.

.

9 de maio de 2011

EVANGELHO DE SÃO MATEUS

 Autor: Mateus significa "dom de Deus" (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos.

 Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9)*. Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).


Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). 


maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galiléia; outros afirmam que foi na Síria(Antioquia).
Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original.
A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais freqüentar as sinagogas dos judeus.


Objetivo:


 O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas,que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:


- Quem é Jesus? (conhecer).
 Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (fazer o que Ele mandou). 
Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (cf. 9,9).


Destinatários:


 Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. 
Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: 


"fazei que todas as nações se tomem discípulos meus... (28,19).


CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS


1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:


- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.


2. É o Evangelho do Pai:


Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo
que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem
destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de
Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc
12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40). Algumas parábolas, que se encontram
exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do "Pai": a parábola do servo infiel (18,23-35,
cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc
14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).


3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):


- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois convém que
cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.


4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:


- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus,
por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH - Javé).


5. A valorização da história e do Antigo Testamento:


- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. 
São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma
das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”;
ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.


Fonte: Frei Ildo Perondi

7 de maio de 2011

Mãe de Jesus, Mãe da Igreja e nossa Mãe

Com o mês de maio, somos convidados recordar o mês de Maria, e com Ela, o dia das mães. Maio nos fala da ternura, do afetivo, do amor e da família. Somos convidados a descobrir a riqueza do feminino, da mulher no Plano de Deus, em nossa vida, na vida da Igreja. Particularmente somos chamados a sempre mais descobrir porque nós cristãos amamos e veneramos Maria como a Mãe de Jesus, nossa Mãe e Mãe da Igreja.


Maria no A.T .é preanunciada em sua presença e missão já no Gênesis quando Deus fala que uma mulher “calcaria a cabeça da serpente” vencendo o mal (Gen.3,15). Está visualizada nas grandes figuras femininas, como Éster, Judid, Rebeca, etc. Isaias a anuncia como a “virgem que nos traria o Salvador da humanidade”(Is.7,14). No N.T., não somos nós, mas a própria eternidade, Deus, que através do anjo Gabriel a saúda, dizendo: 


“Ave Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo, bendito é o fruto do teu ventre, Jesus”(Lc.1,28s). Isabel a reconhece como a Mãe do Salvador. 


“Donde me vem a honra de receber a Mãe de meu Salvador”(Lc.1,43), como profetiza que Maria “seria a bendita de todas as gerações”(Lc.1,48).


Maria não é apenas a Mãe de um grande homem, nem do maior dos profetas, mas a Mãe do Filho de Deus, do nosso único Salvador e Redentor. 
Ela gerou e educou Jesus. 
Acompanhou seu Filho amado ao longo da vida, da gestação até sua morte e ressurreição. Foi o próprio Cristo Quem a entregou como a Mãe de toda a humanidade ao pé da cruz nos momentos finais de sua vida. 


“Mãe, eis ali teu filho, filho eis ali tua Mãe”(Jô.19,26).


Ela se fez presença no Pentecostes, na Igreja nascente e através de toda a história dos dois mil anos do cristianismo.


Sem dúvida, Maria se encontra no coração de Deus Pai, no coração e na vida de Jesus, no coração da Igreja e dos povos. Sua presença na Igreja e na humanidade nos é conhecida. Aparece em Lourdes, para nos pedir conversão. Em Fátima intercede pela conversão da Rússia e da humanidade. No México, Guadalupe, intervem a favor de nossos índios. Em Aparecida, pede para reconhecermos os negros como iguais a todos, etc.. A presença de Maria aparece diretamente à Promessa de Deus no AT, como a Mãe de Cristo e da Igreja no NT e como a mediadora entre Deus e o homem na história da Igreja. É por isto que nós cristãos a amamos e a veneramos.


Deus ao nos chamar à vida através de nossos pais nos criou “a sua imagem e semelhança”, como homens e mulheres, como família, onde o masculino e o feminino fazem parte da essência da natureza humana. Em nossa vocação humana e divina, Maria é o feminino de Deus em nosso caminho para a eternidade. Deus é Pai com coração de Mãe, onde Maria aparece como “o rosto materno de Deus” a favor da humanidade.


Na passagem do mês de maio, nosso especial carinho e gratidão pela presença de cada mulher, particularmente pela existência de nossas mães físicas e espirituais. 
Deus, a Igreja, cada um de nós, a humanidade, precisamos de vocês mulheres. 
Ser mulher é ser dom, dádiva, manifestação viva e encarnada no tempo da própria ternura de Deus.


Para Jesus nossa gratidão por nós ter dado sua Mãe como Mãe da Igreja e nossa Mãe.
Na passagem do dias das mães, para nossas mães terrenas que nos geraram para a vida, para o amor, para fé, para a Igreja e para Deus, nossa mais sincera gratidão e preces.


Fonte: Padre Evaristo Debiasi

5 de maio de 2011

JESUS VEIO AO ENCONTRO DOS SEUS ANDANDO SOBRE AS ÁGUAS Atos 6, 1-7; João 6, 16-21

Um dos sentimentos mais desagradáveis que possamos experimentar é aquele do medo. Uma coisa é um leve temor, um receio quase fugaz. Outra coisa é quando imaginamos um sofrimento intenso. Temos medo de um assalto, de alguém que dirige o veículo em que estamos desgovernadamente, temos medo de certas pontadas no peito que podem indicar problemas cardiológicos delicados. A cena do evangelho de hoje fala do medo dos apóstolos no meio do Lago de Tiberíades. Jesus vem ao encontro deles andando sobre as águas. Seria um fantasma?


Há alguns pormenores que podem ser realçados nesse relato. Este segue imediatamente à multiplicação dos pães. A tarde caía. Já estava escuro e Jesus não estava com os discípulos. O mar estava agitado. Os autores do Missal Cotidiano da Paulus fazem os seguintes comentários: “A revelação de Jesus continua. Na multiplicação dos pães revelou-se como profeta e Messias. Mas as multidões interpretam o messianismo de Cristo de modo terreno e político. Ora, com o caminhar sobre as águas manifesta Jesus sua identidade profunda, sua natureza divina: ele é “independente” dos condicionamentos naturais, é o “Senhor” da natureza. Diversamente dos sinóticos, este milagre para João não é tanto uma ajuda aos discípulos, em perigo, quanto um sinal de sua credibilidade para as palavras “duras” que porão sua fé à prova.


Em João, porém, há uma outra perspectiva, outra conexão. O milagre dos pães coloca e completa o milagre do maná: o caminhar sobre as águas, o da passagem do Mar Vermelho. Deus é aquele que está presente com proximidade constante e fecunda de salvação, tornou-se em Jesus definitivamente presente e sua presença é uma presença de vida” (p. 378).


O Evangelho diz que assim como Javé , Jesus manifesta seu poder dominando o mar e alimentando seu povo. Jesus não somente é o grande profeta anunciado, o novo Moisés, mas Deus que se manifesta alimentando seu povo e mostrando-se poderoso.


Podemos dizer que neste episódio está, de alguma forma, presente o tema do batismo, da passagem pela água.


Sem ser tema fundamental da perícope podemos fazer uma interpretação acomodatícia ao texto. Vivemos o tempo pascal e contemplamos a presença do Ressuscitado que não nos abandona. Não temos que temer. Ele é companheiro da viagem de nossa vida e de nossa caminhada. Ao longo da história ele vai nos acenando e chamando atenção para os sinais de sua presença.


Fonte: Franciscanos

O SINGELO ESPLENDOR DE NOSSAS MESAS Atos 5,34-42; João 6, 1-15

“Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam” (Jo 6, 11).


Multiplicação dos pães... quantas vezes já lemos estes textos ou reflexões sobre o milagre dos pães e dos peixes. Nesse tempo pascal o tema vem bem a calhar. Temos sempre em mente o que se passou no albergue de Emaús. Quando Jesus tomou o pão, olhou para o céu os olhos de Cléofas e de seu companheiro se abriram. Ali havia um alimento vital e vitalizador. Era a Eucaristia.


Belo ver pessoas em volta de uma mesa de refeição. Há essas coisas simples. Dois amigos, uma família, um pequeno grupo em torno da mesa. As coisas feitas com gosto, os pratos simples, mas preparados com atenção. E a alegria do convívio. Pessoas que se estimam, pessoas que têm o coração cheio de verdadeiro amor não comem por comer, mas fazem do comer uma celebração do bem querer. Os corações se abrem, revelações são feitas, o que estava mais oculto pode vir à tona na convivência comensal. Há mesmo culturas que sabem fazer da refeição um ritual: a chegada, o aperitivo, os pratos, a sobremesa, o licor e sobretudo o todo apontando para a alegria do encontro.


Jesus vê a multidão que vem ao deserto. Pede que os discípulos os alimentem.
Estes afirmam que não conseguem com o pouco que têm alimentar tanta gente. 
Jesus toma os pães que lhes são trazidos e a multidão come à saciedade. 
A lição que sempre foi tirada deste episódio é esta: 
o pouco que cada um tem colocado sob o olhar de Deus é multiplicado. 
O pouco que cada um traz pode saciar a muitos. 
Os discípulos de Jesus, hoje também, são encarregados de partir o pão para a humanidade faminta: essa gente da periferia, esses habitantes dos espaços públicos, esses pobres de países pobre dirigidos por ditadores sem coração. 
Os cristãos são solidários e adeptos de todos os movimentos de partilha. 
Rejeitam o capitalismo selvagem e a manipulação dos mercados. 
Ninguém pode deixar de preparar a mesa para os famintos. 
Esse milagre é pedido de todos os seres humanos.


E há a mesa da Eucaristia. Flores, toalha, pão, vinho... Pena que esses símbolos falem pouco. Mas os discípulos do Senhor que se estimam celebram a mesa do Pão da vida. Trazem a matéria para a celebração: a vida, o júbilo, a gratidão, a família, os sonhos, as dores. Tudo isso se junta ao oferecimento de Cristo entre nós. 
Felizes os que podem celebrar com rosto sincero e coração grato a ceia do Senhor.


Fonte: Frei Almir R Guimarães

O FILHO QUE VEM DO ALTO Atos 5,27-33; João 3, 31-36

“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra pertence à terra e fala das coisas da terra” (Jo 3, 31)


Árdua, penosa, ao mesmo tempo bela e gratificante a tarefa do seguimento de Cristo Jesus, vivo e ressuscitado. Continuamos, nesse tempo pascal, a ouvir a proclamação do Evangelho de João. Ao longo do tempo pascal e do tempo da vida nada mais temos a fazer senão conviver com a pessoa do Ressuscitado, “até que ele venha”. Temos lâmpadas acesas nas mãos esperando sua volta.


Jesus é o centro de nossa fé e de nossa vida cristã. Nada pode ficar fora desse centro. Todo devocionalismo sem a centralidade da cristologia não merece ser fomentado. Num tempo como o nosso precisamos de cristãos que coloquem o Ressuscitado no dentro de sua vida.


Há primeiro esse encontro pessoal e intransferível com Cristo ressuscitado que cada um deve fazer. Não é de Cristo aquele que simplesmente disserta sobre o Mestre. A oração pessoal, a leitura meditava dos quatro evangelhos e dos outros textos do Novo Testamento podem ir, ao longo das estações de nossa vida, fazer nascer Cristo em nós. De particular importância é a ruminação saborosa das epístolas de Paulo onde percebemos um amor apaixonado por Cristo.


Este é um grande desafio: como as crianças, os jovens, os seminaristas, os sacerdotes cultivarão, nesse tempo de ruído, agitação, superficialidade uma amizade pessoal por Cristo? Poderemos, pessoal e sinceramente, responder à famosa pergunta de Cesaréia de Filipe: “Quem sou eu para vocês?”


Há esse encontro comunitário e fraterno com o Senhor na assembleia dos irmãos. Há o encontro no convívio e na convivência numa comunidade paroquial ou local, na comunidade de vida consagrada. Quando dois ou três se reúnem, ele se faz presente. Esse que veio do alto. Não podemos contaminar nossas comunidades com a mentalidade debaixo: ciúmes, protagonismo de uns e apagamento de outros. No coração da família, do grupo de reflexão do bairro, de um grupamento de fiéis manifesta-se o Cristo. Não convém abusar da palavra irmão. Ela é sagrada demais para ser empregada de qualquer modo. Felizes aqueles que fazem verdadeira experiência da presença do ressuscitado.


Há esse encontro com o Cristo nos sinais sacramentais: a mesa do pão branco e vinho rubro, a água que lava, o óleo que penetra.


Não basta ser discípulo de nome. Será fundamental revestir-se de Cristo e, ao longo da vida, viver trabalho, lutas, estudos, saúde e doença à luz de Cristo. Não podemos ser de baixo mas queremos ser seduzidos por aquele que vem do alto.


Fonte: Frei Almir R. Guimarães

3 de maio de 2011

Evangelhos

Chamamos “Evangelho” a um género literário de escritos do Novo Testamento que tem apenas quatro exemplares na literatura universal: os Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João.
Este género de escritos apareceu depois das Cartas autênticas de Paulo e propôs-se transmitir factos e palavras da vida de Jesus de Nazaré, que as Cartas não tinham ainda referido.
Os Evangelhos transmitem-nos factos históricos (Dv 19), mas não de maneira “fria” e “isenta”, à maneira da historiografia moderna; os factos e as palavras de Jesus são coloridos pela experiência das comunidades da primeira geração cristã, que vai dos anos 30 a 70.


QUATRO EVANGELHOS


É esta experiência das comunidades cristãs que vai influir na tonalidade própria de cada um dos quatro Evangelhos. Por detrás da autoria individual dos Evangelhos a qual vem da Tradição do séc. II e não se encontra no texto dos Evangelhos está também uma ou várias comunidades cristãs. A Constituição Dei Verbum não declara que determinado Evangelho pertence a determinado evangelista como seu autor. Afirma apenas “a origem apostólica dos quatro Evangelhos (...) segundo Mateus, Marcos, Lucas e João” (n.° 18); isto é, são-lhes atribuídos. 
A Tradição ligava os Evangelhos de Mateus e de João aos respectivos Apóstolos; o de Lucas a Lucas, companheiro de Paulo; o de Marcos, a um companheiro de Pedro com esse nome. Com isso, pretendia-se ligar estes escritos à sua fonte, que é Cristo, e às suas testemunhas oculares. De facto, os Quatro Evangelhos representam o último estádio da tradição acerca das obras e das palavras de Jesus.
O 1.° período é constituído pelo próprio Jesus, de 6 a.C. a 30 d.C.. Jesus não escreveu; apenas anunciou oralmente a mensagem, através dos caminhos da Galileia, da Samaria e da Judeia, reunindo à sua volta um pequeno grupo de discípulos a quem iniciou nos mistérios do Reino dos céus (Mt 13,11).
O 2.° período tem o seu início depois da morte e ressurreição de Jesus. Depois da desilusão (Lc 24,18-21) e do medo (Jo 20,19-23), os Apóstolos, com a força do Espírito do Pentecostes (Act 2,1-13), lançaram-se no anúncio da mensagem do Mestre, não se preocupando muito com a escrita mas com a urgência do anúncio do Reino. Rapidamente se formaram muitas comunidades cristãs, tanto na Palestina como nas cidades do Império. Este 2.° período, ou primeira geração cristã, vai dos anos 30 a 70.
O 3.° período é constituído pela segunda geração cristã, ou seja, pelos discípulos dos Apóstolos e de outras testemunhas oculares de Jesus. Cada um deles tinha deixado mais marcada alguma tradição acerca de Jesus; agora, juntam-se as diferentes “tradições” para não se perder a memória do Senhor. Este período vai dos anos 60 a 100. É neste período que aparece a redacção definitiva dos Quatro Evangelhos.
A tonalidade própria de cada um desses Evangelhos, a nível literário e teológico, faz com que eles sejam semelhantes, mas também diferentes entre si. Essa tonalidade tem origem no estilo de cada evangelista e na intenção teológica de responder às necessidades específicas da comunidade a quem dirige o seu Evangelho.


EVANGELHOS SINÓPTICOS
Por seguirem o mesmo esquema fundamental de Marcos, chamamos a Marcos, Mateus e Lucas “Evangelhos Sinópticos”; porque, se os dispusermos em colunas paralelas e fizermos deles uma leitura de conjunto, deparamos com semelhanças fundamentais e com diferenças de pormenor. Diferente dos “Evangelhos Sinópticos” é o Evangelho segundo São João, escrito entre os anos 90-100. Este Evangelho não segue o esquema histórico-geográfico de Mt, Mc e Lc (que tem origem em Mc) e é mais abundante em discursos de Jesus, com base nos factos da sua vida. Aparece, por isso, como o Evangelho teológico por excelência. O ambiente onde nasceu o Evangelho segundo São João e a sua relação com os Sinópticos continua a ser objecto de estudo por parte dos especialistas na matéria.


PORQUÊ QUATRO EVANGELHOS?


A Igreja aceitou apenas os Quatro Evangelhos, escritos entre os anos 60 e 100. Porquê apenas quatro?
Parece que desde o princípio da Igreja houve uma certa propensão para o uso de um único Evangelho. Isso não significa que se negasse a autoridade dos outros. Naturalmente, os cristãos vindos do Judaísmo preferiam o Evangelho de Mateus, escrito sobretudo para lhes falar da relação de Cristo com a Lei de Moisés (Mt 5,17-7,29). Talvez tenham utilizado este Evangelho em discussões com os outros cristãos vindos da civilização helenista, que sustentavam não ser necessária a observância da Lei de Moisés (AT).
Marcião é também um caso especial a este respeito: usa o Evangelho de Lucas por lhe parecer o Evangelho que fala do amor de Deus, presente entre os homens em Jesus Cristo; mesmo assim, elimina algumas partes onde esse amor não lhe parece evidente ou onde se fala do Antigo Testamento, que ele rejeitou em bloco.
O movimento gnóstico utilizou e manipulou sobretudo o Evangelho de João (ver Jo 14,2-3; 17,16). Tassiano pretendia um compromisso entre as duas tendências (o uso de um único Evangelho e os quatro), harmonizando-os num só (o Diatesseron). Esta harmonização foi largamente seguida nas igrejas siríacas do Oriente, mas praticamente rejeitada nas igrejas ocidentais de língua grega e latina. De facto, fazendo dos Quatro Evangelhos apenas um só, destruíam-se as quatro teologias sobre Jesus, ficando apenas uma “História de Jesus”. Ora os Evangelhos são muito mais do que a História de Jesus.


EVANGELHOS APÓCRIFOS E FORMAÇÃO DO CÂNON


Muitos outros “evangelhos” apócrifos isto é, falsos conheceram uma certa celebridade, a partir do séc. II. Os mais conhecidos foram: “Evangelho dos Hebreus”, “Evangelho dos Ebionitas”, “Evangelho de Pedro”, “Evangelho de Tomé” e Proto-Evangelho de Tiago. De alguns restam apenas fragmentos e breves notícias. 
Eram histórias populares mais ou menos edificantes sobre factos da vida de Jesus ou simples colecções de algumas palavras a Ele atribuídas.
A Igreja soube sempre separar o trigo do joio, a partir de três critérios necessários para um Evangelho ser autêntico: 
1) ter uma ligação directa com o grupo dos Apóstolos; nasce daqui a atribuição de cada um deles a um nome importante, se possível, testemunha ocular de Jesus: Evangelho segundo Mateus, segundo Marcos, segundo Lucas e segundo João (critério apostólico); 
2) incluir palavras e factos históricos da vida de Jesus, e não apenas um destes conteúdos (critério literário); 
3) ser utilizado na pregação e na liturgia da Igreja universal (critério litúrgico).
A partir destas exigências, muito cedo foram excluídas da Igreja essas histórias que se apresentavam como “evangelhos”. 
A luta contra os hereges, sobretudo contra Marcião, na segunda metade do séc. II, forneceu à Igreja uma motivação mais para encontrar e colocar ao alcance dos cristãos a colecção ou Cânon dos livros seguramente inspirados pelo Espírito Santo.
De qualquer modo, o Cânon só progressivamente, e a partir dos princípios já referidos, se foi formando, entre o séc. II e IV. Assim, as igrejas de língua siríaca utilizavam, por vezes, o Diatesseron em vez dos Quatro Evangelhos e não incluíam as Cartas Católicas mais pequenas (2 e 3 Jo, Jd, 2 Pe), tal como o Apocalipse. 
Aliás, o último livro da Bíblia foi também o último a entrar no Cânon, devido à desconfiança da Igreja acerca deste género de literatura, que se prestava a muitas manipulações da Palavra de Deus, como acontece ainda hoje. Neste sentido, é a Igreja que, pelo seu sentido da fé, aceita no seu seio os livros inspirados por Deus; mas é também a Igreja quem reconhece oficialmente, para utilidade dos fiéis, o Cânon (norma) dos livros inspirados pelo Espírito Santo.


ATOS DOS APÓSTOLOS


Uns 30 ou 40 anos depois das Cartas autênticas de Paulo, escreveu Lucas o livro dos Actos dos Apóstolos (entre os anos 80-90). Trata-se de um escrito que, quanto ao género literário, se encontra entre a Teologia e a História; ou melhor, o seu autor quis fazer História e Teologia ao mesmo tempo. Veja-se a grande quantidade de discursos (uns 24), que têm mais a ver com a eclesiologia do que com a História propriamente dita das comunidades da segunda geração cristã. Os personagens centrais do livro são primeiramente Pedro, ao longo dos 12 primeiros capítulos, em perfeita continuidade com o seu papel nos Evangelhos; e Paulo, do capítulo 13 em diante. Tudo indica que esta obra pertence ao mesmo autor do terceiro Evangelho (Lucas). Este começa e termina em Jerusalém; os Actos começam em Jerusalém, com os Doze, e terminam em Roma com Paulo, como que a dizer que se realizou, pelo menos parcialmente, o programa de Jesus, no meio dos pagãos (Act 28,25-28).
Deste modo se cumpre o programa de Jesus, proposto no início do livro dos Actos: «Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.» (Act 1,8) Esta obra apresenta-se, pois, como um segundo volume da obra de Lucas, numa continuidade natural dos Evangelhos e como que registando o seu cumprimento. E sendo Paulo a personagem central da segunda parte, este livro coloca-se, naturalmente, entre os Evangelhos e as Cartas de Paulo.
O autor dos Actos não nos apresenta, no entanto, Paulo como um Apóstolo e com os mesmos direitos dos Apóstolos, apesar de Paulo reivindicar este título (Gl 1,17). Para Lucas, o direito ao “apostolado” está ligado ao grupo dos Doze e ao testemunho directo e ocular de Jesus (Lc 1,2; Act 1,13.17.21-22). Depois da visão de Damasco, Paulo é introduzido no grupo dos Doze pela mão de Barnabé.
Nesta perspectiva, Paulo não é Apóstolo pela relação directa com o Ressuscitado, mas pela legitimação que recebe das «testemunhas oculares» de Jesus (Lc 1,2). Há diferenças sensíveis entre o Paulo que nos é apresentado pelo autor dos Actos e o Paulo que se apresenta nas suas Cartas. Segundo os Actos, Paulo é um rabino que continua fiel à Lei de Moisés; segundo as Cartas, Paulo é um judeu convertido que relativiza a Lei para fazer de Cristo o Senhor da sua vida: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).


Evangelhos e Actos
São Mateus
São Marcos
São Lucas
São João
Atos dos Apóstolos

Evangelho de São Marcos

A tradição antiga, que remonta ao séc. II, atribui o texto deste Evangelho a Marcos, identificado com João Marcos, filho de Maria, em cuja casa os cristãos se reuniam para orar (Act 12,12). Com Barnabé, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira viagem missionária (Act 13,5.13; 15,37.39) e depois aparece com ele, prisioneiro em Roma (Cl 4,10). Mas liga-se mais a Pedro, que o trata por «meu filho» na saudação final da sua Primeira Carta (1 Pe 5,13). Marcos terá escrito o Evangelho pouco antes da destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70.


O LIVRO
O Evangelho de Marcos reflecte a catequese que Pedro, testemunha presencial dos acontecimentos, espontâneo e atento, ministrava à sua comunidade de Roma. É o mais breve dos quatro e situa-se no Cânon entre os dois mais extensos Mateus e Lucas e a seguir a Mateus, o de maior uso na Igreja. Até ao séc. XIX, Marcos foi pouco estudado e comentado, para não dizer praticamente esquecido. Santo Agostinho considerava-o como um resumo de Mateus.
A investigação mais aprofundada desde o século passado, à volta da origem dos Evangelhos, trouxe Marcos à luz da ribalta; hoje, é geralmente considerado o mais antigo dos quatro. Na verdade, supõe uma fase mais primitiva da reflexão da Igreja acerca do Acontecimento Cristo, que lhe deu origem; e só ele conserva o esquema da mais antiga pregação apostólica, sintetizada em Actos 1,22: começa com o baptismo de João (1,4) e termina com a Ascensão do Senhor (16,19).
É comum afirmar-se que todos os outros Evangelhos, sobretudo os Sinópticos, supõem e utilizaram mais ou menos o texto de Marcos, assim como o seu esquema histórico-geográfico da vida pública de Jesus: Galileia, Viagem para Jerusalém, Jerusalém.


CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS


Revelando certa pobreza de vocabulário e uma sintaxe menos cuidada, Marcos é parco em discursos; apresenta apenas dois: o capítulo das parábolas (cap. 4) e o discurso escatológico (cap. 13). Mas tem muitas narrações. É exímio na arte de contar: fá-lo com realismo e sentido do concreto, enriquece os relatos de pormenores e dá-lhes vida e cor. A este propósito são típicos os casos do possesso de Gerasa, da mulher com fluxo de sangue e da filha de Jairo, no cap. 5. Presta uma atenção especial às palavras textuais de Jesus em aramaico, por ex. «Talitha qûm» (5,42) e «Eloí, Eloí, lemá sabachtáni» (15,34). É de referir também o dia-tipo da actividade de Jesus, descrito na assim chamada “jornada de Cafarnaúm” (1,21-34).
Dentre as perícopes e simples incisos próprios de Marcos, menciona-se o único texto bíblico em que Jesus aparece como «o Filho de Maria» (6,3), ao contrário dos outros que falam de Maria, mãe de Jesus.


PLANO


Pode dizer-se, porventura de uma forma demasiado simples, que Marcos se faz espectador com os seus leitores. Como eles, acompanha e vive o drama de Jesus de Nazaré, desenrolado em dois actos, coincidentes com as duas partes deste Evangelho. Ao longo do primeiro, vai-se perguntando: Quem é Ele? Pedro responderá por si e pelos outros, de forma directa e categórica: «Tu és o Messias!» (8,29). O segundo acto pode esquematizar-se com pergunta-resposta: De que maneira se realiza Ele, como Messias? Morrendo e ressuscitando (8,31; 9,31; 10,33-34).
O Evangelho de Marcos apresenta-nos, assim, uma Cristologia simples e acessível: Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Messias que, com a sua Morte e Ressurreição, demonstrou ser verdadeiramente o Filho de Deus (15,39) que a todos possibilita a salvação. «Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos» (10,45).


Este plano é desenvolvido ao longo das 5 secções em que podemos dividir o Evangelho de Marcos:


I. Preparação do ministério de Jesus: (1,1-13);
II. Ministério na Galileia: (1,14-7,23);
III. Viagens por Tiro, Sídon e a Decápole: (7,24-10,52);
IV. Ministério em Jerusalém: (11,1-13,37);
V. Paixão e Ressurreição de Jesus: (14,1-16,20).


TEOLOGIA


Tal como os outros evangelistas, Marcos apresenta-nos a pessoa de Jesus e o grupo dos discípulos como primeiro modelo da Igreja.
O Jesus de Marcos. Mais do que em qualquer outro Evangelho, Jesus, «Filho de Deus» (1,1.11; 9,7; 15,39), revela-se profundamente humano, de contrastes por vezes desconcertantes: é acessível (8,1-3) e distante (4,38-39); acarinha (10,16) e repele (8,12-13); impõe “segredo” acerca da sua pessoa e do bem que faz e manda apregoar o benefício recebido; manifesta limitações e até aparenta ignorância (13,22). É verdadeiramente o «Filho do Homem», título da sua preferência. Deste modo, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa: porque encerra em si, conjuntamente, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Vai residir aqui a dificuldade da sua aceitação por parte das multidões que o seguem e mesmo por parte dos discípulos.
Na primeira parte deste Evangelho (1,14-8,30), Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte (8,31-13,36) volta-se especialmente para os Apóstolos que escolheu (3,13-19): com sábia pedagogia vai-os formando, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na intimidade do Pai (11,22-26).
O Discípulo de Jesus. Este Jesus, tão simples e humano, é também muito exigente para com os seus discípulos. Desde o início da sua pregação (1,14), arrasta as multidões atrás de si e alguns discípulos seguem-no (1,16-22). Após a escolha dos Doze (3,13-19), começa a haver uma certa separação entre este grupo mais íntimo e as multidões. Todos seguem Jesus, mas de modos diferentes. Este seguimento exige esforço e capacidade de abertura ao divino, que se manifesta em Jesus de forma velada e indirecta através dos milagres que Ele realiza. É por meio dos milagres que o discípulo descobre no Filho do Homem a presença de Deus, vendo em Jesus de Nazaré o Filho de Deus.
Porque a pessoa de Jesus é essencialmente misteriosa, para o seguir, o discípulo precisa de uma fé a toda a prova: sente-se tentado a abandoná-lo, vendo nele apenas o carpinteiro de Nazaré. Por isso, Jesus é também um incompreendido: os seus familiares pensam que Ele os trocou por uma outra família (3,20-21.31-35); os doutores da Lei e os fariseus não aceitam a sua interpretação da Lei (2,23-28; 3,22-30); os chefes do povo e dos sacerdotes vêem-no como um revolucionário perigoso para o seu “status quo” (11,27-33). Daí que, desde o início deste Evangelho, se desenhe o destino de Jesus: a morte (3,1-6; 14,1-2).
Mas, os discípulos «de dentro» não são muito melhores do que «os que estão de fora» (4,11). Também eles sentem dificuldade em compreender o mistério da pessoa de Jesus: parecem-se com os cegos (8,22-26; 10,46-53).
A incompreensão é uma das mais negativas características no discípulo do Evangelho de Marcos. É essa a razão pela qual, ao confessar o messianismo de Jesus (8,29), Pedro pensava num messias (termo hebraico que significa “Cristo”) mais político que religioso e que libertasse o povo dos romanos dominadores. Isso aparece claro quando Jesus desvia o assunto e anuncia pela primeira vez a sua Paixão dolorosa (8,31); Pedro, não gostando de tal messianismo, começa a repreender o Mestre (8,31-33). O que ele queria era como todos os discípulos de todos os tempos um cristianismo sem esforço e sem grandes compromissos.
Apesar da incompreensão manifestada pelos discípulos em relação aos seus ensinamentos, Jesus não desanima e continua a ensiná-los (8,31-38; 9,30-37; 10,32-45). O efeito não foi muito positivo: no fim da caminhada para Jerusalém e após Ele lhes ter recordado as dificuldades por que iria passar a sua fé (14,26-31), ao verem-no atraiçoado por um dos Doze e preso (14,42-45), «deixando-o, fugiram todos» (14,50). Este é, certamente, o Evangelho onde qualquer cristão se sentirá melhor retratado.

Teologia do Antigo Testamento


 1 - O Encaminhamento: Problemas e Pistas


O Antigo Testamento relata-nos um só e mesmo Deus.
A Teologia do Antigo Testamento se desenvolve, através de sua forma de literatura. Deve-se ressaltar que é um livro de história, assim a teologia que quiser estar de acorde deverá ser narrativa, e não conceitual. A separação religiosa entre o histórico e o religioso é inviável. O discurso da fé é iluminado por eventos históricos e, estes o iluminam.


Ao fazermos teologia do Antigo Testamento é importante que consideremos a situação, em que os textos testemunham de Deus, e quem fala.


Raras vezes possuímos as palavras dos personagens bíblicos, o que possuímos são as tradições por eles iniciados. Assim é importante localizar as informações do texto dentro de seu contexto e realidade social. Pode-se dizer que o Antigo Testamento, em algumas partes é texto de periferia de setores marginalizados na sociedade.


A maneira de se compreender antiga a redação do Antigo Testamento , deixa de ser satisfatória. Não só Gênesis mas todo o Antigo Testamento é, basicamente um compêndio de perícopes. Mas carecemos de modelos satisfatórios.


Esta forma de fazer hermenêutica, trata não só de uma nova caminhada que venha a acrescentar e somar ao já existente. Trata-se de uma outra caminhada.


1. A Teologia na Historiografia


1.1 Preâmbulo


Os primeiros livros da Bíblia enfocam a história de Israel e sua origem. O Pentateuco constitui-se uma porta de entrada, para a história de Israel, que tem continuidade nos demais livros.


Nos livros históricos não contém a história salvífica continuamente, pelo contrário, observamos a existência de certas fases, como humanidade, patriarcas, povo oprimido, deserto, Sinai/Horebe, e tomada da terra. Assim uma Teologia do Antigo Testamento deverá abordar estes assuntos se quiser ser relevante. Dentre todos os temas existentes no Pentateuco, o êxodo é seu ponto central.


2.1.1 (Teologia do Pentateuco a partir da teologia das fontes?)


Um dos motivos para não se fazer teologia do Pentateuco a partir das fontes (Javista -J-, eloísta -E-, deuteronomista -D-, Sacerdotal-S-) seria a falta de consenso entre os defensores dessa teoria quanto às interpretações das fontes.


2.1.2 (Teologia do Pentateuco como teologia da aliança?)


É evidente que nos textos Bíblicos desde Gênesis até Deuteronômio a aliança é de suma importância. Fica a pergunta: Não deveríamos partir do conceito da aliança na Teologia do Pentateuco?


2.1.3 (Impasses de uma teologia do Pentateuco que parte das fontes ou da aliança!)


Os dois modelos é pouco adequado, porque a teoria das fontes esta sendo seriamente questionada, mas também porque a teologia da aliança somente corresponde ao teologizar do 7º e 6º séculos.


2.1.4 (Por que o êxodo é o acesso teológico preferencial para o Pentateuco?)


Baseando-se em G. Von Rad, o autor sugere que a fé de Israel tem sua origem no êxodo, causado por Javé. A libertação do Egito, está relacionada com o Deus libertador de Israel.


O fato de Deus escolher revelar seu nome de modo especial no acontecimento do êxodo dá maior importância ao feito. O êxodo é vital no credo israelita, o êxodo introduz o nome de Javé




1.2 Javé liberta escravos da opressão! (O Deus dos hebreus – teologia do êxodo)




É característica do êxodo não haver qualquer referência a uma teologia mítica ou cíclica. Se caracteriza com uma teologia histórica. Os textos do êxodo evidenciam de modo mais consistente em que sentido Javé é Deus da história.




1.2.1 (O milagre) Os milagres de Deus para com seu povo são caracterizados pelo fato de Israel ser na maioria das vezes inferior aos outros povos e Deus agir milagrosamente em seu favor. A intervenção de Javé se dá pelo milagre no campo de batalha.


O nosso mundo atual não requer e nem suporta milagres; o trabalhador crê em milagres e o celebra.


1.2.2 (O milagre é para escravos!) O êxodo esta intimamente relacionado com os sofredores, escravos e oprimidos. A ação de Deus e o clamor dos oprimidos não são separáveis. É de caráter elementar identificar no êxodo a relação de Deus com os escravos hebreus.


2.2.2.1 (Um compêndio de teologia da libertação em Ex 3; 4; 6) Estes textos são diálogos, e reflexões sobre Deus. Supostamente os capítulos 3-4 vem de círculos proféticos, e o capítulo 6 de círculos sacerdotais.


O autor defende a tese de que “hebreu” não é raça, para partir dizendo que então Deus se mostra universal, e não somente de um povo.[2] Creio que se pode usar textos apropriados para se chegar a esta conclusão, e não forçar o termo “hebreu” para apoiar sua ideologia com caráter apropriado para a “Teologia da Libertação”.




1.3 Javé age pessoalmente! (O Deus dos Pais – teologia dos patriarcas)


Nos patriarcas vemos Deus nos fenômenos de vida o semi-nomadismo. O Deus dos patriarcas se revela como Deus pessoal. O agir de Deus não se da com um individuo, mas a partir dele com todo o grupo.


Deus se mostra presente com o povo em suas peregrinações.


Deus concede promessas aos patriarcas geralmente relacionadas as terras. Em gênesis 12 vemos que as promessas visam abençoar as famílias agrárias e trabalhadoras, em gênesis 22 essa promessa passa a ter a condição de obediência.


Em gênesis 3;4;6 incorporasse a teologia dos patriarcas na teologia do êxodo.




1.4 Javé cria e mantém tudo e todos (O Deus de Abel – teologia da proto-história)


A teologia do Antigo Testamento é influenciada pelos textos de Gn 1-11. 
E a relação entre ciência e fé é determinante para a compreensão.




1.4.1 (Hermenêutica)


Segundo o autor em Gn 1-11 os fatos ali narrados foram acrescidos de sentido ao serem narrados oralmente, então era visto o presente para dentro do passado; de maneira inversa em Gn 12ss e Ex 1ss se lê o passado para dentro do presente.


Gn 1-11 evidentemente transcende o mundo histórico. Ou seja, não é histórico, céus e terra não foram criados em seis dias, os homens antes da queda jamais existiram, o dilúvio não é um fato histórico, a existência de uma só língua jamais foi uma experiência.




1.4.2 (Teologia)


O autor faz um paralelo do dilúvio com o êxodo, enfocando que ambos tiveram caráter libertador.


Ao criar a luz em Gn1 o autor propõe que o este texto foi formado no exílio com a finalidade de mostrar que quem criou os astros, ou luzeiros foram Deus e não divindades babilônicas. E declara “a primeira página da Bíblia transpira libertação político-social e teológico-espiritual”.




1.4.3 (Tarefas)


Gn 1-11 contam a história da benção ou do pecado ou de que modo ambos se relacionam nestas passagens?


CONSIDERAÇÕES




O Dr Milton Schwantes, se utilizou como pode ser observado em seu trabalho, das “fontes”, ou seja, Teoria das Fontes para sua Teologia do Antigo Testamento – Anotações. Segue abaixo algumas considerações:




a) Trata-se de uma tese que, uma vez desnudada de suas máscaras, literária, histórica ou análise socióloga, revela a sua identidade – uma tese filosófica.


b) Nunca se deve preferir a mera ortodoxia, às custas da verdade, será uma perversão negar que pontos de vistas ortodoxos podem estar com toda a razão.


c) A teoria sempre deve ceder lugar aos fatos.


d) O pano de fundo desta teoria, como sua própria origem e contexto esclarecem é o anti-sobrenatulismo.


e) O que tem se mostrado é que a maior parte dos importantes novos resultados obtidos pelos estudos históricos pouco têm tido a ver com a análise literária.


f) Em cada época, a exegese tem se moldado às maneiras de pensar dominantes; e, na metade final do século 19, o pensamento humano era dominado pelo método científico e pela perspectiva evolucionária da história.


g) As conclusões que se chega com esta teoria, é que Deus não agiu realmente na história de Israel; os hebreus tão somente pensaram que ele o tivesse feito.


h) Não há qualquer prova objetiva da existência dos documentos J.E.D.S.


i) Este método impõe um moderno ponto de vista ocidental à antiga literatura oriental; se sente competente para descartar ou refazer frases ou mesmo versículos inteiros, sempre que são ofendidos os seus conceitos de coerência e estilo.


j) Este método é especialista em fabricar problemas que geralmente não estão presentes.


k) Comete um erro lógico, quando procura desesperadamente argumentar a aceitação de seu método como se fosse uma questão provada, e sem erros.


l) O famoso estudioso judeu, Cyrus Gordon, fala da adesão quase cega de muitos críticos à teoria documentária:


Quando falo sobre a “fidelidade” a JEDS aponto para o sentido mais profundo do termo. Tenho ouvido professores do Antigo Testamento referirem-se à integridade das fontes JEDS como a “convicção” deles. Estão dispostos a tolerar modificações quanto aos detalhes. Permitem a subdivisão de fontes (D1, D2, D3 e assim por diante), a combinação de fontes (JE), ou a adição de algum novo documento, designado por outra letra maiúscula qualquer; mas não admitem qualquer dúvida quanto á estrutura básica, os supostos documentos, JEDS.


Fonte:  Anotações – Milton Schwantes





2 de maio de 2011

Beatificação do Papa Polonês João Paulo II

"Irmãos e irmãs, na luz do Ressuscitado, resplendem os beatos que amaram e serviram o Senhor nesta vida e receberam d'Ele a coroa de glória. 
Pela primeira vez, hoje, celebramos a Eucaristia em honra do Beato Pontífice João Paulo II, que todos conhecemos e amamos, e que reconhecemos participante da eterna Bem-aventurança. Iniciamos esta celebração abrindo com confiança o nosso coração à Divina Misericórdia"


Foram essas as palavras introdutórias do secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, na Missa de Agradecimento pela Beatificação de João Paulo II, celebrada na manhã desta segunda-feira, 2, na Praça de São Pedro. 
A celebração foi a primeira em memória de Karol Wojtyla após a cerimônia que o proclamou Beato neste Domingo da Misericórdia, 1º.




"À luz do Evangelho, lia a história da humanidade e os acontecimentos de cada homem e de cada mulher que o Senhor colocava ao longo do caminho. Daqui, do encontro com Cristo no Evangelho, surgia a sua fé", destacou o Cardeal Bertone.


"Simão, filho de João, tu me amas?...
 Senhor, tu conheces tudo; tu sabes que te amo" (Jo 21, 17) 
"É esse o diálogo de amor entre Cristo e o homem que assinalou toda a vida de Karol Wojtyla e o conduziu não somente ao fiel serviço à Igreja, mas também à total dedicação pessoal a Deus e aos homens que caracterizam o seu caminho de santidade", complementou.


Ao ser tolhido de tudo aquilo que humanamente podia impressionar - a força física, a expressão do corpo, a possibilidade de mover-se, até mesmo a fala -, então mais do que nunca João Paulo II confiou a sua vida e a sua missão a Cristo. "Porque somente Cristo pode salvar o mundo. Sabia que a sua debilidade corporal fazia ver ainda mais claramente o Cristo que age na história. 
E oferecendo os seus sofrimentos a Ele e à Sua Igreja, deu a todos nós um última, grande lição de humanidade e abandono nos braços de Deus", explicou o Cardeal.


O secretário de Estado definiu o novo Beato como homem de fé, Pastor, Testemunha, Papa, Santo, homem verdadeiro, em caminho, vivo.


É um homem de Deus porque vivia de Deus, sua vida era uma oração contínua e constante, que abraçava com amor cada habitante do planeta.
 "João Paulo II era um autêntico defensor da dignidade de todo o ser humano e não mero combatente de ideologias político-sociais. A sua relação com cada pessoa é sintetizada naquela estupenda frase que escreveu: 'O outro me pertence'", disse Bertone. Uma oração ainda mais eficaz também devido à série de sofrimentos que ele próprio passou em sua existência.


É um Pastor porque sabia ler os sinais da presença de Deus na história humana e e nela anunciava as grandes obras em todo o mundo e em todas as línguas.


É uma Testemunha credível e transparente porque ensinou como se deve viver a fé e defender os valores cristãos, a começar da vida, sem complexos ou medo. 
"[Ensinou] como se deve testemunhar a fé com coragem e coerência, concretizando as Bem-aventuranças na experiência cotidiana. 
A vida, o sofrimento, a morte e a santidade de João Paulo II são delas um testemunho e uma confirmação tangível e certa".


É um Papa que soube dar à Igreja Católica não somente uma projeção universal e uma autoridade moral em nível mundial, mas também uma visão mais espiritual, mais bíblica, mais centrada na palavra de Deus. "Uma Igreja que soube se renovar, configurar uma 'nova evangelização', intensificar as relações ecumênicas e inter-religiosas, e reencontrar também as vias de um frutuoso diálogo com as novas gerações", definiu Bertone.


É Santo porque coerentes a sua humanidade, a sua palavra e a sua vida. "Era um homem verdadeiro porque inseparavelmente ligado Àquele que é a Verdade. Seguindo Aquele que é o Caminho, era um homem sempre em caminho, sempre inclinado na direção do bem maior por cada pessoa, pela Igreja e pelo mundo e rumo à meta que para todo o centre é a glória do Pai. Era um homem vivo, porque cheio da Vida que é Cristo, sempre aberto à sua graça e a todos os dons do Espírito Santo".




Saiba mais


Da mesma forma como aconteceu no domingo, a cerimônia foi precedida por uma hora de preparação, na qual, entre outros, foram lidos trechos da obra poética de Wojtyla.
Durante a cerimônia, a Basílica de São Pedro permaneceu fechada ao público. No entanto, desde a manhã de domingo, passaram junto à urna de João Paulo II ali colocada cerca de 250 mil pessoas, segundo dados das autoridades do Vaticano.


Após a celebração, o espaço voltou a estar aberto aos peregrinos e assim permanecer até as 17h30 (hora local), quando será rezado o rosário e, já de forma privada, será feito o sepultamento dos restos mortais de João Paulo II na Capela de São Sebastião, próximo à famosa Pietà de Michelangelo.

João Paulo II (Papa de 1978 a 2005)


Karol Józef Wojtyla 18/05/1920, Wadowice, Polônia 02/04/2005, Vaticano, Itália


Quando o Vaticano anunciou o sucessor do papa João Paulo 1º no dia 16 de outubro de 1978, católicos de todo o mundo tiveram uma grande surpresa. Pela primeira vez desde 1522, o mais alto posto da hierarquia da Igreja Católica era ocupado por um religioso que não havia nascido na Itália. Ainda abalados pela morte prematura de João Paulo 1°, que ficou no poder apenas 34 dias, os cardeais com direito a voto escolheram o polonês Karol Józef Wojtyla para ser o 264º papa (263º sucessor de Pedro).


João Paulo 2º, que adotou o nome para homenagear o seu predecessor, era a verdadeira imagem de um esportista quando foi saudado pelos fiéis que aguardavam a nomeação do comandante do catolicismo na praça de São Pedro. Aos 58 anos, Wojtyla transpirava saúde e energia -na juventude, praticou montanhismo, natação e futebol. Antes de ingressar na vida religiosa, o papa trabalhou em uma mina e em uma indústria química na Polônia, justamente na época em que o país era ocupado por tropas nazistas.


Nomeado pelo papa Pio 12 bispo titular de Ombi e auxiliar da Cracóvia (Polônia), Karol Wojtyla participou do Concílio Vaticano 2º. Seu pontificado, um dos três mais longos da história, sofreu um grande susto no dia 13 de maio de 1981, quando foi baleado pelo turco Mehmet Ali Agca durante uma missa que celebrava na praça São Pedro. Levado de emergência para a Clínica Agostino Gemelli, o papa foi submetido a uma cirurgia que durou cinco horas e meia, onde recebeu três litros de sangue e perdeu 55 centímetros do intestino.


O atentado terrorista marcou o início de seus problemas de saúde. No mesmo ano, Wojtyla foi internado novamente para se tratar de uma infecção derivada da operação. Na década de 90, foi operado de um tumor benigno no cólon, perdeu a vesícula biliar, fraturou o fêmur e passou a conviver com o mal de Parkinson.


Desde que assumiu o seu posto, João Paulo 2º manteve o conservadorismo na Igreja Católica, editando encíclicas contra o aborto, homossexualidade, controle de natalidade, fertilização in vitro, engenharia genética e eutanásia.


Peregrinação


Ao contrário dos seus antecessores, João Paulo 2º fez muitas viagens, inclusive para países socialistas, o que representa um marco para a Igreja Católica. A sua primeira visita ao Brasil aconteceu em 1980. Ao meio-dia do dia 30 de junho, o papa desembarcou no país e percorreu 13 cidades em apenas 12 dias. A maratona teve um total de 30 mil quilômetros e momentos inesquecíveis, como a celebração de uma missa campal para 160 mil pessoas no Maracanã. Na segunda visita, dois anos depois (junho de 82), esteve no Rio de Janeiro.


A terceira viagem ao Brasil aconteceu entre 12 e 21 de outubro de 91. 
O papa não costumava beijar o solo de um país que ele já tinha visitado, mas no Brasil ele quebrou a tradição. Visitou sete cidades e fez 31 discursos e homilias. 
Esteve pela quarta vez no Brasil entre 2 e 6 de outubro de 1997. 
Em seu papado, João Paulo 2º visitou mais de 120 países.


Outro momento marcante do seu pontificado aconteceu em 2000, quando a igreja comemorou 20 séculos de história.
Em missas e pregações, o papa pediu perdão pelos pecados cometidos pelos católicos. Apesar de não mencionar fatos específicos, cardeais com forte relação de amizade com o pontífice disseram que João Paulo 2º estava se referindo às injustiças acontecidas durante as Cruzadas e Inquisição.


Autor dos livros "Atravessar o Umbral da Esperança", 
"Dom e Ministério: no Qüinquagésimo Aniversário do Meu Sacerdócio", 
"Tríptico Romano" e 
"Levante-te, Vamos", entre outras publicações, o papa celebrou mais de 150 cerimônias de beatificações e mais de 50 canonizações, entre as quais a de Amabile Lucia Visitainer, a Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, a primeira santa brasileira. Italiana, nascida na região de Trento, Visitainer veio para o Brasil com apenas 10 anos. 
Sua primeira Encíclica, "Redemptor Honoris" (Redentor dos Homens, 1979) explica a redenção por Cristo e a dignidade humana. Encíclicas posteriores falaram sobre o poder da misericórdia na vida dos homens, a importância do trabalho como formas de "santificação", os efeitos destrutivos da rivalidade entre as superpotências e a necessidade de conciliação entre o capitalismo e a justiça social.


Após anos de convivência com o mal de Parkingson e com uma série de problemas de saúde, Wojtyla morreu aos 84 anos em seus aposentos no Palácio Apostólico do Vaticano (Roma), às 21h37 (16h37 de Brasília) do dia 2 de abril de 2005.
Com certeza todos os fiéis católicos ainda sentem muito sua falta, o Papa João Paulo II, o nosso  João de Deus deixou muita saudade!

Ratings and Recommendations by outbrain