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12 de julho de 2011

Não é facil começar nem terminar um namoro - Um encontro de pessoas naquilo que elas são

Já vai muito longe o tempo em que os pais arranjavam os casamentos para os seus filhos. Se você quer encontrar alguém terá que procurá-lo. Normalmente, é no próprio círculo de amizades e ambiente de convívio que os namoros começam. Sabemos que o ambiente molda, de certa forma, a pessoa; logo, você deverá procurar alguém naquele ambiente que há os valores que você preza. Se você é cristão, então, procure entre famílias cristãs, ambientes cristãos, grupos de jovens, entre outros, a pessoa que você procura.
O namoro começa com uma amizade, que pode ser um pré-namoro que vai evoluindo. Não mergulhe de cabeça num namoro, só porque você ficou "fisgado" pelo outro. Não vá com muita sede ao pote, porque você pode quebrá-lo. Sinta primeiro, por intermédio de uma pura amizade, quem é a pessoa que está à sua frente. Talvez já nesse primeiro relacionamento amigo você saberá que não é com essa pessoa que você deverá namorar. É o primeiro filtro, cuja grande vantagem é não ter ainda qualquer compromisso com o outro, a não ser de amigos.


Nem sempre será fácil para você começar e terminar um namoro. Especialmente hoje, com a maior abertura do país, logo as famílias são também envolvidas, e isso faz o relacionamento se tornar mais compromissado. Se você não explorar bem o aspecto saudável da amizade, pode ser que o seu namoro venha a terminar rapidamente porque você logo se decepcionou com o outro. Isso poderia ter sido evitado se, antes, vocês tivessem sido bons amigos. Não são poucas as vezes em que o término de um namoro envolve também os pais dos casais, e isso nem sempre é fácil de ser harmonizado.


O namoro é o encontro de duas pessoas, naquilo que elas são e não naquilo que elas possuem. Se você quiser conquistar um rapaz só por causa da sua beleza ou do seu dinheiro, pode ser que amanhã você não se satisfaça mais só com isso. Às vezes uma pessoa simpática, bem-humorada e feliz supera muitos que oferecem mais beleza e perfeição física que ela.


Infelizmente, a nossa sociedade troca a "cultura da alma" pela "cultura do corpo". A prova disso é que nunca as cidades estiveram tão repletas de academias de ginástica, salões de beleza, lojas de cosméticos, clínicas de cirurgias plásticas, entre outros, como hoje. Investe-se ao máximo naquilo que é a dimensão mais inferior do ser humano – embora importante – o corpo. É claro que todas as moças querem namorar um rapaz bonito, e também o mesmo vale para os jovens, mas nunca se esqueça de que o mais importante é "invisível aos olhos".


O que é visível desaparece um dia, inexoravelmente ficará velho com o passar do tempo. Aquilo que você não vê: o caráter da pessoa, a sua simpatia que se mostra sempre atrás de um sorriso fácil e gratuito, o seu bom coração, a sua tolerância com os erros dos outros, as suas boas atitudes, etc., isso tudo não passará e o tempo não poderá destruir. É o que vale.


Se você comprar uma pedra preciosa só por causa do seu brilho, talvez você compre uma "joia" falsa. É preciso que você conheça a sua constituição e o seu peso. O povo diz muito bem que "nem tudo que reluz é ouro". Se você se frustra no plano físico, poderá ainda se realizar nos planos superiores da vida: o sensível, o racional e o espiritual. Mas, se você se frustrar nos níveis superiores, não haverá compensação no nível físico, porque ele é o inferior, o mais baixo.


A sua felicidade não está na cor da pele, no tipo do seu cabelo e na altura do seu corpo, mas na grandeza da sua alma. Você já reparou quantos belos e belas artistas terminam de maneira trágica a vida? Nem a fama mundial, nem o dinheiro em abundância, tampouco os mil "amores", foram suficientes para fazê-los felizes. Faltou cultivar o que é essencial; aquilo que é invisível aos olhos. Tenho visto muitas garotas frustradas porque não têm aquele corpinho de manequim ou aquele cabelo das moças que fazem as propagandas dos "shampoos" ; mas isso não é o mais importante, porque acaba.


A vida é curta – mesmo que você jovem não perceba – por isso, não podemos gastá-la com aquilo que acaba com o tempo. Os homens de todos os tempos sempre quiseram construir obras que vencessem os séculos. Ainda hoje você pode ver as pirâmides de 4 mil anos do Egito, o Coliseu romano de 2 mil anos, e tantas obras fantásticas. Mas a obra mais linda e mais duradoura é aquela que se constrói na alma, porque esta é imortal. Portanto, ao escolher o (a) namorado (a), não se prenda às aparências físicas, mas desça até as profundezas da sua alma. Busque lá os seus valores.




Fonte: Felipe Aquino

Namorar - conhecendo e reconhecendo o outro

O namoro é uma experiência única e vivamente enriquecedora. 
Com ele muitos se empolgam e não poucos o procuram com ansiedade e o esperam com inúmeras expectativas. 

Ele ajuda o ser a colocar para fora o que tem de melhor, também o ensinando a bem acolher o que de bom o outro pode oferecer. 

Enfim, tal relacionamento se constitui como experiência singular e rica de ensinamento. Contudo, ele pode também se tornar traumático e confuso se não for experienciado com o devido tempero e maturidade.
Maturidade para ganhar e perder, para dar e receber…
Quem entra em um namoro querendo somente ganhar já começou a perder.Esse relacionamento não poderá, de fato, acontecer se desde o seu início nele não existir um sentido de entrega e doação em favor do bem do outro. 
Sem o respeito, que nos faz compreender que o outro não é um "poço encantado" onde satisfazemos todos os nossos prazeres egoístas, o namoro não poderá se solidificar, ficando assim impedido de lançar as bases para um relacionamento estável – feliz – e duradouro.

O namoro é, com exatidão, um tempo de conhecimento e interação mútua. E é necessário que seja assim. É tempo de crises, de deparar-se com as diferenças que constituem 
"um outro" que não sou eu, e que por isso não pode ser por mim manipulado (alienado). 
Quem não emprega tempo e energias neste processo de conhecer, deixando-se conhecer, acabará colocando o futuro do relacionamento na rota do fracasso e de uma ampla "irrealização".

Namoro sem crise, sem conhecimento e confronto de diferenças tende a se tornar 
– ainda que disfarçadamente – um esconderijo de múltiplas formas de superficialidade e descompromisso.
Quem não faz a experiência de realmente conhecer a quem namora no seu melhor e pior
 – encantando-se e decepcionando-se – correrá o sério risco de não suportar a dureza manifestada pelo real, depois do casamento já concretizado.
Quem, no tempo de namoro, conhece somente o "corpo" (do outro) e não a "pessoa" por inteiro poderá, em qualquer alvorecer, deparar-se com a infeliz descoberta de que se casou com um (a) desconhecido.

Namoro é o momento de entrar em crise e dela juntos sair. 
É tempo de brigar e reconciliar-se, é tempo de não representar.
Quem assume esse relacionamento acreditando "ser de vidro" – não resistente ao impacto do cotidiano – não entendeu o que significa amar e ser amado e quais são as exigências que brotam deste ofício.

Confronto de diferenças não é sinônimo de desamor, mas de autenticidade. Estacionar nas diferenças, permitindo que estas ditem definitivamente as regras da relação é, sim, o sinal do desamor em estado de constante vitória. Este encontro – que em momentos "desencontra" – oferecido pelo namoro é um momento único e determinante para o futuro do casal e da família. Por isso, precisa ser bem vivido e digerido com respeito e autodoação que desafiem a atual lógica utilitarista, que cada vez mais fabrica centenas de uniões fragmentadas e inexistentes (apenas aparentes).

Com as bases solidificadas em uma madura compreensão do que seja o amor – protaganismo de identidades e não ensaio de representações… – o namoro poderá crescer e se tornar, de fato, o fundamento para o futuro de uma família verdadeiramente feliz e centrada no essencial da vida.

Fonte: Diácono Adriano Zandoná

A importância da peregrinação e da romaria

O fervor religioso leva os devotos a Bom Jesus da Lapa, à igreja do Divino Pai Eterno, ou do Senhor do Bonfim.
As aparições de Maria levam as pessoas a Fátima, Lourdes, Medjugore, Guadalupe ou Aparecida.
São manifestações de fé que têm grande valor para a divulgação e vivência do Cristianismo. 
A peregrinação é uma atitude bíblica. No Novo Testamento, Maria e José peregrinavam a Jerusalém todos os anos, na Festa de Páscoa.
A peregrinação a um santuário é uma forma de religiosidade e de piedade agradável a Deus. É uma atitude que proporciona aos cristãos momentos de diálogo mais íntimo com o Pai.
As pessoas que participam de romarias voltam mais amáveis, mais alegres, mais dispostas a ajudar os irmãos, a se confraternizar com eles, a viver realmente a solidariedade.
Infelizmente, como a humanidade é falha, existe o perigo da comercialização.
É normal uma pessoa peregrinar e querer levar aos seus entes queridos uma lembrança dos momentos que lá passou a fim de que eles também sejam tocados pela bênção de Deus. Mas, em torno desses locais de romaria, o comércio vai além de uma simples lembrança e produz muita sofisticação.
Sabemos que todos têm o direito de “ganhar a vida” como podem, mas seria bom se pudessem evitar os exageros provocados pela ganância.
É agradável a Deus uma romaria santa que encontre um lugar sagrado para meditar, dialogar com Deus, rogar pela humanidade que se acha violenta, gananciosa, egoísta, mas também carente de amor.
Aproveitando a participação de uma romaria e se lembrando de pedir ajuda para melhorar o mundo, tornaremos a peregrinação completamente agradável a Deus, como esta organizada pela CNBB, em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral, que se realizará nos dias 28 e 29 de maio. É a Terceira Peregrinação Nacional da Família ao Santuário Nacional de Aparecida.
Tem sido de grande valor missionário essa iniciativa, pois produz bons frutos para o crescimento familiar. Há uma programação especial envolvendo famílias vindas de todas as partes do país.
O número de famílias participantes tem crescido satisfatoriamente. Na primeira edição, afluíram 130 mil pessoas, na segunda, 150 mil. Calcula-se neste ano a presença de 170 a 200 mil pessoas.
Que Deus permita o maior fluxo de pessoas e que essa peregrinação seja proveitosa no sentido de avivar no povo brasileiro o senso da importância da família na sociedade e que saibamos, todos nós cristãos, valorizar a família.
Num mundo relativizado não vamos relativizar a família. 
A família, sacramento do amor de Deus por nós, permite que marido e mulher se abram a vida. Peçamos a Virgem Aparecida que a família seja sempre protegida.

Fonte:  DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO

8 de julho de 2011

Hermenêutica

A palavra hermenêutica tem a sua origem no nome de Hermes, um Deus da mitologia grega, que servia de mensageiro dos deuses transmitindo e interpretando suas comunicações aos afortunados ou desafortunados destinatários.
Entretanto a palavra hermenêutica é derivada do termo grego hermeneuo(que significa interpreto, traduzo). 
Platão foi o primeiro a empregar a palavra hermenêutica como termo técnico. Hermenêutica é a arte de hermeneia(interpretação), ou melhor, designa a teoria dessa arte.
Berkhof define a hermenêutica como a ciência que ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação; enquanto Virkler, a define tecnicamente, como a ciência e a arte da interpretação bíblica. 
Ela é considerada ciência porque tem normas, regras e estas podem ser classificadas num sistema ordenado. Também é considerada como arte porque a comunicação é flexível e, portanto, uma aplicação mecânica e rígida apenas, pode distorcer o verdadeiro sentido de uma comunicação. Por isso há necessidade de aprender as regras da hermenêutica, assim como, a arte de aplicá-las.
O estudo da hermenêutica tem o propósito de interpretar as produções literárias do passado. Sua tarefa especial é indicar o meio pelo qual possam ser removidas as diferenças entre o autor e os seus leitores, em qualquer época.
Ao utilizar a hermenêutica na interpretação da Bíblia, é preciso conhecer alguns problemas que serão enfrentados. Isso ocorre porque ela se relaciona diretamente com outras áreas do estudo bíblico, entre esses estão: o cânon, as críticas textual e histórica, a exegese, as teologias sistemática e bíblica.


Também há alguns problemas:


a) Cronológico: está relacionado ao fato da Bíblia ter sido escrita há muito tempo atrás. O primeiro livro foi escrito aproximadamente há 3.400 anos e o último em torno de 1.900 anos;


b) Geográfico: influencia pelo fato que a maioria dos leitores está longe demais de onde os fatos ocorreram. Sem contar que quase tudo mudou ou tudo realmente mudou;


c) Cultural: a maior parte da cultura mudou, além de ser muito diferente a forma de pensar e agir hoje em dia;


d) Lingüístico: como já se sabe, a Bíblia foi escrita nas línguas: hebraica, aramaica e grega. Estas contêm muitos detalhes importantes e ricos para um conhecimento mais detalhado em relação à Bíblia. Entretanto, foi por causa dessas línguas e das mudanças naturais, que surgiram os problemas em relação as interpretações textuais, conforme consta nos melhores manuscritos encontrados;


e) Literário: as diferenças contidas nos estilos de escritos utilizados nos tempos bíblicos com os de hoje são enormes. Um bom exemplo é o fato do NT utilizar muitas parábolas, enquanto que no AT utiliza muitos provérbios e salmos, entre outros estilos.


O importante é que o estudante da Bíblia saiba que para estudá-la é preciso ter bom senso, paciência, disposição e dedicação ao analisar os textos.
Antes de começar a estudar a hermenêutica e suas técnicas é preciso lembrar que o livro a ser estudado é a Bíblia. 
Esta por sua vez é fruto da revelação de Deus ao homem. Então é necessário que haja uma compreensão do que significa revelação e quais os tipos que existem.


Fonte: Tione

Fé e Teologia

Não é possível falar sobre fé sem citar o texto de Hebreus 11.1
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.
Após falar sobre a revelação e sobre a inspiração, a teologia se mostra presa à fé e isto envolve o âmbito espiritual. 
Para se tratar de um assunto divino é preciso crer no divino.
A fé também é definida pela disposição de crer em algo, isto significa, acreditar sem ver, porém tendo um fundamento. 
Ela também pode ser vista como algo racional. 
Entretanto, neste prisma, coloca a teologia diante de problemas difíceis. 
Ela não pode ser puramente psicológica e nem baseada apenas na razão, pois é algo individual e ao mesmo tempo comum a todos. 
É ela quem leva as pessoas às igrejas e a uma reflexão interna.
De acordo com os ensinamentos paulinos a fé é o início do caminho que leva o homem a Deus. Porque não é o evento salvífico de Cristo que transforma o ser humano num cristão, mas a atuação do Espírito Santo de Deus e a crença de que tudo isto existe. Só através da fé que alguém pode entender tudo isso, compreender a graça de Deus e ao mesmo tempo, sentir-se sob ela.
A partir deste ponto é possível entender a teologia, porque ela utiliza a fé e é fruto da mesma. Imagine não ter fé ou não entendê-la e falar em revelação e inspiração, sem falar, em Deus e nos seus atributos divinos.
O teólogo, além de utilizar os seus pensamentos, precisa lembrar que para compreender a Palavra de Deus é necessário meditar nela, tirar conclusões e ensinamentos da mesma, a saber, os ensinamentos de Cristo.
A teologia não está desvinculada do indivíduo e muito menos do conteúdo da Escritura. 
A história da teologia mostra que os maiores pontos da fé cristã surgiram mediante a necessidade de combater idéias errôneas e heresias. Por isso o teólogo tem que viver integralmente da fé cristã, a qual é revelada pelo Espírito Santo de Deus.
Künneth diz que a vida do Espírito Santo toma conta do homem todo e também de sua capacidade de compreensão. Afirma ainda que as funções intelectuais do homem são determinadas, libertas e novamente orientadas pelo Espírito.
Só através de uma atitude humilde e reverente, que é condicionada pela fé, é que se tem uma abertura para ser ensinado pelo Espírito Santo.
É bom lembrar que sem fé não há teologia e que não se pode agradar a Deus, conforme diz o texto em Hebreus 11.6:


Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.


O teólogo precisa ter uma fé viva, através da qual é estimulado a elaborar, de forma intelectual, exata, comunicável e possível de verificação, a mensagem da verdade, a qual é Deus, que ele crê por fé. Esta condição é conhecida pela expressão fides quaerens intellectum (fé que procura entendimento).





A palavra hebraica utilizada para se referir à fé é: aman


Este vocábulo tem na sua raiz o sentido de certeza, confirmar, sustentar, principalmente ao ser utilizado no grau Qal. O versículo de Hebreus 11.1 o utiliza para definir fé. 
A idéia básica desta raiz é a de firmeza, certeza.
Este verbo ao ser utilizado no grau Qal expressa o sentido básico de sustento e é usado no sentido de braços fortes que sustentam uma criança necessitada. O particípio deste grau expressa a idéia de continuidade.
No particípio passivo do Qal o sentido é passivo de alguém que é estabelecido ou confirmado, ou melhor, o fiel. Conforme consta em:


Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel; e tu procuras destruir uma cidade que é mãe em Israel; por que, pois, devorarias a herança do Senhor? (II Sm 20.19)


Salva-nos, Senhor, pois não existe mais o piedoso; os fiéis desapareceram dentre os filhos dos homens (Sl 12.1)


Amai ao Senhor, vós todos os que sois seus santos; o Senhor guarda os fiéis, e retribui abundantemente ao que usa de soberba. Esforçai-vos, e fortaleça-se o vosso coração, vós todos os que esperais no Senhor. (Sl 31.23,24)


No grau Hifil (causativo) esta expressão tem o sentido de tornar certo, convicto e ser assegurado. Significa que é crer e mostra que a fé apresentada na Bíblia é algo seguro, uma certeza. Diferente do que se diz hoje porque a fé para o judeu é sobre algo que existe e por isso há a certeza desta existência.
No grau Nifal o seu sentido é de ser estabelecido, conforme consta em:


A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre. (II Sm 7.16)


Agora, ó Senhor, seja confirmada para sempre a palavra que falaste acerca do teu servo, e acerca da sua casa, e faze como falaste. (I Cr 17.23)


Agora pois, Senhor, Deus de Israel, confirme-se a tua palavra, que falaste ao teu servo Davi. (II Cr 6.17)


Ao ser utilizado no particípio do grau Nifal tem o sentido de ser fiel, certo, dependente, pois descreve os que crêem, conforme os textos de:


Mas não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. (Nm 12.7)


E eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que fará segundo o que está no meu coração e na minha mente. Edificar-lhe-ei uma casa duradoura, e ele andará sempre diante de meu ungido. (I Sm 2.35)e achaste o seu coração fiel perante ti, e fizeste com ele o pacto de que darias à sua descendência a terra dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos perizeus, dos jebuseus e dos girgaseus; e tu cumpriste as tuas palavras, pois és justo. (Ne 9.8)


Também é utilizado para descrever aquilo sobre o que toda a certeza descansa, o próprio Deus e sua aliança:


Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos. (Dt 7.9)


Conservar-lhe-ei para sempre a minha benignidade, e o meu pacto com ele ficará firme. 
Farei que subsista para sempre a sua descendência, e o seu trono como os dias dos céus.(Sl 89.28,29)
É possível notar uma nítida diferença, entre crer e ser estabelecido, contida em Isaías 7.9:


Entretanto a cabeça de Efraim será Samária, e o cabeça de Samária o filho de Remalias; se não o crerdes, certamente não haveis de permanecer.


Afinal, sem fé não é possível ter estabilidade.


Outra expressão que vem da raiz de fé é o Amém e Jesus a utiliza para enfatizar a certeza do que estava dizendo.


que significa verdadeiramente, de fato.


O amém expressa uma afirmação certa em face de algo que foi dito. É utilizado após o pronunciamento de maldições solenes e hinos de louvor.


e esta água que traz consigo a maldição entrará nas tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre, e te fazer consumir-se a coxa. Então a mulher dirá: Amém, amém. (Nm 5.22)


Também sacudi as minhas vestes, e disse: Assim sacuda Deus da sua casa e do seu trabalho todo homem que não cumprir esta promessa; assim mesmo seja ele sacudido e despojado. E toda a congregação disse: Amém! E louvaram ao Senhor; e o povo fez conforme a sua promessa. (Ne 5.13)


Maldito o homem que fizer imagem esculpida, ou fundida, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo, respondendo, dirá: 
Amém. (Dt 27.15) para que eu confirme o juramento que fiz a vossos pais de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então eu respondi, e disse: Amém, ó Senhor. (I Cr 16.36) Bendito seja o Senhor Deus de Israel, de eternidade a eternidade. Então todo o povo disse: Amém! e louvou ao Senhor. (I Cr 16.36)
Então Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as mãos, respondeu: Amém! amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os rostos em terra. (Ne 8.16) Bendito seja o Senhor Deus de Israel de eternidade a eternidade. Amém e amém. (Sl 41.13)que significa fé, sustento, certo, seguro.
O amanah é uma expressão encontrada sempre em fases interrogativas, sugerindo dúvidas da parte daquele que pergunta.
Perguntou o Senhor a Abraão:
Por que se riu Sara, dizendo: É verdade que eu, que sou velha, darei à luz um filho? (Gn 18.13) Perguntou Balaque a Balaão: 
Porventura não te enviei diligentemente mensageiros a chamar-te? por que não vieste a mim? não posso eu, na verdade, honrar-te? (Nm 22.37)


Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? 
Eis que o céu, e até o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos esta casa que edifiquei! (I Rs 8.27)


Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? 
Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter; quanto menos esta casa que tenho edificado! (II Cr 6.18)


Falais deveras o que é reto, vós os poderosos? Julgais retamente, ó filhos dos homens? Não, antes no coração forjais iniqüidade; sobre a terra fazeis pesar a violência das vossas mãos. (Sl 58.1,2)


O teólogo, porém não pode esquecer que a fé, em momento algum, tem como finalidade abolir a ciência. Muito pelo contrário, a teologia também pode ser vista como ciência. 
Ter fé não significa acreditar somente naquilo que a ciência não pode explicar. 
Ela a utiliza como base de sustentação.


Fonte:  Tione

O senso da fé nos fiéis cristãos se opõe ao discurso teológico?

Quase todos os católicos já procuraram tirar dúvidas sobre teologia. Alguns buscam respostas com seu pároco, outros fazem o esforço de ler algum manual de religião, e, mesmo quando a resposta torna-se um pouco complexa, os fieis, em seu interior, ficam tranquilos, por saberem que a doutrina corresponde à fé que tinham.


Certa vez um eminente biblicista europeu teve que fazer uma série de conferências sobre as Sagradas Escrituras, na América Latina. Durante a exposição, que era reservada para pessoas conhecedoras da matéria, sua eloquência e ciência do assunto fizeram com que um dos presentes exclamasse: "Mas, então, é impossível conhecer a Bíblia, pois é tal sua complexidade que só alguns poucos têm acesso a esta doutrina!". Ao ouvir essa consideração, o palestrante comovido, retorquiu: "Não, os verdadeiros conhecedores da Bíblia são as crianças".


O que pode ter feito com que este grande especialista mencionasse os "pequeninos", aos quais pertence o "Reino dos Céus" (cf. Mt 19,13-15; Mc 10,13-16; Lc 18,15-17), como perfeitos intérpretes das Escrituras?


Hoje em dia, faz-se cada vez mais necessário um estudo científico nas diversas disciplinas, inclusive, dentro da própria teologia. No afã de buscar a verdade, inúmeros pensadores católicos empregam anos de estudos, a fim de precisar sua linguagem doutrinária e aprofundamento em pesquisas. Porém, isto não acontece com o comum das pessoas. A maioria dos fiéis cristãos não é capaz de matizar suas afirmações teológicas. No entanto, a atividade pastoral mostra como é impressionante o conhecimento da fé que possuem certos fiéis, muitas vezes não alfabetizados.


Também não é pouco incomum presenciar grandes divergências teológicas entre pessoas ou correntes de pensadores. Com quem estará a verdade teológica? Se uma das partes está correta, a outra deve estar equivocada, ou então ambas possuem partes incompletas de uma mesma verdade, ou, na pior das hipóteses, ambas conseguiram errar por caminhos diferentes.


O Papa Bento XVI aproveita sua homilia de primeiro de Dezembro de 2009, aos membros da Comissão Teológica Internacional, para se perguntar sobre esta questão do conhecimento científico em contraposição à leitura "não científica" da Bíblia. Ao comentar o encontro dos Magos do Oriente com os escribas (grandes especialistas das Escrituras), compara nossa época com a atitude destes últimos: "Existem grandes doutos, grandes especialistas, grandes teólogos, mestres da fé, que nos ensinaram muitas coisas. Penetraram nos pormenores da Sagrada Escritura, da história da salvação, mas não puderam ver o próprio mistério, o verdadeiro núcleo: que Jesus era realmente Filho de Deus, que Deus trinitário entra na nossa história, num determinado momento histórico, num homem como nós. O essencial permaneceu escondido!".


O essencial permanece escondido quando aqueles que devem procurar os pormenores da verdade se esquecem da razão por que iniciaram sua pesquisa, e acabam permanecendo nos detalhes, afastando-se do núcleo. O pensamento teológico dos fiéis, por seu lado, detémse, muitas vezes, apenas nas verdades primárias, ignorando o desenrolar das questões doutrinárias.


Isto não quer dizer que a teologia entre em conflito com a visão daqueles que têm fé, mas não possuem a ciência teológica, nem que os teólogos são pessoas sem fé, o que seria um paradoxo; pelo contrário, as visões devem harmonizar-se. Os teólogos confirmam, através de seus estudos, aquilo que os fiéis, por ação do Espírito Santo, creem e defendem. Esta capacidade proporcionada pelo Espírito Santo é denominada por Bento XVI como "sensus fidei" (senso da fé), conforme suas palavras: "o Povo de Deus precede os teólogos, e tudo isto graças àquele sensus fidei sobrenatural, ou seja, àquela capacidade infundida pelo Espírito Santo, que habita e abraça a realidade da fé, com a humildade do coração e da mente. Neste sentido, o Povo de Deus é "magistério que precede", e que depois deve ser aprofundado e intelectualmente acolhido pela teologia".1


Na doutrina católica há verdades dogmáticas em que toda pessoa deve crer. Estas verdades foram pronunciadas pelo Magistério da Igreja, sob a força infalível do Sumo Pontífice. No entanto, há outras questões teológicas a respeito das quais o Magistério ainda não se pronunciou, mas os teólogos são unânimes em aceitar. Por fim, há questões inteiramente abertas para que os estudiosos busquem uma solução.


A este respeito, existe uma conferência - realizada cerca de cinquenta anos antes deste pronunciamento do Papa Bento XVI - do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, líder católico brasileiro, na qual esclarece este conceito de sensus fidei, inteiramente coadunado com a doutrina exposta pelo Sumo Pontífice. O eminente professor expõe a necessidade que a Igreja tem de distinguir para os fiéis entre o que é teologicamente certo e o que ainda é apenas hipótese. Muitas destas hipóteses servirão de alimento espiritual para os fiéis, obrigando os teólogos a aprofundar o tema discutido, para que, mais tarde, o Magistério infalível da Igreja defina o que é realmente correto. Neste sentido, o senso da fé no Povo de Deus será uma forma da própria Teologia e do Magistério caminharem: "Esse sopro de piedade dos fiéis, a respeito dos assuntos ainda não definidos pela Igreja, também faz caminhar a Teologia e o Magistério".2


Para elucidar esta questão pode-se citar como exemplo a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Maria. O Papa
Pio IX definiu através da Bula Ineffabilis Deus, em 1854, o que desde o século II palpitava nos corações católicos ainda de forma implícita: que a Bem-Aventurada Virgem Maria foi concebida sem o pecado original. Mas por que tanto tempo de espera?


A grande dificuldade encontrada pelos teólogos no decorrer dos tempos era de harmonizar a Redenção Universal de Cristo com a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Se a Virgem Maria tivesse sido concebida sem o pecado original, a Redenção de Cristo já não seria mais Universal.




Dr. Plinio em conferência para jovens na década de 80
Grandes personalidades da teologia, como São Tomás de Aquino, diante de tal complexidade preferiram não definir uma posição, a fim de evitar precipitações. Mas o entusiasmo do Povo de Deus obrigou a que diversos teólogos estudassem a fundo o assunto. E, realmente, foi difícil, pois grandes teólogos chegaram a defender posições radicalmente opostas.


Ao mesmo tempo em que o Espírito Santo sopra na alma dos fiéis este entusiasmo por uma verdade teológica, não pode abandonar os teólogos, os quais terão a obrigação de levar adiante a discussão. No caso concreto do Dogma da Imaculada Conceição, a inspiração foi dada ao Beato João Duns Escoto, cuja inteligência lúcida e facilidade de aprofundamento teológico lhe valeram o título de "Doctor Subtilis" (Doutor Sutil). Ele tentou explicar a imunidade do pecado original em Nossa Senhora com a expressão "Redenção preventiva", "segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima da Redenção realizada por Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Por conseguinte, Maria é totalmente remida por Cristo, mas já antes da concepção".3


Há duas formas de redimir um cativo, segundo o Fr. Royo Marín; uma é pagar o resgate para libertá-lo do cativeiro no qual padece (redenção liberativa); outra é antecipar o pagamento antes que vá como cativo (redenção preventiva). Esta última é a situação de Nossa Senhora.4


Como é bonita a resolução teológica. Ela define e explica o que os fiéis sentiam em seu interior. Este sensus fidei é como uma bússola que indica o caminho a percorrer, mas é o labor dos teólogos que vai mapear todo o percurso. Isto mostra como a fé e a teologia se completam, e como afirma o Prof. Plinio: "O perfeito seria as coisas passarem-se de maneira a os fiéis terem verdadeira apetência pelo dogma, à semelhança do Concílio de Éfeso, quando o povo saiu às ruas clamando e dando vivas à Maternidade de Nossa Senhora".5




 Fonte: Thiago de Oliveira Geraldo 

5 de julho de 2011

A Clonagem sob o Olhar da Religião

Em meio as questões éticas, jurídicas e morais que giram em torno da clonagem, há uma que remete à um longínquo embate: aquele que defronta ciência e religião. Certamente os confrontos entre essas duas visões de mundo não são novos, mas encontram uma especificidade ao relacionar-se com formas de reprodução artificial e clonagem, pois colocam em cena a possibilidade de dessacralização da vida pela ciência, em oposição à sacralidade afirmada pelas religiões.


Guardadas as devidas diferenças entre três religiões - catolicismo, islamismo e judaísmo - as críticas à clonagem encontram pontos comuns para estas vertentes, como o questionamento das relações de parentesco, que podem abalar o ideal de família, o questionamento da identidade do indivíduo clonado e a possibilidade de aprimoramento genético a partir de um ideal eugênico. Entre as críticas comuns destaca-se a pretensão do homem em comparar-se a Deus.


Clonagem e Catolicismo


Segundo o padre Júlio Monari, ex-assessor de Dom Paulo Evaristo Arns e atual professor de História do Cristianismo e Bioética do Instituto Teológico Pio XIX e do Centro Universitário Assunção, a igreja católica defende a existência de vida humana, desde a fecundação, como algo divino. 
"A vida humana é um dom de Deus, só Ele é senhor da vida, nesse sentido ela reveste-se de um caráter sagrado.


O mandamento bíblico não matarás é indicador desta sacralidade, abrange a vida desde a fecundação até a morte natural. 
Não é permitido portanto, destruir um embrião para obter células tronco, como tampouco abreviar a vida de um ser humano para extrair órgãos para um transplante, a fim de salvar outra vida", afirma padre Monari. 


Assim, a clonagem com finalidade terapêutica é rejeitada pelo catolicismo, pois quando se trata de extrair células tronco de um embrião acaba-se infringindo o mandamento "Não matarás". 
"O embrião já é uma vida, que deve ser respeitada por inteiro", afirma padre Monari.


A Carta Encíclica Evangelium Vitae de João Paulo II, não aborda diretamente a clonagem reprodutiva ou terapêutica. No entanto, condena todas as formas de reprodução artificial. Na Carta, as técnicas científicas de reprodução estão lado a lado com outras ações repudiadas pela igreja, como o aborto, a eutanásia, o suicídio e o homicídio. Padre Júlio Monari afirma que o único meio de reprodução humana admitido pelo catolicismo é originado da relação entre homem e mulher. "A Igreja não permite em hipótese alguma a fecundação in vitro, seja ela homóloga, feita com os gametas do casal, ou heteróloga, com um óvulo ou espermatozóide que não provém do casal", afirma ele.


Ainda de acordo com o padre Monari a clonagem humana "já existe".


"É um fenômeno natural e acontece com os chamados gêmeos legítimos. Já a clonagem artificial realizada em laboratório, seja a reprodutiva ou terapêutica, não é admitida pela igreja católica.


A Pontifícia Academia Pro Vita do Vaticano já se pronunciou condenando taxativamente qualquer reprodução via clonagem, tanto para finalidades reprodutivas, quanto para finalidades terapêuticas. 
Entre os problemas apontados, está a possibilidade da aproximação da clonagem com a eugenia, ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie humana e que esteve na base de doutrinas como o nazismo.
Paralelamente, pontua-se nesses pronunciamentos outros argumentos contrários a clonagem: redução do significado da reprodução humana ao seu aspecto biológico, numa perspectiva que enquadra a lógica da produção industrial; instrumentalização da mulher, a qual passa a estar limitada às suas funções biológicas, a partir do empréstimo dos óvulos e do útero; perversão das relações fundamentais de filiação, parentesco, consangüinidade e progenitura; falta de identidade da pessoa clonada, que passa a ser uma "cópia".


Dos pronunciamentos da Pontifícia Academia Pro Vita, dois abordam respectivamente as clonagens terapêutica e reprodutiva: a "Declaração sobre a produção e o uso científico e terapêuticos das células estaminais embrionárias humanas" , de agosto de 2000, e "Reflexões sobre a clonagem" , de 1997, ambos escritos pelo professor Juan de Dios Vial Correa e Monsenhor Elio Sgreccia. 
Neste último, é interessante notar que a construção da crítica à clonagem humana se faz numa associação com as idéias do filósofo Friedrich Nietzsche, que se desenvolveram em torno de quatro vetores: a morte de Deus, a Vontade de Poder, o Eterno-Retorno e o Super-Homem e constituem, entre outras coisas, uma das mais profundas críticas ao cristianismo. "A proclamação da morte de Deus, na vã esperança de um super homem, traz consigo um resultado evidente: a morte do homem. De fato, não se pode esquecer que a negação da sua dimensão de criatura, longe de exaltar a liberdade do homem, gera novas formas de escravidão, novas discriminações, novos e profundos sofrimentos. A clonagem corre o risco de ser a trágica paródia da omnipotência de Deus".


Clonagem e Islamismo


O sheik Aly Abdoune, presidente da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica da América Latina (WAMY), afirma que o Islã incentiva todo e qualquer avanço científico que venha a beneficiar o homem, mas que a clonagem é totalmente contrária aos princípios islâmicos e à dignidade do indivíduo. Com relação à clonagem humana, sheik Abdoune afirma que a hereditariedade não é respeitada, pois o indivíduo clonado é desprovido de pai e mãe.


Assim como a questão do parentesco, outro ponto em comum com a crítica católica, é o dos conflitos de identidade que podem fazer parte da vida de um indivíduo clonado. 
"Não se leva em conta as dificuldades que esta criatura terá no futuro, pois é fatal que seja questionada pelos seus pares sobre a forma excêntrica pela qual veio ao mundo. 
Isto com certeza trará problemas psicológicos e poderá inserir na sociedade pessoas sem o menor senso de família, a base de uma sociedade sadia", afirma o sheik, que ainda questiona a responsabilidade da sociedade para com os frutos das experiências da clonagem, possíveis seres humanos defeituosos, física, moral e mentalmente.


Acerca da clonagem humana, o sheik Abdoune conclui que criar uma máquina para auxiliar na manutenção da vida de uma criatura é algo incentivado pelo Islã, mas imbuir-se da pretensão de dar vida à esta máquina, dotá-la de alma e consciência deve ser totalmente rejeitado por qualquer criatura com um mínimo de senso ético.


O islamismo também condena a clonagem terapêutica. 
Para o Islã, "o ser humano é merecedor de respeito. 
Os seres humanos não são criados por partes e não podem ser alvo de experiências. 
Toda criatura é obra de Deus, o qual instala almas nos corpos, não por pedaços, mas por inteiro. Não se pode aproveitar determinadas partes de um ser vivo e jogar no lixo outras tantas.
 Isso é assassinato, é desrespeito com o próximo, é uma violação do direito básico à vida", argumenta sheik Abdoune.
Neste aspecto, a religião islâmica aceita e incentiva a doação de órgãos, após a morte do indivíduo, desde que haja permissão do doador e da família e que a doação não ocorra por comércio. Segundo o sheik, a doação de órgãos é mais eficiente do que as experiências de laboratório.


Clonagem e judaísmo


O presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista, rabino Henry Sobel, afirma que é plenamente a favor da pesquisa científica, mas categoricamente contra a clonagem de seres humanos. A posição do rabino muda quando se fala em clonagem animal. Apesar de também conter problemas éticos, ela pode ser justificada com base nos benefícios potenciais para a vida humana.


A idéia da presunção do homem em tentar se comparar a Deus, também está presente nas críticas e questionamentos feitos pelo rabino. 
"Sinto enorme apreensão diante desse fenômeno. Quantos embriões e quantos bebês mal formados serão destruídos nesses procedimentos? E para quê? Para satisfazer o ego de algum cientista? E, mesmo que não houvesse, no processo de clonagem humana, o risco de formação de fetos defeituosos, há um quê de arrogância em reduzir o mistério da Criação a uma experiência de laboratório". 
A identidade do indivíduo também é apontada como uma forte preocupação para o rabino. "Não posso deixar de me questionar sobre como seria um mundo repleto de clones humanos. 
Onde ficaria a singularidade de cada indivíduo, a tão fundamental unicidade do ser humano, se essa unicidade fosse negada pela possibilidade de fazer diversos exemplares de uma pessoa", diz o rabino Sobel.


Outro ponto crítico apontado pelo rabino com relação à clonagem é o fato de que, estabelecida a técnica para fins terapêuticos, nada garante que ela não seja usada para fins reprodutivos. Ambas podem ser disseminadas dificultando o controle por parte dos governos e abrindo brechas para a proliferação de clínicas clandestinas, tal como existe para o aborto.


A eugenia também esta entre os pontos que preocupam o rabino. "Não é absurdo imaginar um banco de células fornecendo matéria-prima para clones de pessoas física ou mentalmente superdotadas.
 A História já nos deu provas aterradoras do que acontece quando se procura 'aprimorar' a raça humana, a mesma História que nos ensina que a ciência não tem consciência". O rabino diz que, assim como existem cientistas e médicos de elevada moralidade, também há aqueles que se entusiasmam com a pesquisa científica, sem levar em consideração a ética, a finalidade e os meios utilizados. Ele tem dúvidas sobre se a humanidade está realmente preparada para assumir a responsabilidade coletiva de discernir o bem do mal.


Clonagem e espiritismo


Já os espíritas (kardecistas) posicionam-se de uma forma mais cautelosa, apesar de criticarem algumas possibilidades trazidas pela técnica da clonagem. 
A doutrina espírita surgiu no século XIX e recebeu forte influência do evolucionismo e em muitas ocasiões apoia-se nele e na ciência para explicar questões espirituais. 
Para a médica espírita Marlene Rossi, presidente da Associação de Médicos Espíritas (Amesp), os últimos avanços na área biológica levaram a uma crise ética sem precedentes na história da ciência e possibilitaram o mais sério encontro entre ciência e religião dos últimos séculos. Para ela, não há dúvidas de que a ovelha Dolly tem alma ou princípio inteligente, do contrário não seria um ser vivo.
"Só o Espírito tem o poder de agregar matéria e, consequentemente, de formar o corpo físico, segundo o molde contido em seu envoltório, o perispírito. 
Assim, se a clonagem humana for sucesso, certamente, não produzirá robôs, mas seres autênticos e distintos uns dos outros, porque cada Espírito carrega em si uma experiência única, de bilhões de anos de evolução", afirma a doutora Marlene Rossi, que ressaltou também a ineficiência atual da técnica de clonagem.


A médica relembra que, para fabricar a Dolly, foram feitas 277 tentativas. Formaram-se 29 embriões e apenas um teve êxito. Constatou-se, porém, que Dolly está precocemente envelhecida. Embora tenha nascido há cinco anos, suas células são equivalentes às de uma ovelha de 12 anos. 
Este fato estaria ligado a um dos principais problemas da clonagem, o de lidar com células adultas, que estão sujeitas a muitas mutações e, segundo ela, à questão espiritual. 
O envelhecimento precoce dos clones indicaria que há falhas no processo de produção de fluido vital ou ectoplasma (envoltórios espirituais), provavelmente envolvendo os genes citoplasmáticos e os do núcleo.
O clone teria herdado um processo vital em andamento, reiniciado do ponto interrompido, quer dizer do número de anos já vividos pela ovelha clonada.


Do ponto de vista espiritual, Marlene Rossi afirma que, no atual estágio evolutivo, a clonagem humana é indefensável. "Nada pode justificar a realização de experiências com organismos humanos vivos; fazer pesquisas in anima nobile é imoral", diz ela. 
Do mesmo modo, seria indefensável a manipulação de embriões com finalidade eugênica. Com tais "escolhas" genéticas, os cientistas permanecerão circunscritos ao campo físico, sujeitos às mesmas frustrações de Hitler, diante de Jesse Owens, o expoente negro do atletismo norte-americano, vencedor das Olimpíadas de 1938, em que bateu todos os "arianos puros" alemães. Isto ocorre porque não se pode desconsiderar o Espírito imortal, único responsável pelas qualidades físicas, morais e intelectuais da individualidade, argumenta Rossi.


A médica reconhece que a ciência deve seguir seu curso próprio, desvendando os segredos da natureza. "O nosso respeito pelas conquistas científicas está alicerçado, sobretudo, nas lições de Allan Kardec", diz ela. 
O respeito aos avanços técnico-científicos não significa uma aceitação tácita de liberdade ética indiscriminada para o cientista. 
"O pesquisador despreocupado das questões espirituais prosseguirá, normalmente, com a clonagem humana terapêutica; para os especialistas espíritas, no entanto, as indagações éticas continuam em aberto, aguardando respostas mais definitivas", conclui Marlene Rossi.

1 de julho de 2011

“Jovens se vocês forem o que devem ser, colocarão fogo no mundo.”


O mundo precisa ser incendiado pela força do jovem; o mundo precisa ser incendiado pela inteligência do jovem; o mundo precisa ser incendiado pelo sonho do jovem; o mundo precisa ser incendiado pela coragem do jovem; o mundo precisa ser incendiado pela alegria do jovem; o mundo precisa ser incendiado pela sabedoria do jovem; o mundo precisa, sobretudo, ser incendiado pela fé do jovem. A juventude pode sim causar uma grande explosão neste mundo fragilizado.


Haja vista, que nossas igrejas estão cada vez mais sedentas por fiéis, e muita mais sedenta estão pela ausência de jovens que já não participam nas missas, nos grupos de jovens, nos ministérios e pastorais. Pois se formos fazer uma pesquisa de campo, verificaremos que o número de jovens que vivem fora da igreja é superior a 95% se compararmos ao número que participa. É uma matemática que nos entristece, mas não nos enfraquece. O Mundo, para a essa maioria exacerbada de jovens é aparentemente mais acessível, mais lindo, mais atraente.


O que estamos fazendo, além de cobrar e esperar que os jovens um dia tomem a iniciativa de incendiar o mundo com toda a sua força? O que estamos fazendo para mostrar aos jovens que será muito importante que eles coloquem fogo no mundo? Pouco. Sim achamos simplesmente, que os jovens são individualistas, egoístas, rebeldes, esquisitos, violentos, medrosos, tímidos. Por isso, o culpamos por tão mesquinha participação nas comunidades e paróquias.


É hora de ajudá-los! É hora de socorrê-los! A igreja precisa ser mais incisiva; a igreja precisa começar a evangelizar mais os pais, para que os pais evangelizem seus filhos, para que crescem na fé; para que sejam educados visando os bons costumes; para que sejam protagonistas de sua própria história, sem deixar que o mundo com suas idéias prontas e mentirosas o tornem vítimas do ceticismo, da miséria e da violência.


Irmãos, somente o evangelho é a grande vacina contra todos os males que o pecado causa à juventude. Por isso, padres, catequistas, missionários e missionárias, chegou a hora de imunizarmos os jovens. Sejamos otimistas, para que o mundo, tão apagado, seja incendiado pela graça de Deus, seja incendiado pela força da juventude. É preciso nos mostrar apaixonados pelo evangelho, e mostrar-lhes que se sabemos incendiar seus corações de vida e esperança, fora porque fomos imunizados pelo evangelho. Revelemo-nos apaixonados pelo evangelho, e veremos mais jovens pondo fogo nos corações de outros jovens sedentos pelo Espírito santo de Deus, sedentos por vida e dignidade.


Seminarista Sebastião Gustavo Siqueira de Andrade

Os Sacramentos agem no inconsciente?

Em conversa com distinta psicóloga de Brasília, levantamos a questão sobre a eventual ação dos sacramentos da Igreja no âmbito profundo da alma, influência que está fora do comando direto da consciência.


Eu dizia que muitos pais estão certos quando desejam o batismo de seus filhos, em tenra idade. Mesmo que pensem menos na graça santificante, e na inserção no corpo da Igreja - que é o apanágio dos filhos de Deus - e mais num efeito psicológico no inconsciente.


Essa não é uma preocupação primordial da prática sacramental. Mas pode ser um mimo do Pai Eterno para com seus filhos, que não pode ser desprezado.


A criança que é batizada, está junto à sua família e junto com outros membros da comunidade. Assim ela “descobre” que é muito importante. “Sabe” que é amada por todos. Não é amada só pela sua família, mas também pelos outros: padrinhos, Padre, equipe celebrativa. Sabe que o Poderoso gosta dela. Conclusão da criança: “todos gostam de mim”. Podemos desejar melhor consciência de autoestima do que esta?


Poderíamos aprofundar o imenso benefício psicológico da santa Confissão, no espírito dos Fiéis. Ela pode nos levar a termos confiança em nós, porque o Pai nos dá uma nova chance, perdoando tudo. É como se nos disséssemos a nós mesmos: “com a graça de Deus, eu vou conseguir vencer o mal, e vou ser um bom cristão”.


A psicóloga, no entanto, se fixou ainda em outro sacramento da Igreja, que traz imensos benefícios aos Fiéis: é o matrimônio. Primeiro, olhando o vácuo espiritual de quem “não se casa na Igreja”, sobretudo podendo fazê-lo. A tais pessoas se repete o pensamento de frustração. Convencem-se de que falta alguma coisa. Que a família que tem é muito boa, e a alegria dos filhos lhes causa prazer legítimo.


Mas ainda não é tudo. Por outro lado, o casal que se recebe pelo sacramento do matrimônio, tem um sentimento de plenitude. Sabe que sua união é desejada pela sociedade. Todos depositam suas esperanças nesse casal. A Igreja lhes dá, em nome de Cristo, as bênçãos, para superar com mais galhardia, os problemas que a vida de família sempre pode trazer. E que grande autoestima para o casal saber que são participantes da obra de Deus Criador, quando geram e educam os seus filhos.


Fonte: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN

O sentido da bênção na Igreja



A Igreja Católica trouxe ao mundo uma outra forma de pensar. Sem ser racionalista – quando o único critério de vida se torna a razão - o nosso ideário ficou essencialmente ligado à inteligência. Nem tudo nós conseguimos compreender, mas nada encontrou acolhida na nossa Teologia que fosse irracional.


Por isso, não existe nenhuma idéia absurda na nossa fé, nem contradição. O arcabouço do nosso Credo é lógico, harmonioso, cheio de bom senso. “Estai sempre prontos a dar as razões de vossa esperança” (1 Pd 3, 15).


Cedo os cristãos abandonaram práticas mágicas dos povos pagãos, e tomaram distância de superstições. Não abrigamos idéias, palavras ou gestos que, por meio de espíritos, pretendem produzir efeitos extraordinários, contrários às leis naturais. Não admitimos que fora de Deus, existam forças secretas, que burlem o poder divino.


O uso desses encantamentos, daria ao homem o domínio sobre a natureza e os acontecimentos. A fé em Cristo, no entanto, impede crer em atos mágicos, passes, adivinhações sobre o futuro, exatamente porque tudo isso supõe que o Onipotente se faria ausente da realidade. Então a magia secreta (certos gestos ou palavras) concederia essa força. E por ser desconhecida do próprio Ser Supremo, daria poderes secretos para manipular a realidade.


Não desclassifico a quem faz uso desses recursos baseados no medo, ou em presságios fortuitos. Talvez tais pessoas encontrem alívio para os seus males, o que me leva a respeitá-las. Mas eu gostaria de elevar tais irmãos de caminhada, a um patamar acima. Nós próprios devemos tomar em nossas mãos a construção do futuro, e não esperar que tudo “venha do alto”. No entanto, sentimos nossas limitações. Por isso clamamos ao Senhor, para que nos ajude (não para que nos substitua).


Além da oração confiante, podemos lançar mão do pedido de bênção, que é atitude sumamente bíblica. Existem bênçãos de casas, de veículos, bênçãos para a saúde, e orações para alcançar a paz...Deixemos de lado os produtores de espetáculos que, por meio de sugestões levam o público ao delírio espiritual, e depois poderosamente libertam as pessoas da “possessão diabólica”. São gestos que pretendem promover a idolatria pessoal. “Não adorarás nenhum outro Deus, além do Senhor” (Ex 34, 14).


Fonte: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN

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