Igreja que a ciência deve ser encorajada. Nas palavras do Papa João Paulo II, a verdade não contradiz a verdade. Num sentido mais profundo, além de servir como ponte entre os mundos da Igreja e da ciência, nosso observatório ajuda os crentes a apreciar as glórias da criação, como uma forma de louvar o Criador. E isso significa fazer ciência de verdade, saber como o Universo realmente funciona, e não apenas presumir que já sabemos tudo. Uma pessoa só pode ser cientista se tiver um grande senso de humildade: para poder abarcar cada problema admitindo, desde o início, “eu não sei, vamos descobrir”.

Como era a relação entre ciência e religião quando o observatório foi criado?

O fim do século XIX, quando a versão moderna do observatório foi restabelecida pelo Papa Leão XIII, foi um período em que muitos, na cultura popular, acreditavam que ciência e tecnologia (com frequência confundidas, como ocorre até hoje) guardavam a promessa de resolver todos os problemas humanos e responder a todas as questões; poderiam algum dia até substituir a religião. Trata-se de um grave mal-entendido sobre o que é a ciência e como ela opera, mas continua a ocorrer hoje. Geralmente, as pessoas que querem fazer da ciência um substituto da religião não são cientistas!

Qual a posição do observatório em relação a Galileu Galilei?

A história da Igreja e de Galileu é, na verdade, muito complicada. Houve momentos em que ele foi altamente apoiado por alguns dentro do Vaticano; em outros, foi condenado. Ele tinha amigos e inimigos poderosos. Há muitos bons livros sobre Galileu e o fato de poucos deles concordarem sobre os motivos que levaram a Igreja a agir como agiu nos mostra que as motivações para o infame julgamento de 1633 não estão muito claras. Eu mesmo não entendo! Mas certamente é mais complicado do que a versão popular.

Como evoluiu a relação entre ciência e religião? Como é hoje?

Na verdade, entre cientistas e entre aqueles que trabalham na Igreja, a relação é excelente. Muitos cientistas são frequentadores assíduos da Igreja. E mesmo os cientistas que são ateus (e eles não são, de forma alguma, a maioria) não têm problemas com os cientistas religiosos. O “conflito” é inteiramente uma criação daqueles, de ambos os lados, que são ignorantes da ciência ou da religião. Com frequência, eles agem desse jeito por medo; e, algumas vezes, esses medos são compreensíveis. Pessoas fizeram muitas coisas ruins em nome da religião. Mas suprimir a religião não as impediria de fazer coisas ruins. Muitas outras também usaram a tecnologia que a ciência apoia de forma ruim. E deter a ciência não interromperia esse abuso.

A posição do Vaticano sobre a Teoria da Evolução de Darwin mudou ao longo dos tempos. Como o senhor analisa essas mudanças?

Não há, nem nunca houve, uma posição oficial do Vaticano sobre a Evolução. Certamente, ao longo dos anos, houve quem levantasse suspeitas sobre a teoria, mas em oposição àqueles que tentavam usá-la como um substituto para a religião — àqueles que, na verdade, estavam dizendo “nós podemos explicar a origem da vida, então não precisamos de Deus”. (A premissa dessa frase não é ainda verdade; e, mesmo se fosse, a segunda parte não logicamente segue a primeira!). Papas só falaram sobre a Evolução em duas ocasiões diferentes (Pio XII, em 1950, e João Paulo II, em 1996). Em ambas as vezes, eles afirmaram que não há nada de errado em explorar as formas pelas quais Deus age, desde que se reconheça que toda a criação é, no fim, o resultado da vontade de Deus. E que o aspecto sobrenatural da alma humana não é algo que possa ser atribuído ao acaso.

A descoberta do bóson de Higgs (a partícula que dota de massa todas as demais e estaria na origem de tudo) deixa menos espaço para Deus?

Me desculpe, mas isso é uma bobagem! A despeito do que pode ter sido inferido do título do livro que descreve a partícula (“A partícula de Deus”, de Leon Lederman), a partícula não tem nada a ver com Deus, exceto como uma manifestação da criação e, dessa forma, indiretamente, um reflexo do Criador.

Então qual é a sua resposta para o biólogo Richard Dawkins (autor de “Deus, um delírio”), quando ele fala do “Deus das lacunas”, ou seja, do Deus que só existe nas áreas que a ciência ainda não conseguiu explicar e que vai ficando encurralado à medida que a ciência avança, como no caso da descoberta do bóson como partícula derradeira?

Acho correto rejeitar a ideia do “Deus das lacunas”. Deus não é uma explicação para toda parte da ciência que ainda não sabemos. Isso rebaixa Deus ao status de apenas mais uma força natural, em vez de o maior e definitivo sobrenatural autor do Universo capaz de evoluir para o que vemos hoje. Ser um ateu significa que você deve ter um conceito muito claro do Deus que você tem certeza de que não existe. Em muitos casos, o “deus” em que os ateus não acreditam é uma versão de “deus” na qual eu também não acredito. O Deus do amor que eu conheço e amo, o Deus das orações, das escrituras e dos sacramentos, esse é um Deus que eu experimentei e que eles, aparentemente, não.

O senhor acredita em vida alienígena? Como a Igreja lida com a perspectiva da descoberta de vida inteligente em outros planetas?
Essa é uma pergunta que aparece a toda hora, que as pessoas vem fazendo há séculos. E a resposta é que não sabemos. Não há uma política “oficial” sobre o assunto, nem deve haver. Não temos ainda nenhum indício concreto de vida fora da Terra, mas, certamente, seria idiota tentarmos estabelecer limites para o que Deus pode ou não ter criado. Teremos que esperar para ver! Enquanto isso, trata-se de uma maravilhosa questão para pensarmos, não porque poderemos dizer algo definitivo sobre as almas dos aliens, por exemplo, mas porque, ao fazer essa pergunta, podemos alcançar uma compreensão mais profunda sobre o que as nossas almas e a nossa salvação realmente representam.

Como o senhor vê o futuro da relação entre ciência e religião?

Nós fazemos ciência porque somos seres humanos com motivações humanas.... cães e gatos não fazem ciência. Essas motivações incluem curiosidade, desejo de saber, vontade de entender e um deleite em participar do Universo. Eu acredito, e acho que muitos cientistas também pensam da mesma forma, que essas motivações são, em última análise, religiosas. Mas pessoas ignorantes sempre vão tentar criar conflitos em nome de seus próprios objetivos pessoais. Pessoas sábias sempre saberão como ignorá-los


Fonte: crbnacional.org.br




"Templo de Salomão" inaugurado em São Paulo, uma farsa religiosa e uma apunhalada no Cristianismo!


Só para esclarecer aos católicos, a respeito desse "templo de Salomão" inaugurado em São Paulo, mais uma farsa religiosa do nosso tempo e mais uma punhalada no cristianismo, já tão deturpado pelas seitas...

1. Não existe nem poderá existir "Templo de Salomão" algum desde 587 aC, quando o Templo do Senhor, construído pelo Rei Salomão, foi incendiado pelos babilônios. Este era o chamado Primeiro Templo dos judeus.

2. Nem mesmo no tempo de Jesus havia um "Templo de Salomão". Havia sim, o Segundo Templo, construído pelos judeus que voltaram do Exílio de Babilônia entre 537-515 aC. Foi nesse Templo, reformado, ampliado e embelezado por Herodes Magno, que Jesus nosso Senhor pregou. Foi sobre esse Templo que Ele afirmou tratar-se de uma imagem Dele próprio, morto e ressuscitado: "Destruí este Templo e em três dias Eu o edificarei!".

3. O Templo de Salomão em si não tem significado algum para o cristianismo. Também não pode ser reconstruído, pois já não seria o Templo "de Salomão", mas de outra qualquer pessoa! O que se construiu em São Paulo foi um "Edifício do Edir Macedo", nem mais nem menos...

4. Quanto ao Templo dos judeus, somente pode ser construído sobre o Monte do Templo, chamado Monte Moriá, em Jerusalém. Os judeus nunca reconstruíram o seu Templo por isso: porque ali já estão erguidas duas mesquitas muçulmanas...

5. Os cristãos jamais poderão ou deverão reconstruir Templo judaico algum! Isto é negar Nosso Senhor Jesus Cristo, é voltar ao Antigo Testamento! O Segundo Templo era imagem do Corpo do Senhor. Ele mesmo o declarou. Aqui coloco de modo explicado o que Jesus quis dizer: "Vós estais destruindo este Templo! Podeis destruí-lo; ele já cumpriu sua função de figura, de lugar de encontro de Deus com os homens! O verdadeiro Templo é Meu corpo imolado e ressuscitado! Vós destruireis o Meu corpo como estais destruindo este Templo! Mas, dentro de três dias Eu o ressuscitarei, edificando o verdadeiro Templo, lugar de encontro entre Deus e o homem: o Meu corpo, que é a Igreja!"

6. Arca, sacrifícios antigos, utensílios do antigo Templo, já não têm sentido algum no cristianismo. Mais ainda: não passam de pura e vazia falsificação que ofendem a resta consciência cristã e desrespeitam os judeus, imitando de modo grosseiro e falseando de modo superficial o real significado dos seus símbolos religiosos.

Conclusão: É uma pena ver como o charlatanismo, a ignorância, o grotesco prosperam em certas expressões heterodoxas de cristianismo... E tudo por conta do tripudio sobre a ignorância e falta de bom senso de toda uma população insensata. Só isto.



Por: Dom Henrique Soares da Costa, Colunista do Blog Evangelizando - Bispo da Diocese de Palmares-P




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